segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Woody Allen em Portugal?

Woody Allen, Filme em Portugal, Paulo Portas, Filme no Porto, Filme em Lisboa

Uma tragédia, talvez, uma tragicomédia, concedo, mas uma comédia? Ainda há quem pense q'isto tem piada?

(Nas Autárquicas, como sempre, como em todas as eleições, as vitórias são brilhantes, estrondosas, magníficas, o melhor resultado de sempre, um novo paradigma que dá que pensar, um aviso para todos os partidos políticos - há outros? - as derrotas são todas relativas. Excepto as das candidaturas do Luís Filipe Menezes e do Fernando Seara, ambas derrotas pessoais - não terá sido por isso mesmo que o partido as apoiou - para lavar dali as mãos, que andam ocupadas na destruição d'isto...?)

Actualização: ISTO! (via The Cat Scats). Novos Ciclos? Que «Novos Ciclos»?! E ISTO!

domingo, 29 de setembro de 2013

Depois de amanhã acordamos mais perto do inferno

Inferno, Hell, Enfer, Tortura,
Inferno, quadro de um anónimo Português, circa (mais coisa menos coisa) 1520

Depois de amanhã acordamos mais perto do inferno, crónica de José Pacheco Pereira, que a julgar por este título ainda tem uma pontinha de optimismo. Eu, que não tenho pontinha de optimismo, diria que depois de amanhã acordamos num inferno com chamas mais atiçadas, torturas mais violentas, sacrifícios mais sádicos (perdão Monsieur Sade, bem sei que vossa excelência era um anjinho libertário ao pé destes inqualificáveis demónios), mentiras mais escabrosas, roubos mais descarados, vigarice mais saloia, etc, etc, etc, o etecetra repetia-se sempre três vezes, ou apenas uma, mas em Portugal é um disco riscado que gira interminavelmente, o etcetra continua, continua, continua, tortura auditiva, talvez... Mas fiquem com a crónica de José Pacheco Pereira, Depois de amanhã acordamos mais perto do inferno - quer dizer, a esta hora o correcto seria dizer Amanhã acordamos mais perto do inferno...

Amanhã vota-se nas eleições autárquicas. Apesar do enjoo que suscitam no pedantismo nacional e no engraçadismo que substituiu o debate público, foram e são particularmente interessantes. São-no pelo seu significado nacional e local, são-no pela imensa participação cívica, pelo que revelam de tendências mais profundas da vida político-partidária, com a emergência de “independentes” fortes, mas são-no acima de tudo porque mostram um fugaz retorno da política e da democracia ao país da “emergência financeira”. Durante um mês, não fomos “intervencionados”, seja por escapismo irrealista, seja por liberdade, a política soltou-se. Não é por acaso que os partidários do “estado de excepção financeira” as tratam tão mal, como à democracia.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Eleições Autárquicas 2013: as minhas previsões

Eleições Autárquicas 2013, Portugal, Pantâno, Charco,

- Terrorismo inteligente - dizia ela. - Não gosto muito da expressão, não é minha, mas talvez se adeque. No fundo, algo como as novas bombas americanas, mas sem danos colaterais. Pensa bem: se um tipo é comprovadamente corrupto e criminoso, se toda a gente sabe que ele é detestável e prejudicial para o país mas as eleições ou a Justiça não o afastam de cargos de poder, o que nos resta? Esperar que morra de velho e que não deixe descendência? Rezar para que surjam outros menos maus, talvez de geração espontânea? Porque não simplesmente afastá-lo do caminho?

(...)

- Não se trataria de infligir o medo generalizado - contou-me. - Nem sequer haveria reivindicações, seriam iniciativas anónimas, cidadãos que agiam individualmente contra o sistema corrompido em vez de se imolarem em protesto (...). Um conjunto escolhido de obituários pode ser eloquente.

Rui Ângelo Araújo, in Os Idiotas (p. 82)

As minhas previsões? Continuarão a ser eleitos tipos corruptos e criminosos, detestáveis e prejudiciais, sem qualquer cuidado com o bem-comum, sedentos de se servirem em vez de servirem. Os portugueses há muito que se reduziram a vítimas que respeitam os seus carrascos, sequestrados que se identificam com o seu raptor, súbditos sequiosos de beijar a mão aos seus suseranos. 
Pouco importa a cor que dominará o mapa colorido dos municípios ao final do dia, seja rosa-alaranjado, ou laranja-rosado, com pigmentos vermelhos, ou pretos, ou azuis, ou outra cor qualquer, aqui e ali - mesmo que desbotado pela cor neutra de independentes. Baralhar para dar de novo, mas cada vez com menos cartas para distribuir: assim será até que não restem nem os ossos nem o tutano; um cheiro pestilento e nauseabundo continuará a emanar do pântano onde os portugueses se arrastam, felizes por viver.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Maldek e Nibiru, o Planeta X, Anunnakis, Nephilins, e os Sumérios, FEMA e uma catástrofe iminente.




O planeta Nibiru, o planeta das escrituras Sumérias de onde vieram os Anunnakis, está de volta: entrou dia 24 de Setembro no nosso Sistema Solar, onde ficará até dia 11 de Julho de 2014. A FEMA prepara-se para uma catástrofe iminente, as Universidades Gregas fecham as portas, uma explosão solar que provocará uma tempestade geomagnética pior que a de 1859 pode estar prestes a acontecer, uma pequena ilha surge no Oceano Pacífico após um terramoto no Paquistão, um praticante de pesca desportiva diz ter descoberto uma pirâmide submersa entre as ilhas Terceira e de São Miguel, nos Açores.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Volkswagen Kombi. A «Pão de Forma». Viagem por aí, a ver o que dá.

Volkswagen Kombi, Pão de Forma

Há um livro de Altino do Tojal, autor de que pouco ouço falar, mais conhecido pela obra «Os Putos», de que gosto muito. Intitula-se «Viagem a ver o que dá», e, se não aprendi, ao lê-lo, o nome específico de todos os sons emitidos pelos animais, deu-me imenso prazer lê-lo. Mas não é do livro, nem do autor, que quero falar aqui. É da viagem a ver o que dá. Tenho feito bastantes, não sei se a vida toda não é apenas isso mesmo, uma viagem a ver o que dá. Sonhei - sonho ainda? - um dia fazer uma viagem por aí, a ver o que dá, numa icónica Volkswagen Kombi - não, nem sequer sabia que se chamava «Kombi», para mim era apenas a «Pão de Forma». Agora chega-me a notícia que a Volkswagen Kombi vai deixar de ser produzida. Não é que tenha sonhado ter uma Volkswagen Kombi nova, na realidade sonhava ter uma para adaptar às minhas conveniências. Mas a notícia chegou-me como um eco do destino, seja lá isso o que isso for, a dizer-me que talvez seja melhor arrumar os meus sonhos nalguma gaveta do fundo de alguma secretária, ou nalguma caixa, ou arca, de alguma mansão antiga e decrépita que não possuo. Cogito que provavelmente o mundo está cheio de «ladrões» e «incompetentes» empenhados em arruinar os nossos sonhos. (Parece que os bois não gostam de ser chamados pelos nomes. Tenho que perguntar a algum tratador destes bichos se é verdade.) Quando nos resgatam disto, amigo? Olha, acho que a questão não é tanto quando é que nos resgatam disto, mas como é que conseguiremos sobreviver nisto. Lembro-me muitas vezes deste teu texto: 15 de Outubro: o Dia da Decapitação.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

António Ramos Rosa (1924 - 2013)

António Ramos Rosa, Poeta,
António Ramos Rosa
Faro, 17 de Outubro de 1924
Lisboa, 23 de Setembro de 2013

Um caminho marcado pela intensa meditação sobre a necessidade da poesia na vida do Homem, animal sempre condenado às mais ínvias e subtis formas de escravização. A poesia tem, em Ramos Rosa, essa capacidade libertadora e libertária. Neste tempo de sadismo financeiro lê-lo é fundamental.

Depoimento de António Carlos Cortez sobre António Ramos Rosa.



Os amantes imponderáveis são archotes da matéria na sua frondosa verdura

Os amantes imponderáveis são archotes da matéria na sua frondosa verdura
e através da distância perfumada cintilam como as constelações
Como é magnífica a ébria lucidez do esplendor
e como é alta elástica e incandescente essa torre vermelha
que os dois corpos formam numa coluna do universo!
Uma lua desdobra-se num grande leque branco
enquanto o fogo dança sob os arcos nas grutas efervescentes
As pálpebras fecham-se para ver melhor as linhas do cristal
da nudez revelada com os seus veios e anéis de mercúrio e ouro
Despenham-se um no outro como violentas dunas
e na vermelha colmeia da amante o tenso peixe explode
em constelações de pólen ou em arabescos de fogo
A doçura queima a seda porejante dos músculos repousados
e os corpos dilatam-se na tranquilidade de uma grande dália de água.

António Lobo Antunes candidato ao Prémio Nobel da Literatura 2013?

António Lobo Antunes, Desenho, Fotografia, Montagem, Colagem, André Meireles
António Lobo Antunes, por André Meireles

Tem António Lobo Antunes possibilidades de alcançar o Prémio Nobel da Literatura? Em 2013, em 2014, em 2015? Não consigo ler António Lobo Antunes - mas não conseguir ler seja quem for ou o que for, considero-o, por princípio, defeito meu - aparte as crónicas, de que gosto, e provavelmente os primeiros romances, que nunca tentei ler, pois comecei pelo meio da sua obra, se considerarmos Manual dos Inquisidores (1996) o meio, e depois de ter deixado Manual dos Inquisidores a meio, fui deixando as suas obras seguintes cada vez mais cedo, até desistir por completo quando cheguei ao Arquipélago da Insónia (2008). É verdade que os títulos ficaram cada vez mais bonitos; mas não menos verdade é serem emprestados. Do resto da obra, a que está antes e depois destas duas, apenas li os títulos. Nas críticas literárias - James Joyce, Virginia Woolf, Tchekov, Deus, e o Diabo - já todos foram convocados para se compararem a Lobo Antunes, e todos saíram derrotados do duelo de titãs, como não podia deixar de ser, pois nem sempre David vence Golias, que acertar-lhe sempre com a pedra no sítio exacto não é questão de pontaria, mas de acaso ou assistência divina - que frequentemente anda distraída noutros afazeres.

domingo, 22 de setembro de 2013

Blogómetro

René Magritte Infinite Gratitude 1963
Infinite Gratitude, de René Magritte (1963)


Ainda que os Amantes se Percam... (verso de Dylan Thomas) alcançou o 61.º lugar entre os blogs portugueses mais visitados do Blogómetro.* Provavelmente o presságio de uma tragédia - ou o canto do cysne. Obrigado a todas as pessoas que visitam o blog - um pequeno motivo de satisfação para quem não tem mais nada que fazer; nem amantes para visitar, nem amigos para conversar (à mesa do café), nem vontade para ler ou escrever - enfim, li as obras de Herbert George Wells em pdf's gratuitos. É um desconforto tremendo ler no computador, os direitos de autor ainda nem são do domínio público - serve como desculpa ter os livros nas minhas estantes, lá no que resta da casa vazia que é o mais próximo do que posso chamar "lar"? - mas não há dinheiro para livros - a não ser que sejam urgências, como Os Idiotas, que só tem 500 exemplares, e pode esgotar. Pronto, estou sorumbático, é isso. E o sedoxil já não faz efeito, tenho que tomar alguma droga mais pesada - xanax ou prozac? Está cara a vida, está cara a vida... e não tenho nenhuma quinta para onde ir...

La complainte du phoque en alaska, par Élie Dupuis



Cré-moé, cré-moé pas, quéqu' part en Alaska
Y a un phoque qui s'ennuie en maudit
Sa blonde est partie gagner sa vie
Dans un cirque aux Etats-Unis

Le phoque est tout seul, il r'garde le soleil
Qui descend doucement sur le glacier
Il pense aux Etats en pleurant tout bas
C'est comme ça quand ta blonde t'a lâché

Ça vaut pas la peine
De laisser ceux qu'on aime
Pour aller faire tourner
Des ballons sur son nez
Ça fait rire les enfants
Ça dure jamais longtemps
Ça fait plus rire personne
Quand les enfants sont grands

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sophia de Mello Breyner Andresen na Assírio & Alvim

Coral, Sophia de Mello Breyner Andresen, Assírio & Alvim

Terror de te amar num sítio frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral

Cada dia é mais evidente que partimos,
Sem nenhum possível regresso ao que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudade nem terror que baste.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral.

Eis que morreste. Mortalmente triste
Divaga a flor da aurora entre os teus dedos
E o teu rosto ficou entre as estátuas
Velado até que o novo dia nasça.

Se nenhum amor pode ser perdido
Tu renascerás - mas quando?
Pode ser que primeiro o tempo gaste
A frágil substância do meu sono.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral.

Há acontecimentos no mundo editorial que se esquivam à compreensão de um mortal comum. A obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen editada pela Editorial Caminho é um dos objectos mais lindos que este fanático da Poesia e da Literatura tem nas suas estantes. Não é apenas o conteúdo que é excelente - os livros enquanto objecto são de rara beleza. Não que nas mãos da Assírio & Alvim haja algum livro que não seja por si mesmo um objecto de arte. Comprava a Assírio & Alvim se tivesse dinheiro. Claro que ser editado pela Assírio & Alvim é o mais próximo que existe de entrar na Pléiade. Os primeiros volumes já caminham por aí: Poesia (1944), Coral (1950), No Tempo Dividido (1954), e Mar Novo (1958). Na falta de melhor - também há o novo romance de Mario Vargas Llosa - o acontecimento mais relevante numa rentrée que cheira a mofo...

(Coral é o meu livro preferido na obra de Sophia de Mello Breyner Andresen).

Basta con l'Austerity - Presa Diretta di Riccardo Iacona - Chega de Austeridade, Presa Diretta, Rai Tre

Chega de Austeridade, reportagem transmitida no dia 16 de Setembro de 2013, no programa PRESADIRETTA, da Rai Tre. É uma longa reportagem sobre a crise, focando-se em Itália (Sicília e região Nordeste), Portugal, e França. A reportagem mostra o elevado preço que os europeus estão a pagar devido às políticas neoliberais impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e União Europeia.

A reportagem "Chega de austeridade" mostra que os cortes salariais são todos sobre os mais fracos: jovens, trabalhadores (nomeadamente os temporários), mulheres, e idosos. Selecionei os três vídeos do relativos à reportagem em Portugal (podem ver a reportagem completa no youtube - sobre Portugal a partir de 01h25m30s) em que se vê um Portugal amordaçado, e se pressente uma raiva e uma revolta silenciosa, com milhares de pessoas a perderem os trabalhos, as casas, a esperança no futuro; literalmente a morrer à fome...



A reportagem sobre Portugal começa aos 09m30s


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Caim, de José Saramago

Caim, José Saramago

Opiniões... (JL - Jornal de Letras Artes e Ideias, Outubro de 2009)

Caim, de José Saramago. Com uma linguagem contundente, expõe as suas ideias sobre o homem, Deus, e a relação de um com o outro - a religião. Põe a nu a humanidade de Deus, o seu orgulho, crueldade e a culpa, através da relação com Caim. Porém, ao despir Deus, é ao homem que coloca perante si mesmo.

O Idiota C'Est Moi*

Os Idiotas, Rui Ângelo Araújo, Eduardo Ferreira, Ilustração Capa
Evolução da ilustração da capa d'"Os Idiotas" - Ilustração de Eduardo Ferreira.

Prometo não voltar a ser chato, caríssimos leitores, e estimadíssimas leitoras, mas quando gosto muito de um livro, não me canso de o anunciar aos sete ventos, ide, ide comprá-lo, que eu não empresto o meu exemplar. Deixo-vos com o texto do autor escrito como cábula para o lançamento e desaparecido em parte incerta quando poderia ser útil.

Locais de Venda:

- Pátio de Letras (Faro)
- Fonte de Letras (Évora)
- Ler Devagar (LX Factory, Lisboa)
- Vila Literária (Óbidos)
- Lápis de Memórias (Coimbra)
- Traga-Mundos (Vila Real)
- Aguiarense (Vila Pouca de Aguiar)
- Centésima Página (Braga)
- Livraria ContraCapa (Castro Verde)
- Loja Invulgar (Castro Verde)
- Gato Vadio (Porto)

*Texto do autor escrito como cábula para para o lançamento e desaparecido em parte incerta quando poderia ser útil:

Ao contrário do que possa parecer, sobretudo por estarmos a lançar ‘Os Idiotas’ numa altura de eleições, o título do romance não nasce da minha vontade de insultar políticos. (Algumas partes do livro talvez nasçam da vontade de me rir de políticos, mas não o título.)
As pessoas têm-me perguntado quem são os idiotas do meu livro. Julgo que procuram antecipar o gostinho de ver confirmada uma certa imagem do sistema político português, aliás não desmentida pela campanha — da editora. Isso parece-me uma expectativa natural, e por si mesma uma evidência do descrédito que o sistema merece. Ou então do gosto das pessoas pelo vilipêndio, nunca o subestimemos.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Carta de Nelson Arraiolos ao (oficialmente) Presidente da República

Carta de Nelson Arraiolos ao Presidente da Rapública, Direito à Resistência, Artigo 21.º da Constituição da República Portuguesa
Cópia de carta de Nelson Arraiolos
entregue na Presidência da República



Ontem tive conhecimento do caso de Nelson Arraiolos, através do blog Entre as brumas da memória - ler também este post no cinco dias - que iria tentar entregar uma carta ao dito, Presidente da República, onde explica os motivos porque deixará de pagar impostos, ao abrigo do artigo 21.º da Constituição da República Portuguesa. Procurei nos meios de comunicação social mais informações sobre o assunto, tendo encontrado este artigo do Expresso. Nelson Arraiolos foi recebido por um representante das relações públicas, e aguarda agora uma possível audiência com o dito, Presidente da República. No blog Entre as brumas da memória encontra-se o texto da carta que Nelson Arraiolos terá deixado na Presidência da República. Penso que é obrigação de todos aqueles que não se conformam, não se calam, não se resignam, enfim, não compactuam com as políticas que estão a levar à destruição de Portugal e (da maioria) dos Portugueses, divulgar este caso, e esta carta. Aqui fica registada, como símbolo do sofrimento atroz (e silencioso), e tristemente cúmplice - não há como negá-lo - de um número indeterminado e crescente de cidadãos:

Juntos por um novo ciclo! - III

Juntos Por um Novo Ciclo, Cartaz Campanha Autárquicas 2013, Pinhel, PPD PSD, Rui Ventura
Outra perspectiva do cartaz-camião aqui.

A um cartaz enorme, uma lista interminável de sessões de doutrinamento, perdão, esclarecimento (imagem abaixo). Muitas no mesmo dia, e suficientemente próximas para que haja tempo para explicar onde se «bota» a cruz. É no partido da «seta para cima». E assim continuaremos, para mais um ciclo. Felizmente, a este ritmo, em breve estará tudo acabado. De vitória em vitória até à derrota final, perdão, extinção total...

Leis da Separação, de Rui Almeida

Leis da Separação, Rui Almeida, Medula
Leis da Separação, de Rui Almeida. Medula, 2013

Leis da Separação
Autor: Rui Almeida
Editor: Medula
Páginas: 51 pp.
Preço: 8 €/10€




Rui Almeida nasceu em Lisboa em 1972 e publicou dois livros de poesia: Lábio Cortado (Torres Vedras: Livrododia, 2009) e Caderno de Milfontes (Nazaré: volta d'mar, 2011). Tem participado em várias antologias e revistas. Mantém, há dez anos, o blogue Poesia distribuída na rua.

Tiragem única de 100 exemplares [8€], 25 dos quais numerados e assinados pelo autor [10€]. Desenho original de Carla Ribeiro. Caso estejam interessados, devem efectuar o vosso pedido, indicando a morada, para o e-mail: medulalivros@gmail.com Esta obra estará também disponível na Livraria Alfarrabista Miguel de Carvalho (Coimbra).

Cavaleiros do Apocalipse

Four Horsemen, Antichrist, Quatro Cavaleiros do Apocalipse


Vienna in 1910 was, thus, a special case. And yet you could argue that America in 2013 is a similarly special case: another weakened empire telling itself stories of its exceptionalism while it drifts towards apocalypse of some sort, fiscal or epidemiological, climatic-environmental or thermonuclear. Our far left may hate religion and think we coddle Israel, our far right may hate illegal immigrants and think we coddle black people, and nobody may know how the economy is supposed to work now that markets have gone global, but the actual substance of our daily lives is total distraction. We can't face the real problems; we spent a trillion dollars not really solving a problem in Iraq that wasn't really a problem; we can't even agree on how to keep healthcare costs from devouring the GNP. What we can all agree to do instead is to deliver ourselves to the cool new media and technologies, to Steve Jobs and Mark Zuckerberg and Jeff Bezos, and to let them profit at our expense. Our situation looks quite a bit like Vienna's in 1910, except that newspaper technology has been replaced by digital technology and Viennese charm by American coolness.

(...)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Mentir para parecer mais inteligente...

Lisa Simpson, Books, Inteligence, Inteligente, Mentir para parecer inteligente,

Parece que 80% dos britânicos mentem para parecer mais inteligentes. E de que forma é que o fazem?

62% afirma que já leu um "clássico" que nunca leu; 53% altera a sua aparência; 26% corrige os erros gramaticais (dos outros, está claro); 18% cita frases famosas nas conversas; 14% diz que é bastante fluente numa língua estrangeira; 12% utiliza enciclopédias para escrever palavras que impressionem em documentos e e-mails; 11% mente quanto à sua função e estatuto no trabalho; 10% exagera os conhecimentos de vinhos; e 8% classificam como "lixo" filmes populares de que gostaram.

Mas vamos à parte que mais me interessa, até porque tudo isto não é novidade, e não são só os britânicos que o fazem, embora quando colocado em percentagens se torne mais interessante... Quais são os clássicos que os britânicos mais afirmam já ter lido, sem nunca o ter feito? Aqui fica a lista:

sábado, 14 de setembro de 2013

Home is where your heart is...



- There's no place like home; there's no place like home; there's no place like home... (...) Oh, but anyway, Toto, we're home – home! And this is my room – and you're all here – and I'm not going to leave here ever, ever again, because I love you all! And... oh, Auntie Em, there's no place like home! - said Dorothy.

- Home is where your heart is...

Le Suicidé, de Édouard Manet

Le Suicidé, Édouard Manet
Le Suicidé (1877-1881), de Édouard Manet


A adolescência trouxe-me uma espécie de fervura ao sangue. Foi por volta dos vinte anos que desejei morrer pela primeira vez. (...)

Pensar na morte tornou-se num vício. Aliviava-me. Fazia listas de métodos, tentava perceber qual o mais eficaz e menos doloroso. Todos apresentavam desvantagens e dificuldades. Na queda havia o instante em que o corpo bate no passeio e o crânio se racha. Cortar os pulsos trazia o incómodo do sangue empapando as carpetes da sala e a certeza de morrer lentamente. O enforcamento parecia-me uma morte feia, abrupta, os enforcados morriam aos soluços, o corpo sacudido pelo estertor final, a língua de fora. Outra coisa me fazia rejeitar o enforcamento. Sabia que os enforcados perdiam o controlo do esfíncter e a ideia dos meus pais darem comigo morta, cheia de urina e fezes, envergonhava-me. Tomar comprimidos era, de longe, o melhor método, mas havia a possibilidade da falhar a dose, se não tomasse a quantidade certa corria o risco dos outros encontrarem artificialidade no meu gesto. A reflexão enfraquecia pois a minha determinação. Queria morrer, mas através de um gesto que fosse simples como beber um copo de água ou desligar um interruptor.

(...) Sentia-me naturalmente desadequada, anormal, adensava-se a minha inquietação: não só me masturbava a pensar em mulheres prostibulares como sentia esse desejo latente de morte. Muitos anos passados, habituada à natureza cíclica desse desejo, a minha iniciação no desespero parece-me caricata. Às vezes, entre soluços e lágrimas, dá-me até vontade de rir. Tudo bastante dramático, sofrido, estupidamente inconsequente. Sei agora que, assim como somos pornográficos às escondidas, somos suicidas às escondidas. A vida tem um punhado de coisas boas, mas não é como se pinta. Quase sempre é aborrecida, uma desilusão, está cheia de sofrimento, tristeza, injustiça, ruas sujas e íngremes, crianças com fome, gente silenciosa e desesperada. Como não achar a vida insuportável? Não tenho dúvidas de que a morte é desejada por muita gente e constantemente. Se houvesse um método infalível, fácil, instantâneo, limpo, haveria no mundo uma mortandade grande, talvez fosse até preciso mandar construir crematórios, valas comuns, investir na formação de coveiros, técnicos de equipamento de cremação, cangalheiros. Mas há vinte anos, precisamente há vinte anos, não tinha o discernimento de hoje, vivia na certeza da minha singularidade. Dava voltas na cama, inquieta. Quanto mais pensava no assunto mais me convencia de que a morte era o melhor que a vida tinha para me oferecer.

Texto completo no post Fervura, de ana de amsterdam.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Apenas para dizer mais uma vez: Os Idiotas, de Rui Ângelo Araújo. A publicidade é gratuita, com muito gosto.

Rui Ângelo Araújo, Os Idiotas

Vê-se tanta porcaria nos tops de vendas, coisas a que chamam bestsellers - o bestseller que toda a gente vai querer ler! - não será por decoro, mas nem livro, ou romance, ou obra, lhes chamam. E encontram-se tesouros que a muito custo conseguem que se lhes imprimam 500 exemplares.

Quando se acabou o fundo de desemprego, estive em risco de considerar, sabendo que a descartaria, a hipótese de voltar a trabalhar para viver. Isso, essa abominação, seria o meu farewell, o meu adio-adieu-wiedersehen-goodbye. Mas a alternativa não era mais saudável, não a longo prazo. Fiz cálculos: havia na casa do velho conservas para dois meses - se as utilizasse como ração de combate, imaginando-me encurralado numa trincheira com as linhas de reabastecimento quebradas. Não havia cerveja, mas a água da torneira saía razoavelmente limpa e uns seis meses de facturas acumuladas ser-me-iam por certo permitidos, o neo-liberalismo ainda não tinha chegado à província. A electricidade talvez fosse cortada mais cedo, mas encontrei abundantes velas na cave, desconfio que muitas benzidas. De qualquer modo, de nada me adiantaria dessedentar-me e ser capaz de ver de noite se o estômago não fosse minimamente confortado. Cultivar o quintal, que me lembrava de ser de terra generosa, era uma ideia louca: não saberia o que fazer, mesmo que por absurdo me propusesse fazer alguma coisa. Dois meses era portanto o tempo que tinha para viver. Não precisava de um médico para fazer este diagnóstico.

Nos primeiros dias, andei a navegar pela Internet a tentar conceber uma fraude que, se não me enriquecesse, afastasse a ideia de trabalhar ou adiasse por algum tempo o fim. Mas, em definitivo, eu não era um desses nerds que também são hackers. Acabei, inesperadamente, a voltar a um blogue que não actualizava há uma data de meses. 

Não sendo pago para isso, numa vida anterior eu tinha perdido um milhão de horas a escrever sobre livros que lia, imaginado uma pequena tribo de fãs a beber avidamente nas minhas palavras e a correr a comprar os livros que eu incensava ou alimentando a lareira com os que detestava. Tinha instalado um contador de acessos e, se aquilo não estava doido, havia umas centenas de imbecis que visitavam o sítio diariamente. Escrevi às editoras a pedir uma comissão e elas responderam enviando-me gratuitamente, com generosidade oportunista, livros para ler. Percebi a mensagem e passei só a escrever sobre os livros que me davam vontade de vomitar (a maioria deles, desde aí). Fossem aproveitar-se do caralho!

A certa altura, era um mito na blogosfera. Recebia dezenas de e-mails (a maior parte sedentos de sangue; uns poucos indignados com a virulência das críticas) e os jornais queriam os meus comentários a propósito disto e daquilo - mas não a minha colaboração remunerada. Mandei naturalmente foder tudo e todos. Fi-lo num post colérico e brutal (mais tarde famoso), e isso teve o condão de insuflar a aura já razoavelmente ostentada pela figura enfezada que, no blogue, aparecia como sendo a minha foto. (Roubara de um site de uma igreja evangélica americana, da sua lista de almas, a fotografia de um daqueles lunáticos barbudos, e essa imagem agora corria todos os sítios literários  na Internet que se prezavam disso.)

De repente, eu era mesmo uma referência, um nome tido em conta. Uma revista literária mensal, depois de também me recusar colaboração remunerada com o habitual argumento da crise, teve a lata de me convidar para um jantar da redacção com leitores e colaboradores. Disse que sim, que ia, tinha todo o gosto, porque não, cabrões de merda. Na data marcada, fui até às imediações do restaurante e paguei a um sem-abrigo que era arrumador e moderadamente parecido com o tarado de Oklahoma que eu tinha no blogue. Sacudi-lhe um pouco o pó e disse-lhe que tudo o que tinha a fazer era aproximar-se, dar as boas-noites, exibindo a cremalheira enferrujada, e desculpar-se por ainda ter de ir arrumar o carro, voltava já. O indigente apreciou a ironia, não era estúpido e não era mau actor. (Talvez tivesse sido um, não havia critério para o tipo de pessoas que caía na rua.) Da mesa onde me tinha entretanto sentado, vi como os literatos se pareciam afinal tanto com orientais pasmados, a dispararem as suas máquinas e os seus telemóveis mais rápidos do que a sombra do Lucky Luke. Dir-se-ia ter entrado naquela sala o Bigfoot, o monstro de Loch Ness, a Scarlett Johansson de mamas ao léu. No dia seguinte não havia blogue que não partilhasse a sua fotozinha do fenómeno, moi-même (ou o meu avatar), e longas teorias sobre a minha atitude, as razões por que não lavava os dentes. Bartleby!, gritaram algumas vozes pretensiosas, contentes com a sua própria analogia de almanaque. Depois da controvésia, o mistério. Estava bem lançado. Não tardei a ser despedido do emprego, embora não houvesse nenhuma relação entre uma coisa e outra.

Rui Ângelo Araújo, n'«Os Idiotas» (pp. 14-16)

Sexta-Feira, 13

Sexta-Feira 13, Friday 13, Vendredi 13

Há por aí alguém que se atreva a não comentar este post? Sexta-Feira, 13... Ah!, mas todos os dias são de azar, agora. Mas pode sempre ser pior - e macabro - e tal. Boa sexta-feira,13, a todos os supersticiosos. E os outros que se cuidem. Ou joguem no EuroMilhões.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Chegaram «Os Idiotas» de Rui Ângelo Araújo

Os Idiotas, Rui Ângelo Araújo

Para quem não acredita na sua existência, aqui está a prova fotográfica. Os Idiotas existem mesmo, e chegaram hoje à morada no exílio onde por ora estou instalado, e que não vai ser revelada, por uma questão de segurança, pois os idiotas são como os zombies, se apanhamos dois ou três ainda somos capazes de dar conta do recado, mas se vêm aos magotes, que isto é uma espécie extremamente gregária, embora, paradoxalmente, anti-social, então ficamos numa situação deveras complicada...

The Lost Choir - Mad World


A cada três segundos o mundo perde uma criança...

Café Mondego: uma antologia, de Américo Rodrigues

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“Café Mondego” era um mítico café da Guarda. Foi também nome de um programa de rádio e de um blogue. Daniel Rocha fez uma criteriosa selecção dos mais importantes textos publicados naquele espaço de cidadania e literatura, que se transformou numa “referência” crítica da cidade da Guarda. Café Mondego: uma antologia é uma obra que pretende resgatar do esquecimento (ou da efemeridade) os mais valiosos textos publicadas no controverso blogue. O lançamento desta antologia terá lugar na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, no próximo dia 20 de Setembro de 2013, pelas 18 horas. O livro será apresentado por José Manuel Mota da Romana, e haverá leituras por Vasco Queiroz e Antónia Terrinha. A edição do livro e organização do evento é da Bosq-íman:os.

"Américo Rodrigues criou na blogosfera um espaço de encontro preferencial para a opinião dos cidadãos da Guarda, participando e alimentando ele próprio com a sua visão crítica e irónica (sarcástica?) a discussão de assuntos da esfera pública até então (propositadamente?) esquecidos: os jogos de favorecimento político entre famílias poderosas, a promiscuidade no jornalismo, a fraca preparação de muitos dos autarcas do concelho, as poucas oportunidades que a cidade concede aos seus jovens, etc." (...) Américo Rodrigues, como homem de muitas palavras, trouxe também para o Café Mondego a sua vocação de autor (em vários campos) e uma visão de organização cultural e citadina (que se expande até ao adjectivo nacional) que merece ser tida em conta por todos aqueles que comandam os destinos políticos do território nacional. E é esta visão construtiva de uma cidade assente na cultura e na região que esta antologia pretende trazer ao leitor, pois o autor destes textos PENSA, tal como se quer que a cidade faça, de forma livre e desobrigada o futuro de todos nós."

Daniel António Neto Rocha, in "Nota Introdutória"

Biobibliografia do autor:

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Memory Suitcase, de Yuval Yiari

Memory Suitcase, Yuval Yiari

(Do post Partir, no blog a devida comédia, onde podem ver outras fotografias da série)

Estatísticas do Blogómetro: Ocupações de quem não tem mais que fazer...

Estatísticas, Blogómetro, Ainda que os Amantes se Percam

Quem não tem mais que fazer, como é o meu infeliz caso, entretém-se com estas coisas. Este blog que decidiu mudar a cor, de um verde esquisito para um rosa não menos bizarro, alcançou ontem um honroso 90.º lugar no ranking de blogs mais visitados do Blogómetro, como documenta a imagem acima. Ocasião para agradecer a todas as pessoas que por aqui passam. Prometo começar a escrever posts a sério sobre Política e Economia quando estiver entre os 20 mais vistos. Entretanto, terão que continuar a contentar-se com posts brejeiros sobre isto e aquilo, e posts acerca de livros que li, ou que gostaria de ter para ler - sim, sou muito materialista no que concerne aos livros. Cliquem na imagem para ver melhor, se não acreditam.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Juntos por um novo ciclo! - II



A minha foto do cartaz de campanha do PSD para as eleições autárquicas já está na página do facebook que por estes dias tem feito sucesso...

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A verdade sobre o caso Harry Quebert, de Joël Dicker

A verdade sobre o caso Harry Quebert, Joël Dicker
A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert
Edição: 2013
Editora: Alfaguara
Páginas: 664
Preço: 22,09€ [19,88€ - 10% desconto]
ISBN: 9789896721824












Quem matou Nola Kellergan? Nola Kellergan tinha 15 anos quando desapareceu, no dia 15 de Agosto de 1975; 33 anos depois o seu cadáver aparece no quintal do escritor Harry Quebert, professor de escrita criativa. Este diz-se inocente desde o primeiro instante. Marcus Goldan, também escritor, e seu ex-aluno, vai tentar provar a sua inocência. Ah!, Harry Quebert tinha tido uma paixão por Nola Kellergan... Joël Dicker é um «jovem político» e escritor Suíço - e o livro, dizem, é um policial ligeiro - mas há algum que não o seja? 

domingo, 8 de setembro de 2013

Os Privilegiados: como os políticos e ex-políticos gerem interesses, movem influências e beneficiam de direitos adquiridos, de Gustavo Sampaio

Os Privilegiados: como os políticos e ex-políticos gerem interesses, movem influências e beneficiam de direitos adquiridos, de Gustavo Sampaio
Os Privilegiados
Como os políticos e ex-políticos gerem interesses, movem influências e beneficiam de direitos adquiridos

de Gustavo Sampaio
Editor: A Esfera dos Livros
Edição: 2013
Páginas: 248
ISBN: 9789896264840
Entrevista a Gustavo Sampaio: i online
À venda: wook
página facebook








Sinopse: Dos 230 deputados à Assembleia da República, 117 estão em regime de part-time, acumulando as funções parlamentares com outras atividades profissionais no setor privado. Advogados, juristas, médicos, engenheiros, consultores, empresários, etc. Em diversos casos, prestando serviços remunerados a empresas que operam em setores de atividade fiscalizados por comissões parlamentares que os mesmos deputados integram. Ao que se acrescem as ligações a empresas (cargos de administração, participações acionistas, serviços de consultoria, etc.) que beneficiam de iniciativas legislativas, subsídios públicos ou contratos adjudicados por entidades públicas visando a execução de obras, o fornecimento de produtos ou a prestação de serviços. Conflitos de interesses? Dezenas de exemplos concretos são apresentados nas páginas deste livro. Dos corredores do poder político para as salas de reunião dos conselhos de administração, e demais órgãos sociais, das maiores empresas portuguesas, com ou sem período de nojo. Um fluxo recorrente entre cargos públicos e privados. Das 20 empresas cotadas no índice PSI 20, por exemplo, 16 contam com ex-políticos em cargos de administração. Por vezes são ex-governantes que decidiram sobre matérias que implicam as empresas para as quais vão depois trabalhar, ou até administrar. Sabia que as subvenções vitalícias dos políticos foram criadas numa altura em que Portugal estava sob assistência financeira do FMI? Que foram alvo de um veto presidencial? Que duplicam de valor quando o beneficiário alcança os 60 anos de idade? Que apesar de terem sido revogadas há 8 anos, o número de beneficiários continua a aumentar? Que a identidade dos beneficiários passou a ser secreta? Ou que há políticos que a requereram com idade inferior a 50 anos? Pedro Passos Coelho prometeu que iria fazer nomeações com base no mérito e não nas ligações partidárias. Apesar da maior transparência, as 142 nomeações com ligações partidárias para altos cargos dirigentes na Administração Pública, identificadas neste livro, demonstram que os boys continuam a ser favorecidos. O jornalista Gustavo Sampaio traz-nos um livro revelador, onde depois de uma exaustiva e rigorosa pesquisa, apresenta-nos as zonas cinzentas entre o interesse público e privado, e faz as ligações que nos permitem perceber como políticas e ex-políticos gerem interesses, movem influências e beneficiam de direitos adquiridos.

Há direitos adquiridos e direitos adquiridos - ou,  todos os direitos adquiridos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros, para parafrasear George Orwell. Bem-vindos ao país onde triunfaram os porcos, perdão, os políticos.

Mesmo a calhar, como sói dizer-se, o artigo de ontem, sábado, dia 07 de Setembro de 2013, de José Pacheco Pereira, no jornal Público:

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Carteira Vazia : Insónias

Insónia, Insomnia


Tenho problemas em dormir... As preocupações são basicamente sempre as mesmas. É muito triste estar desempregado, ver a vida a passar-nos ao lado. Para um homem com casa para sustentar como é o meu caso torna-se bem mais difícil de suportar esta ansiedade. Acordo sempre com o desejo de abrir o email e ver uma resposta a uma oferta de emprego, uma esperança mesmo que longínqua. Também me acontece olhar mais de dez vezes para o telemóvel e ver que ninguém me liga. Com certeza que alguns de vocês já passaram por isto. A vida não é fácil para ninguém eu sei, mas para alguns é bem mais difícil que para outros, é a lei da vida. Mas sei que existirá pessoas bem piores que eu, sem nada para comer e para beber; com filhos para alimentar e não conseguirem, terem de depender de boas vontades de outros para conseguirem viver... viver não... sobreviver... (é complicado...)

Post Insónias, o primeiro post do blog O Carteira Vazia, o blog de um professor desempregado. Passem pelo blog, o autor agradece todas as visitas.

Prémio Nobel da Literatura 2013

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Medalha entregue aos vencedores do Prémio Nobel

A Ladbrokes já abriu as apostas para o Prémio Nobel da Literatura 2013. A data oficial do anúncio do vencedor do Nobel da Literatura ainda não foi comunicada, mas tendo em conta as datas de anuncio dos outros prémios, e a tradição, tudo leva a crer que seja no dia 10 de Outubro de 2013.

 No momento em que escrevo este post, Haruki Murakami, é o favorito. Nunca li nada deste escritor, embora tenha Sputnik, Meu Amor nas estantes abandonadas do meu refúgio em Portugal, e tenha também quase toda a obra em pdf (posso ser processado por fazer o download de ebooks de autores cujos direitos não são do domínio público, ainda que só tenha feito o download para dar uma vista de olhos? Vou já apagá-los, que não me convenceram...)

Quanto aos meus autores preferidos, nem um na lista da Ladbrokes. Escritores de Língua Portuguesa contei três (pode ter-me escapado algum...): O Português, e eterno candidato, António Lobo Antunes, o Moçambicano Mia Couto, e o Brasileiro Ferreira Gullar - todos óptimos negócios, caso ganhem, para quem apostar neles. Por cada libra apostada, a Ladbrokes paga, neste momento, 101 libras. Portanto, nenhum dos três escritores de Língua Portuguesa que eu gostaria que ganhasse está na lista: os Brasileiros João Ubaldo Ribeiro ou Rubem Fonseca. O terceiro (quer dizer, o primeiro, o meu preferido para ganhar o Prémio Nobel da Literatura), é Português, e quem lê o meu blog sabe com certeza o nome. Quanto a autores de outras Línguas, não podendo ganhar o meu preferido, gostaria que ganhasse Michael Cunningham, mas também não consta da lista. O que não quer dizer nada, porque a verdadeira lista, que neste momento já deve estar reduzida aos cinco finalistas, só o comité que decidirá o sucessor de Mo Yan a conhece. Por falar em Mo Yan, continuam por ler, arrumados nas estantes em Portugal, dois dos seus livros (os únicos traduzidos em Portugal, penso). Em quem apostam?

P.S. Não percebo como é que colocam o Bob Dylan na lista de apostas, e deixam de fora Leonard Cohen...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Tom à la Ferme, o novo filme de Xavier Dolan

Tom à la Ferme, Xavier Dolan
Imagem Público.

Sou fã de Xavier Dolan desde que vi Les Amours Imaginaires. Depois fui ver aquele em que se estreara (como realizador): J'ai tué ma mère. Ainda não consegui ver o Lawrence Anyways, o filme que antecede Tom à la Ferme (pelo meio realizou o polémico videoclip College Boy, para os Indochine).

Em Tom à la Ferme «três personagens participam da violência e de uma mentira para esconder de uma mãe (Lise Roy) a (homo)sexualidade do filho morto. E são elas: o antigo companheiro que vem para o funeral (interpretado pelo próprio Xavier Dolan, melena agora loura mas como sempre calculadamente despenteada), uma rapariga que vem representar o papel de namorada do morto e o irmão dele (Pierre-Yves Cardinal). É este que obriga os outros à encenação, à mentira.» via Público.

O Herói Discreto, de Mario Vargas Llosa


O Herói Discreto, novo romance de Mario Vargas Llosa, um dos meus escritores dilectos, tem lançamento marcado para o próximo dia 12 de Setembro, em todos os países de língua castelhana. Na sinopse desta nova obra, pode ler-se que «é um romance em que dois homens que são postos à prova pela vida, descobrem o verdadeiro sentido da coragem e da lealdade.» É um romance «repleto de humor, com características próprias do melodrama, em que Piura e Lima já não são espaços físicos, mas reinos da imaginação, povoados pelas personagens deste grande escritor.»

«O Herói Discreto narra a história paralela de dois personagens: o organizado e cativante Felícito Yanaqué, um pequeno empresário de Piura, que é vítima de extorsão; e Ismael Carrera, um homem de negócios bem sucedido, dono de uma seguradora em Lima, que planeia uma vingança secreta contra os seus dois filhos preguiçosos que o queriam ver morto. Ambos os personagens são, à sua maneira, rebeldes discretos que tentam ter o controlo dos seus destinos, pois tanto Ismael como Felícito lançam mão ao rumo dos acontecimentos. Enquanto Ismael desafia todas as convenções da sua classe, Felícito agarra-se a algumas máximas para fazer frente à chantagem. Não são justiceiros, mas estão acima da mesquinhez que os rodeia, tentando viver de acordo com os seus ideais e desejos.»

«Velhos conhecidos do universo literário de Vargas Llosa aparecem nas páginas deste romance: o sargento Lituma, don Rigoberto, dona Lucrecia, e Fonchito, movendo-se agora num Peru próspero.»

Dia 20 de Setembro será lançada em Portugal a primeira tradução mundial desta obra, na nova editora de Mario Vargas Llosa em Portugal, a Quetzal, que já havia publicado o romance anterior do autor, O Sonho do Celta.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

À l'ami qui ne m'a pas sauvé la vie, de Hervé Guibert

À l'ami qui ne m'a pas sauvé la vie, Hervé Guibert

C'est Bill qui le premier me parla de la fameuse maladie, je dirai en 1981. Il revenait des Etats-Unis où il avait lu, dans une gazette profissionnelle, les premiers comptes rendus cliniques que cette mort particulièrement engendrée. Lui-même l'évoquait como un mystère, avec réalité es scepticisme. Bill est le manager d'un grand laboratoire pharmaceutique producteur de vaccins. Dînant seul à seul avec Muzil, je lui rapportai dès le lendemain l'alarme colportée par Bill. Il se laissa tomber par terre de son canapé, tordu par une quinte de fou rire: «Un cancer qui toucherait exclusivement les homosexuels, non, ce serait trop beau pour être vrai, c'est à mourir de rire!»

Em Janeiro de 1988, Hérve Guibert, escritor, fotógrafo, e jornalista - do Le Monde - recebeu o temível diagnóstico, estava infectado com o VIH, e tinha SIDA. A partir desse momento Hervé Guibert trabalhou no registo dos seus últimos anos de vida. À l'ami qui ne m'a pas sauvé la vie (Ao Amigo que Não Me Salvou a Vida) foi publicado em 1990, revelando publicamente que estava infectado. Até à sua morte, em Dezembro de 1991, Hervé Guibert continuou a descrever de forma quotidiana o avanço da doença, os seus medos, esperanças, desilusões, tratamentos, a aceitação da morte iminente. Ainda em 1991 publicou Le Protocol Compassionel (O Protocolo da Compaixão), e após a sua morte seria publicado L'Homme au Chapeau Rouge (O Homem do Chapéu Vermelho) (1992).