terça-feira, 30 de abril de 2013

Miguel Esteves Cardoso e Como é Linda a Puta da Vida.



Gosto deste artolas monarco-conservador armado em direitolas, gosto mesmo. Não é bem pelo que escreve, nem pelo que diz, nem por aquilo que é, ou por aquilo que defende. É um pouco de cada coisa, misturados os ingredientes na dose certa. Gosto de o ver feliz, com a Maria João ao seu lado. Há ali algo de infantil, infantil no bonito sentido de inocente, infantil no ar de perplexidade; talvez a perplexidade de quem encontrou o amor em que não acreditava; a perplexidade de quem vive cada segundo como uma dádiva, uma descoberta, uma novidade. Cogito no que lhe terá acontecido para ter este ar marpleano de solteirona rural? Mas isso não interessa nada, vão lá comprar o livro do gajo - apesar da traição.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Crónicas de Zwahlen #5

Felicidade, Boris Vian, Rubem Fonseca, Michel Houellebecq, James Boswell, Luigi Pirandello, Dalton Trevisan, Pam Jenof, Moehringer


"Tenho todas as condições para ser feliz, salvo a felicidade. As condições estão desligadas umas das outras"

Barão de Teive, in A Educação do Estóico.


Disseram-me em tempos que começamos a aprender uma língua quando começamos a sonhar nessa língua; não sei se é verdade, que eu sonho muito em francês mas falar é uma atrapalhação, e por vezes leio uma página e só à quarta ou quinta tentativa é que consigo decifrar o que está lá escrito. Provavelmente ler Boris Vian em francês não é a melhor opção para testar os meus parcos recursos linguísticos - como também o não é a leitura do jornal. 
Um destes dias acordei aflito a meio da noite; estava a sonhar numa língua desconhecida - numa língua que tanto podia ser chinês como nem sequer existir. Sobre a minha mesa de cabeceira uma torre de livros que podia ser uma torre de Babel: receio acordar um dia e já não saber qual é a minha língua.

domingo, 28 de abril de 2013

Portugal Monochrome

Portugal, Portuguesa Monochrome, Censura, Respeitinho
A Portuguesa Monochrome, de Paulo Mendes
Ai o respeitinho!

A Canalha

Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.

Poema de Jorge de Sena, escrito em 7 de Dezembro de 1971

Hollande Montre L'Exemple!...

Cartoon, Hollande, France, Je Suis Transparent
Le Matin Dimanche, 28 Avril 2013

Crónicas de Zwahlen #4 (Chroniques de Zwahlen #4)

Rio Bar, Saint-Imier
Rio Bar, Saint-Imier, Suisse, le 28 Avril 2013


Il n’est rien de plus singulier, de plus embarrassant que la situation réciproque de personnes qui se connaissent seulement de vue, qui, à toute heure du jour se rencontrent, s’observent, et qui sont contraintes néanmoins par l’empire des usages ou leur propre humeur à affecter l’indifférence et à se croiser comme des étrangers, sans un salut, sans un mot. Entre elles règnent une inquiétude et une curiosité surexcitées, un état hystérique provenant de ce que leur besoin de se connaître et d’entrer en communication reste inassouvi, étouffé par un obstacle contre nature, et aussi, et surtout, une sorte de respect interrogateur. Car l’homme aime et respecte son semblable tant qu’il n’est pas en état de le juger, et le désir est le résultat d’une connaissance imparfaite.

Thomas Mann, La Mort à Venise

Quando se encontram duas pessoas no acaso dos caminhos da vida, há entre si uma miríade de possibilidades. Não obstante que a maioria das vezes apenas sigam o seu incerto caminho, olhando-se sem se verem, que por vezes balbuciem um quase indecifrável e inaudível bom-dia, acontece por vezes pararem no mesmo lugar. E se no hábito das suas vidas rotineiras repetidamente se encontram, o tímido bom-dia muda de tom, de ritmo, torna-se expectante, mesmo sem consciência do que espera. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Campos de Concentração na Grécia? Casernas-Prisão? Prisões-Agrícolas?



O governo grego quer encher os cofres do estado a qualquer preço. Uma lei recente permite que se prendam os cidadãos que devam mais de 5000€ ao fisco, e neste contexto, o governo teve a ideia de reconverter antigas casernas em «pseudo-prisões».

Há na Grécia, devido às políticas absurdas que foram implementadas nos últimos anos, sob a ditadura da troika, imensos cidadãos endividados e insolventes. Frequentemente endividadas por culpa do estado, que continuamente aumenta a pressão fiscal para compensar o empobrecimento social cada vez maior, e o aumento do desemprego, que leva até à existência de fome.

Crónicas de Zwahlen #3

Xadrez, Chess, Tabuleiro de Xadrez
Tabuleiro de Xadrez gigante, em Berne

     Para os amadores o xadrez é um jogo bastante simples e previsível. Quando dois adversários habituais se encontram, as jogadas são sempre as mesmas, pois os amadores não estudam o jogo, estudam o adversário. E quando um apresenta uma jogada nova, é sentida pelo outro como uma deslealdade. Entre amadores jogadas diferentes só podem acontecer quando um deles se distrai, se farta, ou decide improvisar; no conhecimento que têm do adversário, os amadores pressentem quando uma nova jogada não se insere nestas categorias.
     Após um lance imprevisível todas as jogadas podem ser fatais para um dos reis. Entre amadores todas as jogadas são tão perigosas para o rei que se ataca como para o rei que se defende. O jogo monótono e repetitivo transforma-se subitamente num desafio emocionante em que o perigo espreita a cada movimento. O xeque-mate é uma ameaça constante, mesmo que uma combinação muito distante de jogadas seja necessária para que algum rei corra perigo, ainda que nenhum dos jogadores tenha traçado um plano ou caminho para deixar o rei adversário sem nenhum lance de fuga, defesa, ou ataque, que o possa livrar do tombo. 
     Embora a ameaça esteja muito distante, para os amadores qualquer movimento é fatal e sentido como uma possível queda. Os amadores tombam, muito antes de tombar. Quanto aos profissionais, não tenho provas que seja de maneira diferente - nem que os outros amadores concordem. Todas as vidas são imprevisíveis e estão condenadas à derrota. Alguns caem de pé.

Crónicas de Zwahlen #2

Zwahlen, Didier Cuche, Eric Bindith,
Didier Cuche, Sculpture de Eric Bindith, à Le Pâquier

Didier Cuche terminou a carreira a 17 de Março de 2012. À escultura em madeira, realizada e oferecida por Eric Bindith, por ocasião das celebrações na sua terra natal, Le Pâquier, comemorando a fantástica época de 2008/2009, caiu-lhe um braço. De todas as vezes que passei por Le Pâquier pensei em parar para tirar uma fotografia, mas ou não tinha a máquina comigo, ou o clima não convidava a paragens, ou simplesmente adiava para uma próxima oportunidade, porque não me apetecia parar. Hoje, ao passar por Le Pâquier, reparei que a escultura tinha perdido um braço, que jaz tombado a seu lado. Talvez já lhe tenha caído há mais tempo e eu não tenha reparado. Estando a escultura exposta aos humores do clima, e sendo de madeira, era fácil prever que mais dia menos dia o processo de deterioração teria consequências visíveis.

Continuamos sempre - até que os sinais de tragédia que ignoramos ou contornamos nos obrigam a parar. Quando paramos é tarde demais para continuar, e não podemos voltar atrás.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Crónicas de Zwahlen*

Lago, Cisnes, Neuchâtel
Lago de Neuchâtel - Suíça, 25 de Abril de 2013


25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen.

25 de Abril de 2013. À tarde, junto ao lago. Este não foi «o dia inicial inteiro e limpo» que sonhámos.

*Pensei para esta série de crónicas que agora começo no título «não estás perdido quando não sabes onde estás - estás perdido quando não sabes para onde ir»**, mas era um título muito cumprido (é mesmo com «u», não é engano, apesar de também ser «comprido»), pelo que optei pelo título «Crónicas de Zwahlen». Há muito que pensei nestas crónicas - chamar crónicas a uma série de posts talvez seja um exagero, e um exagero nada original, mas se há crónicas de Nárnia - porque não há-de haver de Zwahlen? E que melhor dia para começar que um dia «inicial inteiro e limpo»?

**A este propósito nunca é demais recordar a conversa entre Alice e o Gato de Cheshire.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Abril é Evolução? Abril é Revolução!

25 de Abril é Evolução, 25 de Abril é Revolução,

Este post serve apenas para Recordar que há nove anos um governo formado pelos mesmos dois partidos (PSD-CDS/PP) que hoje governam em Portugal tirou o R ao 25 de Abril. É o R que falta para Resgatar Portugal.

It's Payback Time, Bitch

Grécia, Alemanha, Pedido de Indemnização, Pedido Reparações de Guerra, Merkel
Grécia vai avançar com pedido de reparações de guerra à Alemanha. É isto mesmo. Há que meter os Alemães na linha, e deixar-lhes bem claro que não queremos uma Europa Alemã - Não são os Europeus que tem que decidir se querem ser Alemães, são os Alemães que têm que decidir se querem ser Europeus - recordar-lhes as imperdoáveis asneiras que já fizeram à conta da sua vontade de dominar os outros povos, é um bom começo. Mostra-lhes que não há Europeus de primeira e Europeus de segunda é também dizer-lhes que não há caloteiros de primeira e caloteiros de segunda.

Egalité

Casamento entre Pessoas do Mesmo Sexo, Casamento Homossexual, Casamento Gay, França
Fotografia de Joel Saget - via Público

Num tempo em que a Fraternité e a Liberté andam pela hora da morte - há uns 15 anos que a minha avó começou a dizer muito frequentemente que andávamos pela hora da morte, que estava tudo cada vez pior; eu julgava então que era da idade ou de o meu avô ter morrido há pouco tempo, ou porque tinha ido ao padeiro e só via o dinheiro desaparecer - agora sei na pele que era muito mais grave a hora da morte que se aproximava - como estava a dizer: num tempo em que Fraternité e Liberté agonizam, valha-nos a Egalité, ou a ilusão da Egalité. Que Egalité, bem sabemos, não é por estar escrita na lei que existe - mas é um passo, um grande e importante passo. Seremos - ao menos - igualmente miseráveis.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Sr. Bentley, O Enraba Passarinhos

Sr. Bentley, O Enraba Passarinhos, de Ágata Ramos Simões

Sr. Bentley, O Enraba Passarinhos, de Ágata Ramos Simões, podia ser a história de um banqueiro, gordo, comilão, usurário, como qualquer banqueiro que se preze, e os Passarinhos podiam ser os seus clientes, bem enrabados, fodidos, sugados até ao tutano, como se querem os bons clientes dos bancos. Podia até ser mais uma história erótica, como tantas outras, que até hoje vivia na sombra, ao contrário de outras sombras, cinquenta dizem, que apesar de cinzentas, tiveram a fama e o proveito das luzes da ribalta. Mas é uma obra satírica.

Não percebo o escândalo, não percebo sinceramente - e não estou a ser irónico - que fazem à volta disto - um verdadeiro problema, vivermos num mundo feito de pessoas hipócritas, egodistónicas - o que há de errado no erotismo? - errado é a falta dele. Esta falsa pudicícia irrita-me: que os Bancos fodam as pessoas todos os dias, não há mal nenhum, mas que não o façam com erotismo!

O que - enfim - até está certo. O filme em que nos obrigam a participar é demasiado pornográfico para admitir um pouco de enredo ou preliminares. Nesta relação entre política e finança que destrói a sociedade europeia, há que foder clientes e contribuintes a sangue frio - antes que eles tenham oportunidade de dizer «não!». E que digam - isto não é sexo, é estupro.

Malice In Wonderland, de Ulyana Gumeniuk

Malice In Wonderland, Ulyana Gumeniuk, Paula Rego, Portugal, Coelho
Malice In Wonderland, de Paula Rego Ulyana Gumeniuk


Sou só eu que penso que este quadro* - Malice In Wonderland - de Paula Rego Ulyana Gumeniuk representa muito bem - bem demais, para nossa desgraça - Portugal?

*Encontrei-o no facebook, e não sei o título, se alguém souber, que me informe. O título é Malice In Wonderland; obrigado pela informação, João Roque. Afinal o quadro é de Ulyana Gumeniuk, e não de Paula Rego; obrigado pela correcção Ernesto.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O Empreendedorismo da Treta - a Saga continua

Miguel Gonçalves, Empreendedorismo,


Entrevista ao fala-barato, perdão, empreendedor das ideias-feitas, do lugar-comum, e do cliché:

- A melhor maneira de chegar a uma solução é simplificá-la. Se não simplificas o teu problema, estás a hiperbolizar a solução.

- Há muita gente a insurgir-se contra e, eles sim, estão a simplificar o discurso.

L'écume des jours, Boris Vian

L'écume des jours, Boris Vian, Livre de Poche

Edição especial de L'écume des jours, de Boris Vian, com o livro encima e um livrete a acompanhar. Uma pechincha - embora seja um livro de bolso - ali perdido entre best sellers de quinta categoria, a chamar por mim. Um presente antecipado do Dia Mundial do Livro para mim mesmo. Na falta de melhor desculpa para o meu desenfreado consumismo livresco. Procurei depois a caixa com Cd duplo, edição completa das músicas de Boris Vian, mas não a consegui encontrar. Sabia que a devia ter comprado há uns meses atrás. 

AVANT-PROPOS

Dans la vie, l'essentiel est de porter sur tout des jugements a priori. Il apparaît en effect que les masses ont tort, et les individus toujours raison, Il faut se garder d'en déduire des règles de conduite: elles ne doivent pas avoir besoin d'être formulées pour qu'on les suive. Il y a seulment deux choses: c'est l'amour, des toutes les façons, avec des jolies filles, et la musique de La Nouvelle-Orléans ou de Duke Ellington. Le rest devrait disparaître, car le reste est laid, et les quelques pages de démonstration qui suivent tirent toute leur force du fait que l'historie est entièrement vraie, puisque je l'ai imaginée d'un bout à l'autre. Sa réalisation matérielle proprement dite consiste essentielment en une projection de la réalité, en atmosphère biaise et chauffée, sur un plan de référence irrégulièrement ondulé et présentant de la distorsion. On le voit, c'est un procédé avouable, s'il en fut.

La Nouvelle-Orléans.
10 mars 1946.

Sucessos Governamentais.


Morte, Death, Justice, Justiça

Quando o sucesso de um governo aumenta na medida em que as condições de vida do povo que governa diminuem, o governo tem que ser corrido - à bala se for preciso. Quando o sucesso do governo de um país aumenta na medida em que o país perde soberania, o governo tem que ser corrido - a tiro se for preciso. E não é preciso que seja um ex-presidente da república, senil ou não - e com culpas no cartório, seguramente, - a dizê-lo: é uma evidência. Na lei da selva, defendida por este governo de catraios, canalhas, e cobardes, é morrer ou matar. Darwinismo social, dizem eles.



Pensar a Sociedade Pós-Capitalista

Capitalismo, Charlie Chaplin, Tempos Modernos


A ler, a entrevista do Público a Anselm Jappe, por Alexandra Prado Coelho, «O que faremos se o sistema já não conseguir criar trabalho?». Para pensar. Alguns excertos:

No capitalismo, é a relação com o trabalho que nos define, diz o filósofo Anselm Jappe, em Lisboa a convite do Teatro Maria Matos. Mas o sistema é um "castelo de cartas que começa a perder peças". E é tempo de repensar o conceito de trabalho.

O capitalismo distorceu a ideia de trabalho, desligando-a das necessidades reais da sociedade. Trabalhamos a um ritmo cada vez mais acelerado apenas para alimentar a lógica do sistema. Mas este parece ter entrado numa rota de autodestruição porque, com a exclusão de cada vez mais gente do mercado de trabalho, há também cada vez mais gente excluída do consumo, afirma o filósofo Anselm Jappe, nascido em 1962 na Alemanha e que hoje vive entre França e Itália.

Hoje tudo gira em torno do trabalho. Podemos ser trabalhadores ou desempregados, mas somos sempre definidos pela nossa relação com o trabalho.

domingo, 21 de abril de 2013

O Desconserto das Nações Desconcertadas*

Lago Neuchâtel Suiça Lake Neuchatel Switzerland


ابداع بالالوان الزيتية. Magnífico! Que quererá isto dizer? São lindos os caracteres, e alguém, de alguma parte do mundo, veio parar ao blog procurando «ابداع بالالوان الزيتية» Vou espreitar ao google translator: «criatividade cor oleosa». Lamento, caro leitor, que não tenha encontrado nem criatividade nem cor - talvez um pouco de oleosidade. Se houver mais alguma coisa em que possa ser-lhe útil?! Escreva-me para o e-mail, pode ser através do perfil, mas numa língua que eu consiga decifrar: Português, Inglês, Espanhol, ou Francês - por esta ordem. Bem sei que o Francês já devia de estar pelo menos em terceiro lugar, depois de 13 meses na Suíça Romanda: a melhor Suíça, que a população nativa da Suíça Romanda (zona onde se fala Francês) é de origem Celta. Mais c'est la vie.

Por falar em Celtas - ou nos bons genes que lhes restam - bons não sei, mas pelo menos bonitos - bonitos para os meus olhos, claro - interrogo-me amiúde porque é que há pessoas com as quais cruzamos o olhar uma única vez - e a partir daí sabemos que nos conhecemos desde sempre - e pacientemente aguardamos a oportunidade - ou teríamos que falar do clima, e a Primavera anda muito tímida por estas paragens.

Jantar de Blogs - Restaurante Guilho - 25 de Maio de 2013

Jantar de Blogs

O meu amigo João Roque e a Margarida organizam o 6.º Jantar de Blogs. Só uma vez me foi possível estar presente - também este ano não poderei comparecer: 1996km ou 2089km (conforme a estrada que fizesse) separam-nos. Resta-me divulgar a iniciativa, e desejar que tudo corra bem: não haver desistências de última hora é um bom começo.

Contrariedades, de Cesário Verde

A Engomadeira (1938) óleo sobre tela de Almada Negreiros, Contrariedades, Cesário Verde
A Engomadeira (1938), de Almada Negreiros



Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
          Consecutivamente.

sábado, 20 de abril de 2013

Bailar Pegados





Sobre o namoro entre o Pedro e o António, e os Passos Inseguros que vão dando, isto é tudo que me apraz dizer (podem também escutar, na voz de Sergio Dalma):

O ponto cego - e - Camões: nome de cão com pulgas, de Américo Rodrigues

O ponto cego, Américo Rodrigues, poesia
O ponto cego

O ponto cego | Américo Rodrigues
Edição | Bosq-íman:os livros
Tiragem 100 exemplares | 140 Páginas
(Exemplares numerados e assinados pelo autor)
Capa (em cartolina espelhada): Jorge dos Reis e Américo Rodrigues
Impressão: Oficinas de São Miguel | Guarda


O ponto cego, de Américo Rodrigues, será apresentado na próxima segunda-feira, dia 22, véspera do Dia Mundial do Livro (e do aniversário do autor - mas não lhe dêem os parabéns, que dá azar dar os parabéns antes do dia) pelas 18h, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda, (mapa). A apresentação será feita pelo cientista Fernando Carvalho Rodrigues, e Vasco Queiroz lerá alguns poemas. Será também lançada a obra Camões: nome de cão com pulgas, 100 exemplares, compostos com caracteres móveis, numerados e assinados pelos autor.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

José Saramago

José Saramago

Cavaco Silva, génio da banalidade, digníssimo rebento de uma rameira, «presidente de todos os Portugueses», Aníbal de nome próprio, corrupto e bandalho de apelido, esqueceu-se de José Saramago no seu discurso na Feira do Livro de Bogotá, na Colômbia. Surpreendente seria que o aleivoso ocupante do Palácio Nacional de Belém se tivesse lembrado. Entre os obstinados silêncios  e os pedantes discursos da abantesma figura, difícil é determinar o que é mais vão e inútil. Honre-se-lhe a coerência, entre a censura de um sub-secretário de estado de um governo seu e o presente esquecimento, Cavaco Silva nunca teve o «privilégio» de conhecer José Saramago. Facto absolutamente natural, se tivermos em conta a corja com que sempre se fez rodear. 

Adiante. Mais nojento que o esquecimento do único Nobel da Literatura da Língua Portuguesa por parte do senil presidente - o que muitas vezes me causa asco é a súbita reverência com que passaram a citar José Saramago certos idiotas que nunca o leram enquanto estava vivo.

Contestar: uma Ideia Brilhante

Contestar, Ideia Brilhante

Boa tarde,

Oferecemos-lhe a flexibilidade do horários da laboração e possibilidade de ganhar dinheiro extra de forma compatível com o atual trabalho.Propomos-lhe um negócio a tempo parcial. Estamos na fase de construção dum projeto comercial para 2013 e pretendemos que uns colaboradores novos façam parte da nossa equipa na Europa. Somos uma organizaçao altamente especializada em serviços de automóveis.Já temos em expansão a nossa execução por Europa e precisamos de buscar os Administradores de Serviço de Cliente em Portugal. Num ano queremos organizar novos negociantes dentro de Portugal e os trabalhadores administrativos vão ser contratantes da lista de Administradores de Serviço de Cliente atuais. Preocupamos-nos dos nossos colaboradores e sempre damos a oportunidade de aumentar dentro da organizaçao. O primeiro passo em isso é a posição de Administrador de Serviço de Cliente. Os administradores necessitam aceitar e processar pagamentos de nossos clientes. Para economizar tempo e dinheiro, vamos utilizar a sua conta bancária. Você vai aceitar transações de residentes em Portugal e processar transações internacionais via sistemas internacionais de transações instantáneos (Western Union ou Money Gram). Então, as transações aos beneficiários vão chegar bem mais rápido. Transferências internacionais electrónicas podem retardar até 14 dias para chegar, e o nosso sistema não demora mais de 1-2 dias.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Vamos ajudar o Rodrigo

Vamos ajudar o Rodrigo
Página Facebook: Vamos ajudar o Rodrigo.

Já aqui falei do Rodrigo. Tem 3 anos e precisa urgentemente de um dador de medula compatível! No próximo sábado, dia 20 de Abril, entre as 10h e as 18h realiza-se na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa o evento «Todos por um». O evento consiste na venda de artigos doados por várias marcas, ou por todos que possam e queiram associar-se. Para além da venda solidária haverá também unidades de recolha de sangue/medula - mais informações no blog Quadripolaridades.

P.S. - Ao ajudarem o Rodrigo, participando na recolha de sangue, estão na verdade a ajudar não só o Rodrigo, mas todas as pessoas que eventualmente sejam compatíveis convosco.

José Luís Peixoto, um escritor institucional.

José Luís Peixoto, Luiz Vaz de Camões, adaptação de Os Lusíadas


É difícil encontrar uma palavra para qualificar a adaptação de Os Lusíadas, de Luiz Vaz de Camões, por José Luís Peixoto - uma ideia da Visão aceite pelo escritor. José Luís Peixoto - apesar - et pour cause - da imagem de escritor rebelde e inconformado - tatuagens e pircings para o comprovar - há muito que não passa de um escritor institucional.

Ler o excerto da adaptação do Canto I d' Os Lusíadas tirou-me definitivamente a pouca vontade que tinha de ler mais algumas obras - em especial Dentro do Segredo, por ser um relato da viagem do escritor à Coreia do Norte, um tema que me interessa. Todas as épocas e regimes têm os seus representantes - oficiais. Nas Artes Plásticas temos a Joana Vasconcelos, na Literatura o José Luís Peixoto. Noutras áreas não serão difíceis de identificar - os artistas.

Livro (romance), Minto até ao Dizer que Minto (contos, distribuído exclusivamente com a revista Visão), e os poemas que li avulso, bastam-me.

Adenda (21/04/2013): Afinal José Luís Peixoto é reincidente nas adaptações - já antes adaptou Os Maias para as crianças, em 2008, coisas do Sol e da Quasi. Comprei dois ou três exemplares desse pasquim - e jurei que nunca mais (acabei por comprar mais uma vez, quando fizeram uma entrevista ao Luiz Pacheco; deitei logo o jornal fora e fiquei só com a revista). Pela lista dos adaptadores desta anterior investida: - uma pessoa chega à inevitável conclusão que está tudo conforme - não há ali nenhuma dissonância.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

«There is no such thing as Society»

Dalton Trevisan, Ruy Castro, Frufru Rataplã Dolores, O Leitor Apaixonado


«There is no such thing as society.» afirmou Margaret Tatcher. «They are casting their problems on society. And, you know, there is no such thing as society. There are individual men and women, and there are families.» - Esperemos que as despesas do funeral não sejam assumidas pela sociedade. A Dama de Ferro, ou Velha Bruxa, como é carinhosamente tratada, não gostaria certamente - mas todos conhecemos as diferentes generosidades do Estado Social consoante se trate dum desgraçado ou dum afortunado - os desafortunados têm que mendigar cada cêntimo de ajuda - ou ficar à espera que alguém olhe para o lado e tome a iniciativa de os ajudar - os desafortunados cumprem assim a missão para que nasceram: a prática da caridade por parte daqueles que tiveram o berço, a fortuna, as condições, ou a sorte para prosperar - aqueles que nasceram na hora e nos locais certos. Os afortunados, a esses dão-se títulos, fazem-se barões, e não têm que pagar as refeições e os transportes com o salário - são despeças de representação - alguém tem que representar os desafortunados - que não se sabem representar a si mesmos.

«There is no such thing as society. There is a living tapestry of men and women and people and the beauty of that tapestry and the quality of our lives depend upon how much each of us is prepared to take responsibility for ourselves and each of us is prepared and turn round and help by our own efforts those who are unfortunate.» Para quem pensa assim, sociedade existe quando se privatizam os prejuízos - socializar os lucros é comunismo, uma barbárie. Que pena que o funeral não tenha sido privatizado, sugestão que li algures, não sei se de algum comediante. Talvez até tivesse dado lucro...

Há indivíduos, homens e mulheres, e famílias - verdade (família nem sempre há), mas há principalmente pessoas que se relacionam entre si - o Homem é um ser gregário, viver em sociedade é uma necessidade, não uma imposição ou uma obrigação - juntos venceremos, divididos cairemos - para citar a música dos Pink Floyd. A sociedade existe - existe porque é uma necessidade básica de qualquer ser humano - existe porque todos nos relacionamos - e precisamos de relacionar - uns com os outros. A sociedade existe onde existe solidariedade e amizade. Percebo que não exista sociedade para Margaret Tatcher. Onde impera a caridade e a exploração, não pode haver sociedade - ou esta acabará por se destruir a si mesma. Onde há duas categorias (ou mais) de pessoas - onde os afortunados exploram - parasitam - sem a obrigação de retribuir - e os desafortunados são explorados - escravizados - e têm que agradecer a caridade, quando a há - não pode haver sociedade.

Tudo isto para dizer que há um mundo em que existe sociedade - e a coisa mais bela que existe na sociedade se chama amizade.

A Europa, o BCE, e Os Jogadores de Xadrez

Greece Austerity Steve Sack
Greece Austerity, de Steve Sack
Os Jogadores de Xadrez, poema de Ricardo Reis, dá-nos a imagem perfeita daquilo que se passa na Europa. 


Enquanto milhões de Europeus não tem trabalho, esperança, dignidade, comida, futuro... - o Banco Central Europeu entretém-se com jogos.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Martin

Martin

Chamava-se Martin, tinha oito anos e estava junto à meta da maratona de Boston à espera do pai. Tinha um prémio para o compensar do esforço. O pai chegou finalmente, ele abraçou-o e voltou para junto da mãe e da irmã. Segundos depois, foi apanhado na primeira explosão. Martin é uma das três vítimas mortais dos ataques desta segunda-feira. A mãe e a irmã ficaram gravemente feridas.

Não importa quanto tempo se demora a chegar, mas quando se corta a meta é sempre uma euforia. Tanto para quem corre como para quem fica a aplaudir. Seria esse o estado de espírito de Bill Richard quando chegou ao fim. O abraço do filho terá sido o único prémio que recebeu (...) - artigo completo no Público.

Que não me venham certos idiotas que se dizem de esquerda falar das mortes no Iraque, Afeganistão, Síria, ou no raio que os parta. Irrita-me esse discurso troglodita, mesquinho, cínico. Um mal não justifica nem menoriza outro mal. Um mal é sempre um mal, seja em Boston ou em Bagdad. Aqueles para quem o mal tem diferentes tamanhos ou significados consoante o lugar onde acontece ou o número de vítimas que provoca, não são diferentes daqueles que o provocam - são igualmente culpados.

Adenda (17/04/2012): Afinal Martin não morreu após ter ido abraçar o pai, que não participou na corrida, mas assistia com a mulher e os filhos à maratona. Lamentável que meios de comunicação social ajam como redes sociais, e publiquem notícias sem confirmar a veracidade.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

«Eu gostava da Europa»

Austerité, Precarité, Compétitivité, Liberty, Equality, Fraternity, Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Liberté, Fraternité, Egalité, Austeridade, Precariedade, Produtividade
Cartoon de Miro Stefanovic, vencedor do XV Porto Cartoon World

Eu gostava da Europa. Sou mesmo O que se chama um europeísta convicto. Gostava da sua cultura, da sua diversidade, do seu projeto de paz depois de horrores muitos, do seu desejo humanista e de bem-estar. Gostava que ela se tivesse tornado federal e democrática. Gostava que ela tivesse sabido tornar-se num novo mundo, depois de tanta volta pelos velhos mundos, regressada exaurida ao seu lugar num cabo da Ásia. Mas estão a tirar-me o tapete debaixo dos pés. Estão a levantar pós antigos e o tapete está sujo de nódoas de sangue e merda e cheira mal, muito mal.

Miguel Vale de Almeida, excerto de Crónica, 22.

Catástrofe.

Catástrofe, Crise, Devastação, Fim do Mundo


Foram os que arriscaram e fugiram, mourejaram dos Pirenéus a Paris, sentiram-se salvos e senhores quando na volta juntaram ao Toyota aquele tractor de rodas gigantes e assento alto, trono de haver e poderio. Os filhos compraram o Mercedes, o apartamento, gozaram no México, não esquecerei tão cedo o brilho de orgulho nos olhos da conterrânea, que dizia, falando dos netos: "Tenho oito doutores em casa! Oito!"
E quase de súbito, com o inesperado e a devastação dos furacões em mar longínquo, o que parecia bucólico, assente, sossegado, ruiu. Os filhos e os netos chegaram com o ar de refugiados de uma catástrofe ou guerra. Em volta da lareira, que foi sítio de harmonia, ouvem-se os gritos do medo que todos sentem, das culpas que ninguém tem. Onde houve união é agora cada um por si. Andam esgazeados pelas repartições, agitando papéis que mal compreendem para o que são, pagamentos que têm de fazer a um ogre que lhes exige a bolsa e não garante a vida.

J. Rentes de Carvalho, excerto do post O Cabo Horn, no blog Tempo Contado.

Suicídio.

Solidão, Suicídio

O pai de um jovem que se suicidou quer grades mais altas nas pontes. Perder um filho deve ser uma das maiores dores interiores - talvez a maior - mas é preciso que alguém consiga explicar a este pai - e a todos os pais do mundo - que não é erguendo grades, barreiras, ou muros, que se evita o suicídio. Na melhor das hipóteses, evita-se o suicídio nos locais onde se erguem. Para evitar suicídios temos que derrubar grades, barreiras, muros. Temos que tombar as barreiras entre as pessoas e o mundo que as rodeia, arrancar as grades que as prendem dentro de si, derrubar os muros que as separam dos outros.

Ilusões Ópticas: a árvore e os amantes.

How many faces do you see on this tree, Quantas caras vêem nesta árvore
Quantas caras vêem nesta árvore?

E agora um post totalmente diferente - ou na mesma linha das restantes inutilidades: quantas caras vêem nesta árvore? 

E na imagem abaixo?

domingo, 14 de abril de 2013

Pensar.

Pensar, Parar de Pensar, Stop Thinking, Thinking
Cabeça Pensante, de Marcel

Pensar. Em breve terei a idade que o meu pai tinha quando morreu. Tenho pensado muito nisto. E isto faz-me olhar para a (minha) vida. E por vezes a vida - e o pensamento - ou o contrário - tornam-se insuportáveis. Coloco-me de lado; penso(-me) como quem observa de fora uma realidade que lhe é alheia. Divago, penso noutras coisas, tento não pensar em nada, mas o pensamento é desobediente, não se queda como se suspende um movimento, fica sempre como um ruído de fundo, o mesmo ruído que agora não me deixa dormir. Tento distrair-me com outras actividades, mas todas as actividades por que nutro algum interesse obrigam-me a pensar ou são demasiados caras para a minha conta bancária. Movo-me de um lugar para o outro, vou ao café, passeio pelas ruas desertas da vila, tento ler algumas páginas dum livro cuja leitura ficou suspensa, mas se me detenho mais um pouco nalguma coisa ou nalgum lugar, logo a intensidade do ruído se torna insuportável.

Vida. Procuro uma imagem na net; podia ser uma fotografia de obra maior de Auguste Rodin, mas encontro a que está ali acima. Agrilhoado pelos pensamentos. Sem presente - nem futuro. Sem esperança em nada. Longe de tudo o que um dia quis - ou sonhei. Prisioneiro de sonhos secundários. Leio as notícias nos sites dos jornais, aquelas que são grátis - que ainda são grátis - talvez não se perca nada em deixarem de o ser - já nem são notícias, são uns artigozecos alienantes a falar daquilo que as pessoas querem ouvir - como um produto igual a outro qualquer, à disposição numa loja conforme aquilo que pedem os fregueses, sem qualidade, que os clientes querem é uma refeição rápida e barata. Passo pelos blogs que frequento. Política - nada de novo - as mesmas claques de sempre. Literatura - um vazio abismal, umas capas espampanantes, algumas sinopses - os mesmos adjectivos - por ordem diferente - todos génios. Ciência - astronomia. Detenho-me nos seis ou sete - podia dizer quatro ou cinco - oito ou nove - podia contá-los - os que frequento com mais assiduidade e muito estimo. Volto de quando em quando àqueles que se silenciaram silenciosamente - que não pese a redundância - que se finaram sem dizerem uma palavra, sem um ponto final. Que será feito das pessoas que por detrás de outro ecrã dum computador escreviam aquilo que eu lia. Nos últimos meses com mais intensidade - nos últimos dois ou três anos - apagaram-se muitos assim. Tento não associar o facto com a crise. Porque isso obrigar-me-ia a pensar mesmo "que será feito das pessoas que por detrás de outro ecrã dum computador escreviam aquilo que eu lia?" Penso nisto e preocupo-me, angustio-me.

Escrever. Não tenho nada para fazer. Vou escrever a «Biografia» do about.me. Escrevo - reescrevo - apago tudo. Volto a escrever. Blogger, Escritor, Poeta, Sonhador. E muitas outras coisas. Nenhuma que me renda dinheiro - fama, reconhecimento, ou posição - ou outra coisa qualquer - daquelas coisas que são valorizadas nesta sociedade anti-social. Uma "Biografia" só devia ser escrita depois de morrermos - se alguém considerasse que tinha, para outras pessoas, valor que merecesse o esforço de ser escrita - e partilhada. Se quiserem saber algo sobre mim, enviem-me e-mail. Podem ler este post, e este. Mas não se esqueçam que uma biografia será sempre um retrato desfocado que se tira ao lado errado da pessoa retratada. A vida - a verdadeira vida de uma pessoa - está por dentro. E o lado de dentro - é como o lado escuro da lua: não existe o lado escuro da lua - na verdade, tudo é escuro.

sábado, 13 de abril de 2013

Resgate: deixar as Pessoas morrer... para salvar os Bancos

«Equipa de resgate da UE», de Kountouris
«Equipa de resgate da UE», de Kountouris


Cartoonista grego, Kountouris, ganha World Press Cartoon com sátira sobre resgate europeu. «Equipa de resgate da UE» foi o Cartoon vencedor. Kountouris ganhou também a categoria «Editorial»; nesta, ficou em segundo lugar Radulovic Spiro, com o trabalho abaixo, sem título:

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Guilhotina, já!

Guilhotina

Pronto. Acontece. Os "psicopatas sociais" metem-nos em alerta o cérebro reptiliano - e a reacção só pode ser esta, um reflexto simples. Quando um povo inteiro é colocado entre a espada e a parede - ou por outras palavras, quando a um povo inteiro é somente dado a escolher entre morrer e matar, algo vai acabar muito mal. Nestas alturas só apetece mesmo recomendar o uso da guilhotina. É um discurso perigoso - mas menos nefasto que o do governo. É fazer as contas numa folha de excel: entre matar uma quadrilha de loucos, ladrões, e banqueiros - ou um povo inteiro - qual o prejuízo menor. Nestas contas já não entra o imensurável valor de uma vida humana, pois do outro lado da barricada estão predadores para os quais esse valor é nulo.

Como é Linda a Puta da Vida, de Miguel Esteves Cardoso

Miguel Esteves Cardoso, Como é Linda a Puta da Vida

Miguel Esteves Cardoso, MEC para os amigos, tem vindo a perder qualidades ao longo do tempo, as crónicas no Público - que agora só leio de quando em quando, quando alguém as reproduz em blogs ou nas redes sociais - enfim, no facebook - que o Público deixei de o comprar há muitos anos - tornaram-se repetitivas, monótonas, aborrecidas - insonsas. Tantas qualidades perdeu que agora vai ser produto de hipermercado na Porto Editora. Desconhecendo o conteúdo deste novo livro de crónicas, aprovo-lhe o título - Como é Linda a Puta da Vida - uma bela merda!, em bom Português - «Estes anos, para mim, têm sido difíceis, embora tenham sido também felizes e bons. E o título deste livro de crónicas que vai sair em Abril acompanha dias bons e dias maus» - «Mas a coisa mais importante é que, mesmo nos dias maus, havia sempre momentos bons. É à própria pessoa que cabe decidir o dia. Por isso é que o livro se chama Como É Linda a Puta da Vida».

Diz Miguel Esteves Cardoso que enquanto selecionava as crónicas que fazem parte de Como é Linda a Puta da Vida ficou surpreendido com a quantidade de merda que uma pessoa escreve - Oh Miguel! - gosto do teu nome Miguel - está na hora de voltares a escrever num blog!
«A vida é má e imprevisível e é uma puta. E não se percebe bem qual é o critério. Mas, por outro lado, é linda» - disse ainda o Miguel Esteves Cardoso, segundo o Público. A partir daqui acaba o artigo de jornal e começa a publicidade à Porto Editora e aos seus novos autores. 

Oh Miguel - permite-me tratar-te pelo nome que partilhamos - e pelo qual sou tratado por algumas das pessoas mais chegadas - não te deve interessar nada, nem vais ler estas parvoíces, merdas!, - os amigos chamam-me André - embora não seja o meu nome civil - é uma longa história que não interessa para aqui - vê lá que até o parvalhão do meu melhor amigo me começou a tratar por André - mas voltemos ao que interessa, Miguel: li todas as tuas obras - excepto as de teatro - comprei mais de metade, as outras foram emprestadas - a capa de Como É Linda a Puta da Vida - e o título, talvez escapem - o conteúdo provavelmente não é mau - mas!..., trocar a Assírio & Alvim pela Porto Editora?! Miguel, isso não te perdoo! É o mesmo que trocar a miúda mais gira do bairro - da cidade, do mundo! - por uma puta! Bem sei que O Amor é Fodido! -, e que tens uns tiques monárquicos*, mas, oh Miguel!, há coisas incompreensíveis!


*Isto só pode ser coisa de aristocrata arruinado, a tentar salvar a fortuna casando com uma duquesa velha, feia, e rica.

Coisas. Emigração. Fome.

Amendoeira

Levo vinte anos disto na companhia de gente assim. De vida monótona, repetitiva. Um trabalho modesto e nunca acabado, porque a seguir ao almoço vem o jantar, e logo ao dia seguinte sem o pequeno-almoço não se passa. Não dá glória profissional por aí além, nem autoridade a um blog. Mas, como nem tudo é literatura, poupa-me no entanto a vergonha que por aí vejo nalguns: a do pregão das virtudes da fome. A alheia -, bem entendido…



"Os portugueses muitas vezes estão obrigados a ter trabalhos para os quais têm qualificações a mais", o que "cria, obviamente, um sentimento de frustração", explicou o historiador luso-francês à Lusa, à margem da sua conferência sobre a emigração clandestina da Península Ibérica para França, de 1945 a 1974.
"A grande diferença com a emigração dos anos 60 e 70 é que naquela altura havia trabalho", sublinhou.
Nos anos 60 e 70 "as pessoas quando saiam, endividavam-se, atravessavam os Pirenéus de forma clandestina e viviam em barracas. Foi uma emigração muito difícil, e no início muito precária", disse.
"Mas sabiam que muito rapidamente iam encontrar um trabalho, pagar as dívidas que tinham e que aos poucos podiam construir uma casa em Portugal, tentar juntar algumas poupanças para voltar. Só que agora a situação é bastante diferente: em França o desemprego é muito alto" além de assistirmos a "uma Europa em estagnação", acrescentou Victor Pereira.



Provavelmente os dois texto não têm nada que ver um com o outro - ou provavelmente falam do mesmo - que importa? -, desde que li Laurence Sterne que as ideias - ideias - se associam assim na minha mente - e dou comigo a escrever com travessões - perdão, hífens, - que para escrever um travessão no blogger é uma carga de trabalhos. Não sei se estarão relacionados ou não - a fome é negra - por isso é toda igual - mas ambos fazem com que eu rumine no mesmo. Coisas.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Vamos ajudar o Rodrigo

Vamos ajudar o Rodrigo
Página facebook: Vamos ajudar o Rodrigo


O Rodrigo é um menino de 3 aninhos a quem foi diagnosticada leucemia mieloide aguda em Agosto de 2011. Na altura com 2 aninhos, o Rodrigo iniciou um ciclo agressivo de quimioterapia no IPO de Lisboa. Passado 1 ano, todas as células malignas no corpo do nosso menino tinham sido eliminadas, ele já estava em casa, frequentava a escola, tinha um sorriso. Na altura do Natal 2012, o Rodrigo fez um medulograma e verificou-se uma regressão da doença, tornando-se então URGENTE UM TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA.

---POR FAVOR---

Quando vemos o caso do Gustavo, e o caso de outros milhões de crianças, ficamos com a ideia que só acontece aos outros. Infelizmente, esta doença não escolhe pessoa nem lugar, e pode acontecer a qualquer um. Neste caso, aconteceu ao nosso anjinho, e a nossa esperança são vocês!

---POR FAVOR---

DIRIJAM-SE AO HOSPITAL MAIS PRÓXIMO, DISPENDAM 10 SEGUNDOS DA VOSSA VIDA, POIS ESSES 10 SEGUNDOS VÃO DAR UMA VIDA A MILHÕES DE CRIANÇAS.



Grécia. União. Crise. Solidariedade. Europa. Caridade. George Soros.



«As pessoas que mais sofrem não tiveram qualquer participação na crise» escreveu George Soros no texto de apresentação da iniciativa Solidarity Now, um projecto da Open Society Foundations. Cris Stone, o presidente da Open Society Foundations, afirma que «a mensagem da Solidarity Now é de união e não de caridade». 

Não consigo ler isto sem um sorriso e um sentimento de tristeza. Porque acreditei na Europa, acreditei que vivia no canto mais civilizado do mundo, num lugar onde valia a pena viver, acreditei no projecto Europeu (que projecto?, pergunto-me hoje), e já não acredito - e como qualquer pessoa que perdeu a fé, olho para tudo isto, tentando não pensar na vida, encolhendo os ombros e suspirando, cogitando que foi um sonho lindo. A vida continua. Eventualmente, um dia a crise passará, e algo de novo surgirá - alguns sucumbirão, outros sobreviverão - alguns com extremas dificuldades - outros com a vida arruinada - alguns reerguer-se-ão - outros atravessarão incólumes estes tempos - mas ninguém será quem era.

União. Solidariedade. Europa. Grécia. Palavras que, quando separadas farão maior ou menor sentido - mas há qualquer coisa que falha quando juntas. O elo que nos unia foi quebrado.

Amanhã nas livrarias: Mentiras & Diamantes, de J. Rentes de Carvalho

Mentiras e Diamantes, J. Rentes de Carvalho, Romance Inédito
Quem ainda tenha alguns trocos na carteira, aponte na agenda, ou nem precisa de apontar, que é já amanhã que Mentiras & Diamantes, romance inédito de J. Rentes de Carvalho, estará disponível nas livrarias. Não me peçam mais pormenores, que não faço parte do grupo restrito de críticos (ou "resenhadores", na falta de conhecimento e tomates para mais) que recebe livro em casa para «apreciações críticas» ou outras tretas entre aspas. Não sei se o espaço destinado à crítica cultural na comunicação social é tão pequeno para esconder a mediocridade dos críticos - ou se é a mediocridade dos críticos que leva à inevitável redução do espaço. A sinopse pode-se ler na contracapa do livro, não precisamos de resenhadores a reescrevê-la. 

Para se ler a pobreza que se lê por aí - para isso bastam os supostos blogs literários com a imagem da capa ladeada pelo nome do autor e da editora, o número de páginas, preço e ISBN, com copypaste de sinopse em baixo - mais valia acabar de todo com esta tristeza de críticas literárias, ou resenhas, ou o raio que os parta - e com o que se poupava podiam oferecer o espaço às editoras para publicidade gratuita: seria visualmente mais limpo e eticamente mais honesto. E não me atirem com as excepções à cara; ponham a carapuça e vejam se assenta. 

Permito-me aconselhar a quem ainda não deu com elas, duas pequenas entrevistas de J. Rentes de Carvalho a propósito de Mentiras & Diamantes; a primeira no blog da Quetzal, a segunda ao jornal JL, que pode ser lida no blog do autor, da qual destaco esta pergunta e resposta:

E lê-se na contra capa que esta história tem como pano de fundo um “país corrupto e corrompido, entre aos seus segredos de família”. É assim Portugal?
Sim, sabe-o você, sei-o eu sabemo-lo todos: Portugal é um país vergonhosamente, tristemente, pobremente corrupto. Para mal dele e de todos nós, até para mal dos que o corrompem ou se deixam corromper.

Dia dos Irmãos


Ultimamente tenho dado comigo muitas vezes quase a chorar, eu que nunca fui de chorar, nem me recordo da última vez que efectivamente chorei. Provavelmente isto não importa a ninguém, só a mim, e às pessoas mais chegadas - mas depois de ver tantas manifestações públicas de fraternidade no facebook, o meu lado piegas impede-me de me manter silenciosamente discreto. Nem sabia que hoje (ontem) é Dia dos Irmãos, nem sequer sabia que existia um Dia dos Irmãos, mas isto - já se sabe - há dias para tudo. [A propósito, chegaram visitas ao blog, através dos motores de busca, à procura do «Dia Mundial da Pedra» - alguém me esclarece se esse dia existe, e a que pedra se refere?]

Tenho no computador uma pasta com digitalizações de quase todas as fotografias de família e amigos - e outros que no acaso do sabor do momento foram fotografados por mim - que possuo. De vez em quando abro a respectiva pasta e dou uma vista de olhos. E interrogo-me: «qual o sentido de tudo isto. O que é que andamos aqui a fazer? O que procuramos? Andamos atrás de quê? Para quê? Que vida é esta, se não podemos estar ao pé da nossa família? Que vida é esta se não podemos estar ao pé dos nossos amigos? Que vida é esta se não podemos fazer o que gostamos? Que vida é esta...?» 

Interrogo-me muitas vezes, a propósito de tudo e mais alguma coisa - a propósito de um aniversário ou a propósito de coisa nenhuma. Pergunto-me de que vale a pena a vida se não posso estar perto da minha mãe, da minha irmã, dos meus tios e primos, da minha madrinha, dos meus amigos. A vida é tão curta, e passa tão depressa - fará sentido que andemos todos a correr atrás de coisa nenhuma, a sobreviver em vez de viver, levados por sonhos secundários, por necessidades e expectativas criadas por uma sociedade demente? Mas como escapar a tudo isto? Como quebrar as grilhetas?

Como medrar nesta sociedade domada pelos interesses neo-liberais que nos sub-humanizam, obrigando-nos a trocar a zona de conforto por zonas de sobrevivência, obrigando-nos a escolher entre ficar na zona de conforto - que destroem até ficar insuportavelmente desconfortável, tentando sobreviver ou morrer à fome - ou uma zona de sobrevivência - onde vivemos com a ilusão de algum dia ter algum conforto.

Mas era do Dia dos Irmãos que eu ia falar. Para mandar um grande beijinho à minha irmã - de quem a vida me separou quase sempre - mas isso é demasiado pessoal e intransmissível. Sorte malvada! Não ganhar o Euromilhões. Ou ter uma daquelas ideias malucas desses empreendedores neo-liberais da treta que julgam que as grandes ideias nascem assim de um dia para o outro, que não precisam dum contexto para se formarem e desenvolverem, que tomam a regra por excepção, e a excepção por regra; e de repente vamos todos criar uma startup e ficar todos milionários e viver felizes para sempre...

Pagar para Trabalhar (II)


Foi ontem publicada em Diário da República a abertura do concurso para a frequência do Curso de Estudos Avançados em Gestão Pública (CEAGP), que decorre até dia 19 e que garante um emprego na administração pública central como técnico superior, com um salário de 1.201,48 euros brutos. Estão previstas 80 vagas.
O curso é dirigido a todos os licenciados maiores de 18 anos e a candidatura tem um custo de 100 euros (encargos com o processo de selecção). Caso o candidato seja seleccionado para frequentar o CEAGP terá de pagar 5 mil euros, mas terá a garantia de colocação no Estado como técnico superior, com contrato de trabalho por tempo indeterminado, desde que a nota final não seja inferior a 12 valores.

(Fonte e Artigo Completo: Económico)


Pagar para trabalhar - um conceito em que Portugal está na linha da frente. Não bastasse a proliferação de estágios não remunerados - agora é o próprio governo: o estado tem 80 postos de trabalho que precisa de preencher; para integrar esses postos de trabalho, os candidatos têm que concorrer a um curso - a inscrição no concurso para o curso custa 100€ - e o curso 5000€... Portanto, para termos acesso a postos de trabalho que o Estado tem necessidade de preencher, pagamos 5100€... Deve haver um adjectivo qualquer para qualificar isto...

Adenda: Plataforma Ganhem Vergonha - para denunciar empregadores sem vergonha: Blog; Página facebook.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Desastre de Portugal

Portugal, Desastre, Naufrágio, Bater no Fundo

Ferreira do Amaral diz que as Parcerias Público-Privadas foram um desastre. Foram e são. Os bancos são outro desastre. O governo é um desastre, e nem com o Miguel Gonçalves a bater punho se desenvencilham. Mas o verdadeiro desastre é termos políticos, como Ferreira do Amaral, tão desastrosos: tão desastrosos que fazem os desastres acontecer. E eu que sempre pensei que os desastres fossem acidentais... 

Deputado ou Operador de Máquinas?

Miguel Relvas, Deputado, Operador de Máquinas, Junta de Freguesia do Troviscal


A Junta de Freguesia do Troviscal, Oliveira do Bairro, anunciou ter uma oferta de trabalho para Miguel Relvas, mediante ordenado mínimo e contrato a termo, já que a freguesia é extinta no final do ano.
(...)
A criação da “vaga de emprego” para Miguel Relvas, que mereceu parecer favorável dos restantes elementos da junta, é para desempenhar tarefas como operador de máquinas, à experiência e mediante contrato a termo certo, até Outubro, porque no final do ano está determinada a extinção da freguesia. (fonte)

Fazia-lhe bem uns meses a trabalhar a sério e a receber o salário mínimo - a bater punho - para saber o que custa a vida - mas o que ele quer mesmo é ser deputado.

Qual a Verdadeira Capacidade Militar e Nuclear da Coreia do Norte?

Coreia do Norte visão nocturna, Coreia do Norte vião satélite à noite.
Vista Nocturna da Coreia do Norte
Afinal o quarto teste nuclear da Coreia do Norte não está iminente. Armas nucleares até podem ter, mas acabaram-se os fusíveis para fazer os mísseis voar...