domingo, 31 de março de 2013

Economia de Casino

Euro, Eurozone, Eurozona, Crise, Chipre, União Europeia

A Economia de Casino - agora sem pudor - vai chegar ao Chipre. Bancos de todo o mundo terão a oportunidade de resolver os problemas de identidade que os têm afectado. A partir de agora saberão onde, quando, e como investir. As bolsas que se cuidem. Os cidadãos que se acautelem...

Só ainda não se sabe se as apostas poderão ser efectuadas em moeda virtual. Seria - pelo menos - mais coerente...

Literatura Comparada (Que é Como Quem Diz), Franquezas, e Outras Fraquezas Afins...

Correspondência António José Saraiva e Óscar Lopes, Leonor Curado Neves

Compare-se:


Com:





sábado, 30 de março de 2013

Sê plural como o universo!*

Fernando Pessoa, Plural como o universo


La inmensa herencia literaria de Fernando Pessoa, fruto de un afán inhumano de perfección que quedó plasmado en un legado de cerca de 30.000 escritos ordenados, en su mayoría, de forma caótica y embarullada, sigue regalando nuevos textos que aportan nuevas visiones sobre este escritor inagotable. Fruto de la labor de zapa de dos estudiosos de la obra del mayor poeta portugués contemporáneo aparecen ahora en España una nueva edición del Libro del desasosiego, con cinco textos inéditos, y un volumen titulado Escritos sobre genio y locura, compuesto por apuntes sobre psicopatologías y psiquiatría nunca publicados en español (en Portugal lo fueron en 2006). Artigo completo El País aqui.

*Fernando Pessoa, em Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Texto sem data.

sexta-feira, 29 de março de 2013

A Origem dos Ovos de Páscoa...

Coelho da Páscoa, Easter Bunny

Desejo uma Páscoa Feliz a todos os que acompanham esta barraca virtual de um sem-abrigo potencial. Se possível junto de família e amigos. Se possível junto daqueles que amam. Sejam Felizes.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Torquato da Luz, um amigo.

Torquato da Luz
Torquato da Luz (1943-2013)

Este é um daqueles momentos em que as palavras se escondem de nós, e ficamos sem saber que dizer, mas sabemos que temos que dizer alguma coisa. Temos que dizer alguma coisa, não pela pessoa que infelizmente partiu, mas por nós mesmos, porque nos dói o que dela ficou em nós. Torquato da Luz continuará vivo enquanto nos lembrarmos dele. Para mim, Torquato da Luz, mais que Poeta e jornalista, foi o amigo que nunca cheguei a conhecer pessoalmente. O amigo que me enviava os livros que publicava. O amigo que me dizia que gostava de ler os poemas que eu ia escrevendo - provavelmente nunca escrevi nenhum que se aproveite. O amigo que eu ia lendo no blog Ofício Diário. E eu só agora fiquei a saber da sua morte. E neste momento sinto aquela tristeza que é uma mistura de mágoa, dor, e impotência. Guardarei para sempre, na memória e no coração, as tuas generosas palavras; e os livros que me ofereceste com amizade e admiração. Até sempre amigo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Os bancos no Chipre vão mesmo reabrir? Em que moeda?

Euro, Euro Bank Note, Cyprus, Chipre

Os bancos cipriotas fecharam dia 15 de Março, e a prometida reabertura vem sendo adiada desde então. Será que na próxima Quinta-Feira estarão mesmo abertos? E quando abrirem, em que moeda é que vão abrir? Há tanto tempo fechados, começo a pensar que o Banco Central está ocupado a imprimir moeda própria! Como Paul Krugman diz, de certo modo, o Chipre já está fora do Euro. Mais: o Chipre devia sair do Euro. Agora. E não será isso que - secretamente - o Banco Central tem estado a preparar nos últimos dias? Todas as teorias que li por aí, sobre como sair do Euro, dizem que os Bancos Centrais o deviam anunciar de um momento para o outro, inesperadamente. E o Banco Central do Chipre já teve mais que tempo para imprimir notas e cunhar moedas...

Ou vamos continuar a fingir que o Euro e a União Europeia ainda existem?

terça-feira, 26 de março de 2013

O mundo é pequeno

Mundo Pequeno, Little World, Small World

Ontem à noite, em conversa com um amigo de infância/adolescência, via facebook, descobri que ele conhece pessoalmente um dos meus escritores preferidos. É verdade - disse-me - Nunca li nenhum livro dele, mas conheço-o pessoalmente. Sou da terra dele. Não foram exactamente estas palavras, mas foram mais ou menos assim. E assim fiquei a saber que um amigo de infância é da mesma aldeia, perdida para lá dos montes, que um dos meus escritores preferidos. É um post pequeno e idiota, mas um indivíduo alegra-se com estas pequenas insignificâncias.

EuroMilhões: Que tipo de Excêntrico és tu?

EuroMilhões, EuroMillions
Excêntrico do tipo sem dinheiro.
Vou ali registar uma aposta (que não há dinheiro para mais, e uma basta para ganhar), e já volto... Ah!, se eu fosse milionário...

The New Bank of Europe

New Bank of Europe, Novo Banco Europeu, European Central Bank, Banco Central Europeu

Enquanto alguns vão levantando o dinheiro sorrateiramente, para os outros os bancos continuam fechados. Até Quinta-Feira. Haverá alguém na Europa que durma descansado, sem pensar onde colocar o seu dinheiro? Seja muito ou pouco, talvez o melhor seja colocá-lo num lugar mais seguro... Por exemplo no New Bank of Europe...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Eça de Queiroz, a Emigração e os Liberais

Eça de Queiroz, Eça de Queirós, José Maria Eça de Queiroz
José Maria de Eça de Queiroz

Eça de Queiroz, a Emigração, e os Liberais. Texto escrito em Dezembro de 1871, e publicado posteriormente n' As Frapas. Lido no blog A Terceira Noite:

E no entanto perante a emigração que faz o Estado, a imprensa, a opinião?
Interrompe-se um momento, volta-se para os colonos, fita-lhes a luneta e diz àquela plebe esfaimada:
– O quê! quereis ir embora? Oh doidos! – Tendes acolá os terrenos do Alentejo.
Ora os terrenos, os eternos terrenos do Alentejo, são simplesmente um gracejo torpe. Uns poucos de centenares de homens têm fome e diz-se-lhes, em boa prosa, com algumas vírgulas:
– Acolá tendes, amigos, os vastos terrenos do Alentejo que são, etc.
Exactamente o que se diz aos porcos:
– Acolá tendes aqueles terrenos onde a bolota, etc… comei, estimáveis bacorinhos.
Porque não sabemos que o terreno do Alentejo, como está, produza na genera­lidade senão bolota. Ora o governo, a imprensa e a opinião oferecem-no como está. É uma brincadeira abjecta.
Uma população de trabalhadores, pobres, operários, proletários, pede trabalho – senão emigra. E o país responde:
– Não emigreis, tendes acolá os terrenos do Alentejo – isto é, tomai vós, ó proletá­rios, ó gente do campo, ó pés descalços, os quatro ou cinco mil contos que tendes aí no bolso roto da jaqueta, associai-vos em grandes companhias, negociai acções, com­prai máquinas e instrumentos, lavrai tantas léguas quadradas, arroteai, regai, abri poços, fazei aquedutos, estabelecei lezírias, levantai grandes fundos com o vosso grande cré­dito, tu Manuel da Horta, tu José da Cancela, tu ferrador, tu jornaleiro – e enriquecei!
Ora o Estado, a imprensa a opinião têm razão – somente como o trabalhador não tem ali os quatro ou cinco mil contos na algibeira e não está para os ir buscar a casa porque está a chover – embarca para a Nova Orleães.

Euro: o mal menor?

Euro, Chipre, Portugal, Crise
Fotografia Público.

Entre as muitas coisas que devemos exigir, enquanto cidadãos, Portugueses e Europeus - não necessariamente por esta ordem; não sei em qual das categorias mais desprezados - é que nos digam claramente qual o mal menor: mantermo-nos ou sairmos do Euro? Sim, que no ponto em que nos encontramos - aparentemente - já só existem más possibilidades. Num País onde se gastam milhões de Euros com estudos inúteis, não seria com um estudo que tentasse obter algumas conclusões relativamente a este ponto que iríamos à falência. Num País sério todas as alternativas seriam estudadas; mas em Portugal andamos nesta via forçada do caminho único que não nos leva a lado nenhum - ou ao abismo: a negação de qualquer caminho.

Abebe Selassie afirma que a evolução do desemprego em Portugal é «infeliz». Infelizes são as medidas troikianas que jamais se preocuparam com a Economia Real, que desconhecem por completo. Quem conheça minimamente a realidade Portuguesa só pode ficar admirado com o facto de não ser maior a taxa de desemprego - maior até é, mas a preocupação dos políticos, uma vez mais, não é a realidade, mas até que ponto conseguem maquilhar os números. São do conhecimento geral as convocatórias inúteis aos desempregados inscritos para assistirem a palestras desnecessárias sobre formações vãs. Formações que nenhuma mais valia dão a quem as frequenta ou à economia do País - têm como único objectivo a diminuição virtual do número de desempregados inscritos. 

Enquanto as soluções apresentadas para combater o desemprego forem soluções de fachada, de embelezamento, como formações e estágios inconsequentes, e medidas de incentivo à contratação a prazo, não serão encontradas soluções de futuro, para as pessoas e as empresas. E a Economia continuará da definhar, e mais difícil se tornará a sua recuperação. O que queremos para o País? Fingir que temos a Dor que deveras temos? Ou procurar curas para a Doença que paulatinamente nos vai destruindo, enquanto indivíduos, e à própria sociedade? 

P.S. Os bancos no Chipre voltarão a abrir? Eduardo Catogra diz que «Chipre não aquece nem arrefece Portugal» Comentários para quê? Foi este o representante do PSD nas negociações com a Troika. O Chipre que na última semana e meia pôs a Europa toda a arder, não aquece nem arrefece Portugal...

Loading Slavery: 9,9% - 20% - 25% - 30% - 100% - Liquidação Total.

Em Portugal não haverá taxas sobre os depósitos, garantiu Vítor Gaspar na semana passada!

domingo, 24 de março de 2013

Petição Publicação de «Portugal, a Flor e a Foice» de J. Rentes de Carvalho

Portugal a Flor e a Foice, José Rentes de Carvalho


Nós, os signatários, queremos que a editora Quetzal Editores, publique obra «Portugal, a Flor e a Foice», de José Rentes de Carvalho, em Português.

A obra «Portugal, a Flor e a Foice» foi publicada em Novembro de 1975, encontrando-se apenas publicada em Neerlandês. Entendemos que esta é uma obra importante para a compreensão da cultura, mentalidade, e sociedade Portuguesa.

Uma vez que a Quetzal Editores está a publicar a obra completa de José Rentes de Carvalho em Portugal, e uma vez que continua por publicar em Portugal, quase 38 anos depois da edição em Neerlandês, pretendemos com esta petição pedir à editora que publique a edição em Português.

Os signatários,



Se Concordam com esta petição, divulguem-na nos vossos blogs, e nas redes sociais.

«Na ficção tudo é real, na realidade tudo é possível...»*

Joana Vasconcelos, Maria Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho
Fotografia de Carlos Vaz Marques


Apresento-vos os novos** técnicos especialistas que vão exercer as funções de acompanhamento da execução de medidas do memorando conjunto com a União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, na ESAME***.

João Miguel Agra Vasconcelos Leal, 22 anos, encontra-se a concluir o Mestrado Científico em Administração de Empresas na Universidade Católica Portuguesa, mais concretamente na Católica -Lisbon School of Business and Economics, onde, em 2011, já havia concluido a Licenciatura em Economia com média final de 15 Valores. Em 2008, concluiu o ensino secundário na vertente de Ciências Socio-económicas na Escola Secundária Sebastião e Silva com média final de 18 valores.

Experiência Profissional

Entre Junho e Agosto de 2011, João Miguel Agra Vasconcelos Leal realizou um estágio de Verão no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego. Anteriormente, em Junho de 2009, já havia efetuado um estágio de Verão no departamento de Marketing e Vendas da Empresa José Maria da Fonseca

Tiago Miguel Moreira Ramalho, 21 anos, concluiu em 2012 a Licenciatura em Economia na Universidade Nova de Lisboa com média final de 16 Valores, tendo efectuado o semestre de inverno de 2011/2012 em Praga, na University of Economics, no âmbito do programa ERASMUS. Em 2009, concluiu o Curso Científico -Humanístico de Economia na Escola Secundária Daniel Sampaio, com média final de 19 Valores.

Experiência Profissional
Entre Setembro e Dezembro de 2012, Tiago Miguel Moreira Ramalho realizou um estágio profissional não remunerado no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego.

Seria interessante que na Experiência Profissional constasse também a data de filiação no partido, e o nome dos blogs em que estes senhores participaram... sempre podíamos ler aquilo que escreveram. É sempre interessante ler o que escrevem os génios.

Cogito se não havia de me dedicar à arte? Já li muitos livros de nonsense. É um arrozal impossível de se bater com Portugal. Perguntarem-vos numa entrevista de emprego quantas vacas há no Canadá é uma bola de sabão nas mãos de um velhote sentado no parque com os patos que estão a fazer o jantar. É assim Portugal e apenas esta esperança: que o principal critério de selecção seja ter Miguel como segundo nome próprio. Posso apresentar a carta de condução, o cartão de cidadão, e o passaporte - ou basta o cartão de vacinas? Ah, menina não entra, é um clube privado. É bom descobrir, ao fim de quase 32 anos, que o nosso problema afinal foi simplesmente não termos efectuado um Estágio de Verão. É altura de inovar - de qualquer modo a empresa onde realizei os meus futuros estágios de Verão faliram, coitadas - não aproveitaram o meu génio.

*Li a frase num post publicado por um amigo meu no facebook.

**Espero que percebam porque é que novos está em itálico...

***No site do governo não consegui descobrir o que significa o acrónimo ESAME [Afinal havia outra página no site. Quererá dizer Estrutura de Acompanhamento dos Memorandos]. Suponho que seja um EXAME à Miguel Relvas.

sábado, 23 de março de 2013

Descoberta carta inédita de Oscar Wilde

Oscar Wilde



Game Over: O Fim do Euro?

Fim do Euro, End of Euro, Crise Económica, Crise Financeira

Desde 2011 que se alerta para o possível fim do Euro. Eu próprio estava convencido que o Euro não iria sobreviver a esse ano - e no entanto o Euro continua por aí. Como o anúncio da morte de Mark Twain, também os sucessivos anúncios da morte do Euro têm sido exagerados - porque o Euro continua por aí. Talvez porque ninguém saiba bem como sair dele. A única certeza é que o Euro já não serve a ninguém (pronto, que sirva à Alemanha e a um bando de lunáticos, perdão, burocratas da União Europeia).

Do Chipre, as notícias que chegam são imprecisas. Apenas se sabe que capitulou perante a troika. Os depósitos superiores a 100 000 Euros vão ser taxados a 20%, a 25%, já há acordo - ainda não há acordo? Da Grécia já nem há notícias, e eu não sei Grego para tentar informar-me em sites/blogs da Grécia. Espanha e Portugal são campos de terror, sem esperança, sem emprego, sem futuro - para além da miséria. Esta moeda já não nos serve - e os cidadãos vão paulatinamente de servos a escravos dela...

Continuo convencido que mais dia menos dia (que diz dia, pode dizer semana, mês - não lhe dou mais um ano, mas quem sabe até onde vai o poder da opressão), estou convencido que mais dia menos dia o Euro acaba. A única diferença para 2011 é que agora começo a acreditar que atrás de si levará também a União Europeia.

Olli Rehn antevê que o futuro do Chipre «vai ser muito difícil». E é só o futuro do Chipre? No Chipre a Igreja Ortodoxa pede para se começar a pensar numa saída do Euro. E em Portugal - temos disto - não será já tempo de alguém estudar esta possibilidade seriamente? Não será tempo de alguém apresentar seriamente as vantagens e desvantagens, de estudar a melhor forma de o fazer (no caso de ter que se fazer)...?

sexta-feira, 22 de março de 2013

José Mourinho, um recordista

José Mourinho, Sport Lisboa e Benfica

A primeira vez que ouvi falar de José Mourinho, ainda ele era intérprete de Sir Bobby Robson, no Sporting Clube de Portugal. E desde esse momento até ao dia em que foi apresentado como treinador do Sport Lisboa e Benfica, que eu fiquei com a ideia que José Mourinho era um mero intérprete, e que não tinha qualquer formação desportiva. Era uma daquelas ideias pré-concebidas, sem qualquer fundamento, como saberá qualquer pessoa que hoje conheça o seu percurso. Com esta ideia em mente, a minha primeira reacção quando foi apresentado como treinador do Sport Lisboa e Benfica, foi de estupefação. Mas rapidamente fiquei a conhecer o verdadeiro percurso de José Mourinho, descobrindo que afinal ele não era um professor de Inglês, ou qualquer coisa do género, e mais rapidamente fiquei convencido das suas qualidades. Assim, foi com surpresa e frustração que o vi sair do Sport Lisboa e Benfica. Apesar das rivalidades com o Futebol Clube do Porto, secretamente continuei a admirar o seu percurso, trabalho, qualidades, e - admito - gosto do seu mau génio. No futebol ele ficará na história como um génio, um génio completo, com o lado bom e o lado mau - genial em ambos. 

José Mourinho é um treinador que pode bater todos os recordes. O mais caricato será este: José Mourinho foi treinador do Sporting... por duas horas! José Mourinho é também um recordista em polémicas. Porque gosta de ser o centro das atenções? Sinceramente, FIFA e UEFA são duas Instituições que destilam corrupção por todos os poros. Instituições que têm as suas próprias leis, permitindo-se fazer chantagem com as leis civis. Instituições que promovem a ruína de países parolos como Portugal, Brasil, ou África do Sul, concedendo-lhes organizações megalómanas que nenhum benefício lhes trazem, e dão a essas Instituições milhões de lucro... José Mourinho diz que houve corrupção, Goran Pandev confirma, a FIFA revela fax a desmentir, Goran Pandev afirma que a assinatura não é dele. Aguardamos as cenas dos próximos episódios. 

Gostava que um dia José Mourinho regressasse ao Sport Lisboa e Benfica. Costuma-se dizer que não se volta a um lugar onde se foi feliz. José Mourinho podia ter sido feliz no Sport Lisboa e Benfica, mas não o deixaram. Espero que um dia ainda venha a sê-lo...

A Nova Europa: Austeridade, Precariedade, e Competitividade

Europa, Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Austeridade, Precariedade, Competitividade, Liberté, Égalité, Fraternité, Austerité, Précarité, Competitivité

Na Nova Europa foram substituídos os Valores pelos valores - de mercado. Tira-se da bolsa dos cidadãos, para se ir à Bolsa - de valores. Liberdade, Igualdade, e Fraternidade foram derrubados por Austeridade, Precariedade, Competitividade.

Pagar para Trabalhar

o trabalho não remunerado liberta o capital, pagar para trabalhar
Imagem d'aqui.

Com os salários actuais (nos casos em que ainda oferecem salários; outros casos há em que as ofertas de empregos são para estágios curriculares para pessoas com 35 anos, 10 de experiência, e a possibilidade de comparticipar as despesas de deslocação e alimentação, nas oportunidades menos más) as pessoas são simpaticamente convidadas a pagar para trabalhar. Deve ser por isso que lhe chamam Mercado de Trabalho. Apetece associar a isto tudo que está a acontecer na Europa, com especial incidência em Portugal, Espanha, e Grécia, a imagem da entrada do Campo de Concentração do campo I de Auschwitz-Birkenau, cujos portões tinham, como se sabe, a inscrição «Arbeit Macht Frei» (O Trabalho Liberta). Dirão que é um exagero. Pelo caminho que estamos a trilhar, um exagero ligeiramente ligeiro, e não se sabe por quanto tempo.

O Nazismo, e outros Fascismos, tentaram destruir a sociedade que existia. Este novo sistema, Neo-Liberalismo (?), que junta o pior do Comunismo com o pior do Capitalismo, está a conseguir que a sociedade se destrua a si mesma. Por outras palavras: nos sistemas fascistas que vergaram a população Europeia no em meados do século XX, sabíamos claramente quem era o inimigo, o quê e quem devíamos derrubar. O inimigo presente é muito mais perigoso, porque é esquivo. Mudar o topo desta nova pirâmide social poderá já não ser suficiente... embora seja igualmente urgente derrubá-lo.

Adenda: Até para a Construção Civil as ofertas de emprego são... estágios... este pelo menos é remunerado. Será? O «Ladrilhador / Pintor / Carpinteiro» quererá dizer que há vagas para as 3 profissões, ou o profissional a contratar terá que ter as 3 profissões?

quinta-feira, 21 de março de 2013

políticos, tudólogos, astrólogos, tarólogos, comentadores... sócrates.

Meme Jackie Chan

Político deve ser a única profissão do mundo em que ser incompetente compensa. Além de Engenheiro (ou Bacharel, ou lá o que era) da Câmara Municipal da Guarda. Deve ser também a única profissão que quando se abandona - pelo próprio pé, por ser derrotado, ou demitido - possibilita a abertura de mil e umas portas, janelas, e assentos num outro lugar qualquer.

Enfim, nada tenho contra o Sócrates comentar ou não comentar seja o que for, seja onde for. Nem sei porque dão tanta importância a isto. Afinal de contas o que mais há nas televisões, rádios, e jornais são tudólogos, astrólogos, tarólogos, comentadores, políticos - todos a rasar a nulidade. Quem os vê, ouve, ou lê - tem o que merece.



Adenda (a quem possa interessar): Votei no PS em 2009. Votei no que considerava o mal menor. Podia ter votado em Branco, ou Nulo, ou outra coisa qualquer. Foi a única vez que votei num dos dois partidos que se revezam no poder. Actualmente não acredito em nenhum partido político - nunca acreditei em nenhum, na verdade. A única migalha de fé que me resta é esta: pior que Coelho, Gaspar, Relvas & Companhia Lda. é difícil. Mas tenho consciência que é possível. Porém, ainda que seja possível vir pior, ainda que não se vislumbre alternativa, tal não justifica a permanência de sumas incompetências no governo do País.

Petição Pública

Cliquem na Imagem para Assinar

Nós, os signatários, peticionamos através desta petição o fim imediato de todas as petições.

Dado que o exclusivo objectivo de uma petição é o de:
1- Fazer perder o tempo aos seus subscritores;
2- Fornecer 15 minutos de fama ao(s) seu(s) autor(es);
3- Atentar contra os direitos, liberdades e garantias da presência ou ausência dos visados minerais, vegetais ou animais bem como a sua respectiva miscigenação e consequente proliferação;
4- Não apresentar qualquer tipo de resultados práticos ou, paradoxalmente, apresentar demasiados e imprevísiveis resultados práticos;

Parecendo-nos do mais elementar bom-senso a erradicação desta tão insidiosa e excessivamente democrática forma de liberdade de expressão, daí termos tomado esta iniciativa, na expectativa de todos os nossos compatriotas possam rejubilar ao subscrevê-la, por saberem estar perto o fim das omnipresentes e malfadadas petições.

Compatriotas, com o vosso apoio, esta será a última petição que voltarão a subscrever!

Os signatários,

Mentiras & Diamantes, de J. Rentes de Carvalho

Mentiras & Diamantes, J. Rentes de Carvalho, Mentiras e Diamentes, José Rentes de Carvalho, Capa

Confirma-se. Há novo romance de J. Rentes de Carvalho. Não sei se este é aquele que é referido na entrevista, mas é um novo (e inédito) romance de J. Rentes de Carvalho. Nas livrarias a 12 de Abril. Por publicar continua Portugal, a Flor e a Foice

Casas de Apostas: Quanto tempo até à destruição da União Europeia?

Chipre, União Europeia

A União Europeia acabou. A entidade / instituição que formalmente existe no seu lugar é já outra coisa, embora ainda não saibamos dizer o quê, ou o que é que daqui vai resultar. Mas - alguma vez existiu uma União Europeia? Provavelmente não. 

Isto que existe é uma instituição à deriva, burocrática, e sem qualquer ligação com a população dos países que a integram. Num território onde a pobreza alastra como uma epidemia altamente contagiosa, onde não se vislumbra qualquer presente para os jovens, e muitos, muitos menos jovens, quanto mais futuro, o que é que preocupa esta União? As condições de vida das porcas e das galinhas. Num território onde há cada vez mais pessoas sem meios de sustento, sem um tecto para habitar, sem higiene, acesso a cuidados de saúde, educação, e alimentação - o que preocupa a União Europeia são as condições de conforto em que vivem as porcas e as galinhas! E às pessoas obrigam-nas a sair das suas zonas de conforto - forma simpática de dizer que destroem as economias reais, para salvar os casinos financeiros - forma simpática de dizer que despejam as pessoas das suas casas, para as entregarem a quem destruiu a economia real que dava trabalho às pessoas e salário com que pagavam as mesmas casas.

Como podemos chamar União Europeia a uma união que  faz chantagem e rouba as populações dos territórios que a habitam?

As Casas de Apostas têm aqui um bom negócio. Que comecem a apostar quanto tempo é que falta para a destruição (formal) da União Europeia. Porque lado vai ruir não sei. Pelo fim do Euro - qualquer pessoa com dois dedos de testa há muito que percebeu que Grécia e Portugal estão enterrados num buraco sem fundo onde se enterram mais a cada dia que passa. A situação social, económica e financeira é insustentável. Espanha e Itália não estão nada melhor. E a recessão e consequente austeridade destas políticas sem interesse pelas pessoas alastra a França, Holanda, e até à Alemanha. Talvez acabe pela revolta das populações (neste ponto só tenho fé nos Franceses, todos os outros são demasiado mansos ou sofrem do síndrome de ovelhismo. Não, não me falem dos Espanhóis. Podem ferver muito depressa e em lume brando, mas na hora h são piores até que os Portugueses serenos) - ou numa nova guerra, de consequências absolutamente imprevisíveis. Ou talvez nada disto aconteça. Porém, uma coisa é certa: a situação económica e social da União Europeia é insustentável. Às vezes penso que o melhor seria vir o asteróide de uma vez por todas...

Dia Mundial da Poesia: «uma pedra»

agarras
uma pedra
e esculpes
esculpes
obsessiva
mente
entalhas
cortas
tiras retiras
cinzelas
deitas
fora
tudo
agarras
uma pedra
e esculpes
esculpes
até ficar
apenas
-
o que amaste

quarta-feira, 20 de março de 2013

Será que é possível encontrar emprego em Portugal?*

Google
Não sei se é homem ou mulher, com ou sem experiência, quantas línguas fala, se conhece linguagens de programação, se tem experiência a trabalhar com SAP ou Primavera, se sabe o que significa CRM, HRM, XLM, SLQ, ou SEO, se tem experiência em Account Manager ou Costumer Service, mas duas coisas eu sei do leitor ou leitora que aqui chegou com a busca no Google «Será que é possível encontrar emprego em Portugal?» Primeiro, que o estimado leitor ou leitora têm uma dúvida existencial comum a milhões de Portugueses. Segundo, que a estimada leitora ou leitor desconhece que há perguntas para que nem o Google encontra resposta.

Aproveito este pequeno apontamento para agradecer ao crescente número de fiéis leitores que aqui chegam por via da busca «ainda que os amantes se percam blog».

*Ainda há bons empregos em Portugal. Mas é preciso ter o cartão certo. Este post e o anterior estão obviamente relacionados.

Como ganhar o EuroMilhões?

Euromilhões, Euromillions, 100 milhões, Jackpot,
Que tipo de Excêntrico és tu?

Como sonhar ainda não é proibido, nem paga impostos, suspiro profunda e semanalmente durante alguns segundos, enquanto registo a chave do EuroMilhões. E esta sexta-feira há Jackpot Extra, de 100 milhões, conforme se vê na imagem que recebi no e-mail, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa - a publicidade é gratuita, que ninguém ma pediu. A mim bastava-me 1 milhão, os outros 99 dividia-os por família, amigos, e alguns projectos. Entretanto, vou tentando chegar a uma chave extra que cumpra as dicas para ganhar o EuroMilhões. Mas todas as chaves me parecem igualmente estapafúrdias e improváveis. A sorte é um lugar estranho, como a vida ou o amor. Enfim, com a minha pouca sorte caminho a passos largos para isto:

terça-feira, 19 de março de 2013

Falar de Barriga Cheia*

Belmiro de Azevedo, Clube dos Pensadores

Belmiro de Azevedo, no Clube dos Pensadores (leiam Clube dos Pensadores entre aspas, e em itálico):

«Temos sido engenhosos para fazer essas manifestações, que é quase um Carnaval, mais ou menos permanente e não tem havido grandes desastres.»
«Enquanto o povo se manifesta, a gente pode dormir mais descansada. O pior é quando não se manifesta.» Difícil não concordar. Só um cego ou um idiota é que ainda não percebeu que estas manifestações não têm tido nenhuns efeitos práticos de relevo. Podem mudar uma ou outra medida pontual, mas em geral continua tudo na mesma.

«Para os trabalhadores é que neste momento, sobretudo, infelizmente, para os muitos desempregados, aquilo é um divertimento. Como sabem aquilo não é inocente, alguém paga os autocarros. É preciso ver o que é que está por trás das manifestações.» Não sei se tem havido autocarros a levar pessoas para as manifestações - refiro-me àquelas que não são organizadas por sindicatos. Dizer que são um divertimento para os desempregados é falhar completamente o alvo; que têm servido de catarse, sim. Agora divertimento? O que está por trás? O descontentamento, a frustração, a desilusão, o cansaço, sei lá. Divertidas talvez fossem as Greves Gerais que durante longos anos eram mais um feriado...

«Diz-se que não se devem ter economias baseadas em mão-de-obra barata. Não sei por que não. Porque se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém.» Portanto, se não for a mão-de-obra barata, pára o País todo. Se não fosse a mão-de-obra barata não haveria fortunas desmesuradas, nem empresas que valem mais que o PIB de muitos países...

«A economia só pode pagar salários que tenham uma certa ligação com a produtividade.» Pois. Desde os anos 70 que a produtividade não parou de aumentar, no entanto os salários estagnaram. Ligação há, claro que há. Não me parece é que seja a correcta.

«Há muitas actividades, nomeadamente no sector primário, em que a mão-de-obra, que Portugal tem muita e em excesso, é indispensável para que possam continuar.» Para que as empresas de distribuição possam comprar produtos ao preço da chuva e vendê-los ao preço do ouro.

«Numa sociedade democrática o Estado não devia ter o direito de confiscar.» Não podíamos estar mais de acordo. Confiscar é um direito que ninguém deveria ter. Mas confiscar não é apenas taxar os depósitos bancários... Há muitas outras formas de confiscar, nem todas realizadas pelo Estado, e com outros nomes...

*Falar de barriga cheia é fácil. Em Portugal muita gente o faz. Parece até que é um dos desportos de eleição das elites económico-sociais de Portugal. É que falar de barriga cheia é uma actividade que se pratica facilmente, sentado no conforto de uma cadeira. Exercitem-se um pouco, e deixem-se de discursos moralistas e paternalistas. Se não têm nada de novo a acrescentar, pratiquem golfe. O País e o Turismo agradecem.

Post-Scriptum: Já levantaram o vosso dinheiro? Se o Vítor Gaspar diz que em Portugal está fora de questão uma medida desta natureza  - já se sabe - vai acontecer o contrário. Diz ele que foram as autoridades cipriotas a propor a taxa sobre os depósitos bancários - proposta entretanto chumbada no parlamento cipriota. Eu na Comunicação Social já tenho muita dificuldade em acreditar. Mas aqui dizem o oposto. Quem mente?

Pai*

Eu e os meus cães, Farrusco e Lassie

Já era noite. Talvez sete, ou oito, ou mesmo nove horas da noite. Talvez fosse mais tarde. Na memória resta-me apenas o frio, o escuro e o último olhar. Agarrei-lhe o tecido das calças, e abracei-o pela cintura. Tocou-me na cabeça e disse que não podia ficar. Nunca fui pessoa de insistir. Mas insisti. Uma, duas ou três vezes. Talvez mais. Voltei para junto da minha mãe, e da minha tia. Ele afastou-se alguns passos. Olhou para nós, aquele último olhar que me resta na memória. Ou talvez já nem seja esse último olhar, não sei. Virou-se e caminhou lentamente, subindo a rua empedrada. Uma lágrima queria sair-me dos olhos, mas eu não deixei. Queria que ele ficasse, a minha mãe insistira. Eu também. A minha tia aconselhara-o igualmente a ficar. Ele disse que não, que não podia ficar. Já era noite.

Acordei, à pressa vesti-me, empurrei os cadernos, os lápis e borrachas, os livros, a tralha para dentro da mochila vermelha. Ainda anda aí por um canto. Uma prima minha oferecera-ma. Era vermelha e branca, e no bolso de fora tinha escrito, a letras garrafais, vermelhas e maiúsculas, QUEEN. O nome da banda de Freddie Mercury, Roger Taylor, Brian May e John Deacon. Comi pão migado em leite com café. Era sempre o meu pequeno-almoço. Por nada deste mundo aceitava outro. Tinha que ser pão migado em leite com café, na minha tigela preferida. A tigela partiu-se meses, ou anos, depois. Anos depois a minha avó, que me dera aquela, deu-me outra igual. Ela não sabia, mas tinha pintado o desenho de um boneco animado de uma série alemã, ou talvez austríaca, que eu via todos os dias na televisão. A televisão era a preto-e-branco, comprada pouco tempo depois de eu ter nascido. Mas ali o boneco era a cores. O cabelo e o nariz são vermelhos, a t-shirt é amarela e as calças são verdes. Não sei se na televisão as cores do boneco eram as mesmas, mas a tigela está aqui para comprovar a minha memória. Acabei de comer, despedi-me da minha mãe e corri para a escola. Não era que tivesse muita vontade de ir para a escola; fugia do frio da rua.

Ia a manhã a meio quando a minha vizinha veio ter comigo à escola. Bateu à porta, a professora calou-se, a sala ficou imersa no nosso silêncio. A professora foi abrir a porta. O silêncio dera lugar ao barulho. A professora conversava com a minha vizinha. Ela apontava para mim, queria falar comigo, mas não queria dizer o que se passava. A professora não a queria deixar entrar, mas ela insistia. E quando a minha vizinha insistia, não havia nada que a demovesse. A professora teve que aceitar, resignada. Ela chegou-se à minha beira e disse-me, depois de me agarrar, me fazer uma festa na cabeça, com os olhos vermelhos de lágrimas que tentava segurar nos olhos, directa ao assunto, sem meias palavras, que ela não sabia muitas, havia quem a achasse louca, porque era gaga e tinha dificuldades em exprimir-se: o teu pai morreu.

Levou-me com ela para fora da sala. Foi falar à professora, trouxe a minha mochila, e fomos para minha casa. A minha mãe não estava. Aos poucos chegaram alguns familiares. Ninguém sabia como dizer-me; houve até quem tentasse mentir-me, dizendo-me que o meu pai estava muito mal no hospital, que ainda não se sabia nada, que estavam à espera que a minha mãe chegasse. Eu até queria acreditar nisso, mas eu já sabia. Não chorei. Nunca, em toda a minha vida, chorei no momento, na hora. Às vezes choro uma semana depois, outras meses, algumas anos depois. Nunca chorei de dor, de saudade, de pena ou alegria. Há quem me ache frio por isso. Quando choro é raiva. Raiva por me sentir impotente. Choro de raiva, quando finalmente admito que nada posso fazer, nem mesmo chorar, por isso choro, mas choro pouco. Depois chorei, sozinho. Dois ou três dias após o meu pai estar enterrado. De raiva, como quem dá um murro de cima de uma mesa. Ele subiu a rua empedrada. Estava uma noite escura e fria. Ainda olhou para trás uma última vez, o último olhar que recordo, subiu para o tractor e partiu. Dez, ou quinze, ou mesmo vinte minutos depois estava morto. Estávamos no dia 14 de Novembro de 1988.

*Quando tu morreste, parte de mim morreu contigo. Texto originalmente publicado AQUI.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Não!

No, Non, Não, Chipre
Fotografia Público

Não! Os Cipriotas saíram à rua para dizer «Não!». Mas nesta Europa governada por neo-liberais insensíveis, por tecnocratas desumanos, por corruptos e mafiosos, a voz dos povos é silenciada por aqueles que têm o poder de escrever leis. Escrevem leis, e num estalar de dedos, aquilo que antes era um roubo ou um crime, passa a ser um imposto ou uma taxa. É como se os povos gritassem, e os governantes que assistem do conforto das cadeiras onde estão sentados, carregassem no botão «mute». Os gritos desesperados dos Europeus já não chegam para inverter o caminho para onde esses condutores alucinados conduzem a Europa a alta velocidade. Chegou o momento em que os povos da Europa têm que agarrar o volante desta viatura descontrolada.

A Estátua e a Pedra, de José Saramago

A estátua e a pedra, José Saramago

Vai ser lançado um novo livro de José Saramago, em edição bilingue, A estátua e a pedra. Resulta da conferência que José Saramago deu em Maio de 1998, na Universidade de Turim. Com isto lembrei-me que ainda não li Claraboia [sic]. Será que esta edição, da Fundação José Saramago, também sofre de novo-acordo-ortográfico? Em Abril nas livrarias...

Cartas de Tarot

Cartas Tarot, Tarot, Tarô, Cartas de Tarô

O tarólogo Marcelo - ou algum tarólogo que por acaso ande por aí, ou aqui venha parar por engano - que me diga o significado disto. Peguei no meu baralho e tirei três cartas ao acaso: saíram pela ordem que se vê na imagem: a número VI - Les Amants; a número XXI - Le Monde; a número XIII - La Mort. Eu, como tarólogo amador, que me farto de lançar cartas, mas ao contrário do Marcelo nunca alcanço nada, recuso-me a ler aquilo que me calha em sorte ou destino. Não sei se por não gostar daquilo que poderia ler - se por achar que não devemos ler as nossas próprias cartas. Calhando ainda abro um negócio de Cartomancia.

Adenda: Esqueci-me de dizer que saíram as três na posição invertida...

O desemprego é uma oportunidade, e as rescisões não são despedimentos...

Pedro Passos Coelho, Empreendedor, Desemprego, Oportunidades

Pedro Passos Coelho, o empreendedor que chefia o Governo de Portugal, candidato a líder espiritual da corrente político-filosófica que pretende fazer passar-se por liberal, e exemplo-mor da moda novilinguística que domina o discurso político, volta a surpreender-nos com as suas tiradas que só surpreendem por não surpreender.

Depois de ter afirmado que o desemprego é uma oportunidade - Portugal é um país onde as oportunidades não param de crescer* - diz-nos agora que o plano de rescisões que o governo prepara não deve ser visto como despedimento. Com este plano de rescisões, Pedro Passos Coelho vai dar novas oportunidades a 213 mil pessoas. Ah empreendedor!

Com protestos Pedro Passos Coelho não se demitirá; para ele os protestos não devem ser vistos como uma consequência da incompetência do Governo que chefia, ou do falhanço catastrófico das políticas que escolheu. Para Pedro Passos Coelho os protestos são uma oportunidade para seguir arrogantemente o caminho da desgraça.

Entretanto, no Chipre o assalto está em vias de  legalização. Uma oportunidade para as pessoas colocarem as suas poupanças em cofres mais seguros. Em Portugal também se rouba, mas por enquanto chama-lhes desvios ou cortes.

Portugal é um País para crescer! - Antes ou depois de arrasar completamente a vida das pessoas, a economia, a sociedade...?

Demissão Já!

Demissão Já

Este Governo demitiu-se de governar no instante em que tomou posse, porque desde o primeiro momento se apresentou com a cantilena de que não há outra solução. Um governo sem solução só tem uma solução: demissão! Um governo que tem como solução para o país o empobrecimento da sua população, não governa para aqueles que é suposto representar, e não zela pelos interesses daqueles que tem por missão defender. Este governo é um governo podre, corrupto, incompetente - nas competências inerentes ao cargo que ocupa - inútil, idiota, ignorante. E arrogante.


(Juntem-se a esta corrente: demissão já! Alguns dos blogs que sigo já o fizeram: Âncoras e Nefelibatas; The Cat Scats; Entre as brumas da memória; A Terceira Noite; O Cheiro dos Livros; No Vazio da Onda; Declínio e Queda; Aventar. Juntem-se também. Escrevam um post a apelar à demissão do governo, e partilhem-no na página do facebook.)

Planos de Resgate

Bank, Bancos, Planos de Resgate, Rescue Plan, Troika, FMI, IMF, União Europeia

Dentro de horas ficaremos a saber se as medidas do último Plano de Resgate terão ou não consequências imediatas. É verdade que daqui a umas horas, quando acordarem, os Cipriotas vão deparar-se com as portas dos bancos fechadas. Mas o mesmo não vai acontecer nos outros países da zona Euro. No Público pergunta-se se «Adiar cortes é aliviar a dor ou prolongar a agonia dos Portugueses?» Eu pergunto se «Adiar o fim do Euro é aliviar a dor ou prolongar a agonia dos Europeus?» Para responder a ambas as questões, primeiro teria que relembrar a história da rã. E em segundo lugar terei que dizer que os cortes e/ou o fim do Euro são questões secundárias, cada vez mais secundárias, na resolução dos problemas dos Portugueses e dos Europeus. A Europa tem que se focar nas questões principais, começando por resolver os seus problemas de identidade: que Europa quer ser a Europa? Entretanto, a Europa está cada vez mais parecida ao Inferno: cheia de boas intenções, e com fogos a arder em todo o lado...

«As pessoas assistem à morte lenta de outra pessoa e não fazem nada para a evitar.» Porque estão petrificadas pela visão da sua própria morte. Sim, a indiferença não é apenas falta de empatia para com o próximo e as suas dores e problemas. Perante o perigo - neste caso projectado - as pessoas reagem de três maneiras: confrontando-o, fugindo*, ou paralisando. Lutamos ou fugimos quando encontramos uma saída, uma solução, ou um caminho. Quando não encontramos essa saída, solução, ou caminho, paralisamos: não fazemos nada; fingimos que estamos mortos, esperando que o perigo passe. Não é por indiferença que deixamos que os nossos compatriotas, vizinhos, amigos, ou família vão tombando no caminho da desgraça para que nos empurram - é porque não vislumbramos qualquer saída. Estamos bloqueados pela ansiedade, pois intuímos que as desgraças que caiem sobre os outros mais cedo ou mais tarde vão arrastar-nos a nós também, e não sabemos como fugir-lhes ou vencê-las. Por tudo isto, este caminho sem esperança, sem futuro, que a Europa percorre, só pode conduzir à desgraça. Urge mudar de caminho!

*A propósito de fugir.

domingo, 17 de março de 2013

Marcelo e Gaspar: o tarólogo e o astrólogo

Marcelo Rebelo de Sousa, tarólogo


Marcelo Rebelo de Sousa, o tarólogo do regime, profissional cartomante, que há décadas se entretém com esta arte de ler as cartas de forma a fazer com que aqueles para quem lê acreditem na veracidade daquilo que é lido, para assim alcançar os seus intentos, acabou de descobrir o astrólogo do regime, Vítor Gaspar: «Parece um astrólogo, não parece um ministro das Finanças. Perdeu larguissimamente a credibilidade.» Seria uma grande descoberta se não fossemos desde sempre governados por astrólogos e toda a espécie de aldrabões, vendilhões, charlatões, e intrujões. Falta saber se o tarólogo do regime alcançará o seu intento, ou se lhe sairá alguma carta que não espera.

O Fim da Europa tal como a conhecemos...

Euro, Europa, Destruição da Europa, Desintegração do Euro, Desintegração da Europa, Desindustrialização da Europa, Descapitalização da Europa



A sociedade Europeia tal como a conhecemos acabou, embora a maioria da população, e dos políticos em particular, insista em agir como se nada se passasse; o pouco que resta da sociedade Europeia está a entrar em rápida destruição. A violência generalizada nas ruas da Europa pode acontecer em qualquer lugar, e será cada vez com maior frequência. Londres, Paris, Atenas, Setúbal... Qualquer faísca poderá a qualquer momento despoletar um incêndio de proporções bíblicas. Ninguém está a salvo. Quem pensa que os distúrbios só acontecem em zonas problemáticas, em zonas pobres, não tem em conta a velocidade com que a pobreza alastra. E a pobreza cresce como uma epidemia sem controlo. Aos estados e população endividada, à desindustrialização e descapitalização, junta-se o desnorte total dos políticos (na melhor das hipóteses; quero acreditar que não o fazem intencionalmente). Atropelam-se todos o contrato social sem apelo nem agravo; o roubo já nem é disfarçado, por meio de aumento de impostos e diminuição de salários: agora vai-se directamente ao bolso da população. Não são apenas os dirigentes que pisam os valores que foram os pilares da Europa nos últimos 60; sem esperança, sem futuro, sem rumo, as pessoas - e logo a sociedade - libertam o que há de anti-social em si: como animais acossados, atacam em todas as direcções, sem olharem para quem atingem.

Numa Europa em que Portugal e Grécia estão à beira da bancarrota, como peças de dominó cairão os países uns após outros, em fila indiana para o precipício. O Euro foi um erro tremendo, mas apenas apressou a queda da Europa. A Europa é um continente dependente de recursos naturais, desindustrializado, que não soube defender os seus interesses no processo de globalização, com acordos comerciais danosos. Precisamos de encontrar novas formas de viver em sociedade, de políticos que defendam os interesses de quem governam. Só numa sociedade em que nos sentimos protegidos podemos dar o melhor de nós, só numa sociedade em que sentimos que pertencemos temos a segurança necessária para arriscar, inovar, inventar.... E a Europa precisa urgentemente de se reinventar... 

Esta Europa que exclui cada vez mais pessoas não tem futuro, nem com austeridade nem sem austeridade, nem com crescimento nem sem crescimento. A Europa ou é de todos ou não será de ninguém. É uma escolha entre a justiça e o caos. Ou escolhemos viver em sociedade - ou a vida será pior que na selva...

sábado, 16 de março de 2013

Os números de uma Tragédia anunciada.


São surpreendentes os números apresentados por Vítor Gaspar por não surpreenderem. São apenas uma cena de uma tragédia que embora nunca tenhamos visto, já conhecemos de cor e salteado. Intuímos o que se vai passar a seguir e, se somos surpreendidos, somo-lo apenas porque secretamente esperamos ser surpreendidos, e a única surpresa que temos é não sermos surpreendidos de todo. 

Esta tragédia Europeia - não sei quem aguentará cá para contar, muitos vamos ser cortados pela ceifeira-debulhadora financeira - sim é Europeia, e nenhum país na Europa está imune, e possivelmente já não há nenhum que não esteja contaminado - esta tragédia Europeia faz-me lembrar o pequeno romance de Gabriel García Márquez, Crónica de uma Morte Anunciada. Desde o primeiro parágrafo que sabemos que Santiago Nasar morreu, e ainda assim lemos o livro da primeira à última página esperando que Santiago Nasar afinal não tenha morrido; mas não há realismo mágico nem milagre que o salve. Santiago Nasar morreu, a Europa está morta. Para nossa tristeza e tragédia.

"No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5:30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava uma mata de figueiras-bravas, onde caía uma chuva miúda e branda, e por instantes foi feliz no sono, mas ao acordar sentiu-se todo borrado de caca de pássaros. «Sonhava sempre com árvores», disse-me a mãe, Plácida Linero, recordando 27 anos depois os pormenores daquela segunda-feira ingrata. «Na semana anterior tinha sonhado que ia sozinho num avião de papel de estanho que voava sem tropeçar por entre as amendoeiras», disse-me. Tinha uma reputação bastante bem ganha de intérprete certeira dos sonhos alheios, desde que lhos contassem em jejum, mas não descobrira qualquer augúrio aziago nesses dois sonhos do filho, nem nos restantes sonhos com árvores que ele lhe contara nas manhãs que precederam sua morte". 

Gabriel García Márquez, Crónica de uma Morte Anunciada, excerto retirado de um texto encontrado na internet. Se alguém tiver o livro consigo, enviem-me o primeiro parágrafo da tradução portuguesa.

No Chipre já vão aos depósitos... E acabar de uma vez por todas com o Euro, não?

Adenda: Como em qualquer tragédia, há sempre algum idiota que ri, como se duma comédia se tratasse. Até que alguém se levante e lhes dê um soco nas trombas...


No momento em que anunciavam mais cortes, mais sacrifícios, mais desemprego, mais miséria e admitiam pela enésima vez que se tinham enganado nas previsões, Gaspar e Moedas riam-se!
É a este tipo de gente que estamos entregues. À escória da sociedade, que Pedro Passos Coelho foi buscar ao cano de esgoto da sua vida.

Carlos Barbosa de Oliveira, Momento pornográfico, no blog cronicasdorochedo.

O fim do Euro?

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O resgate do Chipre é o rastilho que faltava acender para acabar com o Euro? Vão deixar o vosso dinheiro depositado nos bancos, ou vão levantá-lo?

Quanto valeriam as novas moedas se o Euro acabasse hoje? As últimas projecções que conheço são de finais de 2011. Podem consultar AQUI.

Para os coleccionadores poderá ser uma boa notícia - mas quem é que tem dinheiro para coleccionar Euros?

As Tragédias de William Shakespeare

Tragédias, William Shakespeare, Romeu e Julieta, Hamlet, Otelo, Macbeth, António e Cléopatra, Júlio César, Rei Lear, Titus Andronicus,


(Cliquem na imagem para Ampliar)

quarta-feira, 13 de março de 2013

Habemus Papam


Já há fumo branco. Habemus Papam. No comments.

EuroMilhões: como aumentar as hipóteses de ganhar?

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© Fotografia de Margarida Ramos/Global Imagens


Mais um Jackpot saiu em Portugal, e muitas pessoas terão pensado: como hei-de fazer para ganhar o EuroMilhões? Como aumentar as minhas hipóteses de ganhar o Euromilhões? Quem nunca fez estas perguntas a si mesmo? Aqui ficam 13 dicas para aumentar a probabilidade de ficar milionário:

E-mail polémico: Comissão Europeia aconselhou funcionários a mentir se viajarem para a Grécia...

Acropolis, Athens, Greece

Comissão Europeia envia um e-mail aos seus funcionários a aconselhá-los a mentir, se tiverem que viajar para a Grécia. No mesmo e-mail fazem-se estimativas do número de mortes nas manifestações que vão ocorrer este mês.

É cada vez mais difícil obter notícias sobre o real estado de Itália, Espanha, e Portugal. As contas nunca batem certo, os números do desemprego são manipulados, o número de suicídios não é revelado. A França prepara-se para uma «austeridade de esquerda». Como se houvesse alguma diferença em saber com que mão o ladrão vai ao bolso. As medidas para estimular o crescimento ou para diminuir o desemprego jovem são meras medidas estéticas. 

A Europa está a ruir. Não sei se pela base, pelos povos, se pela cúpula, pelos governantes. Neste momento pouco importa, a única coisa que importaria seria saber como 1) manter este edifício em pé; 2) restaurá-lo. Mas nada disso parece preocupar nem a população Europeia, nem os políticos que dirigem as nossas instituições. De um lado, cresce o nacionalismo e a xenofobia, do outro aumenta o desrespeito por aqueles que os elegeram.

Os Europeus, em negação, recusam-se a olhar para os vizinhos do lado. Quando olharem já não haverá nada para ver.

terça-feira, 12 de março de 2013

Conclave

© Fotografia de Samarra.

Milhões de pessoas com os olhos postos numa chaminé, quando o que realmente importa é se há ou não há refeição. Dá-se tanta importância a um adorno, que o que é realmente importante se transforma num adorno a que ninguém liga - até que lhe bata à porta.

ADENDA: Já saiu fumo branco... vejam aqui.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A praga dos Estágios Curriculares

Mercado de Trabalho, Portugal, Desemprego, Estágios Curriculares, Crise, Valores, Moral, Ética, Escravatura, Slavery, Unemployment,

É a nova moda dos "empregadores". Precisam de trabalhadores, empregados, colaboradores - os nomes são tantos - para realizar um qualquer trabalho, e o que procuram? Estagiários. Estagiários Curriculares, mais especificamente, com horário de trabalho completo, responsabilidades totais, e remuneração zero.

O que é, afinal, um Estágio Curricular?

Os estágios curriculares são uma parte integrante de uma determinada formação académica, e para serem realizados tem que existir um protocolo entre a Instituição de Ensino e a Entidade Empregadora. Nos currículos académicos, os estágios têm uma determinada duração (p.e., 1000 horas), e são considerados estágios curriculares aqueles que têm um carácter obrigatório para a obtenção de um grau académico; associada à realização do estágio está habitualmente a realização de monografias ou teses sobre o mesmo.

Habitualmente o estudante é acompanhado por dois orientadores (um orientador interno, designado pela Instutuição de Ensino Superior, de acordo com a área de estudo a desenvolver no estágio; e um orientador externo na Empresa/Instituição onde for realizado o estágio) na realização do seu estágio. Para a realização de um estágio curricular, além do Protocolo de Estágio entre a Instituição de Ensino e a Entidade Empregadora, deve haver um Protocolo a celebrar entre o estudante/estagiário e o empregador, bem como indicação do orientador externo; deve existir um formulário de qualificação do orientador externo; e a realização do estágio deve ser feita de acordo com um Plano de Estágio.

Os Estágios Curriculares não são remunerados. 

Os Estágios Curriculares não são remunerados, embora há alguns anos fosse prática corrente de muitas empresas darem uma "gratificação", chamemos-lhe assim. Nesse tempo, na maioria das Empresas, a admissão de um Estagiário Curricular era vista mais como um sacrifício - algo que se fazia mais por responsabilidade social, que por vontade. A maioria das Instituições de Ensino têm protocolos com diversas entidades nas quais é possível aos seus estudantes realizar os estágios curriculares. Algumas permitem aos estudantes, se estes assim o entenderem, a procura de outras entidades para a realização dos seus estágios. No entanto, os estágios nessas entidades têm que cumprir os pressupostos/objectivos dos demais. Também há Instituições de Ensino que apenas permitem a realização dos estágios nas entidades com quem existem protocolos. E há outras que não têm quaisquer protocolos, ficando os estudantes com o ónus de encontrar um entidade que lhes permita a realização dos estágios.

O que não era prática corrente, de todo, é aquilo a que se assiste hoje: empresas de todos os géneros e feitios, desde empresas unipessoais, empresas de prestação de serviços, pequenas, médias, e grandes empresas, empresas privadas e empresas públicas, associações, fundações, e etc, etc, etc, a procurar activamente candidatos à realização de estágios curriculares. Candidatos esses que têm que ter - isto é a título de exemplo, basta fazerem uma pesquisa num motor de busca ou em sites de emprego - 3 anos de experiência, falar 2 ou três línguas, serem especialistas nisto ou naquilo. Candidatos que têm que passar por um longo processo de Recrutamento e Selecção, como qualquer outro candidato a um emprego. Candidatos que não frequentam qualquer Instituição de Ensino.

Não sei como é que estas empresas enquadram legalmente as pessoas que aceitam trabalhar de graça durante quatro, seis, nove, doze meses (seja o que for) na esperança de futura integração na empresa. Sim, os anúncios dizem isto mesmo: com possibilidade de integração. Afinal, tem que haver sempre uma pequena contrapartida, ainda que seja uma miragem, para manter as pessoas motivadas - por menor que seja a motivação. Embora também existam muitos anúncios destes em que a contrapartida é a generosa obtenção de experiência.

Os estágios curriculares podem ser ou não realizados com horário de trabalho completo - em termos de horário de trabalho, o importante é que o estagiário realize o número de horas exigido pelo currículo académico. 
Os estagiários curriculares, com maior ou menor independência na actividade, função, ou trabalho, que vão realizar devem ser orientados - os estágios curriculares são uma oportunidade para os estudantes porem em prática os seus conhecimentos académicos/científicos e aprenderem a desempenhar a função na qual vão estagiar. Isto é, a responsabilidade nunca pode ser totalmente do estagiário. 
Por serem parte integrante de um plano de estudos, os estágios curriculares não são remunerados. Não serem remunerados é o único aspecto em que não há nada de anormal nisto tudo. Porque tudo o resto é a tão pretendida flexibilização do mercado de trabalho. Os escravos agora são-no voluntariamente, e para serem escravizados ainda têm que competir pelo lugar. 

Nesta nova era - em que há cada vez menos postos de trabalho - ética, moral, valores, e vergonha têm sido destruídos mais rapidamente que os postos de trabalho...