quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

CV Perfeito

CV, Curriculum Vitae, Curriculum Vitae Europass, Europass, Curriculo Perfeito,
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Esmera-se uma pessoa a escrever o CV perfeito (cliquem nas imagens para ampliar) - e mais de um ano depois, e quase 10000 visitas a este post (e quase 3000 nos últimos 30 dias) depois - e nenhuma proposta de emprego; a internet já não é o que era...

Não se esqueçam de PARTILHAR para que todos os vossos amigos possam fazer também um CV Perfeito!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Éramos Amigos

Porque éramos diferentes, porém estávamos unidos, eu era diferente de ti, mas completávamo-nos bem, formávamos uma aliança, um acordo humano, e isso é muito raro na vida. Na nossa aliança de juventude, tudo o que faltava de ti, completava-se com o facto de que o mundo era afável para comigo. Éramos amigos - diz agora numa voz muito alta. - Entende, se ainda não sabes. Mas certamente sabias antes e depois, nos trópicos ou numa outra parte qualquer. Éramos amigos e esta palavra tem um significado, cuja responsabilidade só os homens conhecem. E agora tens de conhecer a inteira responsabilidade que essa palavra contém. Éramos amigos, não companheiros, compadres, ou camaradas. Éramos amigos e não há nada na vida que possa compensar uma amizade. Nem mesmo uma paixão devoradora pode oferecer tanto prazer como uma amizade silenciosa e discreta proporciona àqueles que são tocados pela sua força.

(...) Tu mataste algo em mim, destruíste a minha vida e eu continuo a ser teu amigo.

Sándor Márai, em As velas ardem até ao fim

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Puzzle: Em quanto tempo conseguem completá-lo?



e-book: amazon [BRASIL]; amazon [USA]; amazon [UK]; amazon [ALEMANHA]; amazon [ITÁLIA]; amazon [ESPANHA]; e amazon [FRANÇA].

Index - Livros Proibidos pela Opus Dei (II)



Os 79 livros de autores portugueses proibidos pelo Index Librorum Prohibitorum da Opus Dei. Imagem vista no blog No Vazio da Onda. Cliquem na imagem para aumentar.

Até o Joaquim Paço d'Arcos está incluido nesta lista, coitado, pode ser que seja desta que volta ao convívio dos grandes. Apenas uma correcção: o romance dele incluído na lista intitula-se Diário dum Emigrante, e não O Emigrante conforme consta na imagem. Atenção: não defendo o homem (quero lá saber do homem!), defendo o escritor. Dele apenas li O Caminho da Culpa. Tal basta-me para saber que foi um grande escritor. Houvesse outros artistas em Portugal apagados com o mesmo enlevo que ele... mas coloquem a obra no devido lugar.

Ai Portugal, Portugal...

Portugal, Mapa Administrativo de Portugal
Mapa Administrativo de Portugal

Portugal, o mesmo de sempre. O mesmo tempo, o tempo de sempre. Algures nas caixas de livros escolares e outros materiais - guardei-os todos, da 1.ª classe ao 12.º ano - anda um mapa igual a este. O processo de associação de ideias é assim; tecemos ligações entre coisas - que podem ou não estar relacionadas - desconhecendo o fio que as liga.

(Não me perguntem porquê - porque não sei - mas sempre imaginei o Alto Alentejo e o Baixo Alentejo como um porco montado num dodó - se calhar não devia ter lido os livros do Lewis Carrroll...)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Index - Livros Proibidos pela Opus Dei

Index, Livros Proibidos, Opus Dei, Index Librorum Prohibitorum
Imagem dum artigo sobre Index Librorum Prohibitorum


Index Librorum Prohibitorum, em tradução livre Índice dos Livros Proibidos, ou simplesmente Index, foi uma lista de publicações literárias que eram proibidas pela Igreja Católica e as regras para que um livro entrasse nessa lista. A primeira versão do Index foi promulgada pelo Papa Paulo IV em 1559 e uma versão revista desse foi autorizada pelo Concílio de Trento. A última edição do índice foi publicada em 1948 e o Index só foi abolido pela Igreja Católica em 1966 pelo Papa Paulo VI. Nessa lista estavam livros que iam contra os dogmas da Igreja e que continham conteúdo tido como impróprio. (Informação Wikipédia)

O Index foi abolido? Pois, aparentemente não. A Opus Dei voltou à carga, e agora tem um site onde a lista pode ser consultada, e onde vai sendo actualizada, i.e., aumentada. De acordo com o DN, são 79 os livros proibidos de autores portugueses, nos três níveis mais elevados de proibição. No entanto, o número total deverá ser muito superior, contando todos os níveis de proibição. Entre os nomes agora adicionados a esta lista, que tinha sido abolida, mas afinal não foi, encontram-se José Saramago, António Lobo Antunes, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Eça de Queiroz, Miguel Torga, José Cardoso Pires, Vergílio Ferreira, Camilo Castelo Branco, Teolinda Gersão; e se a lista não é maior - desconfio - é porque estes gajos no fundo são uns incultos que se limitam a ler sinopses dos jornais. Vendo os critérios deles eu mesmo seria capaz de organizar uma lista bem mais ambiciosa. E organizava-a de boa vontade - porque neste caso, toda a publicidade é bem vinda, e desconfio que nenhum destes autores venda um exemplar a menos por estar na lista. Ou pelo menos, o saldo final deverá ser francamente positivo: por cada pessoa que deixar de ler um destes títulos, quatro ou cinco que não os leriam vão fazê-lo. Eu próprio fiquei com curiosidade para ler alguns daqueles que não conheço, entre os 79 títulos. O número total de livros proibidos, considerando todos os níveis de proibição, é 33573 livros. Comentários?

De um Lado a Outro, de Fanel Francisco França


Este livro retrata de forma simples e aberta, a vida de Eduardo, filho de uma família tradicional, como muitas que conhecemos. A infância, a adolescência e a vida adulta e com ela as contradições da descoberta de não ser o que os outros esperavam, fazendo com que ele se sentisse uma pessoa “diferente”. Isso muitas vezes o levou a fazer o que os outros consideravam correto. A vida de um homem que assume sua diferente condição sexual e que, de maneira aberta e franca, relata com riqueza de detalhes suas trajetórias e descobertas. Da primeira infância à vida adulta, suas recordações, compromissos, comprometimentos e sentimentos advindos ou permeados da necessidade de corresponder às expectativas do outro: família, igreja, sociedade... Em meio a isto, ainda é construida criativamente uma fascinante aventura. Tecendo sob este prisma subjetivo a realidade vivida e ou desejada por muitos homens que enfrentam este mesmo desafio.

De um Lado a Outro, de Fanel Francisco França.

(Publico este post para publicitar / divulgar a publicação deste romance que é também um livro de memórias de um amigo; como faço com todas as obras de amigos que me pedem para o fazer. A publicidade não é grande publicidade - mas é evidentemente gratuita e do fundo do coração. Podem adquirir este livro em versão e-book, ou em versão impressa, no Clube de Autores)

As velas ardem até ao fim



Podia tecer diversas considerações sobre esta obra. Mas iria mais uma vez derivar para o meu caso particular: sim tive (tenho) um destes amigos fatais de que fala Sándor Márai. As velas ardem até ao fim não é um tratado sobre Amizade, é o tratado. Por ter esse amigo fatal a que estou unido como a um irmão gémeo, em cada linha lia-me. E após acabar a leitura deste romance, só me apetece enviá-lo a todas as pessoas que alguma vez me chamaram amigo. Porque amigo é uma palavra tão cara, mas tão mal empregue, tão mal gasta, tão mal aproveitada - que quando damos conta estamos com dívidas astronómicas. Porque amigo não é uma palavra acessível a todas as carteiras-almas; não há igualdade nem democracia na amizade, porque a amizade escolhe, exclui, ou ignora - sem nenhum critério além da própria amizade.
As velas ardem até ao fim - e no fim de tudo resta apenas a chama bruxuleante, dum pavio decrépito, que já quase não emite luz nem calor - e de repente se apaga. Todas as paixões, amores e ódios, alegrias e tristezas, mágoas, angústias, derrotas e conquistas... Tudo se transforma em cinza inútil.

As simpatias que vi nascer entre pessoas diante dos meus olhos, acabaram sempre por se afogar nos pântanos do egoísmo e da vaidade. A camaradagem, o companheirismo, às vezes, parecem amizade. Os interesses comuns por vezes criam situações humanas que são semelhantes à amizade. E as pessoas também fogem da solidão, entrando em todo o tipo de intimidades de que, a maior parte das vezes, se arrependem, mas durante algum tempo podem estar convencidas de que essa intimidade é uma espécie de amizade. Uma pessoa imagina - e o meu pai entendia as coisas dessa maneira - que a amizade é um serviço. O amigo, assim como o namorado, não espera recompensa pelos seus sentimentos. Não quer contrapartidas, não considera a pessoa que escolheu para ser seu amigo como uma criatura irreal, conhece os seus defeitos e assim o aceita, com todas as suas consequências. (p. 82)

- Falas de fuga - diz Konrád. - Essa palavra é forte. Afinal de contas, não devia nada a ninguém. Renunciei ao meu cargo, como era devido. Não deixei dívidas sórdidas atrás de mim, não prometi nada a ninguém que não tivesse cumprido. Fuga é uma palavra forte - diz com seriedade, e endireita-se um pouco.
Mas a sua voz trémula revela que a emoção, que nesse momento torna essa voz séria, não é inteiramente sincera.
- É possível que a palavra seja forte - diz o general com um sinal de consentimento. - Mas se olhares de longe aquilo que aconteceu, tens de admitir que é difícil encontrar uma palavra mais suave, mais branda. Dizes que não devias nada a ninguém. Isso é verdade e não é verdade. Naturalmente, não devias ao teu alfaiate, nem aos usurários da cidade. Também não me devias dinheiro, nem promessas. E todavia, naquele momento, naquele dia de Julho - vês, lembro-me do dia também, era uma quarta-feira -, quando abandonaste a cidade, sabias que deixavas dívidas atrás de ti. (p. 84)

E às vezes cheguei a pensar que a amizade talvez seja uma ligação semelhante à união fatal dos gémeos. Uma identidade singular da inclinação, da simpatia, do gosto, da cultura e da paixão une duas pessoas no mesmo destino. Faça o que fizer um deles contra o outro, os seus destinos são comuns. É inútil que um deles fuja do outro, porque sabem tudo, que é essencial, um do outro. (...) O destino dessas pessoas cumpre-se paralelamente, mesmo que vá um deles para longe do outro, bem longe, por exemplo, para os trópicos. (p. 86)

Sándor Márai em As velas ardem até ao fim, Publicações D. Quixote, 24.ª edição.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Blogs do Ano (Aventar) 2012 - Livros, Literatura, Poesia


Obrigado a todos que votaram no blog Ainda que os Amantes se Percam... no concurso de blog do Aventar, por iniciativa própria, a pedido, ou por engano. Numa recta final renhida com o blog Ler y Criticar, acabámos por ficar em 3.º lugar. Um honroso lugar no pódio. Parabéns aos vencedores, pelo segundo ano consecutivo, desta categoria: Clube de Leitores. Parabéns aos organizadores - é preciso pachorra. Saudações aos outros dois blogs finalistas: BranMorrighan, e Come chocolates, pequena! Agora posso finalmente deixar-me destas coisas - e voltar para a leitura dos meus livros, que é bem mais rentável e sossegado. Acabei a leitura de As velas ardem até ao fim, após duas noites mal dormidas. Tenho qualquer coisa a dizer. Mas será noutro post. Mas por ser esta a categoria Livros, Literatura, Poesia, vou permitir-me recomendar a leitura deste livro (caso ainda o não tenham feito) ao meus adversários no concurso - e companheiros neste amor - os Livros, a Literatura, e a Poesia - e aos leitores deste blog.


(Explicação do gráfico muito rudimentar feito no Excel - será que os gráficos do Gaspar são melhores? - Evolução da percentagem de votos ao longo do concurso. Idealmente os dados deviam ter sido recolhidos com intervalos de tempo regulares, mas como tal não me era possível, foram sendo recolhidos em intervalos de tempo aleatórios...)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

livros que nunca devia ter lido



livros que nunca devia ter lido é uma série de posts, que comecei com o objectivo de escrever sobre livros de que gostei muito; mas numa perspectiva diferente da tradicional abordagem crítica ou de divulgação de uma obra. Assim, detenho-me mais em pormenores muitas vezes alheias à obra em si. Umas vezes escrevo sobre o livro-objecto, outras vezes da forma como cheguei até ele, ou das associações de ideias que a sua leitura (ou a memória dela) me suscita.

Muitos leitores - leitores ocasionais, que os outros mais cedo ou mais tarde lá reparam, por mais distraídos que sejam - levam o título da série à letra. Ora - para que não subsistam dúvidas - o título da série de post é irónico, irónico no sentido em que quer dizer o contrário daquilo que diz...

A série foi interrompida quando saí de Portugal, porque de cada vez em que pensava em escrever sobre um determinado livro ia à minha estante e folheava-o, seleccionava uma passagem, digitalizava a capa - nem todas as imagens que aparecem nesta série são digitalizações da capa do meu exemplar; são-no a maioria. Agora que estou a pensar retomar a série - estes posts foram dos mais lidos e comentados do blog - fiz uma selecção de parágrafos daquilo que escrevi, que vos deixo aqui:

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Pumuckl

Pumuckl

(memórias do tempo antes do tempo em que não tinha ainda a grande dor das desilusões, nem sabia das contradições, da vida...)

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Sapatos - conto de Rubem Fonseca



Não está fácil arranjar emprego. Topo fazer qualquer coisa, mas sei que tenho problemas, como esse dente faltando na frente, um buraco feio que eu sei que causa uma impressão ruim. As pessoas que conheço perderam dentes lá de trás da boca, eu fui perder logo na frente. O Ananias diz que pelo menos eu posso mastigar os bifes sem problema, coisa que ele, que tem todos os dentes da frente mas perdeu os lá de trás, não pode fazer direito. Mas o que o Ananias não sabe é que eu não como bife há muito tempo, apenas arroz com feijão diariamente, e às vezes uma carne-seca. Minha mãe acha que eu não arranjo emprego porque não tenho sapatos. Diz que as sandálias que uso são muito feias e assustam as pessoas. Um dia ela me disse que tinha resolvido o problema. O seu patrão lhe dera um par de sapatos que apertavam tanto o pé dele que não podiam ser usados.

Amigo desta coisa que se chama Blogosfera enviou-me dois livros de Rubem Fonseca, escritor Brasileiro que comecei a ler no verão passado; este é o primeiro parágrafo do primeiro conto, Sapatos, da colectânea de contos Axilas e Outras Histórias Indecorosas. Não gosto de dar conselhos - mas permito-me dizer-vos para considerarem a leitura deste escritor fantástico. Fazia bem aos nossos académicos lerem obras de autores Brasileiros. Talvez chegassem à conclusão que o famigerado Acordo Ortográfico é uma bela porcaria que não serve para coisa nenhuma, nem em Portugal, nem no Brasil. As línguas evoluem? Claro que sim; deixem então o Português evoluir livremente, sem o amordaçarem com decretos.

O amigo que me enviou dois livros de Rubem Fonseca - o outro foi o romance Agosto - informa-me que gosta principalmente do conto Sapatos. A amizade é assim: não nos conhecemos, reconhecemo-nos. Um forte abraço, e muito obrigado, para o meu amigo.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Blogs do Ano - 2012 - Final


O blog Ainda que os Amantes se Percam... passou à final do concurso de blogs do Aventar! Escrevo este post apenas para agradecer a todos os que votaram. Na final da categoria «Livros, Literatura, Poesia» estarão os seguintes blogs (ordenados de acordo com as votações finais da primeira fase - soma de duas votações, uma vez que o concurso esteve interrompido a meio por motivos técnicos):

BranMorrigham - 575 votos;
Clube de Leitores - 561 votos;
Ainda que os Amantes se Percam - 443 votos;
Ler y Criticar - 440 votos; e

Uma vez mais, Obrigado a todos os que votaram. E parabéns aos finalistas! Há meia-noite recomeçam as sãs hostilidades!

P. S. Recordo-vos que no ano passado este blog ficou em 3.º lugar nas votações finais, na categoria Blog Revelação.

P. S. 2 - Começaram as votações para a final. Podem votar AQUI.

Lance Armstrong - Há respostas para tudo...



Era o dia 13 de Julho de 1999. Na época o ciclismo era, juntamente com o futebol, e a Fórmula 1, um dos desportos que eu acompanhava com uma certa dose de fanatismo. Não perdia um jogo do Benfica, na rádio ou na televisão, que naquela altura não davam os jogos todos na televisão, nem havia streaming na internet, não deixava passar um Grande Prémio de Fórmula 1, fosse a que horas fosse, nem havia um Tour de France, Vuelta a España, ou Volta a Portugal que eu não acompanhasse do princípio ao fim. Não me perguntem porquê, que eu não sei responder, nunca gostei do Giro.

Era o dia 13 de Julho de 1999 e de repente Lance Armstrong... Era a 9.ª etapa, entre Le Grand Bornand e Sestrières. Sim, recordava-me da data - mas fui confirmá-la, coisa que nesta era da internet está à distância de um clique. Recordava-me da data porque me recordo de todos os dias 13 de Julho desde há longos anos. Mas isso é outra história. Era uma etapa de montanha, e o Richard Virenque é que era o especialista - nesse ano ganhou o Prémio de Montanha sem ter vencido nenhuma etapa, mas para o Prémio de Montanha não é preciso vencer etapas, é preciso passar regularmente nos primeiros lugares, nos sítios certos. E de repente Lance Armstrong.... Numa etapa de Montanha Lance Armstrong arruma os principais adversários, depois de vestir de Amarelo desde a etapa anterior, e...  13 etapas a vestir de Amarelo, até chegar a Paris triunfante.

Quem acompanha ciclismo, como eu acompanhava, sabe que foi aqui, nesta etapa, de Montanha, depois de ter vencido o Contra-Relógio na etapa anterior, entre Le Grand Bornand e Sestrières, que Lance Armstrong ganhou aquele Tour. E como - era a pergunta - como é que um especialista de Contra-Relógio também podia ser um especialista de Montanha?! Que fenómeno! É que nem Miguel Indurain tinha feito aquilo! Nem Miguel Indurain...

Até Lance Armstrong ter confessado não acreditei! Mas como é que era possível alguém ganhar sete Tours, com controlos apertados, e nunca ser apanhado?, perguntava-me. A esta última pergunta, li por aí, a resposta é que na altura não havia capacidade científica para detectar a substância que ele tomava, mas que ficaram amostras de urina congeladas. Quanto há outra, aquela que tantos anos antes eu fazia a mim mesmo, e muitos adeptos de ciclismo terão feito, como é que um tipo consegue ser um especialista de Contra-Relógio e especialista de Montanha? (Reparem que não é ser bom nas duas coisas, isso há bastantes ciclistas que o são - é ser um especialista nas duas - e Miguel Indurain também era bom na Montanha). Quanto a esta segunda, não era a resposta que esperava. 

Mas tudo tem uma resposta - mesmo que nunca a cheguemos a conhecer - e esta conhecemos - e há qualquer coisa que morre dentro de nós, os adeptos do ciclismo. Eu há anos que deixei de ver. Não sei se voltarei a ter algum interesse. Resta-me o meu ídolo, aquele que nunca deixou de ser o meu ídolo. Quem se atreverá agora a dizer-me que «mas o Lance Armstrong venceu mais vezes que o Miguel Indurain» ou «Mas o Miguel Indurain só vencia etapas de Contra-Relógio»... (Não há por aí nenhuma amostra de urina congelada, pois não? É que uma pessoa já não se pode fiar em nada nem ninguém! E além demais Miguel Indurain também é suspeito - mas deixem-me ter um ídolo em paz...)

sábado, 19 de janeiro de 2013

Os cobardes serão sempre cobardes - faz parte da sua natureza de répteis sê-lo.

Os cobardes serão sempre cobardes - faz parte da sua natureza de répteis sê-lo. Têm a pele seca, normalmente com escamas ou escudos, máscaras atrás das quais se escondem. O esqueleto é totalmente ossificado - falta-lhes coluna vertebral.

adeus

Nunca me cheguei a despedir convenientemente; como se houvesse conveniências nas despedidas. Nunca fui capaz de dizer adeus. Adeus.

Falhar


Que vês quando te olhas ao espelho? Um sujeito triste, magro, olhos cavados num rosto pálido a caminho de um abismo qualquer. A vida não é justa nem injusta, é apenas. Não existe sorte nem azar. Há encontros afortunados e desafortunados. Ninguém te espera, nem esperas ninguém. Chegas a casa e fechas a porta. O vazio que sentes é o mesmo que sentes quando atravessas apressado a multidão que se apinha na estação. O vazio é o mesmo que sentes quando te cruzas com rostos familiares na subida íngreme. O vazio é o mesmo que sentes quando pensas na carta que não chega, no telefonema que não recebes, no sorriso que esperas em vão. Podias pegar numa caneta, ou escrever um e-mail, tens o telemóvel à mão, podias fazer uma visita surpresa. Mas o tempo passou. E agora tu és apenas o sujeito triste, magro, olhos cavados numa face esquálida.

The mass of men lead lives of quiet desperation*

*Henry David Thoreau, em Walden: «The mass of men lead lives of quiet desperation. What is called resignation is confirmed desperation.»

(Where else to go? What else to do?)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Na Floresta do Alheamento - 100 Anos do Livro do Desassossego

Lonely Tree, Árvore Solitária, Na Floresta do Alheamento

Na Floresta do Alheamento

*Na Floresta do Alheamento foi o primeiro texto do Livro do Desassossego publicado por Fernando Pessoa, na Revista «A Águia» em Julho de 1913 - há quase 100 anos, portanto. Uma leitora alertou-me para a data 20 de Janeiro de 2013, em que o texto faria 100 anos. Não consegui confirmar se foi em 20 de Janeiro de 1913 que Na Floresta do Alheamento foi escrito. Entretanto, qualquer data é boa para ler ou reler este texto:

Sei que despertei e que ainda durmo. O meu corpo antigo, moído de eu viver diz-me que é muito cedo ainda... Sinto-me febril de longe. Peso-me, não sei porquê... Num torpor lúcido, pesadamente incorpóreo, estagno, entre o sono e a vigília, num sonho que é uma sombra de sonhar. Minha atenção bóia entre dois mundos e vê cegamente a profundeza de um mar e a profundeza de um céu; e estas profundezas interpenetram-se, misturam-se, e eu não sei onde estou nem o que sonho.
Um vento de sombras sopra cinzas de propósitos mortos sobre o que eu sou de desperto. Cai de um firmamento desconhecido um orvalho morno de tédio. Uma grande angústia inerte manuseia-me a alma por dentro e, incerta, altera-me, como a brisa aos perfis das copas.
Na alcova mórbida e morna a antemanhã de lá fora é apenas um hálito de penumbra. Sou todo confusão quieta... Para que há-de um dia raiar?... Custa-me o saber que ele raiará, como se fosse um esforço meu que houvesse de o fazer aparecer.
Com uma lentidão confusa acalmo. Entorpeço-me. Bóio no ar, entre velar e dormir, e uma outra espécie de realidade surge, e eu em meio dela, não sei de que onde que não é este...
Surge mas não apaga esta, esta da alcova tépida, essa de uma floresta estranha.
Coexistem na minha atenção algemada as duas realidades, como dois fumos que se misturam.
Que nítida de outra e de ela essa trémula paisagem transparente! ...
E quem é esta mulher que comigo veste de observada essa floresta alheia? Para que é que tenho um momento de mo perguntar?... Eu nem sei querê-lo saber...

Blogs do Ano - 2012


O blog «Ainda que os Amantes se Percam...» está a votos na categoria «Livros, literatura, poesia». Para votarem cliquem neste link: http://aventar.eu/blogs-do-ano-2012/blogs-do-ano-2012-votacoes-1a-fase-24/#pd_a_6827277 Obrigado.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

As velas ardem até ao fim, de Sándor Márai

As velas ardem até ao fim, Sándor Márai

Sinopse, na badana: Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular...

Comecei agora a ler a Segunda Parte de A Vida e Opiniões de Tristam Shandy, de Laurence Sterne. E de seguida vou ler As velas ardem até ao fim, de Sándor Márai. Quanto a A Vida e Opiniões de Tristam Shandy, é um romance à parte - ou, conforme o diz o narrador - e o repete o tradutor, Manuel Portela, no prefácio: o Livro dos Livros. Ou pelo menos o Romance dos Romances. A nível do prazer proporcionado pela escrita e narrativa - ignoremos para o caso a ou as histórias - apenas encontro outros dois romances que se lhe assemelhem: O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes Saavedra; e Tom Jones, de Henry Fielding. Todos eles relevantes na formação do romance tal como hoje o conhecemos. Enfim, coisas que apenas interessam a um reduzido número de estudantes de Teoria da Literatura, e a alguns aficcionados...

Mas este post é sobre As velas ardem até ao fim. Como diz um amigo meu, é sobre Amizade, é coisa para te interessar. A amizade é uma coisa muito interessante, por vezes interessante demais. Por exemplo, o meu melhor amigo - não estou a adjectivá-lo com o superlativo de bom - não, não é muito bom; nem estou a adjectivá-lo com o comparativo de superioridade sintético de bom - não é melhor que nenhum outro, bem pelo contrário - é apenas um substantivo comum: escrevamos então assim: melhor-amigo, para não haver confusões. É apenas um nome. Melhor amigo é como primeiro amor; podem vir muitos outros depois, e melhores, mas melhor amigo será sempre o melhor amigo, como primeiro amor é o primeiro...Como ia dizendo, o meu melhor-amigo diz que «espero poder voltar a ser o teu melhore [sic] amigo». Por mim a porta estará sempre aberta. Ou melhor, está fechada. Mas para aquele compartimento do meu coração só tu tens a chave. E eu levo à letra os contos dos Irmãos Grimm.

«Um portentoso tratado sobre a Amizade em forma de romance, uma obra-prima» diz Inês Pedrosa. Ou pelo menos assim está escrito na contracapa. Enfim, o que leva dois amigos inseparáveis, mais que irmãos, a separarem-se? É o que irei descobrir - ou não - a seguir...

domingo, 13 de janeiro de 2013

A Praga

Paris, Notre Dame


Dos livros que comprei nas minhas férias houve um que li de imediato: «Mazagran - Recordações e outras fantasias». Apesar disso não pude separar-me dele, tive que o trazer comigo para a Suíça, para ir lá de vez em quando reler algumas das crónicas que o compõem. Entre os 104 textos que integram este livro, muitos houve que saboreei lentamente; houve um que teve um sabor especial. Recordou-me daquilo que eu havia escrito aquando da minha viagem a Paris (onde fui para visitar a minha sobrinha, então recém-nascida, sem que tenha conseguido escapar ao rebanho - ou multidão - levado pela busca desenfreada da companhia que apenas queria riscar lugares no seu mapa mental dos lugares onde já esteve): 

sábado, 12 de janeiro de 2013

As Férias de um Bibliómano...


A Casa Incendiada, Américo Rodrigues
A Casa Incendiada, de Américo Rodrigues
Além de A Casa Incendiada (poesia), do mesmo autor - Américo Rodrigues - adquiri também Até o Anjo é da Guarda (teatro), e o mundo dos outros (crónicas).

A Vida e Opiniões de Tristam Shandy, Laurence Sterne
A Vida e Opiniões de Tristam Shandy, de Laurence Sterne

Esta obra, A Vida e Opiniões de Tristam Shandy, de Laurence Sterne, era uma daquelas que queria ler urgentemente. Depois de procurar em diversas livrarias, consegui finalmente encontrá-la quando andava a comprar livros infantis para oferecer à minha sobrinha. Um golpe de sorte.
A Vida e Opiniões de Tristam Shandy, Laurence Sterne
A Vida e Opiniões de Tristam Shandy, de Laurence Sterne

As Velas Ardem até ao Fim, Sándor Márai
As Velas Ardem até ao Fim, de Sándor Márai
Este é um daqueles autores que desconheço completamente mas de quem já ouvi falar muitas vezes. As Velas Ardem até ao Fim é sua obra prima, ou assim dizem os críticos. Em breve formarei a minha opinião - mas como a crítica literária é das actividades que mais abomino, não fiquem à espera que opine. [Embora os posts da série livros que nunca devia ter lido estejam entre os mais vistos deste blog, não considero aquilo crítica literária.]

Contos Completos, Truman Capote
Contos Completos, de Truman Capote
Truman Capote é um dos meus autores dilectos. Embora já tenha lido alguns dos seus contos, ainda não os li todos. E uma obra em que eles aparecem todos reunidos é irresistível. Depois de ler este livro, fica em falta a leitura do emblemático Other Voices, Other Rooms. O título vai aqui grafado conforme o original em inglês porque não gosto nada da tradução feita pela Sextante Editora: Outras vozes, outros lugares. E esta fotografia de Truman Capote... Esta fotografia é uma das minhas preferidas de Truman Capote. É assim que gosto de pensar nele quando leio as suas obras, ou sobre ele...  Todavia a mais conhecida e comentada talvez seja aquela que vinha na contracapa de Other Voices, Other Rooms...

José, Rubem Fonseca
José, de Rubem Fonseca
De Rubem Fonseca apenas li O Seminarista. Foi quanto bastou para que o autor entrasse para a minha galeria dos preferidos. Nas estantes da livraria estavam todas as obras de Rubem Fonseca publicadas em Portugal pela Sextante Editora. Mas como o dinheiro não estica para lado nenhum, ao contrário das dívidas (e das dúvidas), que têm vontade própria, optei por José.

Conversa n'A Catedral, Mario Vargas Llosa
Conversa n'A Catedral, de Mario Vargas Llosa
Tenho bastantes livros de Mario Vargas Llosa: cerca de metade da obra, que é extensa. Foi durante anos o meu candidato ao Nobel. Quando o ganhou eu já não acreditava que o ganharia. Dizer que esta é uma das suas obras emblemáticas é redutor. Redutor na medida em que poderia dizer o mesmo de quase todas as suas obras. São tantas que tenho que as ir adquirindo aos poucos - se e enquanto houver dinheiro para tal... (Sempre o dinheiro, sempre o dinheiro: pode não trazer felicidade, mas dá para comprar livros, que é quase a mesma coisa!)

Mudanças, Mo Yan
Mudanças, de Mo Yan
Já muitas vezes tinha ouvido falar de Mo Yan como candidato ao Prémio Nobel da Literatura. O Prémio Nobel da Literatura é sempre uma surpresa, é sempre inesperado, é sempre incompreendido. Alfred Nobel assim o quis: é um prémio idealístico atribuído à obra literária, não é um prémio literário. Mas os críticos e jornalistas têm mais que fazer que ler o testamento de Alfred Nobel. Mudanças é a primeira obra de Mo Yan traduzida para Português depois de lhe ter sido atribuído o Prémio Nobel da Literatura.

Mazagran - Recordações e outras fantasias, J. Rentes de Carvalho
Mazagran - Recordações e outras fantasias, de J. Rentes de Carvalho
Adquirir este livro era uma das prioridades que levava comigo no caminho para Portugal. Havia mais livros da Quetzal que eu queria ter adquirido, e cujos títulos nem vou referir. Mas como já aqui disse, e mantenho, enquanto a Quetzal não publicar Portugal, a Flor e a Foice, de J. Rentes de Carvalho, estou em boicote aos livros desta editora. Provavelmente este meu boicote é completamente inócuo, e não influenciarei ninguém neste sentido, mas como eu não escolho o caminho nem em função de quem vem atrás de mim nem de quem está a minha frente, sigo bem sozinho.
 
Contos, Luigi Pirandello
Contos, de Luigi Pirandello
Outro dos meus autores dilectos. Eles são tantos, que dizer que é um dos meus autores dilectos é quase o mesmo que não dizer nada. Embora tenha marcado o cânone literário pela sua obra teatral, e seja portanto mais reconhecido enquanto dramaturgo, prefiro de longe a sua obra em prosa. Muitos destes contos deram origem a algumas das suas peças. Considero a sua obra Um, Ninguém, e Cem Mil uma das obras primas do Modernismo, senão mesmo a obra prima. 

O Mito de Sísifo, Albert Camus
O Mito de Sísifo, de Albert Camus
Há muito que tinha em falta este livro de Albert Camus. Muitas pessoas o referem como a sua obra maior. Eu, que prefiro romances, atribuo esse título a A Peste.

Peito Grande Ancas Largas, Mo Yan
Peito Grande, Ancas Largas, de Mo Yan
Peito Grande, Ancas Largas era a única obra de Mo Yan publicada em Portugal aquando do anúncio do vencedor do Prémio Nobel da Literatura 2012.

O Arranca Corações, Boris Vian
O Arranca Corações, de Boris Vian
De Boris Vian li quase toda a obra, mas poucos são os livros que tenho. A par de Gabriel García Márquez é o autor de quem li mais livros emprestados. De vez em quando, quando os encontro nas estantes das livrarias, vou comprando alguns destes livros que já li. Este tenciono relê-lo em breve, agora - o que talvez não tenha (logicamente) nada a ver com isto - que ando a namorar um CD duplo com a sua obra musical completa.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

coisas



Cada vez mais me sinto como o protagonista de Fome...

Os 20 posts mais vistos de 2012

Bill Watterson, Calvin & Hobbes, Calvin e Haroldo, Céu Estrelado

Agora que um novo ano começa, deixo aqui a lista dos 20 posts mais vistos de 2012, de acordo com as estatísticas do blogger. Quem não tenha lido e tenha curiosidade, é só clicar nos links.

Guerra é Paz - 2170 [3 destes 20 posts estão, tal como este, relacionados com a obra «1984» de George Orwell]



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Portugal, um país corrupto...

Corrupção, Portugal

O comentário do soliplass (ancorasenefelibatas) a este post levou-me a pensar neste pequeno excerto que transcrevo (parece-me a mim que assenta que nem uma luva a Portugal - e a muitos outros lugares no planeta, é certo, mas este é que nos toca):

Apregoais, dizia ele, que somos um povo arruinado e perdido. - Porquê?, perguntava, fazendo uso do sorites ou silogismo de Zenão e de Crisipo, desconhecendo que lhes pertenciam. - Porquê? Por que somos um povo arruinado? - Porque somos corruptos. - E por que razão, caro Senhor, somos corruptos? - Porque somo necessitados; - é a nossa pobreza, e não as nossas vontades, que o consentem. - E por que razão, acrescentava ele, somos necessitados? - Por descurarmos, respondia, os nossos tostões e meios-tostões: - As nossas notas de banco, Senhor, os nossos guinéus, - até os nossos xelins, sabem tomar boa conta de si.

Laurence Sterne, em A Vida e Opiniões de Tristam Shandy (Antígona, 1998, 2.ª edição, Parte Primeira, Volume II, Capítulo XIX, p. 231)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Portugal na Miséria...

Miséria, Pobreza, Portugal, Crise, Norberto Rodrigues
© Fotografia de Norberto Rodrigues

Vai fazer um ano que escrevi e publiquei aqui no blog este rascunho de um poema que continua em rascunho, e actual. Volto a publicá-lo, para quem ainda não leu, e para que quem leu volte a ler...


Por decreto governamental
deixam de rimar os verbos
Querer
e Poder
em Portugal.

Fica o verbo
Poder
na posse do Conselho
de Ministros
sinistros.

Querer...
Quem quiser
ser feliz
deve sair
deste país.

Católicos e Muçulmanos Franceses unidos...

Casamento Gay, Gay Marriage, Beijo Lésbico, Lesbian Kiss


Católicos e Muçulmanos unidos. Assim de repente até parece uma boa notícia. Mas não passa de um casamento de conveniência.

banalidades e outros lugares-comuns.

Cliquem na imagem. Votem.

Não sabia que título dar a este post, portanto inspirei-me nos discursos e mensagens do primeiro-ministro e do presidente da república, ambos de portugal. Tudo com letra pequena, porque eles são pequeninos (em todos os sentidos que possam encontrar para a palavra), e está mais de acordo com o acordo-ortográfico, e por alguma vez havia de agradar a essa grandessíssima porcaria. 

Serve o post também para vos informar que abriram as votações no concurso de blogs do Aventar. Se quiserem votar neste meu blog «Ainda que os Amantes se Percam...» podem fazê-lo neste link, na categoria «Livros, literatura, poesia».

Para não vos desiludir, se vieram em busca de banalidades e lugares comuns, tenho a dizer-vos que este ano de 2013 é o que se segue a 2012, e antecede o de 2014, se o mundo não acabar entretanto. Este será um ano pior, se não for melhor nem igual. Não temo ser acusado de pessimismo ou cepticismo (badamerdas para o corrector ortográfico que me queria obrigar a escrever sem p), uma vez que o pessimismo e o cepticismo do passado transformaram-se no optimismo do presente. O optimismo é hoje olhado com o mesmo desdém com que ontem era olhado o pessimismo. Não antevejo coisas boas para este ano que é ainda uma criança recém-nascida. Certo que este ano sobreviverá, da mesma maneira que todos os anos nos sobrevivem. Quem sobreviver com ele, cá estará para contar como foi. Sobrevivam e sejam felizes.

No último mês este post teve 1869 visitas. Há alguém em Portugal que não ande há procura de trabalho?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013