quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Volkswagen Kombi. A «Pão de Forma». Viagem por aí, a ver o que dá.

Volkswagen Kombi, Pão de Forma

Há um livro de Altino do Tojal, autor de que pouco ouço falar, mais conhecido pela obra «Os Putos», de que gosto muito. Intitula-se «Viagem a ver o que dá», e, se não aprendi, ao lê-lo, o nome específico de todos os sons emitidos pelos animais, deu-me imenso prazer lê-lo. Mas não é do livro, nem do autor, que quero falar aqui. É da viagem a ver o que dá. Tenho feito bastantes, não sei se a vida toda não é apenas isso mesmo, uma viagem a ver o que dá. Sonhei - sonho ainda? - um dia fazer uma viagem por aí, a ver o que dá, numa icónica Volkswagen Kombi - não, nem sequer sabia que se chamava «Kombi», para mim era apenas a «Pão de Forma». Agora chega-me a notícia que a Volkswagen Kombi vai deixar de ser produzida. Não é que tenha sonhado ter uma Volkswagen Kombi nova, na realidade sonhava ter uma para adaptar às minhas conveniências. Mas a notícia chegou-me como um eco do destino, seja lá isso o que isso for, a dizer-me que talvez seja melhor arrumar os meus sonhos nalguma gaveta do fundo de alguma secretária, ou nalguma caixa, ou arca, de alguma mansão antiga e decrépita que não possuo. Cogito que provavelmente o mundo está cheio de «ladrões» e «incompetentes» empenhados em arruinar os nossos sonhos. (Parece que os bois não gostam de ser chamados pelos nomes. Tenho que perguntar a algum tratador destes bichos se é verdade.) Quando nos resgatam disto, amigo? Olha, acho que a questão não é tanto quando é que nos resgatam disto, mas como é que conseguiremos sobreviver nisto. Lembro-me muitas vezes deste teu texto: 15 de Outubro: o Dia da Decapitação.

1 comentário :

  1. Amigo, diria que por muito que nos queiram castrar nunca podemos ceder à tentação auto-flagelante de guardar os sonhos na gaveta. Continuo a sentir-me tão amputado como me sentia na altura em que escrevi o texto que realças (do qual me orgulho, sinceramente). Continuo a sentir uma sensação de estranheza com os noticiários e jornais, com a forma como o incompreensível e inverosímil se torna o "prato do dia".

    Temo, como tu, o impacto nas vidas, na vivência subjevtiva de tantos e tantas. Temo que seja demasiado maior do que pensamos, mesmo nas perspectivas mais pessimistas.

    Diria que o sonho, a poesia que tanto gostas, sejam o antídoto para isto. Mas, sim, nunca sonhar foi tão caro. Pago com o preço da desilusão.

    Um abraço.

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