sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sophia de Mello Breyner Andresen na Assírio & Alvim

Coral, Sophia de Mello Breyner Andresen, Assírio & Alvim

Terror de te amar num sítio frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral

Cada dia é mais evidente que partimos,
Sem nenhum possível regresso ao que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudade nem terror que baste.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral.

Eis que morreste. Mortalmente triste
Divaga a flor da aurora entre os teus dedos
E o teu rosto ficou entre as estátuas
Velado até que o novo dia nasça.

Se nenhum amor pode ser perdido
Tu renascerás - mas quando?
Pode ser que primeiro o tempo gaste
A frágil substância do meu sono.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral.

Há acontecimentos no mundo editorial que se esquivam à compreensão de um mortal comum. A obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen editada pela Editorial Caminho é um dos objectos mais lindos que este fanático da Poesia e da Literatura tem nas suas estantes. Não é apenas o conteúdo que é excelente - os livros enquanto objecto são de rara beleza. Não que nas mãos da Assírio & Alvim haja algum livro que não seja por si mesmo um objecto de arte. Comprava a Assírio & Alvim se tivesse dinheiro. Claro que ser editado pela Assírio & Alvim é o mais próximo que existe de entrar na Pléiade. Os primeiros volumes já caminham por aí: Poesia (1944), Coral (1950), No Tempo Dividido (1954), e Mar Novo (1958). Na falta de melhor - também há o novo romance de Mario Vargas Llosa - o acontecimento mais relevante numa rentrée que cheira a mofo...

(Coral é o meu livro preferido na obra de Sophia de Mello Breyner Andresen).

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