sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Eleições Autárquicas 2013: as minhas previsões

Eleições Autárquicas 2013, Portugal, Pantâno, Charco,

- Terrorismo inteligente - dizia ela. - Não gosto muito da expressão, não é minha, mas talvez se adeque. No fundo, algo como as novas bombas americanas, mas sem danos colaterais. Pensa bem: se um tipo é comprovadamente corrupto e criminoso, se toda a gente sabe que ele é detestável e prejudicial para o país mas as eleições ou a Justiça não o afastam de cargos de poder, o que nos resta? Esperar que morra de velho e que não deixe descendência? Rezar para que surjam outros menos maus, talvez de geração espontânea? Porque não simplesmente afastá-lo do caminho?

(...)

- Não se trataria de infligir o medo generalizado - contou-me. - Nem sequer haveria reivindicações, seriam iniciativas anónimas, cidadãos que agiam individualmente contra o sistema corrompido em vez de se imolarem em protesto (...). Um conjunto escolhido de obituários pode ser eloquente.

Rui Ângelo Araújo, in Os Idiotas (p. 82)

As minhas previsões? Continuarão a ser eleitos tipos corruptos e criminosos, detestáveis e prejudiciais, sem qualquer cuidado com o bem-comum, sedentos de se servirem em vez de servirem. Os portugueses há muito que se reduziram a vítimas que respeitam os seus carrascos, sequestrados que se identificam com o seu raptor, súbditos sequiosos de beijar a mão aos seus suseranos. 
Pouco importa a cor que dominará o mapa colorido dos municípios ao final do dia, seja rosa-alaranjado, ou laranja-rosado, com pigmentos vermelhos, ou pretos, ou azuis, ou outra cor qualquer, aqui e ali - mesmo que desbotado pela cor neutra de independentes. Baralhar para dar de novo, mas cada vez com menos cartas para distribuir: assim será até que não restem nem os ossos nem o tutano; um cheiro pestilento e nauseabundo continuará a emanar do pântano onde os portugueses se arrastam, felizes por viver.

Dinossauros Políticos, Portugal, Luís Afonso

(Texto com referências a António Guterres, ao Síndrome de Estocolmo, a Jean Paul-Sartre, a Gabriela Mistral, a Rui Ângelo Araújo, e à mesa de Sueca. Corre um frio carnal por minh' alma.../ Tão sempre a mesma, a Hora!... e a Fernando Pessoa. Pauis de roçarem ânsias pela minh' alma em ouro...)

Sem comentários :

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...