segunda-feira, 23 de setembro de 2013

António Ramos Rosa (1924 - 2013)

António Ramos Rosa, Poeta,
António Ramos Rosa
Faro, 17 de Outubro de 1924
Lisboa, 23 de Setembro de 2013

Um caminho marcado pela intensa meditação sobre a necessidade da poesia na vida do Homem, animal sempre condenado às mais ínvias e subtis formas de escravização. A poesia tem, em Ramos Rosa, essa capacidade libertadora e libertária. Neste tempo de sadismo financeiro lê-lo é fundamental.

Depoimento de António Carlos Cortez sobre António Ramos Rosa.



Os amantes imponderáveis são archotes da matéria na sua frondosa verdura

Os amantes imponderáveis são archotes da matéria na sua frondosa verdura
e através da distância perfumada cintilam como as constelações
Como é magnífica a ébria lucidez do esplendor
e como é alta elástica e incandescente essa torre vermelha
que os dois corpos formam numa coluna do universo!
Uma lua desdobra-se num grande leque branco
enquanto o fogo dança sob os arcos nas grutas efervescentes
As pálpebras fecham-se para ver melhor as linhas do cristal
da nudez revelada com os seus veios e anéis de mercúrio e ouro
Despenham-se um no outro como violentas dunas
e na vermelha colmeia da amante o tenso peixe explode
em constelações de pólen ou em arabescos de fogo
A doçura queima a seda porejante dos músculos repousados
e os corpos dilatam-se na tranquilidade de uma grande dália de água.

Poema de António Ramos Rosa, em Génese - seguido de Constelações (Roma Editora, Lisboa, 2005)

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