terça-feira, 3 de setembro de 2013

À l'ami qui ne m'a pas sauvé la vie, de Hervé Guibert

À l'ami qui ne m'a pas sauvé la vie, Hervé Guibert

C'est Bill qui le premier me parla de la fameuse maladie, je dirai en 1981. Il revenait des Etats-Unis où il avait lu, dans une gazette profissionnelle, les premiers comptes rendus cliniques que cette mort particulièrement engendrée. Lui-même l'évoquait como un mystère, avec réalité es scepticisme. Bill est le manager d'un grand laboratoire pharmaceutique producteur de vaccins. Dînant seul à seul avec Muzil, je lui rapportai dès le lendemain l'alarme colportée par Bill. Il se laissa tomber par terre de son canapé, tordu par une quinte de fou rire: «Un cancer qui toucherait exclusivement les homosexuels, non, ce serait trop beau pour être vrai, c'est à mourir de rire!»

Em Janeiro de 1988, Hérve Guibert, escritor, fotógrafo, e jornalista - do Le Monde - recebeu o temível diagnóstico, estava infectado com o VIH, e tinha SIDA. A partir desse momento Hervé Guibert trabalhou no registo dos seus últimos anos de vida. À l'ami qui ne m'a pas sauvé la vie (Ao Amigo que Não Me Salvou a Vida) foi publicado em 1990, revelando publicamente que estava infectado. Até à sua morte, em Dezembro de 1991, Hervé Guibert continuou a descrever de forma quotidiana o avanço da doença, os seus medos, esperanças, desilusões, tratamentos, a aceitação da morte iminente. Ainda em 1991 publicou Le Protocol Compassionel (O Protocolo da Compaixão), e após a sua morte seria publicado L'Homme au Chapeau Rouge (O Homem do Chapéu Vermelho) (1992). 


Homossexual assumido, revela nestas obras, que constituem uma trilogia, romances autobiográficos, ou autobiografias romanceadas, pormenores sobre a vida íntima com conhecidos personagens do meio jornalístico, académico, e cultural, francês, o mais conhecido dos quais Michel Foucault, cujos últimos dias não se priva de descrever. Michel Foucault foi, a par de Thierry Jouno e Vincent M., um dos três homens mais importantes da sua vida, pessoal e literária. Quando lhe foi diagnosticada a SIDA, Hervé Guibert casou com a companheira de Thierry Jouno, para que os direitos de autor das suas obras fossem herdados por ela e pelos seus dois filhos. Vincent M., um adolescente de quinze anos, na época em que Hervé Guibert o conheceu, terá inspirado uma das suas obras mais conhecidas, Fou de Vicent. Outra obra bastante conhecida é a obra biográfica sobre a sua infância e adolescência, Mes Parents, onde conta a relação difícil com os pais, nomeadamente com a mãe. Os pais ainda eram vivos quando foi publicada (1986), e tem na dedicatória a inscrição «A personne» (a ninguém).

Há muitos anos que queria ler este autor. Em Portugal, que eu tenha conhecimento, estão publicadas apenas duas obras (Ao Amigo que Não Me Salvou a Vida, e O Meu Criado e Eu), ambas esgotadas ou fora de circulação. Agora que a vida me trouxe até Paris aproveito para ler no original, sempre é mais barato, e não se perde nada na tradução. Comecei por À l'ami qui ne m'a pas sauvé la vie... [A foto na capa do livro é um auto-retrato de Hervé Guibert].

2 comentários :

  1. Respostas
    1. Vou ainda no princípio... Como não sou fluente a ler em Francês, demoro um pouco mais que o habitual... E depois meti os ebooks do H. G. Wells pelo meio (sim, agora ando a sacar pdfs da internet, que não há dinheiro que chegue para a minha voracidade)... Abraço.

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