sábado, 1 de junho de 2013

Migração dos Estados-Membros do Sul da UE e da Irlanda

Emigração


Aqui está uma boa oportunidade para dar continuidade ao post «1001 Empregos - Para Portugueses! - Falar a Verdade...». Está a decorrer online um inquérito em que se pede a colaboração de todas as pessoas que emigraram dos países da União Europeia afectados pela crise. Se algum dos meus queridos e caras (ou caros e queridas, como queiram) leitores e leitoras se encontram nesta situação, respondam ao inquérito que não custa nada - se conhecem pessoas nesta situação (devem conhecer, quem não conhece?), divulguem. O enunciado, antes de ir ao ponto que quero focar, no capítulo dos mitos e mentiras da comunicação social:

Este inquérito é parte de uma pesquisa sem fins lucrativos, com o objetivo de compreender se e de que forma a crise atual tem afetado a migração e a mobilidade no conjunto da UE e, em particular, a Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Portugal.
É parte de um projeto conjunto coordenado pelo Instituto Universitário Europeu, em Florença, incluindo ainda o Real Instituto Elcano, em Madrid, o Trinity College Dublin e a Universidade Técnica de Lisboa.

Os resultados e conclusões da pesquisa serão utilizados tanto para fins académicos como para recomendações políticas. Agradecemos o seu contributo para este esforço. O inquérito levará cerca de 15 minutos para ser preenchido.

Será estritamente respeitado o anonimato, todos os dados serão protegidos e nenhuma das informações que fornecer serão compartilhadas com qualquer outra pessoa, ou para qualquer outra finalidade para além deste projeto específico.

Se desejar ser informado dos resultados da pesquisa, pode inserir o seu e-mail no final do inquérito. Para obter informações adicionais, por favor contatar:

Prof. João Peixoto, ISEG/Universidade Técnica de Lisboa: jpeixoto@iseg.utl.pt

Agradecemos antecipadamente a sua colaboração.

Quem leia, escute, ou veja, as notícias nos jornais, rádios, ou televisões de Portugal fica com a nítida impressão que emigrar é um mar de rosas, basta comprar um bilhete de avião (só de ida), fazer as malas, embarcar, e há até um comité de recepção dos futuros emigrantes nos seus destinos - pronto, estou a exagerar, mas é quase isto. Vou ser muito breve: 

- Não é fácil encontrar trabalho, muito menos nas áreas de estudo, ou trabalhos que correspondam ao nível das qualificações académicas, especialmente se se tem um curso superior. O melhor, na maioria dos casos, é "ocultar" o excesso de qualificação. Falando de números, contas por alto, em cerca de 100 casos, de pessoas que conheço, com habilitações superiores, as da área de saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, etc) trabalham na sua área, a maioria em escalões inferiores, e mais três ou quatro pessoas de outras áreas, mas que não são a regra. Arquitectos, professores, engenheiros, animadores sócio-culturais, a trabalhar na agricultura, hotelaria (fazer camas, limpar quartos, etc), restauração, indústria (operários, não se animem demais), limpezas, etc, etc... Não vem mal nenhum ao mundo por isso, é apenas uma questão de verdade. O grosso da emigração não tem nada que ver com aquele indivíduo que vai trabalhar para a City, ou que desenvolve aquele projecto magnífico em New York. Obviamente a melhor maneira de encontrar trabalho é o networking.

- Na maioria dos trabalhos (qualificados ou não, por assim dizer), exige-se conhecimentos básicos da língua do país, e esqueçam o Inglês (nos países não-anglófonos); os emigrantes não vão todos trabalhar em investigação num Instituto ou Universidade. A realidade daqueles que emigram para os países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Moçambique), desconheço-a. Aí a língua não será uma dificuldade, e os poucos casos que conheço conseguem trabalho nas suas áreas de estudo, ou que correspondem ao nível das suas habilitações.

- Quando se parte para um destino onde não se conhece ninguém, nem sempre é fácil encontrar alojamento (por vezes é bastante difícil), especialmente se não se tiver um contrato de trabalho (já nem falo dos países em que, para emigrar, é necessário um visto de trabalho, para o qual é necessário um contrato de trabalho). Claro que podem ir lá uma ou duas semanas de "férias", antes de emigrarem. Sim, porque emigrar é uma decisão que se toma de ânimo leve, e quem emigra, emigra porque lhe apetece. Não! Quem emigra, na maioria dos casos, está já numa situação de enorme fragilidade. Conhecer alguém no local de destino não significa que seja mais fácil arranjar alojamento, mas pelo menos tem-se onde ficar... e tem-se alguém que ensine como é que as coisas realmente funcionam, no dia-a-dia, e na burocracia das instituições... Eures e sites oficiais disto e daquilo são na maioria dos casos como em Portugal, são para Inglês ver...

Pergunta 33 do questionário: «Inscreveu-se no consulado do seu país de origem desde que se mudou para o seu novo país de residência?» Não, claro que não.

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