sexta-feira, 17 de maio de 2013

Não estás perdido quando não sabes onde estás - estás perdido quando não sabes para onde ir

Será Menino ou Menina? Será Pobre, Senhora, Será Pobre
- Será Menino ou Menina? - Pobre, senhora, será Pobre.

Graças a um site que agora não recordo, mas onde fui parar quando ando pela internet à deriva, pude «ver» o meu primeiro blog, e fiquei a saber que estará a fazer por estes dias 10 anos que cheguei à blogosfera - cheguei algumas semanas antes enquanto leitor. Não vou dizer-vos qual foi o meu primeiro blog (nem o segundo, nem o terceiro, nem muitos que eu próprio não recordo), porque não têm interesse nenhum, embora tenha nesses primeiros tempos chegado a ter um blog que esteve algumas semanas entre os mais visitados de Portugal. 

De quando em quando descubro alguns bloggers actuais que eram aquele blogger que escrevia com aquele pseudónimo. Não sei se era a regra ou não - pelo menos entre aqueles que eu lia era a regra - os bloggers não utilizavam o nome civil. Eram bastante engraçados alguns nicknames. Entre os primeiros blogs que li permito-me destacar três - não queria ser injusto, mas já não me lembro dos nomes da maioria - Mar Salgado, onde escrevia Filipe Nunes Vicente, Psicólogo e Ensaísta que já escreveu em muitos blogs e que acaba de lançar mais um: Depressão Colectiva. Abrupto, de José Pacheco Pereira, um caso de longevidade - pelo menos no mesmo endereço. E Gato Fedorento. Curiosamente todos eles escritos com o nome civil.

Por falar em José Pacheco Pereira, vejo que atracou ontem na mesma conclusão que eu havia alcançado aqui - não é difícil concluir tal coisa, que está à vista de todos. 

Não estás perdido quando não sabes onde estás - estás perdido quando não sabes para onde ir. Um título tão bom ou tão mau como outro qualquer para um post de um blog. Nunca levei a blogosfera demasiado a sério, no sentido de pretender escrever textos cuidados, estudados, como quem escreve uma tese ou um ensaio. Para mim um blog sempre foi um diário - e cada post uma entrada de um diário.


Curiosamente - ou não - depois que comecei a escrever em blogs, fui deixando de escrever os meus diários. O que não devia ter feito - porque não são a mesma coisa. Porque o suporte é diferente - e porque os blogs têm audiência. E ainda que muitas pessoas possam escrever um diário com o secreto desejo de serem lidas - eu sempre tratei de queimar os meus diários, para que não o fossem. Tudo isto tendo em conta que por vezes talvez abuse na partilha da minha vida privada. É um risco consciente - tenho consciência que quando minto é para me enganar a mim mesmo - e a quem eventualmente me leia, pouca ou nenhuma diferença faz. Afinal a mentira é uma verdade que não conseguiu acontecer. Por outro lado, chamar muy justamente filhos-da-puta a uma cambada de políticos, banqueiros, e outros parasitas da sociedade, tem muito mais graça num post que numa entrada de diário - e os efeitos são os mesmos: eles não vão deixar de o ser.

E este post? Este post é para dizer que estou cansado (estou muito cansado) - digo cansado para não utilizar outras palavras - lá está, digo cansado para mentir, mas é uma mentira para mim mesmo, para não olhar para o abismo que outras palavras poderiam deixar a descoberto. Este post é para dizer que provavelmente um dia destes me irei embora. É para dizer adeus àqueles que me acompanharam - tive o privilégio de conhecer pessoas boas, pessoas que rareiam tanto na mesquinhez do dia-a-dia. Quem me conhecer saberá que detesto despedidas - que quando for embora me hei-de retirar de mansinho. Partilhei a imagem acima no meu facebook, no facebook do André Benjamim, para falar a verdade, que tenho outro, o do meu nome civil, e um amigo de um primo comentou «Eu nem quero acreditar que isto se está a passar.» Andaremos todos, mais ou menos, incrédulos. Onde é que isto vai parar? Onde é que iremos parar? Onde irei parar? Vivemos num tempo em que as respostas acabaram há muito, e as perguntas começam a escassear. E o problema, o verdadeiro problema - o problema fulcral, se quiserem - não é acabarem-se-nos as respostas, é já não termos mais perguntas para fazer.

Sim, escrevo posts propositadamente desconexos. Obrigado a todos que me visitam, e nos últimos tempos têm sido muitos. Claro que a quantidade de leitores (ou visitantes ocasionais ou frequentes) não é o mais importante - mas qualquer pessoa que escreva num blog gosta de ser lida - e ter algum feedback. Frustrante apenas o facto de ainda não ter conseguido perceber porque é que tantas pessoas visitam a página dos contactos, e o perfil, e apenas (e vou ser generoso nos números) uma em cada mil me contacta efectivamente. E sim, estou perdido.


Estatísticas Blogómetro

Adenda: para quem tenha curiosidade, fui procurar o site que permite «ver» sites antigos, que já não estão online, ou cujo conteúdo antigo já não está online: Internet Archive - Wayback Machine.

2 comentários :

  1. Tu és um blogger com grandes pergaminhos e digno da maior admiração.
    Perante a mediocridade dos blogs com que a blogo se vai renovando, cada vez tenho mais saudades dos bons que foram ficando pelo caminho.
    Tu resistes, que bom...

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    Respostas
    1. Vou resistindo - a maior parte das vezes porque não tenho mais nada que fazer... Abraço.

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