quarta-feira, 8 de maio de 2013

Crónicas de Zwahlen #8

Le vieux et l'enfant, L'ancien et l'enfant, O velho e a criança
L'ancien et l'enfant, gare de Saint-Imier, Suisse


Enivrez-vous!

Il faut être toujours ivre. Tout est là: c’est l’unique question.
Pour ne pas sentir l’horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.
Mais de quoi? De vin, de poésie, ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois, sur les marches d’un palais, sur l’herbe verte d’un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l’ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l’étoile, à l’oiseau, à l’horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est; et le vent, la vague, l’étoile, l’oiseau, l’horloge, vous répondront: “Il est l’heure de s’enivrer! Pour n’être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."

Charles Baudelaire, Le Spleen de Paris (Petits poèmes en prose).

Dói-me a alma fisicamente, e não há na farmácia nenhuma pomada que cure a ferida, ou comprimido que alivie a dor. Podia citar, em vez do poema em prosa de Charles Baudelaire, um poema de Arthur Rimbaud. Provavelmente - provavelmente estou a usar advérbios de modo a mais, e eu detesto advérbios de modo - provavelmente seria mais indicado um poema de Arthur Rimbaud. Não o faço por delicadeza.




Embriagai-vos!

Devemos andar sempre bêbados. Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentires o tremendo fardo do Tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê? Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são: e o vento, a onda, a estrela, a ave, o relógio, responder-te-ão: «São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar! Com vinho, com poesia, ou com a virtude, como quiseres.»

Sem comentários :

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...