quinta-feira, 2 de maio de 2013

Crónicas de Zwahlen #7

Biel, Bienne, Suisse, Suíça,
À beira-lago, Biel/Bienne, Suisse - 01 de Maio de 2013

1.º de Maio, Dia do Trabalhador, quando já não há trabalho. Passeio à beira-lago, como se não tivesse acabado já o mundo tal como o conhecíamos. Eles "estão a gozar com o povo" li num blog a queixa de uma entrevistada. Não, não estão. Poderão estar a fazer muita coisa, por maldade, oportunismo, ideologia, ou simplesmente incompetência, ou isto tudo junto, conforme quem sejam eles. Mas gozar com o povo não, não estão. Minha cara senhora - por improvável que seja que vá ler estas palavras, vou dizer-lhas na mesma - minha cara senhora, quem está a gozar com o povo é o próprio povo - seja lá isso o que isso for, que por ser tão vasto e diverso, permanece anónimo e inimputável. É o povo que goza com o povo quando o povo vai como rebanho manso em romaria fazer fila para as portas do merceeiro. E se ele se ri, ri-se do gozo que o gozo do povo que goza consigo mesmo lhe dá. O povo goza com o povo quando vai a correr como manada de trogloditas fazer compras na loja daquele que o povo pensa que goza com o povo. O povo goza com o povo quando o povo vai a correr como manada de energúmenos votar naqueles que o povo diz quem gozam com o povo. Basta de desculpar o povo - o povo é o único culpado: uma desprezível entidade - que ninguém sabe bem o que é - que não merece o mínimo dó ou compaixão, como o não merece nenhuma vítima que respeite o carrasco. O povo, quando pensa, diz, mas não age, não passa de um cobarde colaboracionista. E enquanto for cúmplice das suas desgraças, o povo têm o que o que escolheu - e portanto merece.

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