quinta-feira, 23 de maio de 2013

Crónicas de Zwahlen #13

Dados, Dices, Saldo



O Saldo

Faço contas à vida,
Livros que queria comprar,
Contas que tenho a pagar,
Os dias que ainda me restam,
Dinheiro, Amor e Ilusões
Não me chegam para continuar.
Observo o caderno vermelho,
Não há Haveres para cobrar,
Apenas Deves para saldar.
Fecho o caderno velho,
Nada mais há a registar.
Só dúvidas; sonhos e ilusões
Que não se podem pagar.



Rascunho de poema escrito por mim mesmo, não sei ao certo em que data, algures entre 2005 e 2007, que já publiquei aqui no Ainda que os Amantes se Percam. Relativamente a este post, para quem esteja interessado em saber, fiquei. Perante as circunstâncias, o método de decisão foi quase como me sugere o Soliplass (Âncoras e Nefelibatas) nos comentários: moeda ao ar. Quanto a deus e ao diabo, julgo que há muito os mandei foder. E assim nunca saberei se fiz bem, se fiz mal. Se tivesse ido, também nunca saberia se tinha feito bem ou mal. Sempre que optamos por um caminho, deixamos todos os outros por percorrer. Penso que já o disse aqui no blog: considero que aquilo que nos define é o que recusamos, da mesma maneira que aquilo que define uma escultura é aquilo que tiramos da pedra inicial. Enfim, estou num ponto em que aquilo que posso recusar é já muito pouco, pouquíssimo. E na realidade, toda a vida vivi no fio da navalha, com a corda ao pescoço. É muito complicado sair da cepa torta. Às vezes penso em queimá-la, numa espécie de exorcismo; talvez o saldo pudesse melhorar: fiz anos, 10% dos meus amigos do facebook escreveu-me os parabéns no perfil, a maioria destes, desconhecidos da vida real. Fiquei, primeiro porque queria ficar, depois porque cheguei a um ponto de exaustão em que me cansei de correr não sei bem atrás de quê ou para quê. Se for para sobreviver prefiro morrer ou ir para Portugal, que é a mesma coisa - ou pior. Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

6 comentários :

  1. Era um risco demasiado elevado, talvez um salto no escuro...
    Mas como bem dizes, nunca se sabe ao certo, numa situação dessas, se se fez bem ou mal.
    Abraço grande.

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    1. Um riso demasiado elevado... É isso mesmo... É isso mesmo... Abraço...

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  2. Às vezes, parece-me que depois poderemos saber se decidimos bem ou mal, ou senti-lo, simplesmente porque não nos arrependemos. E espero que com essa decisão seja assim.

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    1. Não sei se estou em condições de o sentir - mas entendo perfeitamente a ideia... o tempo mo dirá - ou não...

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  3. Olha, aqui vão os parabéns de mais um desconhecido. São sinceros, eles e os votos de muitas felicidades.
    Abraço, e que tudo te corra bem.

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    1. Somos amigos no facebook? :P Alguns conhecidos dos blogs e do facebook chegam a ser mais conhecidos que os da vida real... Obrigado, Abraço.

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