sexta-feira, 31 de maio de 2013

Baloiçar...

Baloiço, Balouço, Swing, Rocking


Enquanto lia este post no The Cat Scats, lembrei-me deste poema, ou rascunho de poema, ou qualquer coisa parecida com um poema, que rima, e que escrevi há mais de quinze anos, quando Mário de Sá-Carneiro era o meu poeta preferido - e ainda é, e ainda é... embora a distância que então levava para os que vinham atrás fosse maior. Tinha lido A Confissão de Lúcio, provavelmente "o" livro da minha vida, e queria ler tudo o que ele tivesse escrito. Não era fácil encontrar as restantes obras, e se pouco tempo depois encontrei uma edição da poesia completa, e nos anos seguintes consegui adquirir todas as novelas que havia publicado em Princípio e Céu em Fogo, só alguns anos mais tarde consegui por fim ler a obra que me faltava, a peça teatral Amizade, escrita a quatro mãos com Thomaz Cabreira Júnior, o seu melhor amigo - quando Mário de Sá-Carneiro ainda não conhecera Fernando Pessoa nem assinava com os apelidos unidos pelo hífen - e que se suicidou em 1911 com um tiro de caçadeira, cinco anos antes de Mário Sá-Carneiro se suicidar com estricnina...



(a Mário de Sá-Carneiro)

Há dentro de nós
sempre a balouçar
um balouço, voz
sem poder gritar.

P'ra um lado o fim,
o abismo, precipício...
N'outro a vida assim
(ou só um indício):

Sempre igual, igual...
Cada um calado,
sabendo o seu mal.
Não ser desejado... 

Poema de André Benjamim.

As ideias associam-se assim, estranhamente, caindo de um balouço para o abismo, e no abismo encontram outro balouço, onde balouçam até caírem no abismo, onde se agarram a outro balouço...

4 comentários :

  1. Não gosto muito destas tuas postagens negativistas...
    Prefiro gostar apenas do que escreves, como o poema em causa, do que da sua "envolvência".

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    Respostas
    1. Não é negativista - o Thomaz Cabreira Júnior e o Mário Sá-Carneiro suicidaram-se... Caíram (ou saltaram) para o abismo, é apenas um facto...

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