quinta-feira, 30 de maio de 2013

1001 Empregos - Para Portugueses! - Falar a Verdade...

Desemprego, Instituto de Emprego e Formação Profissional, IEFP

Depois de ler este artigo «Podemos confiar nas notícias que oferecem 1001 empregos?» tenho andado a pensar em dar a minha achega ao assunto. A pergunta parece só uma, mas há duas questões a ser respondidas. Primeiro, podemos confiar nas notícias? Segundo, podemos confiar nas notícias que oferecem 1001 empregos?

Comecemos pelo princípio. Pensava nisto, um dia destes em que o Público me enviou um e-mail (por estar registado no P3, suponho) a pedir para responder a um inquérito de opinião. Bem pode o Público pedir-me para responder a inquéritos (a que respondo de boa vontade), para tentarem perceber se estou disposto a pagar 10€, 20€, 25€ para ter acesso à versão online. Na verdade, se o Público quer saber, não estou disposto a pagar um tostão pela porcaria que publicam. Nem pelo Público, nem pelo Diário de Notícias, ou pelo Jornal de Notícias - que no meio de tanta porcaria, são os únicos que ainda têm uma pontinha de utilidade - uma pontinha que não vale um tostão, nem furado. Artigos que não têm ponta por onde se lhe pegue, cópias mal amanhadas, mal escritas, e mal traduzidas de agências de notícias. Notícias parciais, parciais por serem incompletas, e parciais por serem tendenciosas. Notícias sem qualquer objectividade: números deturpados, opiniões disfarçadas de factos, notícias sem qualquer relevância além de parecerem encomendadas; e, já se sabe, neste inferno de aparências, o que parece, é. Não é estranho ler a mesma notícia em jornais diferentes, uma dizer o contrário da outra, e nenhuma corresponder aos factos. Podemos confiar nas notícias? Não.

A resposta à primeira questão deixa a segunda respondida: não podemos confiar nas notícias que oferecem 1001 empregos. Casos concretos: nos organismos da Organização das Nações Unidas (ONU) há vagas que tem cotas, todos os anos há recrutamentos, e as vagas disponíveis são para ser preenchidas tendo em conta critérios de Nacionalidade. Imaginemos que há 1000 vagas, e que, nesse ano, 10% das vagas são para ser preenchidas por Portugueses; 100 vagas, portanto. Qual é que julgam que vai ser a notícia? «100 vagas para Portugueses na ONU»? Claro que não. Claro que vão dizer que são 1000! Quem lê os jornais Portugueses (no Diário Económico é um exagero!) fica com a ideia que anda todo o mundo à cata de Portugueses! Há 8000 ofertas de emprego na Bélgica? «Bélgica procura 8000 Portugueses», «Bélgica: há 8.000 empregos para Portugueses. Saiba como candidatar-se.» Há vagas nas instituições da União Europeia? Obviamente são todas para Portugueses! Há uma empresa Alemã que têm um processo de Recrutamento & Selecção a decorrer? Isto só pode querer dizer que a empresa quer contratar 200 ou 300 engenheiros Portugueses - quem havia de pensar noutra coisa? Canadá, Austrália, Angola, Brasil, Emiratos Árabes Unidos, Qatar, Inglaterra, Irlanda, Noruega, Suíça, Colômbia, Venezuela? O Mundo!

Aos jornais exige-se antes de tudo o resto, isto: verdade! Não oferecendo verdade, não servem nem para limpar o cu, nem para embrulhar o peixe, nem para limpar ou tapar vitrines. Não servem para nada - ou talvez, apenas, para nos rirmos um pouco. Rir para não chorar.

(a continuar...)

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