domingo, 21 de abril de 2013

O Desconserto das Nações Desconcertadas*

Lago Neuchâtel Suiça Lake Neuchatel Switzerland


ابداع بالالوان الزيتية. Magnífico! Que quererá isto dizer? São lindos os caracteres, e alguém, de alguma parte do mundo, veio parar ao blog procurando «ابداع بالالوان الزيتية» Vou espreitar ao google translator: «criatividade cor oleosa». Lamento, caro leitor, que não tenha encontrado nem criatividade nem cor - talvez um pouco de oleosidade. Se houver mais alguma coisa em que possa ser-lhe útil?! Escreva-me para o e-mail, pode ser através do perfil, mas numa língua que eu consiga decifrar: Português, Inglês, Espanhol, ou Francês - por esta ordem. Bem sei que o Francês já devia de estar pelo menos em terceiro lugar, depois de 13 meses na Suíça Romanda: a melhor Suíça, que a população nativa da Suíça Romanda (zona onde se fala Francês) é de origem Celta. Mais c'est la vie.

Por falar em Celtas - ou nos bons genes que lhes restam - bons não sei, mas pelo menos bonitos - bonitos para os meus olhos, claro - interrogo-me amiúde porque é que há pessoas com as quais cruzamos o olhar uma única vez - e a partir daí sabemos que nos conhecemos desde sempre - e pacientemente aguardamos a oportunidade - ou teríamos que falar do clima, e a Primavera anda muito tímida por estas paragens.


No fim-de-semana passado - o weekend - como dizem os Suíços (e os Franceses também, estes anglicismos invadem as línguas como uma praga de gafanhotos, ou caracóis) - a Primavera espreitou, acompanhada de calores estivais; aproveitei para ir até ao lago - que para os Suíços é quase como ir à praia. Gente de todo o mundo, que encontrar um Suíço é uma tarefa quase tão difícil como encontrar uma agulha num palheiro. Descontraidamente, de um lado para o outro, observando sem observar, aproveitando o calor refrescado pelas brisas, que de quando em quando sopram dos lados do lago, e pelo gelado que comprei no quiosque, atento às línguas que não identifico, inglês - perfeitamente compreensível, portanto falado por gente de todo o mundo, francês, algum péssimo, muito pior que o meu, outro suíço, alemão - não entendo nada, mas este é fácil de identificar - português - português com sabores diversos: cabo-verdiano, brasileiro, angolano, guineense talvez, minhoto, alentejano, tripeiro, alfacinha, beirão -, e espanhol, italiano. E turco - isto só pode ser turco, penso - pelo menos assemelha-se à língua dos turcos que conheci. Ou talvez seja servo-croata ou albanês. E - de repente - quatro indivíduos na galhofa, como se ninguém os pudesse entender, gozam com um sujeito extravagante, que eu ainda não notara; este segue o seu caminho sobre a bizarra bicicleta, quase despercebido, que entretanto todas as pessoas por perto se voltaram para os audíveis foliões.


*O que pode ser entendido como o desalinho da orquestra cacofónica - ou, como diz o Miguel, Como é Linda a Puta da Vida.

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