quarta-feira, 3 de abril de 2013

Miguel Gonçalves, o Personagem, visto pela Blogosfera.

Miguel Gonçalves, Empreendedorismo, Empreendedor, Criativo, Pintor,

Seleccionei alguns textos da blogosfera sobre empreendedorismo e sobre este personagem chamado Miguel Gonçalves. Aqui ficam, para quem tiver interesse. Cliquem nos títulos para ler os texto completos:

O ministo, o empreendedor, a palestra dele e os perigos dela, de Supermassive Black-Hole, camel & coca-cola.

Devíamos parar de nos queixar? Talvez. Mas de certeza que a melhor atitude para substituir a queixa não é a subserviência disfarçada de empreendedorismo. A atitude de Miguel Gonçalves pode ser a melhor para a situação em que vivemos, mas só conduz ao perpetuar dessa situação. Criticar essa situação, incitar os jovens a revoltar-se contra ela, a procurar mudá-la a todo o custo seria muito mais interessante, mas também muito mais polémico. E é provável que Relvas não o tivesse convidado a dar a cara pelo Impulso Jovem, gratuitamente, claro: para quê pagar quando se pode ter de graça?

O empreendedor na Guarda a falar de Super Heróis, de Américo Rodrigues, Café Mondego.

Como é possível alguém dar crédito a um animal falante, assim é, para mim, um mistério. Há um certo equívoco a propósito desta idea de que todos os jovens devem ser empreendedores... a todo o custo. Mesmo que aquilo que se lhes propõe é que sejam os novos escravos. Mesmo que que aquilo que se lhes propõe é que se resignem e que aceitem perder dignidade. O tal Miguel é um vendedor de sonhos de caca mas fala rápido e é espertalhaço.

O vazio tem a mania das grandezas, de João Gomes André, Delito de Opinião. 

À semelhança de outros fenómenos da nossa praça, distingue-se pela "irreverência", pelo discurso "positivo" e por outras coisas que vêm sempre juntas neste tipo de pacote ("dinâmico", "criativo", "pró-activo", etc).
(...) Discurso esse que mistura o pior do "darwinismo social" (o elogio do conflito social e a glorificação da lei do mais forte), um moralismo pseudo-científico de pacotilha (que condena os que sucumbem, imputando-lhes a culpa do seu "insucesso") e os elementos mais abjectos do novo totalitarismo linguístico "made in Wall Street" (que apela ao "empreendedorismo", à "reinvenção pessoal", ao "acreditar em si próprio" e ao "tornar-se senhor do seu destino").

Do Empreendedorismo, de Daniel Maciel, Sentidos Distintos. 

Ele transporta um tipo de linguagem perigosa, a linguagem do “apolítico” que desdenha da História, que ignora as profundidades da economia – não só das finanças, pois a economia não se limita a finanças, mas também a economia da cultura, da educação da saúde – e que responde, a partir da postura do despojado “com ideias”, com vontade de fazer e pouca paciência para trivialidades.

Impulso Jovem, de Henrique Fialho, antologia do esquecimento. 

Miguel Gonçalves será, então, o rosto por detrás da precariedade, dos estágios não remunerados, dos salários mínimos, de um exército de licenciados que para pouco mais servem do que para repor as prateleiras da Sonae e engraxar os sapatos ao Camilo Lourenço. De facto, um programa apostado em combater o desemprego entre os mais novos carece de irreverência. Carece, nomeadamente, de quem não tenha outra mensagem para fazer passar senão a de que, e passo a citar, importar bater punho. Bater punho é, pois então, o que se espera dos desempregados portugueses enquanto não houver vacas para satisfazer com a arte presidencial da ordenha.


O lado ventral do empreendedorismo, de David Soares, Os Cadernos de Daath. 

Nos dias que correm, em plena embriaguez neoliberal, somos bombardeados desde há dois anos na comunicação social com o quasi-truísmo de que ser-se "empreendedor" é pertencer a uma classe moralmente superior que pugna por um "empreendedorismo" de iniciativa - mais do quixotesca, contra uma sociedade lapidada pela austeridade e em progressiva deterioração - cruzadesca e orientada pela fé cega na mão invisível do mercado, que se põe por baixo, não do menino e do borracho, como no pregão popular, mas dos meninos que criam o seu próprio emprego e não têm medo de «bater punho».


3. Não partilho do sentimento inquisitório que estão a impor sobre Miguel Gonçalves. É, ainda assim, criticável a forma de expressão e o erro, na conferência de hoje? É.

O Emplastro, de Luís M. Jorge, Declínio e Queda. 

Durante trinta minutos exibiu o rosto amável do empreendedorismo merdalejo com vocação universal: ele tinha criado uma “startup” espectacular. Ele visitara o Silicon Valley em chanatas e bebera Coca-Cola no McDonalds frequentado por Bill Gates. Ele tinha programado uma “aplicação” “brutal” para uma bosta qualquer e trabalhava “vinte e quatro horas por dia” para cumprir o sonho meritório de vir a ser “pornograficamente rico”. Pior que tudo, ele não parava de gritar.


Se é verdade que concordo com a crítica ao discurso exacerbado à volta do empreendedorismo, da responsabilização individual e do utilitarismo e, ainda, se me preocupa os que se aproveitam indignamente da "especulação" à volta da promoção do autoemprego, também me revolta o discurso extremado da socialização de todas as responsabilidades, a distorção oportunista do empreendedorismo, esquecendo que este assume várias formas para lá da criação do próprio emprego e confesso-me desiludido por subsistir uma certa visão socialmente conservadora, imobilista, e ausente de qualquer sensibilidade pragmática para procurar resolver problemas socioeconómicos e institucionais concretos.

Impulsos, de Eduardo Louro, Quinta emenda. 

Não tenho qualquer tipo de preconceito sobre este tipo de perfil. Também não ponho em dúvida que este estilo prá frentex despido de substância, vende. Tem o seu espaço, especialmente no mercado das ilusões. E não tenho a mais pequena dúvida que o perfil encaixa em Miguel Relvas: é a sua cara!


E eu pergunto: O que é que de inovador e eficaz tem o discurso do caro Menino Miguel Gonçalves? É bem construído, disruptivo na forma, descomprometido, baseado em chavões, em linguagem corrente e pouco cuidada, ajeita uns truques da psicologia e da “arte de saber falar em público” e tem uns toques de marketing para apimentar.

Deixem lá o rapaz e os seus mantras para o sucesso, de Maria João Marques, O Insurgente. 

E percebi que a actual embirração com o rapaz é uma nova edição do arrancar de cabelos que sucedeu com a Isabel Jonet. Não é que o discurso de Miguel Gonçalves me agrade muito. É conversa de comercial típica, daqueles que acreditam vivamente que é tudo uma questão de voluntarismo, que uma boa apresentação e uma boa conversa levam sempre aos resultados pretendidos, que vender é apenas o somatório de uma série de acções e palavras. Eu, que passei tantos anos a trabalhar com pessoas que me queriam vender coisas, reconheço a espécie à légua e sempre me diverti com ela, sobretudo pela genuína surpresa resultante do facto de a sua, pensam que invencível, persuasão não funcionar quando não conseguem vender pela razão simples e intransponível de eu não querer comprar – algo com que estas pessoas não sabem lidar porque geralmente não compreendem o que se passou.


Miguel Gonçalves tem um estilo único, um estilo que emana innuendo sexual a cada tirada, mesmo que inconsciente. É divertido e soa ao palhaço fácil de desmontar à primeira análise (ou ausência dela). Porém, nunca faliu um país. Parece que não, este pequeno factor tem alguma importância para pessoas picuinhas.

O Embaixador, de O Stressado. 

Primeiro o Sócrates e agora o Miguel Gonçalves... Estou a começar a gostar do Relvas! No caso do Miguel Gonçalves, com o título de "embaixador" (com já referi em posts anteriores, o Miguel é um dos meus melhores amigos). Só espero que a imagem do Miguel não saia prejudicada!


Vinha no carro a ouvir a rádio e o que ouvi era mau demais para ser verdade. Um tal de Miguel Gonçalves, com conversa de videirinho, uma conversa tão fiada que até doía. A seguir ouvi o Relvas com aquela voz de videiro-mor e pareceu-me que um patrocinava o outro e tão chico-esperta era a conversa de ambos que não percebi quem patrocinava quem.

Impulso Jovem, de reactor.

Os números anormais do desemprego não podem ser branqueados por um discurso falacioso, pateta e construído ao arrepio de valores civilizacionais fundamentais (substituídos por um discurso primário, feito de supostos soundbites, fácil de partilhar nas redes sociais) que vende aos desempregados com menos de 45 anos a mensagem (cruel, além de falsa) que se não têm emprego a culpa é deles.

Se estás a ler isto, não estás a empreender o suficiente, de Bernardo Hourmat, Nem tanto ao mar.

Pela notícia, ficamos a saber que o Miguel (ou "o embaixador", como o Público lhe chama) nunca enviou um currículo para lado nenhum. Por isso, sinceramente, deixem-se disso para responder a anúncios. Aliás, por essa lógica, devemos começar a pensar seriamente se um anúncio que diga "envie CV e carta de motivação para endereço tal e tal" valerá sequer a pena ser respondido.

(Se conhecerem posts com outras opiniões, deixem o link nos comentários.)

5 comentários :

  1. A figura certa que Relvas escolheu para cara de uma mascarada qualquer que pretende (?) ajudar a descer o desemprego jovem.

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  2. Se me permite, recomendo a entrevista ao dito empreendedor, o gémeo separado à nascença do Homónimo Relvas, de que transcrevo uns excertos aqui:

    http://umjeitomanso.blogspot.pt/2013/04/miguel-goncaves-embaixador-do-impulso.html

    É uma coisa verdadeiramente do além.

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  3. É um tipo sobre quem não tencionava deter-me, mas confesso que ser repescado para a treta do impulso me enjoa bastante...
    Então:
    http://educar.wordpress.com/2013/04/02/parece-que-o-relvas-arranjou-um-comediante/
    e
    http://p3.publico.pt/node/7315 (alguns comentários)
    e
    http://p3.publico.pt/node/7335

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  4. O Miguel Gonçalves quase faz a apologia do trabalho gratuito. Um bom exemplo para o Impulso Jovem, dos vencimentos irrisórios.

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  5. Mais um post sobre a personagem: http://camelecocacola.blogspot.pt/2013/04/o-ministo-o-empreendedor-palestra-dele.html

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