quinta-feira, 18 de abril de 2013

José Luís Peixoto, um escritor institucional.

José Luís Peixoto, Luiz Vaz de Camões, adaptação de Os Lusíadas


É difícil encontrar uma palavra para qualificar a adaptação de Os Lusíadas, de Luiz Vaz de Camões, por José Luís Peixoto - uma ideia da Visão aceite pelo escritor. José Luís Peixoto - apesar - et pour cause - da imagem de escritor rebelde e inconformado - tatuagens e pircings para o comprovar - há muito que não passa de um escritor institucional.

Ler o excerto da adaptação do Canto I d' Os Lusíadas tirou-me definitivamente a pouca vontade que tinha de ler mais algumas obras - em especial Dentro do Segredo, por ser um relato da viagem do escritor à Coreia do Norte, um tema que me interessa. Todas as épocas e regimes têm os seus representantes - oficiais. Nas Artes Plásticas temos a Joana Vasconcelos, na Literatura o José Luís Peixoto. Noutras áreas não serão difíceis de identificar - os artistas.

Livro (romance), Minto até ao Dizer que Minto (contos, distribuído exclusivamente com a revista Visão), e os poemas que li avulso, bastam-me.

Adenda (21/04/2013): Afinal José Luís Peixoto é reincidente nas adaptações - já antes adaptou Os Maias para as crianças, em 2008, coisas do Sol e da Quasi. Comprei dois ou três exemplares desse pasquim - e jurei que nunca mais (acabei por comprar mais uma vez, quando fizeram uma entrevista ao Luiz Pacheco; deitei logo o jornal fora e fiquei só com a revista). Pela lista dos adaptadores desta anterior investida: - uma pessoa chega à inevitável conclusão que está tudo conforme - não há ali nenhuma dissonância.

13 comentários :

  1. Almada Negreiros também foi um artista institucional... Isto não é para defender o JLP, é só mesmo para defender o Almada, eheh!

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    1. Todos temos que comer - é a vidinha! - mas há um limite de bom senso e bom gosto, caramba - para não usar uma interjeição brejeira. Isto é um dois-em-um: nem prestigia Luiz Vaz de Camões (que não precisa), nem se prestigia a si mesmo. Por vezes somos obrigados a engolir sapos - até Camões os engoliu, e mesmo assim não se terá livrado da fome e da miséria, mas engoli-los com prazer... Nojo.

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  2. Não gosto do excerto que me "mostraste", mas daí a chamar-lhe um escritor institucional...
    Para mim, continua a ser um escritor que anda não me encheu as medidas; iniciei-me com um livro difíci- "Livro" - depois li "Abraço" que não me convenceu totalmente e vou iniciar curiosamente o "Dentro do Segredo", do qual estou curioso.
    Mas nada li dele, do passado...
    Continua a ser um autor à experi~encia.

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    1. Mas há mais institucional que isto - ter uma imagem supostamente de outsider, e beneficiar como insider. O «Livro» não me convenceu minimamente - apenas um título pretensioso.

      Enfim - confesso-me desiludido. Esperava muito mais, do escritor e do homem. Tenho para mim que o que nos define, mais que aquilo que aceitamos, é aquilo que recusamos - da mesma maneira que o que define numa pedra a escultura é aquilo que vamos tirando: é aquilo que deitamos fora que define aquilo que fica. Ao não se recusar a participar desta palhaçada - isso da suposta adaptação d' Os Lusíadas - para mim definiu bem o que havia a definir.

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    2. «Nenhum Olhar» e «Uma Casa na Escuridão», os seus dois primeiros romances, são muito bons -- sobretudo «Nenhum Olhar». Esta adaptação d'«Os Lusíadas» é, pura e simplesmente, uma merda, uma escarradela na memória do escritor; e se JLP não tem consciência disso, então a coisa consegue ser ainda pior.

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    3. Nesses não toquei - folheei o «Cemitério de Pianos» e deixei-o ficar quietinho na estante da livraria. Depois disto, não sei se terei vontade para lhe voltar a tocar. Quem sabe.

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  3. Comecei a ler "Dentro do Segredo" e não desgosto; claro que é uma crónica de viagens.

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    1. Depois diz-me se vale o tempo e o dinheiro.

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  4. Interessaria talvez contextualizar a "coisa". JLP não mexe em Os Lusíadas, apenas escreve uns contos, uma espécie de introdução, a cada Canto. E quanto a isso, a ficção é com cada um. Gosta-se ou não! Quanto a ser institucional... Será sempre melhor lê-lo. É um escritor que merece ser lido.

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  5. Interessaria talvez contextualizar a "coisa". JLP não mexe em Os Lusíadas, apenas escreve uns contos, uma espécie de introdução, a cada Canto. E quanto a isso, a ficção é com cada um. Gosta-se ou não! Quanto a ser institucional... Será sempre melhor lê-lo. É um escritor que merece ser lido.

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  6. Interessaria talvez contextualizar a "coisa". JLP não mexe em Os Lusíadas, apenas escreve uns contos, uma espécie de introdução, a cada Canto. E quanto a isso, a ficção é com cada um. Gosta-se ou não! Quanto a ser institucional... Será sempre melhor lê-lo. É um escritor que merece ser lido.

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