domingo, 28 de abril de 2013

Crónicas de Zwahlen #4 (Chroniques de Zwahlen #4)

Rio Bar, Saint-Imier
Rio Bar, Saint-Imier, Suisse, le 28 Avril 2013


Il n’est rien de plus singulier, de plus embarrassant que la situation réciproque de personnes qui se connaissent seulement de vue, qui, à toute heure du jour se rencontrent, s’observent, et qui sont contraintes néanmoins par l’empire des usages ou leur propre humeur à affecter l’indifférence et à se croiser comme des étrangers, sans un salut, sans un mot. Entre elles règnent une inquiétude et une curiosité surexcitées, un état hystérique provenant de ce que leur besoin de se connaître et d’entrer en communication reste inassouvi, étouffé par un obstacle contre nature, et aussi, et surtout, une sorte de respect interrogateur. Car l’homme aime et respecte son semblable tant qu’il n’est pas en état de le juger, et le désir est le résultat d’une connaissance imparfaite.

Thomas Mann, La Mort à Venise

Quando se encontram duas pessoas no acaso dos caminhos da vida, há entre si uma miríade de possibilidades. Não obstante que a maioria das vezes apenas sigam o seu incerto caminho, olhando-se sem se verem, que por vezes balbuciem um quase indecifrável e inaudível bom-dia, acontece por vezes pararem no mesmo lugar. E se no hábito das suas vidas rotineiras repetidamente se encontram, o tímido bom-dia muda de tom, de ritmo, torna-se expectante, mesmo sem consciência do que espera. 

(Não existe nada mais estranho e espinhoso do que as relações entre pessoas que só se conhecem de vista - que diariamente, mesmo hora a hora, se encontram, se observam e que têm assim de manter, sem cumprimentos e sem palavras, a aparência de desconhecimento indiferente, devido ao rigor dos costumes ou a caprichos pessoais. Entre elas existe inquietação e curiosidade exacerbada, a histeria da necessidade insatisfeita, anormalmente recalcada, de conhecimento e comunicação e sobretudo também uma forma de consideração tensa. Pois o ser humano ama e respeita o outro ser humano enquanto não está em posição de o julgar e o desejo é produto de um conhecimento insuficiente.

THOMAS MANN, Morte em Veneza)

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