terça-feira, 5 de março de 2013

Uma Mentira Mil Vezes Repetida



Outro indivíduo mais prolixo em bazófia e auto-estima talvez visse um pouco abaladas as fundações da sua imodéstia, mas, feliz ou infelizmente, o auto-comprazimento nunca foi uma das minhas características mais vincadas. Se alguma vez tivesse estado convencido de alguma coisa, quatro meses no desemprego teriam sido suficientes para destruir qualquer ilusão que ainda acalentasse. Mas os cemitérios, já o sabia, estão cheios de pessoas insubstituíveis (sem as quais o mundo continua a funcionar perfeitamente). Os centro de emprego também.


Manuel Jorge Marmelo, O cumprimento envenenado, no blog Teatro Anatómico.

Penso muitas vezes no título deste livro de Manuel Jorge Marmelo: Uma Mentira Mil Vezes Repetida. Uma Mentira Mil Vezes Repetida. Uma Mentira Mil Vezes Repetida. Uma Mentira Mil Vezes Repetida. Uma Mentira Mil Vezes Repetida. Uma Mentira Mil Vezes Repetida. Uma Mentira Mil Vezes Repetida... De Manuel Jorge Marmelo só li o que escreve no blog. Talvez em tempos tenha lido as suas crónicas, quando era jornalista do Público, e eu o comprava. Depois deixei de ter dinheiro para jornais. Os jornais foram das primeiras coisas em que cortei. Livros foram a seguir. E por causa disso, os poucos que comprei desde que os novos tempos chegaram a Portugal, foram de autores ditos clássicos pelo cânone... Se tivesse dinheiro para livros, os de Manuel Jorge Marmelo - e tantos outros, tantos outros - estariam na primeira linha dos livros a adquirir... Mas estamos a chegar a um tempo incerto, este tempo em que mentiras mil vezes repetidas estão a destruir a sociedade (a europeia, pelo menos) tal como a conhecemos, um tempo obscuro, negro, triste... Um tempo de miséria e fome...  Se, ao menos, desta destruição visse uma sociedade melhor, se... Mas a minha inteligência e o meu pessimismo - não necessariamente por esta ordem - não me permitem acreditar nisso. 

Não li o livro de Manuel Jorge Marmelo, sei apenas que é um romance porque está escrito na capa que é um romance. Mas é por isto que refiro atrás que penso tanto nele: porque vivemos um tempo em que mentiras mil vezes repetidas parecem verdade. Um tempo em que chega a ministro da saúde um indivíduo que passou por um grupo privado de saúde, que nos vem dizer que temos que acabar com o Serviço Nacional de Saúde - que não pudemos dar tudo a todos (i.e., que só podemos dar tudo a todos os que podem pagar: uma completa subversão da função redistribuitiva do estado) - e toda a gente acha isto normal. And so on... - um tempo em que temos um indivíduo, secretário de estado do turismo, julgo, que desconfia do Estado, que é contra o Estado - um tempo, portanto, em que temos no Estado indivíduos que só estão no Estado para destruir o Estado - é o estado em que estamos. Já nem sequer há o pudor de escondê-lo...

Os meus comentários nada têm que ver com o livro, ou o post do Manuel Jorge Marmelo. Ou apenas o título. Portanto, o melhor que têm a fazer é ir lê-lo: no blog, e nos livros.

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