sábado, 16 de março de 2013

Os números de uma Tragédia anunciada.


São surpreendentes os números apresentados por Vítor Gaspar por não surpreenderem. São apenas uma cena de uma tragédia que embora nunca tenhamos visto, já conhecemos de cor e salteado. Intuímos o que se vai passar a seguir e, se somos surpreendidos, somo-lo apenas porque secretamente esperamos ser surpreendidos, e a única surpresa que temos é não sermos surpreendidos de todo. 

Esta tragédia Europeia - não sei quem aguentará cá para contar, muitos vamos ser cortados pela ceifeira-debulhadora financeira - sim é Europeia, e nenhum país na Europa está imune, e possivelmente já não há nenhum que não esteja contaminado - esta tragédia Europeia faz-me lembrar o pequeno romance de Gabriel García Márquez, Crónica de uma Morte Anunciada. Desde o primeiro parágrafo que sabemos que Santiago Nasar morreu, e ainda assim lemos o livro da primeira à última página esperando que Santiago Nasar afinal não tenha morrido; mas não há realismo mágico nem milagre que o salve. Santiago Nasar morreu, a Europa está morta. Para nossa tristeza e tragédia.

"No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5:30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava uma mata de figueiras-bravas, onde caía uma chuva miúda e branda, e por instantes foi feliz no sono, mas ao acordar sentiu-se todo borrado de caca de pássaros. «Sonhava sempre com árvores», disse-me a mãe, Plácida Linero, recordando 27 anos depois os pormenores daquela segunda-feira ingrata. «Na semana anterior tinha sonhado que ia sozinho num avião de papel de estanho que voava sem tropeçar por entre as amendoeiras», disse-me. Tinha uma reputação bastante bem ganha de intérprete certeira dos sonhos alheios, desde que lhos contassem em jejum, mas não descobrira qualquer augúrio aziago nesses dois sonhos do filho, nem nos restantes sonhos com árvores que ele lhe contara nas manhãs que precederam sua morte". 

Gabriel García Márquez, Crónica de uma Morte Anunciada, excerto retirado de um texto encontrado na internet. Se alguém tiver o livro consigo, enviem-me o primeiro parágrafo da tradução portuguesa.

No Chipre já vão aos depósitos... E acabar de uma vez por todas com o Euro, não?

Adenda: Como em qualquer tragédia, há sempre algum idiota que ri, como se duma comédia se tratasse. Até que alguém se levante e lhes dê um soco nas trombas...


No momento em que anunciavam mais cortes, mais sacrifícios, mais desemprego, mais miséria e admitiam pela enésima vez que se tinham enganado nas previsões, Gaspar e Moedas riam-se!
É a este tipo de gente que estamos entregues. À escória da sociedade, que Pedro Passos Coelho foi buscar ao cano de esgoto da sua vida.

Carlos Barbosa de Oliveira, Momento pornográfico, no blog cronicasdorochedo.

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