sábado, 9 de março de 2013

Mouseland - Ratolândia


Mouseland - fábula contada por Clarence Gillis, e popularizada por Tommy Douglas, em 1945 (discurso do vídeo). Já é bem antiga, mas só hoje tomei conhecimentos desta fábula. Estamos sempre a aprender, ainda que no caso não seja nada que não soubesse.


Era uma vez no País dos Ratos... 

Esta é a história de um país chamado Ratolândia. Ratolândia era um lugar onde todos os ratinhos viviam e brincavam, aonde viviam e morriam, e eles viviam da mesma maneira que todos nós. Também tinha um Parlamento. E a cada quatro anos tinham eleições, caminhavam rumo às urnas e votavam. Alguns até apanhavam uma boleia para votar. Na verdade era uma boleia que tinham a cada quatro anos. E em cada dia de eleições todos os ratinhos se habituaram a ir às urnas, e elegiam um governo, um governo formado por gatos pretos, enormes, e gordos. Se pensam que é estranho que ratos elejam um governo de gatos, olhem para a história de Portugal nos últimos 39 anos, e então verão que eles talvez não sejam mais estúpidos que nós, e eu não estou a dizer nada contra os gatos. Eles até eram bons rapazes.

Eles conduziam o governo com dignidade, aprovavam boas leis... leis que eram boas - para os gatos. Mas estas leis que eram boas para os gatos, não eram assim tão boas para os ratos...
Uma das leis dizia que a porta da casa dos ratos tinha que ter um tamanho suficiente para que a pata de um gato lá coubesse. Outra lei dizia que os ratos não podiam caminhar a uma determinada velocidade - para que os gatos conseguissem apanhar o pequeno-almoço sem muito esforço físico.
Todas estas leis eram boas leis - para os gatos. Mas eram leis muito duras para os ratos. E a vida dos ratos era cada vez mais e mais difícil. E quando os ratos já não aguentavam mais, decidiram que alguma coisa tinha que ser feita! Então, foram em massa às urnas. Votaram contra os gatos Pretos! E elegeram - gatos Brancos!

Os gatos brancos... os gatos brancos tinham feito uma campanha genial. Disseram: o que a Ratolândia precisa é de mais visão!
Tinham dito que "os problemas da Ratolândia são as entradas redondas das casas dos ratos. Se vocês nos elegerem fazemos entradas quadradas!" E assim fizeram. E as entradas quadradas ficaram com o dobro do tamanho das entradas redondas, e agora os gatos podiam pôr as duas patas dentro da casa dos ratos, e a vida dos ratos era mais dura que nunca.

Quando não podiam suportar mais, votaram contra os gatos Brancos, e puseram lá de novo os gatos Pretos, para logo regressarem os gatos Brancos, e depois outra vez os gatos Pretos. Até tentaram um governo com metade gato Preto, metade gato Branco - chamaram-lhe "Coligação"! Até tentaram um governo com gatos Malhados - eram gatos que tentavam falar como ratos, mas comiam como gatos.

Como viram, meus amigos, o problema não estava na cor dos gatos. O problema estava no facto de serem gatos! E porque eram gatos, eles naturalmente defendiam os interesses dos gatos, e não os interesses dos ratos.

Finalmente, vindo de longe, chegou um pequeno ratinho que tinha uma ideia. Meus amigos, estejam atentos ao humilde companheiro com uma ideia. Ele disse a todos os outros ratinhos:
- Reparem companheiros, porque continuamos a eleger um governo de gatos? Porque não elegemos um governo de ratos?
- OOHH! - disseram os ratos - És um Bolchevique!
- Chamem os gatos!
E então meteram-no na prisão. Porém, quero recordá-los que podem encarcerar um rato, ou um homem, mas não podem encarcerar uma ideia.

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