sexta-feira, 8 de março de 2013

Dr. João Joaquim Lauttraum, Jr.

Anónimo, Dr. João Joaquim Lauttraum Jr., Zé Ninguém


Um leitor do blog, que assina Dr. João Joaquim Lauttraum, Jr., enviou-me há dias um e-mail que queria partilhar - mas só agora obtive o seu consentimento. Antes, um parêntese, Dr. João Joaquim Lauttraum, Jr., avisou-me o leitor neste segundo e-mail onde me autoriza a publicar o seu e-mail, é obviamente um pseudónimo, quase um heterónimo, pois sinto-me outra pessoa quando lhe visto a pele. Por momentos sinto-me gente. Sinto que tenho o valor que há muito deixei de sentir que tenho. Então aqui fica:

Embora nunca tenha comentado o seu blog, pois não tenho blog, nem me apetece criar uma conta para o efeito, e não quero comentar com a minha conta da google, o meu GMail, há bastante tempo que o sigo. Um dos primeiros post que li quando aqui cheguei foi este: http://thoughloversbelostloveshallnot.blogspot.com/2011/11/o-curriculum-vitae-perfeito.html Não me recordo da forma como aqui vim parar a primeira vez, se calhar até foi ao pesquisar currículos na net. Voltei cá várias vezes para voltar a reler o currículo, que achei realmente perfeito, e muitas vezes pensava, enquanto o relia, que era um currículo perfeito para enviar em resposta a muitíssimos anúncios de emprego que encontro nos sites de emprego e nos jornais. Tanto pensei nisto, que há duas semanas atrás decidi criar uma conta de e-mail apenas para responder a anúncios que não merecem outra resposta que uma candidatura à altura. Transformei as imagens do seu currículo para formato pdf e juntei-lhe a carta de candidatura que refere no mesmo post: http://thoughloversbelostloveshallnot.blogspot.com/2011/11/carta-candidatura-citacao-16.html

Desculpe-me o desabafo, mas aqui vai: estou farto de enviar candidaturas, em resposta a anúncios, ou candidaturas espontâneas, por e-mail, e por carta, e não receber qualquer resposta. Estou farto que me digam que tenho habilitações a mais ou habilitações a menos. Estou farto. Farto de ter sempre um defeito, ou é a idade, ou são as habilitações, ou é a experiência, ou vivo longe, ou, ou, ou... Há sempre qualquer coisa, embora sinta que aquilo que verdadeiramente me falta é uma cunha. Pensei muitas vezes em emigrar, mas nem sequer dinheiro tenho para isso, e pelo que vejo está a ficar cada vez pior por todo o lado. Há dias em que só me apetece desaparecer, ir para bem longe. Há dias em que só me apetece morrer. Por enquanto tenho família, por enquanto não passo fome, mas não tenho qualquer apoio, nenhum subsídio, nenhuma fonte de rendimento, nada. Como é que uma pessoa pode viver assim? Outras vezes penso no futuro. Tenho medo do futuro, não consigo pensar no dia de amanhã. Estão a matar as pessoas. Isto que está a acontecer em Portugal, Grécia, Espanha, e que cada vez mais alastra a outros países da Europa, é assassínio. Não sei quanto tempo mais conseguirei aguentar, sem trabalho, e sem qualquer perspectiva. Continuo a tentar. E quando vejo um desses anúncios criminosos, de pessoas sem escrúpulos, envio-lhes o seu currículo. Nesse momento sinto que tenho valor, que sirvo para alguma coisa, que não sou o Zé Ninguém que na maior parte do tempo me sinto. Por isso quero-lhe agradecer o seu currículo perfeito. Para mim é perfeito para mandar à merda pessoas que não prestam, que se servem das fragilidades dos outros para os explorar. É o triste mundo em que vivemos...

Cumprimentos,

Dr. João Joaquim Lauttraum, Jr.

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