quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Sede de Viver, de John Joseph "J. R." Moehringer, Jr.




Há muitos anos que não compro um livro que me seja completamente desconhecido, pelo título, pela capa, pelo nome do autor, pela sinopse, seja por que motivo for. Os trocos são rigorosamente contados - e há muitos livros em lista de espera. É verdade que comprei Les particules élémentaires, de Michel Houellebecq - mas isso foi para ir lendo qualquer coisa em Francês - e para ver in loco se o barulho que fazem à sua volta tem algum sentido. E como o título da comédia de William Shakespeare, só me apetece dizer: Much ado about nothing. Este - A Sede de Viver - podia inserir-se nessa categoria de livros comprados como quem parte sem destino, à descoberta. Podia - mas não foi comprado. Ganhei-o, a este e a mais três, numa promoção - ou concurso - da Editorial Presença, no facebook. O catálogo actual da Editorial Presença pouco tem que ver com os meus gostos pessoais - e as ofertas destas promoções são sempre muito limitadas. Os outros três são policiais - e os policiais são para mim - no contexto dos livros - como as guloseimas para as crianças: como quantas estiverem à mão até ficar com dor de barriga - ou cáries nos dentes - e depois passam-se meses em que não toco em nenhum. Do que eu gosto mesmo é de bifes de cavalo. 

Sede de Viver - o título original soa-me muito melhor: The Tender Bar - a Memoir - estive a ler por aí que é um livro de memórias que podia ser um romance, ou um livro de memórias que também é um romance, ou um livro de memórias romanceadas. Não sei, ainda não li. Vou começar agora. De entre os que tenho comigo para ler - daqueles que trouxe de Portugal - este foi o único que veio pelo título. Portanto é uma semi-aventura. A sinopse diz assim: «Um belíssimo livro de memórias, que é também um retrato vivo de uma América no rescaldo da guerra do Vietname. A figura nuclear deste romance autobiográfico é um bar em Long Island, onde o jovem J. R. encontrou um sucedâneo da figura do pai ausente. Durante a sua infância e adolescência, o autor testemunha a interacção diária de todo o tipo de homens - soldados, jogadores, polícias, advogados, vagabundos - que falam de tudo, desde basquetebol, história ou livros, até sexo e relacionamentos. E embora as conversas se inflamem com o álcool, é lá que Moehringer aprende sobre a vida e encontra modelos para formar a sua própria masculinidade, assim como um extraordinário sentido de amor e comunidade. É lá que voltará depois, já adulto, para se retemperar das duras batalhas da vida.» (fonte)

Também eu tenho sede de viver - quem não tem? - e vou para os bares e cafés beber um pouco da vida. Se o livro for uma desilusão - ao menos isto: «Onde não há mar, o coração desencadeia/ as suas próprias marés» - Dylan Thomas, em «Light Breaks Where No Sun Shine». E como vocês sabem - não sabem? - o Dylan Thomas é um dos meus dilectos: Though lovers be lost love shall not...

4 comentários :

  1. Eu nos bares e cafés não bebo vida, bebo outras coisas...

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    1. Os bares e cafés são excelentes pontos de encontro...

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