terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Camilo Lourenço - Um Inútil pago para dizer Inutilidades




Um inútil com olho - ou cunha, ou network - para o negócio muito provavelmente acaba por ser pago para dizer inutilidades. Este indivíduo, que não aponta uma única solução para um único problema, limita-se a vomitar lugares-comuns. Provavelmente queria estar no lugar doutro inútil. Mas mesmo entre inúteis a competição é feroz, e não há lugares para todos.

Maria João Branco, professora de História Medieval, na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, lido no Aventar, dá-lhe resposta:

Também talvez alguém lhe devesse contar que, por exemplo, em Oxford consideram Economia o curso menos útil e mais estupidificante de todos. Até Gestão teve grande dificuldade em imperar, embora agora a Said Business School tenha bastante prestígio. O presidente de um dos colégios mais prestigiados era licenciado em Filosofia e foi o chefe do Tesouro da Thatcher durante vinte anos. Quando lhe perguntei como tinha feito para compreender as complexidades da Economias, olhou-me com espanto e disse-me: “- mas isso aprende-se em qualquer estágio de 3 meses, é uma idiotice passar anos a estudar uma coisa tão óbvia”. Os cursos mais valorizados para tudo, especialmente para o civil service, diplomacia o bolsa de mercados são, em primeiro lugar Clássicas e logo a seguir História, pela capacidade de compreender problemas complexos, equacionar dados múltiplos de forma crítica e produzir respostas e soluções inovadoras. Seria de pedir um comentário a este senhor, sobre esta e outras realidades de países com bastante tradição em eficiência e profissionalismo?

Luís M. Jorge, no Declínio e Queda, há muito que lhe tirou o retrato:

Entre as luminárias do regime resplandecem os espíritos sempre airosos dos Camilos Lourenços. Enquanto outros encontram dificuldades, os Camilos revelam-nos em palavras simples os bons princípios da nossa salvação. Há dividas? Paguem-se. Há despesas? Cortem-se. Há défices? Ide buscar o cilício e mortificai-vos. Há desemprego? Emigrem. Há pobres? Trabalhem. Há fome? Comam brioches. Há mulheres que tentam vender os filhos nos subúrbios? Pois que baixem o preço dos mais pequenitos, a quem faltam vantagens competitivas. Há suicídios, mortes por inanição? Eis um modo elegante de reduzir as transferências sociais. Há velhos sem medicamentos? Um sério aviso para os jovens que não aderiram à Médis. Há ordenados muito baixos nas empresas? Extingam-se. Há ordenados muito altos na EDP? São as leis do mercado, nada a fazer.

O mundo dos Camilos obedece a valores testados em séculos de miséria abjecta e desespero universal. Antigamente eram feitores e capatazes, hoje são jornalistas e lideres de opinião. Os Camilos Lourenços dão imenso jeito. Todos os ricos deviam ter um.

Carlos Azevedo, no The Cats Scats, publica um poema de Gonçalo M. Tavares, O Desempregado com filhos; É um retrato fidedigno daquilo a que chegamos. Os Camilos Lourenços deste país dirão simplesmente, sem um estremecimento: esgotou a sua utilidade económica.

Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão que te resta.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a cabeça.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.

O Desempregado com Filhos, de Gonçalo M. Tavares.

4 comentários :

  1. Espero que o fulano seja bem recompesado pelo modo como ofende gratuitamente milhares de pessoas; se assim não for, é mesmo um inútil.

    Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como diz o Luís M. Jorge «O mundo dos Camilos obedece a valores testados em séculos de miséria abjecta e desespero universal. Antigamente eram feitores e capatazes, hoje são jornalistas e lideres de opinião. Os Camilos Lourenços dão imenso jeito. Todos os ricos deviam ter um.» Portanto não é inútil de todo, o inútil. Abraço.

      Eliminar
  2. Além do que já deixei escrito no Google+, acrescento que também no campo dos comentadores económicos, haverá necessidade de separar os úteis( descomprometidos políticamente) dos completamente inúteis que deverão segundo a própria receita de C.L., procurar fazer algo noutra área de actividade.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois, mas são os inúteis que têm quem lhes pague...

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...