sábado, 23 de fevereiro de 2013

Álvaro Santos Pereira, grândolado.

Álvaro Santos Pereira


Álvaro Santos Pereira é o único membro deste governo em quem ainda consigo acreditar e com quem ainda consigo concordar. Primeiro, porque diz lugares-comuns: o que não é necessariamente mau, mas é manifestamente pouco. Limita-se a dizer o óbvio, mas não vai além disso. A um ministro não basta apontar o que foi mal feito - tem que apresentar projectos, soluções, caminhos. Segundo, porque é difícil discordar com alguém que raramente é ouvido a emitir opiniões. O que me leva a perguntar o que é que ainda está a fazer neste governo? Quanto a mim apenas está a prejudicar-se a si mesmo (e à sua imagem). O mesmo que acontecia com Francisco José Viegas - caso ainda pior, em meu entender, por ter sido logo à partida despromovido a Secretário de Estado, naquela ridícula encenação de Pedro Passos Coelho a fingir que também neste governo haveria redução de efectivos (enfim, um governo pequeno em todos os sentido, portanto). Talvez esteja preso por este paradoxo: embora cada dia a mais no governo seja prejudicial para si, demitir-se é admitir a incompetência para a função que aceitou - o que também o prejudica. Francisco José Viegas saiu com uma doença conveniente (não sei se existia mesmo, e espero que esteja tudo bem), Álvaro Santos Pereira podia forçar o mal-estar: impôr-se num governo que desde o primeiro instante o silenciou. Ou era demitido por Pedro Passos Coelho, mas podia salvar a sua imagem se soubesse explorar a situação - ou mostrava o que realmente valia (pois ainda acredito que valha alguma coisa)*. O país está necessitado de alguém que valha alguma coisa - não desses parasitas que se valem do país. 

Entretanto, também foi grândolado - palavra que é forte candidata a palavra do ano.

*Ideal, claro, era ir-se o governo embora. Problemático é não se conhecer ninguém em Portugal com competências para tirar o país do charco em que se encontra; enfim, um povo que nem se sabe governar, nem se deixa governar...

1 comentário :

  1. Percebo-te, embora não concorde inteiramente contigo, no que respeita Álvaro dos Santos Pereira; deve ser boa pessoa e já deve ter perguntado a si mesmo "O que é que eu estou a fazer aqui?".
    Mas se lá continua é porque quer e então será masoquista.

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