quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Portugal, um país corrupto...

Corrupção, Portugal

O comentário do soliplass (ancorasenefelibatas) a este post levou-me a pensar neste pequeno excerto que transcrevo (parece-me a mim que assenta que nem uma luva a Portugal - e a muitos outros lugares no planeta, é certo, mas este é que nos toca):

Apregoais, dizia ele, que somos um povo arruinado e perdido. - Porquê?, perguntava, fazendo uso do sorites ou silogismo de Zenão e de Crisipo, desconhecendo que lhes pertenciam. - Porquê? Por que somos um povo arruinado? - Porque somos corruptos. - E por que razão, caro Senhor, somos corruptos? - Porque somo necessitados; - é a nossa pobreza, e não as nossas vontades, que o consentem. - E por que razão, acrescentava ele, somos necessitados? - Por descurarmos, respondia, os nossos tostões e meios-tostões: - As nossas notas de banco, Senhor, os nossos guinéus, - até os nossos xelins, sabem tomar boa conta de si.

Laurence Sterne, em A Vida e Opiniões de Tristam Shandy (Antígona, 1998, 2.ª edição, Parte Primeira, Volume II, Capítulo XIX, p. 231)

3 comentários :

  1. Aplica-se. Nem me lembrava disso. Li o Shandy há muito tempo, depois disso tem sido como uma cestinha de frutos secos... para debicar. Passo por lá muita vez, mas para ler ao calhas, ou os trechos favoritos. Aquilo que já por si é descontinuado, acabou por ficar na memória como uma manta de retalhos... voltei a passar por lá ontem mas para me deliciar no dissertar sobre narizes...

    Nunca li nenhuma edicão portuguesa, nem sei como isso vem dividido. Aqui, na minha da Penguin Classics a p. 231 vai parar ao livro III ou IV.

    Um abraco.

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    Respostas
    1. Pois, a minha memória está fresca porque é o que ando a ler... Estou a acabar o primeiro volume... Esqueci-me de referir isso ali acima... é do livro II (ou melhor, volume II, na edição portuguesa)

      Abraço.

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    2. É no último capítulo do volume II...

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