quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

As velas ardem até ao fim, de Sándor Márai

As velas ardem até ao fim, Sándor Márai

Sinopse, na badana: Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular...

Comecei agora a ler a Segunda Parte de A Vida e Opiniões de Tristam Shandy, de Laurence Sterne. E de seguida vou ler As velas ardem até ao fim, de Sándor Márai. Quanto a A Vida e Opiniões de Tristam Shandy, é um romance à parte - ou, conforme o diz o narrador - e o repete o tradutor, Manuel Portela, no prefácio: o Livro dos Livros. Ou pelo menos o Romance dos Romances. A nível do prazer proporcionado pela escrita e narrativa - ignoremos para o caso a ou as histórias - apenas encontro outros dois romances que se lhe assemelhem: O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes Saavedra; e Tom Jones, de Henry Fielding. Todos eles relevantes na formação do romance tal como hoje o conhecemos. Enfim, coisas que apenas interessam a um reduzido número de estudantes de Teoria da Literatura, e a alguns aficcionados...

Mas este post é sobre As velas ardem até ao fim. Como diz um amigo meu, é sobre Amizade, é coisa para te interessar. A amizade é uma coisa muito interessante, por vezes interessante demais. Por exemplo, o meu melhor amigo - não estou a adjectivá-lo com o superlativo de bom - não, não é muito bom; nem estou a adjectivá-lo com o comparativo de superioridade sintético de bom - não é melhor que nenhum outro, bem pelo contrário - é apenas um substantivo comum: escrevamos então assim: melhor-amigo, para não haver confusões. É apenas um nome. Melhor amigo é como primeiro amor; podem vir muitos outros depois, e melhores, mas melhor amigo será sempre o melhor amigo, como primeiro amor é o primeiro...Como ia dizendo, o meu melhor-amigo diz que «espero poder voltar a ser o teu melhore [sic] amigo». Por mim a porta estará sempre aberta. Ou melhor, está fechada. Mas para aquele compartimento do meu coração só tu tens a chave. E eu levo à letra os contos dos Irmãos Grimm.

«Um portentoso tratado sobre a Amizade em forma de romance, uma obra-prima» diz Inês Pedrosa. Ou pelo menos assim está escrito na contracapa. Enfim, o que leva dois amigos inseparáveis, mais que irmãos, a separarem-se? É o que irei descobrir - ou não - a seguir...

2 comentários :

  1. Sobre o primeiro: já li, por acaso. Um bbom diálogo de ajuste de contas com o passado entre dois amigos. Com alguma passagens belíssimas.
    O segundo, que comprei gulosamente quando foi editado (finalmente por cá!), pois tivera essa curiosidade desde a faculdade, tive de o deixar a meio, por falta de tempo ,na altura. A recomeçar será desde o início, pois é daqueles para pegar e não largar o fio. Um livro único, original e verdadeiramente extravagante! :D
    bjo

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    Respostas
    1. O segundo tens que recomeçar. É um excelente romance; como dizes, um livro único, original, e verdadeiramente extravagante! Bjs.

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