terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Balanço 2013: Livros, &c. Previsões 2014.



Livros. Ao fim de quatro volumes Tristram Shandy ainda não passou do primeiro dia de vida. Ao fim de setecentas e trinta páginas, de Leopold Bloom só se conhecerá um dia. Após mais de mil dias do XIX Governo (?) Constitucional (?!) de Portugal (!?) os números épicos com que nos presenteia só são ultrapassados pelo épico número de mentiras e cambalhotas dos elementos que o constituem. Li todas as obras de Herbert George Wells - o que têm a menos em qualidade é compensado com o que têm a mais em imaginação, alegoria, e aviso - em pdf's, que são mais baratas - quer dizer, grátis, que não há dinheiro. Li finalmente Fahrenheit 451. A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, Cavalheiro, é agora o melhor romance de sempre, para mim. Tom Jones passou para segundo lugar. Desculpa lá Henry Fielding. Os Idiotas é uma óptima revelação - só conhecia o autor da blogosfera, não tive o prazer de ler a Periférica. Gostei de Mentiras & Diamantes - ainda não houve um livro de J. Rentes de Carvalho de que não tenha gostado - mas no pódio continuam Ernestina, Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia, e Mazagran - recordações e outras fantasias, não necessariamente por esta ordem, mas esta foi a ordem de leitura. As velas ardem até ao fim diz-me muito, muito mesmo. Depois de o ler, não o podendo dar ao meu melhor amigo - com quem provavelmente cortei relações para sempre - dei-o à sua mãe que é como uma segunda mãe. Li mais alguns livros de Rubem Fonseca - ainda me faltam ler bastantes, e ele tem um novo, e eu recomendo todos. De Truman Capote ainda não foi este ano que li a única obra que agora me falta ler, Other Voices, Other Rooms. Pelo meio, naqueles momentos em que a disposição mental para a leitura anda na mó de baixo, policiais, muitos policiais, a maioria de baixíssima qualidade, mas os policiais estão para mim como as guloseimas para as crianças, há sempre espaço para mais um, ainda que a barriga me doa. Reli todos os contos e novelas de Sir Arthur Conan Doyle - sir pela sua participação na guerra dos boers, não pelos méritos literários - em que entra Sherlock Holmes. Reli O Crime do Padre Amaro, agora na primeira edição - diferente da que habitualmente se publica. Vou a meio de The Life of Samuel Johnson, de James Boswell, livro que um amigo me ofereceu para ir lendo - e é o que eu vou fazendo. Em Paris ofereceram-me um dos livros por que ansiava há bastantes anos À l'ami qui ne m'a pas sauvé la vie, de Hervé Guibert. Portugal, a Flor e a Foice continua por publicar em Português. Voltei a não passar das primeiras páginas de David Copperfield - tive o azar de ver uma adaptação cinematográfica e eu detesto estar a ler e saber o que se vai passar a seguir. Não comprei Servidões. As novas edições completas, parciais, amostras, selecções, antologias, já nem sabem que nome lhe dar, de Fernando Pessoa aparecem nas livrarias como cogumelos na épocas deles, com a diferença de que neste caso é época deles todo o ano. Vergonhoso. Três quartos das novas edições - sou tão optimista às vezes - nem sequer chegam a ser gato por lebre, é peixe podre por carne de primeira qualidade. Comprei A Verdade sobre o Caso Harry Quebert, de Joël Dicker, na edição original. Apenas porque é Suíço. Nisto da leitura temos que ter algum critério - e o melhor critério de todos é não ter critério nenhum. Alice Munro ganhou o Prémio Nobel da Literatura - espero que neste momento já não seja novidade para ninguém. Três dos meus escritores preferidos foram reverendos, que é uma espécie de padre, Jonathan Swift, Laurence Sterne, Lewis Carroll.

Previsões 2014. Será pior que 2013, e assim sucessivamente. Tudo o que seja menos que isso, será bom. Mas não há grandes coisas a esperar. Portugal não será campeão do mundo de futebol. O Brazil, talvez. Será melhor para uns poucos, na inversa e exponencial proporção em que será pior, muito pior, para muitos, cada vez mais. Não acabarão as guerras, não acabará a ignorância, os católicos continuarão parvos, mesmo com um Papa que aparentemente vive seis ou sete séculos à frente das suas ovelhas. Angela Merckl não será atingida por nenhuma bala disparada por um grego - ou talvez esteja a ser demasiado pessimista. Os gregos continuarão a morrer à fome. Os portugueses também. A fome não será apenas fome. Também será sede. Sede de justiça - sede de vingança. O Homem acabará por dizimar a sua própria espécie - talvez ainda não seja em 2014 - keep calm, we'll announce the end of the world at any instant. Isto é apenas um sonho - a qualquer momento passa um coelho a correr - a qualquer momento a rainha de copas manda decapitar umas quantas cabeças - a qualquer momento um juiz sem juízo ordena que se cumpra a sentença - a qualquer momento acordamos todos - o pesadelo segue dentro de instantes - acordados - sem dinheiro nem cartões de crédito - assistiremos todos ao espectáculo - sem pagar - mas com «c», se faz favor. Ate já.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Quem matou Nola Kellergan?

Nola Kellergan, Harry Quebert, Joël Dicker, A Verdade sobre o Caso Harry Quebert

Venho aqui solenemente - como convém nestas épocas natalícias, em que o mais comum dos lugares-comuns deve ser dito solenemente - desejo que a paz chegue a todo o mundo - e mais além - que os nossos irmãos extra-terrestres não devem ser menos bélicos - senão mais letais - e lá terão os seus jesuses' Cristo! - informar que um dia destes começo a dizer a toda a gente quem é que matou Nola Kellergan. Para acabar com as insónias dos tristes que não conseguem dormir porque não sabem quem a matou. E para não ter que levar a toda a hora - da madrugada - com a publicidade na televisão - que apenas está ligada para fazer ruído no imenso silêncio chuvoso da noite...

(Sinceramente - parece-vos que a miúda da imagem tem 15 anos?!?)

domingo, 22 de dezembro de 2013

António Lobo Antunes. Amizade. Amor. A Chave. Crónicas.


Quinto Livro de Crónicas, António Lobo Antunes

(...) O Zé [Cardoso Pires] tinha uma relação muito angustiada com a escrita. Uma vez, virou-se para mim, com uns olhos esquisitos: «Os meus livros não são assim tão maus, pois não?» E estava a ser profundamente sincero. E ele, que era um homem duro, parecia um miúdo. 

Tinham uma grande cumplicidade?
Eu compreendo a infidelidade no amor, mas não a compreendo na amizade. E o Zé tinha uma enorme fidelidade na amizade. Com 15 anos comprei o livro O Anjo Ancorado e mostrei-o ao meu pai. E ele: «Um homem chamado Pires não pode ser um bom escritor.» Mais tarde, numa entrevista, falei nisso. Conheci-o no aeroporto e ele disse: «Eu sei que sendo Pires não posso ser bom escritor mas tu és e gosto muito de ti.» E foi assim: instantâneo e absoluto como o amor.

E porque é que entende a infidelidade no amor?
No amor, o ciúme é normal, e até posso aceitar o sentimento de posse. Na amizade, isso não existe, os nossos amigos têm outros amigos, e nós aceitamos isso. Mas talvez não sejam sentimentos tão diferentes... Para mim, a amizade é completamente assexuada, não sou capaz de sexualizar uma amizade, nunca fui, mas no amor às vezes também não. Porque o amor é tanto, que a gente fica sufocada de paixão e nem pensa em sexo, ficamos a olhar apenas, só o privilégio de poder estar a olhar... e existe aquela sensação de que se tocar vou estragar, porque posso fazer ali uma nódoa, um amolgão, qualquer coisa... Ultimamente, acho que é uma honra tão grande estar vivo... E um acaso...

(...) A amizade é como o amor, a gente encontra uma pessoa e fica amigo de infância. E o Zé [Cardoso Pires] faz-me muita falta. Ele dava-me o braço na rua, um homem seco e rugoso, com uma personalidade difícil, dava-me o braço na rua... imagine. Ele tinha gestos de uma infinita generosidade... Sempre que um pedinte o interpelava, ele, sempre com tão pouco dinheiro, parava e andava à procura nos bolsos... e dava.

Escreveu: «Ainda não aprenderam a ler-me. Tentam abrir a porta com a chave que trazem no bolso, pequenina, estreita. E surpreende-me que não vejam que basta empurrar com um dedo.» Não se sente bem lido?
Os bons escritores ensinam-nos a lê-los. As primeiras vezes que li Conrad achava aquilo muito complicado e percebia mal. O problema não era dele, era meu. Que estava a ler aquilo com a minha chave, com os meus valores, com as minhas noções... E não estava a deixá-lo levar-me para onde eu tinha de ser levado... Ontem, estava a ler a história da Literatura Inglesa a partir de Dickens, e os Ingleses são tão diferentes dos Portugueses a falarem de Literatura, tão mais profundos, com uma aparente simplicidade nos termos, na forma como expõem... Nós, Portugueses, parece que arranjámos uma metalinguagem... Quem somos nós para julgar?

Mas já citou Joyce, dizendo que gostava de «dar trabalho aos críticos por 500 anos»...
Fico sempre insatisfeito - até que ponto é possível falar sobre um livro? Posso dizer gostei, mas nós confundimos ideias com paixões: há livros que sei que são bons e de que não gosto. Não gosto do Musil e do Thomas Mann, mas sei que são bons. Há outros que são maus e de que gosto...

É uma questão de charme?
Um livro de que eu goste tem que ter charme e o Musil não tem charme nenhum... Ler um livro bom é uma alegria tão grande. Por isso, eu não entendo a inveja e a rivalidade entre escritores, porque isto não é nenhum desporto de competição. Não faz sentido a inveja na arte.

Excertos de entrevista a António Lobo Antunes, por Ana Margarida de Carvalho (Revista Visão, n.º 1085, 19 a 25 de Dezembro de 2013).

Ainda não encontrei a chave certa nos meus bolsos - e farto-me de empurrar a porta, mas os romances de Lobo Antunes continuam na estante à espera da sua vez. Contudo sempre gostei muito das suas crónicas. Talvez tenha que começar pelo princípio - só tenho romances de Lobo Antunes posteriores a 1996 - Manual dos Inquisidores - foi o primeiro que comprei - e a meio estava tão aborrecido que tive que o arrumar na estante. Voltei a insistir várias vezes, com outros romances posteriores, mas cada vez que insistia me aborrecia mais depressa. Com O Arquipélago da Insónia (2008) desisti de insistir - até porque os bolsos andam quase sempre vazios. Um dia talvez tenha a oportunidade - o tempo e o dinheiro - para regressar a 1979 e começar com Memória de Elefante ou Os Cus de Judas, que tem um título mais interessante... até lá vou lendo crónicas e entrevistas.

Desejo um Feliz Natal (pese embora a quadra não me diga nada de especial...) a todos que por aqui passam - com muita amizade, amor, e um bom livro para ler.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Alexandre O'Neill

Alexandre O'Neill
Alexandre O'Neill, 19/12/1924 - 21/08/1986

Os desacatos em massa nunca mais começam, para eu ir assaltar livrarias e armazéns de editoras (a Relógio D'Água, a Quetzal, e a Assírio & Alvim que se ponham a pau), mesmo com este governo ilegal (os tipos, claro, juraram Eu abaixo- assinado declaro por minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas. - mas que honra? - o outro, o que lhes permite continuarem ilegalmente no cargo também Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa. - mas também a não tem). Portanto, estão todos à vontade...


Portugal

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

*

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ulysses - James Joyce

Ulisses, James Joyce, Ulysses, Relógio D'Água

Depois da miserável tradução de Antônio Houaiss - aquele do dicionário e do aborto ortográfico - como é que este tipo foi presidente da Academia Brasileira de Letras? - até chapéuzinho pôs no nome, o tipo -, da não menos má tradução de João Palma-Ferreira (com hífen e tudo!), de uma tentativa de leitura (frustrada) no original - eis que chega às minhas mãos com grandes expectativas, para não dizer esperanças. É desta! - ou não.

(Um trabalho homérico. E a Relógio D'Água que páre (com isto do acordo já nem sei se leva acento) de publicar livros decentes que um gajo não é de ferro. Qualquer dia entro-lhes de arma em punho pelas instalações adentro - estou só a avisar. Metam-lhes umas capas com um rapaz giro que são capaz de ter mais sucesso junto das miúdas com quem me cruzei na livraria. Sim, cruzei-me com essa gente que compra livros pelos olhos do marmanjo que tem a cabeça da miúda encostada no peito, e pelos títulos de cor berrante escritos num tipo de letra esquisito.)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Citação, 20: O homem que perdeu a pátria

Homeland, Pátria, Bo Bartlett
Homeland, de Bo Bartlett


Já não tenho pátria, acabou-se. Não sei se a venderam ou se fui eu que, por descuido, a perdi. Oiço as palavras que me saem da boca e não reconheço a língua que me é devolvida. Tudo o que um dia me foi familiar tornou-se estranho. Casas, ruas, cidades, o rio da minha aldeia. O Tejo que era maior que o rio da minha aldeia já não está onde estava. Ou então foi o sítio por onde o Tejo passava que desapareceu, deixando as águas do rio suspensas do nada. Olho à minha volta e não vejo a sombra, aquela que me pertenceria. Perdi a sombra. Sou um estrangeiro em casa, na rua, onde quer que vá.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Contos para ler antes de morrer*

Livros, Contos, Short Story, Books

A minha selecção de contos (livros e autores) que todos os amantes de livros e literatura - e deste género em particular - devem ler. No homo literatus - vão lá espreitar.


*Porque depois não dá; a não ser que o paraíso seja - como deveria de ser - uma biblioteca. O pior é que - se for uma biblioteca borgiana - será uma biblioteca de livros inexistentes: o que, por outro lado, está de acordo com a imortalidade - embora, pela mesma lógica - ou outra qualquer - o inferno seja mais apetecível: é onde estarão os livros interessantes...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Feliz Natal e Próspero Ano Novo

Aníbal Cavaco Silva, Maria Cavaco Silva

Este ano venho desejar-vos um Feliz Natal uns dias mais cedo que o habitual, que o Natal é quando um homem quiser e outro deixar, e se o Nicolás, que até tem nome de Pai Natal, pode, porque não havemos de poder nós? Para este Natal seleccionei a bela árvore dupla que podem apreciar acima - sem grandes enfeites, que a árvore já é, por si só, um enfeite. Árvore óptima para enfeitar todas as salas desse povo capado, povo que sente que tem os tomates no sítio, qual membro-fantasma: um povo que elege para o representar as figurinhas de presépio que acima se apresentam merece todas as desgraças que lhe acontecem. Que a boa estrela vos guie, e que os anjinhos vos protejam, e que a vaquinha e o burrinho sejam de novo admitidos, que só têm trabalhinho nesta época, coitadinhos. Que haja muito amor e carinho e quentinho no curral. Que tenham muitos cavacos para queimar na fogueirinha. Que pratiquem a caridadezinha - que há tanto pobrezinho, meu Deus! E para animar, esperai ansiosamente as mensagens de Natal de suas excelências: muita palhinha na manjedoura vos desejarão, e se vos cortam no fardo é apenas porque, preocupados com as vossas gorduras, não gostam que vivam em cima das vossas possibilidades, tão grandes que elas são, podeis cair por causa das vertigens. Cuidado com os romanos.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Américo Rodrigues

Américo Rodrigues, Teatro Municipal da Guarda, Director

Fui demitido do cargo de director artístico do Teatro Municipal da Guarda pelo actual presidente da Câmara Municipal da Guarda, Álvaro Amaro. O pretexto para a demissão, feita por telefone, foi a convocatória que fiz para uma conferência de imprensa onde tencionava esclarecer um processo de contratação artística (que o autarca publicamente colocou em causa com considerações impróprias e ofensivas). Tanto a convocação de conferências como a representação da Culturguarda são tarefas que me estão distribuídas em contrato. Achei também que devia defender a honra dos profissionais do TMG e a imagem da Culturguarda.
Estive no TMG quase nove e ele corresponde a um "sonho" de vários anos. Vou embora com a consciência tranquila de que fiz o melhor que sabia e podia, de forma a que o TMG fosse uma referência nacional.
Obrigado a todos os que colaboraram comigo e com o TMG nestes últimos anos.


No país do beija-mão, do sim-senhor-doutor, dos lambe-botas, da subserviência, dos curva-espinhas, dos tiranos-tiraninhas-tiranetes, neste enorme (mas pequenino), fedorento, mal-cheiroso, e pestilento país-cloaca, nada me surpreende. Enoja-me, porque é enjoativo. Esta gentinha, que nem gentinha é, esta gentalha, era metê-la a toda em fila indiana. Uma bala talvez não bastasse, que a fila seria longa, mas sempre se havia de poupar alguma coisa. De qualquer modo, o país tem o que merece. Infelizmente (repito: infelizmente) é quem se indigna que está a mais.

O início do fim do Teatro Municipal da Guarda; Director do TMG demitido; O Afastamento de Américo Rodrigues; O retrocesso ao caciquismo: Américo Rodrigues demitido do lugar de Director do Teatro Municipal da Guarda; A destruição do OVNI; Cultura, Guarda e Humilhação; (De)Missão TMG; A Guarda. O TMG. O Povo.

Les mains d'or



Letra a escutar - e ler - com atenção:

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

25 anos

Pai, nunca fui à tua campa, a não ser quando, no que me restou da infância, era arrastado pela mão da mãe. Ou quando outro enterro me levava ao cemitério - agora até os enterros evito - como os casamentos - ou os baptizados - sabes que nunca acreditei em nada disso, nem em nada do que significam ou representam. Sabes que nunca acreditei que lá onde estivesses - para mim em lado nenhum, apenas enterrado o que restava de ti e que hoje estará desfeito, comido pelos bichos da terra - nunca acreditei que me pudesses ouvir - ou zelar por mim - ou o raio que os partam que me tentavam enfiar na cabeça. Sabes - saberias, se fosse possível saberes -, no entanto, que nunca te esqueci - que não te esqueci um único dia da minha vida. Que enquanto respirar neste malfadado planeta, viverás - viverá um pouco de ti - dentro de mim. Sabes que choro ainda - ainda que as lágrimas já se me tenham secado há muito - há 25 anos.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Mazagran - Recordações e outras fantasias



Ainda há boas notícias. Parabéns, J. Rentes de Carvalho.

L'amour...

Banksy Heart Balloon in New York
Graffiti de Banksy


"Chérissez l'amour, Marcus. Faites-en votre plus belle conquête, votre seule ambition. Aprés les hommes, il y aura d'autres hommes. Aprés les livres, il y aura d'autres livres. Aprés la glorie, il y aura d'autres gloires. Aprés l'argent, il y a encore de l'argent. Mais aprés l'amour, Marcus, aprés l'amour, il n'y a plus que la sel des larmes." - Harry Quebert

Joël Dicker, in La Vérité sur l'Affaire Harry Quebert, Éditions de Fallois/L'Âge d'Homme, Paris, 2012, p. 511


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Hervé Guibert. João Cerqueira. Eça de Queiroz. Leituras...

Hervé Guibert, À l'ami qui ne m'a pas sauvé pas la vie, João Cerqueira, The Tragedy of Fidel Castro, Eça de Queiroz, O Crime do Padre Amaro

A acabar À l'ami qui ne m'a pas sauvé la vie, de Hervé Guibert, segue-se The Tragedy of Fidel Castro, de João Cerqueira (a edição portuguesa é de 2008, na Saída de Emergência), para depois regressar a O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz, agora na primeira edição (dizia o Eça que era a definitiva...)

Gosto deste caos aparente de títulos, autores, e línguas. Pena não saber holandês. Em estado de negação - foi o Jorge Luis Borges quem disse que o paraíso seria uma espécie de biblioteca? Não faltaria que a quisesse incendiar. Todos adivinharam qual era o romance - ou ninguém quer saber - ou podem ser tantos...?

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

J. Rentes de Carvalho sobre "Os Idiotas" de Rui Ângelo Araújo

Os Idiotas, José Rentes de Carvalho, Rui Ângelo Araújo, Texto Apresentação

Já devia ter escrito aqui a minha impressão - a pintura instantânea daquilo que a leitura de Os Idiotas suscitou no meu pensamento - mas não ando com disposição para nada, como a minha ausência do blog pode comprovar, e tenho um artigo atrasadíssimo para o homo literatus que já vai quase nas 3000 palavras, mas que quanto mais cresce mais parece estar incompleto. Adiante - não me canso de repetir que a leitura de Os Idiotas, de Rui Ângelo Araújo, devia ser de leitura obrigatória - deixo aqui o texto de J. Rentes de Carvalho, aquando da apresentação do livro na livraria Traga-Mundos:

«Um especialista em gerontologia que me conhecesse, e me encontrasse aqui, teria motivo de preocupação. E ouvindo o que vou afirmar, talvez não chamasse logo o 112, mas de certeza abanava a cabeça, pois a repetição é indício seguro da falta de memória e, como sabem, um dos sintomas graves da degenerescência mental, e prenúncio de senilidade.
Contudo, antes de tocar esse melindroso ponto, deixem que me atrase a fazer umas breves considerações a respeito de um assunto que me interessa, e o qual, embora indirectamente, é também a razão deste encontro.

domingo, 3 de novembro de 2013

Vivre Livre ou Mourir*

Thomas Wightman, Escultura Livro
Thomas Wightman
*É isto. O romance não vale o espalhafato que o cerca - não, não é genial, nem sequer muito bom - é apenas uma mescla de géneros, temáticas, e alguns lugares-comuns, medianamente explorados, numa linguagem simples. Lê-se num instante - mesmo sem tradução - mesmo tendo apenas um conhecimento bastante sofrível da língua. Há dinheiro muito mais mal gasto; e penso que dará um bom filme - um bom filme hollywoodesco, entenda-se. Observação para os idiotas: «livre» é trocadilho.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O EuroMilhões Fiscal

Euromilhões, Euromilhões Fiscal, Governo dá prémio a quem pedir factura
O Euromilhões Fiscal: Obviamente a nota é falsa - como o Governo.

Permito-me no entanto comunicar que não irei participar neste circo terceiro-mundista e continuarei olimpicamente a ignorar as facturas que me puserem à frente. No tempo corrente não pedir factura é um activo cívico e até uma forma benigna de desobediência civil.  (Fernando Lopes, Depois do chicote, a cenoura, no blog Diário do Purgatório)

O Governo de Garotos que supostamente governa Portugal encontrou um novo entretenimento - isto se não fosse triste, trágico, e cómico - daria um bom romance. Um daqueles romances que não cabe em nenhuma nomenclatura. Ficção Científica? Realismo Mágico? Literatura Fantástica? Terror? Tragicomédia? Fantasia? Não, isto só podia dar um mau romance, algo do género vampiro-erótico...

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

30:MIN #002 - Prémio Nobel da Literatura 2013: história, curiosidades, Alice Munro

30 MIN, Prémio Nobel da Literatura Curiosidades História Alice Munro

Alguma vez se perguntaram como será a voz deste vosso escriba? Agora podem ouvi-la. Está disponível nos sites Homo Literatus e Literatortura o podcast 30: MIN sobre o Prémio Nobel de Literatura, com a participação de moi-même... Vão escutar (se quiserem)...

domingo, 13 de outubro de 2013

Suíça, Escritores, Livros, Literatura

La Verité sur l'Affair Harry Quebert, Joël Dicker, Les Jeux de l'Amour et de la Mort, de Fred Vargas

Na minha última passagem pela Suíça, viajando entre Neuchâtel e La Chaux-de-Fonds, lia saboreando lentamente cada página de Os Idiotas que levara comigo, quando um simpático Suíço veio sentar-se ao meu lado, perguntado o que lia, que língua era, de que se tratava. Eles, os Suíços, normalmente até nem são muito (ou pouco) expansivos com desconhecidos. Lá lhe expliquei no meu fraco francês (não tão fraco assim, tem momentos, serve-me bem para ler e perceber o que me dizem, mas sempre tive alguma dificuldade, na aprendizagem de línguas, em começar a falá-las com à vontade) quem era o autor, de que tratava a história, qual era a língua em que estava escrito. Deve ser interessante, disse-me. De um assunto para outro, sempre à volta do tema da Literatura, dos livros e escritores, acabámos a falar dos escritores Suíços, que não eram os seus preferidos, gostava mais da literatura inglesa e francesa, mas falando de escritores Suíços era inevitável falar do bestseller do momento, Joël Dicker, e o seu romance La Verité sur l'Affaire Harry Quebert, vencedor de prémios em França, já traduzido em várias línguas, que ainda não tinha lido - nem eu! - mas que seria uma espécie de policial. Fred Vargas, disse-me, estava a viagem quase a terminar. Não é muito conhecida, mas eu gosto muito, disse, é arqueóloga, mas escreve uns policiais que se lêem muito bem, para ler descontraidamente. Vou procurar, prometi-lhe, enquanto nos despedíamos com um aperto de mão. Ao descer rapidamente a rampa da estação para apanhar a ligação para o meu destino, levantou o chapéu de abas para me acenar, com um sorriso, um último gesto de despedida. Provavelmente nunca mais nos voltaremos a ver. Dificilmente algum dia lerá este texto - como o leria, se não entende Português? - , leu apenas José Saramago, em francês, e conhecia Fernando Pessoa vagamente, nada mais - de qualquer modo aqui deixo a fotografia com o primeiro livro publicado por Fred Vargas, Les Jeux de l'Amour et de la Mort, e o bestseller do Suíço Joël Dicker. Em francês, no original.

Du kender deres mistro og had


Paris, Funcionário Cansado, Sentido Proíbido

Når du ta´r afsted
så vend dig ikke om
der´ ingen vej tilbage ,
hvorfra du kom
alle deres remser
dem kan du uden ad
du kender deres mistro og had...

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Zero à Esquerda, de Manuel Jorge Marmelo

Zero à Esquerda, Manuel Jorge Marmelo, Apresentação do Livro
Estão todos convidados para a Apresentação do livro «Zero à Esquerda», de Manuel Jorge Marmelo.


Actualização (14/10/2013): Entrevista ao autor na TKNT.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Alice Munro entrevistada pela NobelPrize.org

Vintage - Outro nome para «Chulice»

A Faca Não Corta o Fogo, Herberto Helder
Servidões, Herberto Helder



A Faca Não Corta o Fogo, de Herberto Helder, foi publicado em 2008, e rapidamente esgotou, o mesmo aconteceu com Servidões, publicado em 2013. A Faca Não Corta o Fogo foi logo depois incluído na obra Ofício Cantante - poesia completa, em 2009. Espera-se que numa próxima edição de Ofício Cantante, Servidões lhe seja acrescentado. Mas esgotou mesmo? Ou foi apenas comprado aos magotes por livreiros sem escrúpulos - mas ainda há quem os tenha? Quantos exemplares destas obras estão guardados em armazéns à espera de ser vendidos por 130€? Estado de Conservação: 5/5. Pois claro, se nem sequer chegaram a passar pelas mãos de ninguém. Saíram da editora (ou da tipografia) encaixotados para as livrarias que os haviam encomendado para pôr à venda... numa altura mais conveniente... Envelhecem depressa os livros... Muito Raro? Raríssimo, meus senhores, raríssimo. Não façam a coisa por menos. Mas não lhe chamem vintage, por favor, digam antes chulice.

Alice Munro: conheçam o Prémio Nobel da Literatura 2013!


«Master of the contemporary short story.»

Ganhou Alice Munro, conforme comentei aqui e aqui - se tivesse apostado poderia ter ganho umas belas coroas - mas não apostei, que não há dinheiro para livros, quanto mais para apostas. Alice Munro é a primeira escritora Canadiana a receber o Prémio Nobel da Literatura, e a 13.ª mulher, em 110 Prémios Nobel da Literatura, e em 112 anos de história. É considerada uma das melhores contistas da actualidade, como vinca a pequeníssima declaração da Academia Sueca. Em Portugal estão publicadas as seguintes obras (todas pela editora Relógio D'Água): Fugas (2007); O Amor de uma Boa Mulher (2008); A Vista de Castle Rock (2009); Demasiada Felicidade (2010); O Progresso do Amor (2011); e Amada Viva (2013).

Notícias sobre o Prémio Nobel da Literatura atribuído a Alice Munro: Nobel Prize Official Web Site; Público; DN; El País; The New York Times; The Guardian; El Mundo; Le Monde; Folha de São Paulo; BBC; Globo.

Assistam em Directo ao Anúncio do Novo Prémio Nobel da Literatura



Anúncio oficial marcado para as 13h00 de Estocolmo (12h00 em Lisboa, 08h00 em Brasília)

12h30 (hora Paris): Faltam 30 minutos para o anúncio oficial do novo Prémio Nobel da Literatura (a esta hora, se a Academia Sueca o/a conseguiu contactar, o/a novo/a laureado/a já tem conhecimento!). Assistam aqui em directo ao anúncio: http://tinyurl.com/prwz7zp

Luiz Ruffato: discurso proferido na abertura da Feira do Livro de Frankfurt.

Luiz Ruffato, Feira do Livro de Frankfurt, Discurso de Aberturta


Leiam na íntegra o discurso de Luiz Ruffato na abertura da Feira do Livro de Frankfurt:

«O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao facto de habitar os limiares do século 21, de escrever em Português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Prémio Nobel da Literatura 2013: porque é que empresas de apostas acertam onde os especialistas em Literatura falham?

Verso da Medalha entre aos vencedores do Prémio Nobel da Literatura.
Verso da Medalha entregue aos vencedores do Prémio Nobel da Literatura.
Prémio Nobel de Literatura 2013: Os favoritos costumam ganhar?

Porque é que as empresas de apostas acertam onde os especialistas em Literatura falham? É uma questão da teoria da probabilidade, um engenhoso trabalho de detective, ou fugas de informação? O jornalista sueco Axel Björklund foi investigar o jogo por detrás deste jogo de apostas. Como imagino que provavelmente a maioria dos meus queridos leitores não percebe Sueco, tive que recorrer aos meus contactos, que eu também pouco percebo. Um interessante artigo, numa tradução livre:

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Svetlana Alexievich e Jon Fosse - fortes candidatos ao Prémio Nobel da Literatura 2013?

Jon Fosse, Candidato ao Prémio Nobel da Literatura, Favorito ao Nobel da Literatura,
Svetlana Alexievich, Svetlana Aleksijevitj, Candidata ao Prémio Nobel da Literatura, Favorita ao Prémio Nobel da Literatura


Nas últimas horas surgiram dois nomes como fortes candidatos a ganhar o Prémio Nobel da Literatura 2013: o Norueguês Jon Fosse, considerado um dos melhores dramaturgos da actualidade, e a jornalista e escritora Biela-Russa Svetlana Alexievich, que se foca em temas como a guerra, os desastres nucleares, e o período pós-soviético. As casas de apostas estão em ebulição, quando faltam apenas dois dias para o anúncio oficial do Prémio Nobel da Literatura 2013.

Avô deserda Filha por ter Discriminado Neto Gay

Letter from a Dad to her Homophobic Daughter, Carta de um Pai para a sua filha homofóbica
Avô deserda Filha que discriminou Neto homossexual. Via FCKH8.
Querida Christine,

Estou desapontado contigo, como filha. Tu estás correcta acerca de "termos uma vergonha na família", mas enganada acerca do que é a vergonha.

Expulsar o Chad da tua casa apenas porque ele te disse que é gay é a verdadeira "abominação" aqui. Um pai renegar os seus filhos é que é "contra-natura".

A única coisa inteligente que te ouvi dizer nisto tudo foi que "tu não criaste o teu filho para ser gay". É claro que não. Ele nasceu assim e não escolheu ser gay da mesma maneira que não escolheu ser canhoto. Tu, por outro lado, escolheste magoar, ser tacanha e retrógrada. Assim, agora que estamos no negócio de renegar os nossos filhos, penso que vou aproveitar o momento para te dizer «Adeus». Agora tenho um neto fabuloso (como dizem os gays) para criar, e não tenho tempo para palavras cruéis de uma filha.

Se encontrares o teu coração, telefona.

Pai.

(Tradução livre)

domingo, 6 de outubro de 2013

Prémio Nobel da Literatura 2013: círculos bem informados de Estocolmo

Nobel Prize in Literature medal, Medalha Prémio Nobel da Literatura
Medalha Prémio Nobel da Literatura
 
Começam amanhã a ser divulgados os Prémio Nobel 2013. Primeiro a Medicina, e lá para terça ou quarta-feira chega a Literatura.

Por falar em literatura. Este ano, a Academia sueca recebeu 195 propostas de todo o mundo. A recepção fechou em Março. Desses 195 nomes, a Academia considerou 48. Este considerar não tem nada a ver com a maior ou menor relevância do autor. A formalização da proposta obedece a critérios que têm de ser respeitados. A 30 de Maio foram escolhidos os cinco nomes da shortlist. Essa shortlist é secreta mas, nos círculos bem informados de Estocolmo, especula-se que possa ser composta pelo israelita Amos Oz, 74 anos; o austríaco Daniel Kehlmann, 38 anos; os americanos Don DeLillo, 76 anos [em Novembro fará 77], e Jonathan Franzen, 54 anos; e o judeu-húngaro Imre Kertész, 83 anos [em Novembro fará 84]. A ver vamos. Por mim, tenho muita pena que o italiano Claudio Magris, 74 anos, não entre nestas contas.

Eduardo Pitta, no blog Da Literatura.

Os círculos bem informados de Estocolmo já não são nada do que eram; então não sabem eles que o judeu-húngaro (que raio de nacionalidade é esta?) Imre Kertész já ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 2002? Ah, e se a tradição se mantiver, o Prémio Nobel da Literatura é anunciado na próxima quinta-feira, dia 10 de Outubro de 2013. Terça-feira será anunciado o Prémio Nobel da Física, e Quarta-Feira será anunciado o Prémio Nobel da Química: estas datas, ao contrário da data do Prémio Nobel da Literatura, não são segredo para ninguém, e são conhecidas oficialmente desde dia 08 de Abril de 2013. Há por aí quem fale do norueguês Jon Fosse, mas se calhar são só apostas especulativas... E... em jeito de curiosidade, a último vencedor do Prémio Nobel da Literatura pela segunda vez... estava morto... Chamava-se Erik Axel Karlfeldt, era Sueco, e recebeu-o (pela segunda vez) em 1931. Tinha-o recusado em 1919 (o nome nem aparece na lista oficial) por ser o secretário permanente da Academia Sueca. Mas a Academia Sueca havia de lho dar à força - deu-lho pouco depois de ter morrido, que assim já não o podia recusar... E... também em jeito de curiosidade, já não se atribui postumamente o Prémio Nobel da Literatura, nem o da Literatura, nem nenhum outro, por decisão do Comité Nobel, em 1974. Exceptua-se esta regra se o laureado morrer entre a data do anúncio e a data da entrega.

Rui Machete: uma mão lava a outra...

Rui Machete, Ministro dos Negócios Estrangeiros

...e ambas lavam a cara: Passos segura Machete, Cavaco elogia Procuradora; António José Seguro exige a demissão, violentamente, com certeza. E no fim vão todos celebrar.

P.S. - Querem ver que um dia destes somos obrigados a pagar para poder pagar aquilo que nos extorquem? Devem querer privatizar as finanças.

Banksy in New York

Banksy, New York, Graffiti

Banksy andará durante um mês a fazer das suas pelas ruas de Nova York, ou melhor, pelas paredes, embora as ruas e outros objectos também possam não ficar indiferentes à sua passagem. A imagem acima já foi vandalizada, mas é duma singela beleza. Nela há a amizade, a traquinice, a cumplicidade, a cooperação, a inocência - e o pé descalço. Nada melhor, ao chegar ao Estados Unidos, que começar por uma imagem que (me) recorda o Tom Sawyer e o Huckleberry Finn.

sábado, 5 de outubro de 2013

Primeiras Edições Fac-Similadas: 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra

Colecção Primeiras Edições Fac-Similadas, 500 Anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra, Público, Livros, Autores

Colecção Primeiras Edições Fac-similadas. À venda com o Público, um pasquim que já foi jornal, mas que, ainda assim, de quando em quando, continua a ter boas iniciativas. São 16 títulos os escolhidos para integrar esta colecção, que fica por 91,20€ (mais o preço do jornal); a colecção pretende celebrar os 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra (a minha alma mater). A colecção começa no próximo dia 8 de Outubro, com a inevitável primeira edição de "Os Lusíadas", 1572, de Luiz Vaz de Camões. Este primeiro livro tem um custo reduzido em relação aos restantes, custando "apenas" 1,95€ (mais o preço do jornal). "Apenas" que nos tempos que correm tudo é caro - e não haver dinheiro, sequer, para uma pequena preciosidade assim, é uma dor d' alma. 

Os restantes título, como curiosidade, para quem esteja interessado, e não tenha outras contas para pagar, custam 5,95€ (mais o preço do jornal), e são: História do Futuro, 1718, do Padre António Vieira; Mau Tempo no Canal, 1944, de Vitorino Nemésio; O Crime do Padre Amaro, 1876, de Eça de Queiroz [dia 29 de Outubro. Não sei como vou fazer, até porque de momento não estou em Portugal, mas tenho que ter este, ai se tenho...], Portugal na Balança da Europa, 1830, de Almeida Garrett; Esteiros, 1941, Soeiro Pereira Gomes; Nome de Guerra, 1938, de José de Almada Negreiros; A Confissão de Lúcio, 1914, de Mário de Sá-Carneiro [Ai ai]; Portugal Pequenino, 1930, de Maria Angelina e Raul Brandão; As Praias de Portugal, 1876, de Ramalho Ortigão; Fado, 1941, de José Régio [*suspiro*]; , 1892, de António Nobre; Contarelos, 1942 de Irene Lisboa (com ilustrações de Ilda Moreira); Grandes Aventuras de um Pequeno Herói, 1946, de Natália Correia; Mensagem, 1934, de Fernando Pessoa [Está visto que tenho que ir mendigar para algum lugar]; Coração, Estômago, e Cabeça, 1862, de Camilo Castelo Branco [Já não tenho nem coração que aguente, nem estômago que suporte, nem cabeça entenda, esta merda de mundo].

Isto não é uma Comunidade...

Isto não é uma Comunidade, Esto no es una comunidad, Europa, União Europeia
Erlich, El País.
E isto não é um Presidente...

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

434035 Pageviews!

Estatísticas Blog, Blogómetro, Pageviews, Audiência

No momento em que começo este post gabarolas, o blog atingiu as 434 035 pageviews! No passado mês de Setembro foram batidos todos os records, tendo chegado às 68 528 pageviews. Este post já parece aquelas notícias a abrir o noticiário da TVI com as audiências, portanto fico por aqui. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Afundação Joana Vasconcelos

Joana Vasconcelos, Helicópetro, Palácio da Ajuda, Portugal, Fundação Joana Vasconcelos
Joana Vasconcelos junto de uma das suas obras d'arte na sua exposição no Palácio da Ajuda.
Foto de Rui Gaudêncio, Público.

Torna-se por vezes complicado distinguir entre a obra de arte e o artista - quem é o quê? Suponho que a obra de arte seja a Joana Vasconcelos - menina, dobre a consoante, que fica muito mais artístico - e o artista, ou os artistas, que uma obra de arte desta complexidade, está-se mesmo a ver, é obra demasiado complexa, perdoem a redundância, para as mãos de um obreiro apenas, estava eu a dizer, os artistas são os catraios do governo, aqueles loucos megalómanos que queriam acabar com fundações e outras despesas inúteis que parasitam o Orçamento de Estado - como a Despesa pública com saúde, e a Despesa pública com educação - inutilidades que outra Fundação faz o favor de nos evidenciar, a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Dezembro frio, calor no estilo...

Quem quer ser Milionário, Manuela Moura Guedes, triste, ridículo, Dezembro frio Calor no Estilo, Dezembro Frio Calor no Estio

Isto é bom demais - ironicamente, no sentido de ser uma tristeza, um ridículo risível -, a Manuela Moura Guedes até apagou o post do facebook, mais uma razão para que seja preservado, para memória futura. A Manuela Moura Guedes pensa que tem muito estilo, ou será apenas dos calores de um Dezembro quente?

Esclarecimento
Ora então, fazer críticas sem a preocupação de saber se, de facto, o conhecimento que se tem é suficiente para o fazer parece-me triste. Há dois provérbio sobre o "Dezembro com frio...", um mais conhecido, ligado ao Estio, outro ligado ao estilo. São, pelo menos, 10 as fontes que sustentam esta afirmação, o que inclui o site da Literatura! Foi escolhido no "Quem quer ser milionário" o provérbio menos conhecido porque a concorrente já estava a responder a uma pergunta de nível 8, mais difícil. Provavelmente seria outro, o do Estio, se estivesse num nível mais baixo. Relativamente ao significado de cada um dos provérbios não é coisa que me preocupe por aí além. Têm origem num conhecimento que não é científico, é meramente popular, fruto da observação do povo e que ao longo dos tempos vai fazendo uma evolução dos seus próprios "dizeres". O que me parece de um ridículo é fazer considerações sobre gaffes e coisas afins partindo do princípio que "Estio" não faz parte do vocabulário de qualquer português com uma formação académica normal. Valha-nos esta erudição!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

E-books vão matar a Literatura?

O herói discreto, Mario Vargas Llosa, Edição Brasil, Alfaguara, ebook, e-book
O herói discreto, de Mario Vargas Llosa
Capa da Alfaguara Brasil

Como sabem, ou talvez não saibam, nunca se sabe, os escritores também cagam, também fodem, também se peidam, e também, imaginem, comem e bebem, e têm contas a pagar. É triste que assim seja, mas é. O herói discreto, de Mario Vargas Llosa, acaba de ser lançado no Brasil, edição da Alfaguara/Objectiva. No próprio dia do lançamento chega-me ao e-mail, sem que eu o tenha pedido, ou procurado, o .pdf integral da obra. Direitos de Autor?

Fundação Francisco Manuel dos Santos: uma vergonha

Fundação Francisco Manuel dos Santos, António Barreto, Manuel António Pina, Consciência Limpa, Despesa pública, educação, saúde


Nas suas actividades, a FFMS procura pautar-se por critérios de mérito e pluralismo e compromete-se a assegurar uma rigorosa independência de vínculos políticos, partidários, religiosos e económicos.

António Barreto, Presidente do Conselho de Administração. 

Fui ao site Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, um site útil para encontrar dados de outras entidades, mas todos reunidos num único local. Eis senão o meu espanto, quando constato [conforme podem ver no site, ou na imagem abaixo, de que fiz print screen] que no canto inferior direito está um contador com dois indicadores, supostamente em tempo real: Despesa pública com educação [Hoje]; e Despesa pública com saúde [Hoje]. É esta a independência de vínculos políticos, partidários, religiosos e económicos da Fundação Francisco Manuel dos Santos?! Não sou idiota, ignorante, naïf, ao ponto de pensar que sim, que a Fundação Francisco Manuel dos Santos, é independente seja do que quer que for. Só não gosto que gozem com a minha cara. O mínimo que se exige é que estejam calados. Hipócritas.

É que se tivessem também a Despesa pública com PPP, Despesa pública com juros da dívida; Despesa pública com fundações; Despesa pública com resgate a bancos; Despesa pública com contratos por ajuste directo a sociedades de advogados de amigos; etc, etc, etc, eu até me calava. Mas assim é demais. Estes tipos não têm mesmo vergonha nenhuma na cara.

E porque não colocarem um contador em tempo real dos impostos que a JERÓNIMO MARTINS não pagou, por ter habilidosamente uma morada fiscal na HOLANDA?!?

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Woody Allen em Portugal?

Woody Allen, Filme em Portugal, Paulo Portas, Filme no Porto, Filme em Lisboa

Uma tragédia, talvez, uma tragicomédia, concedo, mas uma comédia? Ainda há quem pense q'isto tem piada?

(Nas Autárquicas, como sempre, como em todas as eleições, as vitórias são brilhantes, estrondosas, magníficas, o melhor resultado de sempre, um novo paradigma que dá que pensar, um aviso para todos os partidos políticos - há outros? - as derrotas são todas relativas. Excepto as das candidaturas do Luís Filipe Menezes e do Fernando Seara, ambas derrotas pessoais - não terá sido por isso mesmo que o partido as apoiou - para lavar dali as mãos, que andam ocupadas na destruição d'isto...?)

Actualização: ISTO! (via The Cat Scats). Novos Ciclos? Que «Novos Ciclos»?! E ISTO!

domingo, 29 de setembro de 2013

Depois de amanhã acordamos mais perto do inferno

Inferno, Hell, Enfer, Tortura,
Inferno, quadro de um anónimo Português, circa (mais coisa menos coisa) 1520

Depois de amanhã acordamos mais perto do inferno, crónica de José Pacheco Pereira, que a julgar por este título ainda tem uma pontinha de optimismo. Eu, que não tenho pontinha de optimismo, diria que depois de amanhã acordamos num inferno com chamas mais atiçadas, torturas mais violentas, sacrifícios mais sádicos (perdão Monsieur Sade, bem sei que vossa excelência era um anjinho libertário ao pé destes inqualificáveis demónios), mentiras mais escabrosas, roubos mais descarados, vigarice mais saloia, etc, etc, etc, o etecetra repetia-se sempre três vezes, ou apenas uma, mas em Portugal é um disco riscado que gira interminavelmente, o etcetra continua, continua, continua, tortura auditiva, talvez... Mas fiquem com a crónica de José Pacheco Pereira, Depois de amanhã acordamos mais perto do inferno - quer dizer, a esta hora o correcto seria dizer Amanhã acordamos mais perto do inferno...

Amanhã vota-se nas eleições autárquicas. Apesar do enjoo que suscitam no pedantismo nacional e no engraçadismo que substituiu o debate público, foram e são particularmente interessantes. São-no pelo seu significado nacional e local, são-no pela imensa participação cívica, pelo que revelam de tendências mais profundas da vida político-partidária, com a emergência de “independentes” fortes, mas são-no acima de tudo porque mostram um fugaz retorno da política e da democracia ao país da “emergência financeira”. Durante um mês, não fomos “intervencionados”, seja por escapismo irrealista, seja por liberdade, a política soltou-se. Não é por acaso que os partidários do “estado de excepção financeira” as tratam tão mal, como à democracia.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Eleições Autárquicas 2013: as minhas previsões

Eleições Autárquicas 2013, Portugal, Pantâno, Charco,

- Terrorismo inteligente - dizia ela. - Não gosto muito da expressão, não é minha, mas talvez se adeque. No fundo, algo como as novas bombas americanas, mas sem danos colaterais. Pensa bem: se um tipo é comprovadamente corrupto e criminoso, se toda a gente sabe que ele é detestável e prejudicial para o país mas as eleições ou a Justiça não o afastam de cargos de poder, o que nos resta? Esperar que morra de velho e que não deixe descendência? Rezar para que surjam outros menos maus, talvez de geração espontânea? Porque não simplesmente afastá-lo do caminho?

(...)

- Não se trataria de infligir o medo generalizado - contou-me. - Nem sequer haveria reivindicações, seriam iniciativas anónimas, cidadãos que agiam individualmente contra o sistema corrompido em vez de se imolarem em protesto (...). Um conjunto escolhido de obituários pode ser eloquente.

Rui Ângelo Araújo, in Os Idiotas (p. 82)

As minhas previsões? Continuarão a ser eleitos tipos corruptos e criminosos, detestáveis e prejudiciais, sem qualquer cuidado com o bem-comum, sedentos de se servirem em vez de servirem. Os portugueses há muito que se reduziram a vítimas que respeitam os seus carrascos, sequestrados que se identificam com o seu raptor, súbditos sequiosos de beijar a mão aos seus suseranos. 
Pouco importa a cor que dominará o mapa colorido dos municípios ao final do dia, seja rosa-alaranjado, ou laranja-rosado, com pigmentos vermelhos, ou pretos, ou azuis, ou outra cor qualquer, aqui e ali - mesmo que desbotado pela cor neutra de independentes. Baralhar para dar de novo, mas cada vez com menos cartas para distribuir: assim será até que não restem nem os ossos nem o tutano; um cheiro pestilento e nauseabundo continuará a emanar do pântano onde os portugueses se arrastam, felizes por viver.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Maldek e Nibiru, o Planeta X, Anunnakis, Nephilins, e os Sumérios, FEMA e uma catástrofe iminente.




O planeta Nibiru, o planeta das escrituras Sumérias de onde vieram os Anunnakis, está de volta: entrou dia 24 de Setembro no nosso Sistema Solar, onde ficará até dia 11 de Julho de 2014. A FEMA prepara-se para uma catástrofe iminente, as Universidades Gregas fecham as portas, uma explosão solar que provocará uma tempestade geomagnética pior que a de 1859 pode estar prestes a acontecer, uma pequena ilha surge no Oceano Pacífico após um terramoto no Paquistão, um praticante de pesca desportiva diz ter descoberto uma pirâmide submersa entre as ilhas Terceira e de São Miguel, nos Açores.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Volkswagen Kombi. A «Pão de Forma». Viagem por aí, a ver o que dá.

Volkswagen Kombi, Pão de Forma

Há um livro de Altino do Tojal, autor de que pouco ouço falar, mais conhecido pela obra «Os Putos», de que gosto muito. Intitula-se «Viagem a ver o que dá», e, se não aprendi, ao lê-lo, o nome específico de todos os sons emitidos pelos animais, deu-me imenso prazer lê-lo. Mas não é do livro, nem do autor, que quero falar aqui. É da viagem a ver o que dá. Tenho feito bastantes, não sei se a vida toda não é apenas isso mesmo, uma viagem a ver o que dá. Sonhei - sonho ainda? - um dia fazer uma viagem por aí, a ver o que dá, numa icónica Volkswagen Kombi - não, nem sequer sabia que se chamava «Kombi», para mim era apenas a «Pão de Forma». Agora chega-me a notícia que a Volkswagen Kombi vai deixar de ser produzida. Não é que tenha sonhado ter uma Volkswagen Kombi nova, na realidade sonhava ter uma para adaptar às minhas conveniências. Mas a notícia chegou-me como um eco do destino, seja lá isso o que isso for, a dizer-me que talvez seja melhor arrumar os meus sonhos nalguma gaveta do fundo de alguma secretária, ou nalguma caixa, ou arca, de alguma mansão antiga e decrépita que não possuo. Cogito que provavelmente o mundo está cheio de «ladrões» e «incompetentes» empenhados em arruinar os nossos sonhos. (Parece que os bois não gostam de ser chamados pelos nomes. Tenho que perguntar a algum tratador destes bichos se é verdade.) Quando nos resgatam disto, amigo? Olha, acho que a questão não é tanto quando é que nos resgatam disto, mas como é que conseguiremos sobreviver nisto. Lembro-me muitas vezes deste teu texto: 15 de Outubro: o Dia da Decapitação.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

António Ramos Rosa (1924 - 2013)

António Ramos Rosa, Poeta,
António Ramos Rosa
Faro, 17 de Outubro de 1924
Lisboa, 23 de Setembro de 2013

Um caminho marcado pela intensa meditação sobre a necessidade da poesia na vida do Homem, animal sempre condenado às mais ínvias e subtis formas de escravização. A poesia tem, em Ramos Rosa, essa capacidade libertadora e libertária. Neste tempo de sadismo financeiro lê-lo é fundamental.

Depoimento de António Carlos Cortez sobre António Ramos Rosa.



Os amantes imponderáveis são archotes da matéria na sua frondosa verdura

Os amantes imponderáveis são archotes da matéria na sua frondosa verdura
e através da distância perfumada cintilam como as constelações
Como é magnífica a ébria lucidez do esplendor
e como é alta elástica e incandescente essa torre vermelha
que os dois corpos formam numa coluna do universo!
Uma lua desdobra-se num grande leque branco
enquanto o fogo dança sob os arcos nas grutas efervescentes
As pálpebras fecham-se para ver melhor as linhas do cristal
da nudez revelada com os seus veios e anéis de mercúrio e ouro
Despenham-se um no outro como violentas dunas
e na vermelha colmeia da amante o tenso peixe explode
em constelações de pólen ou em arabescos de fogo
A doçura queima a seda porejante dos músculos repousados
e os corpos dilatam-se na tranquilidade de uma grande dália de água.