sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fernando António Nogueira Pessoa, 13/06/1888 - 30/11/1935

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa, 13/06/1888 - 30/11/1935

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza. 


Poema de Alberto Caeiro

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

rascunhos encontrados num caderno abandonado*

Solidão, Vazio


houve um momento. um momento em que ainda podias parar. um segundo em que já é tarde demais. um instante em que podias. depois é tarde demais. houve um momento em que todos poderíamos ter sido. depois morremos. um instante em que tínhamos. depois perdemos. um sonho. adormecemos. acordámos. demos uma volta na cama. um movimento brusco. um salto. um sobressalto. uma dor. um aperto no peito. uma lágrima. onde poderíamos ter ido. houve um momento. um instante em que poderíamos ter sido tudo. depois acordámos. nascemos. e a vida é tudo o que nos resta.

domingo, 25 de novembro de 2012

Yukio Mishima, uma Máscara, 42 anos depois...

Yukio Mishima, young Yukio Mishima
Yukio Mishima, 14/01/1925 - 25/11/1970


Nessa noite, depois de chegar à nossa casa dos arredores, comecei, pela primeira vez na minha vida, a encarar seriamente a hipótese de me suicidar. Mas, pensando bem, esta ideia pareceu-me extremamente enfadonha e acabei por decidir que seria um acto profundamente ridículo. Por disposição natural, tinha sempre relutância em dar-me por vencido. Além do mais, disse para comigo, é inútil ser eu a cometer esse acto decisivo, com tantas maneiras de morrer aqui mesmo, à minha volta: a morte durante um raid aéreo, a morte no meu posto, a morte no serviço militar, a morte no campo de batalha, a morte num desastre de automóvel, a morte por doença. Era indubitável que o meu nome já estava inscrito numa dessas listas; e um condenado à morte não se suicida. Não, qualquer que fosse o ângulo de abordagem, não me parecia que os tempos estivessem para suicídios. Seria melhor que algo me fizesse o favor de acabar comigo. O que, em última análise, é o mesmo que dizer que estava à espera que algo me fizesse o favor de me manter vivo.


Yukio Mishima, in. Confissões de uma Máscara. (Assírio & Alvim, 1995, 3.ª edição, tradução do inglês por António Mega Ferreira).

sábado, 24 de novembro de 2012

Melhores Amigos


Dá-me uma vontade de rir tão grande, quando ouço a palavra «amigo» vinda da boca de certas pessoas, que se por acaso risse, me mijaria a rir. Mas não tem piada nenhuma.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

10 livros em que tenho pensado...

As Vinhas da Ira, John Steinbeck, John Ford
As Vinhas de Ira, filme de John Ford, adptação do romance homónimo de John Steinbeck



Olá André,

Gostava muito de deixar um comentário no teu blog. Mas como não tenho nenhuma daquelas identidades que lá estão (só tenho um blog no sapo), deixo aqui:

É sobre o post do Camus (A Queda) [sic]

Aprecio que escrevas sobre este tema, tragas estas preocupações e apresentes uma lista de livros notáveis. Deixa-me só fazer uma pequeno comentário:
Assumindo que quando dizes "a Europa" te estás a referir ao processo de integração europeia, estranho que a tua lista apresente livros que falam daquilo que levou à sua criação... Ou seja, As Benevolentes ou o Diário de Anne Frank são livros sobre o que aconteceu antes. Aquilo que levou a que a UE fosse não só necessária como possível.
O que é incrível é que ela tenha conseguido impôr-se e tenha sobrevivido. Agora está numa encruzilhada, e já esteve em muitas. Vamos ver como se sairá desta.
Quanto a livros como o Ensaio sobre a Cegueira, ou o Fome, ou A Queda, são sobre a humanidade, em qualquer sítio, em qualquer tempo. Estranho vê-los associados a uma explicação de crise europeia. Porque eles explicariam qualquer outra circunstância em que os homens estivessem com problemas. Ou seja, é verdade que explicam isso. Mas explicam muito mais do que isso. Não mostram porque é que a Europa (parece) estar a falhar. Explicam é porque é que tudo pode falhar.
Por exemplo, podias usá-los para explicar o terrível destino que tiveram os países que ficaram de fora do processo de integração (tanto os que já entraram como os que ainda não entraram).

Obrigado,


domingo, 18 de novembro de 2012

Teste de Masculinidade


Havia nesses tempos um teste de masculinidade muito popular, que consistia em três perguntas: (1) Olhe para as suas unhas (uma rapariga estende os dedos, um rapaz dobra os dedos sobre a palma da mão); (2) Olhe para cima (uma rapariga limita-se a erguer os olhos, um rapaz inclina a cabeça toda para trás); (3) Acenda um fósforo (uma rapariga afasta o fósforo do corpo, um rapaz aproxima - ou talvez fosse o contrário, não me lembro). Mas havia sinais menos esotéricos. Um homem cruza as pernas, fazendo descansar um tornozelo sobre o joelho; um maricas suspende uma perna em cima da outra. Um homem nunca se mostra efusivo, não desata a tagarelar por dá cá aquela palha; ou é silencioso ou então fala bem alto e claro e sem excessos. Eu não sabia dizer palavrões: dizia sempre o g final de fucking e nunca sabia em que sítio da frase devia meter damn ou hell.

Edmund White, in. A Vida Privada de um Rapaz 


Sempre que leio notícias sobre padres e paneleiros recalcados e a sua irritante tendência para meterem o bedelho naquilo que não querem que lhes diga respeito, pergunto-me porque é que não metem a merda do indicador no olho do cu? Para Alan Escada, a homossexualidade é “um mal que deve ser corrigido, devendo as pessoas que têm este pecado optar pela abstinência”. Oh meu querido, mas já alguém te obrigou a foder? Abstém-te se te queres abster, mas principalmente abstém-te de abrires a boca. A quem tanto proclama as virtudes da abstinência, ficava-lhe bem começar por praticá-la. Abstenham-se se se querem Abster. Não se esqueçam é do significado de abster: privar do exercício de uma função ou direito. Fodam se querem foder...

Pintura de Marcus Blättermann (daqui)

10 livros para compreender a encrenca em que estamos metidos...

A Peste, Albert Camus, A Peste de Albert Camus


Desde que dei para mim mesmo o sonho europeu como acabado*, que penso muitas vezes nestes 10 livros, quando em momentos de reflexão (ou apenas introspecção) tento compreender o que se passa afinal? Como foi possível chegarmos a este ponto sem retorno? Sim, a Europa tal como a conhecemos nas últimas décadas está acabada. O paradigma europeu que nos venderam perdeu a validade. Talvez venha a emergir dos escombros desta crise um outro paradigma que responda aos nossos sonhos e inquietações. Se sairmos vivos. Aqueles que saírem vivos. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

In memoriam

16/10/1955 - 14/11/1988


Já era noite. Talvez sete, ou oito, ou mesmo nove horas da noite. Talvez fosse mais tarde. Na memória resta-me apenas o frio, o escuro e o último olhar. Agarrei-lhe o tecido das calças, e abraçei-o pela cintura. Tocou-me na cabeça e disse que não podia ficar. Nunca fui pessoa de insistir. Mas insisti. Uma, duas ou três vezes. Talvez mais. Voltei para junto da minha mãe, e da minha tia. Ele afastou-se alguns passos. Olhou para nós, aquele último olhar que me resta na memória. Ou talvez já nem seja esse último olhar, não sei. Virou-se e caminhou lentamente, subindo a rua empedrada. Uma lágrima queria sair-me dos olhos, mas eu não deixei. Queria que ele ficasse, a minha mãe insistira. Eu também. A minha tia aconselhara-o igualmente a ficar. Ele disse que não, que não podia ficar. Já era noite.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

The Man I Love. Richard Zimler e Alexandre Quintanilha

Richard Zimler, Alexandre Quintanilha, Amor, Amizade, Casamento
© Fotografia Nelson Garrido

Anabela Mota Ribeiro foi entrevistar Richard Zimler e Alexandre Quintanilha. Deste trabalho resultou um fantástico testemunho de duas pessoas que se amam. Das coisas mais fantásticas que li em toda a vida. Uma entrevista que todos aqueles que gostam do ser humano (apesar de tantos apesares), do amor, e da amizade; que todos aqueles que acreditam que este mundo, a sociedade, e a maneira como vivemos em sociedade, podem melhorar; que todos aqueles que apreciam a beleza do ser humano, devem ler. Sem preconceitos. Ou para os combater. Aqui fica o texto completo:


GREVE GERAL

Greve Geral, General Strike, Huelga General, 14 Novembro 2012, European Strike, Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Chipre, Malta

Os Portugueses, por Isabela Figueiredo


«Os portugueses não acreditam na união, na força do grupo e muito menos lhes entra na cabeça que o poder são eles próprios, unidos, e que contra isso nada existe de mais forte num estado democrático. Os portugueses têm medo. Não acreditam na democracia. Desconfiam. Fazem ou não fazem à cautela, não por convicção. Escondem-se atrás dos outros. Enterram a cabeça na areia. Resumindo, isto não é gente, são sombras esperando por outra sombra que passe, para apanharem a boleia e passarem despercebidos.
Dizia ontem Angela Merckel, em visita a Portugal, que os portugueses são um povo orgulhoso. Santa mentira diplomática! Os alemães podem ser orgulhosos, os americanos, os espanhóis... Os portugueses são cobardes! Os portugueses são mesquinhos! Os portugueses mordem nas costas e na cara sorriem! Os portugueses são um subpovo que não merece a terra que os seus antepassados conquistaram! Eu só não tenho vergonha de ser portuguesa porque não sei ser mais nada.» (texto completo)

Este texto da Isabela Figueiredo diz tudo aquilo que eu penso da maioria dos Portugueses. Pode ser que amanhã me surpreendam pela positiva. Pode ser que amanhã acreditem na união, e na força do grupo. Pode ser. Mas, para ser sincero, não acredito.

domingo, 11 de novembro de 2012

Ich Bin Ein Berliner



Comentários? Tudo mau, a começar pelo título, passando pelo guarda-roupas, a acabar naquilo que não é dito. Vídeo realizado por Rodrigo Moita de Deus, e «promovido» por Marcelo Rebelo de Sousa. Não se podia esperar muito mais.

Otários? Parolos? Provincianos? Aceitam-se sugestões...

sábado, 10 de novembro de 2012

Olhar-se ao Espelho

The Picture of Dorian Gray, Oscar Wilde, Dorian Gray
Ilustração baseada n' O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde


Olhar-se ao espelho. Olhar-se ao espelho como metáfora da tomada de consciência de si mesmo. 

Havia prometido a mim mesmo que não voltava aqui a escrever sobre esse povo que não sabe viver entregue a si mesmo, mas que querem - enquanto não me livrar deste fardo - nacionalidade - que carrego no passaporte... 

Os Portugueses não sabem, não querem, não conseguem, olhar-se ao espelho. Por isso preferem matar o artista, ou a obra, a verem-se retratados. Mas só quando nos vemos ao espelho, quando tomamos consciência de nós mesmos, das nossas virtudes e defeitos, das nossas forças e fraquezas, das nossas potencialidades e fragilidades, é que podemos traçar um caminho que nos permita chegar a alguma meta previamente estabelecida. Enquanto tal não acontecer andaremos a correr atrás de miragens, levados por caminhos alheios, transportados por quem quer que nos dê a mão. De mão estendida, nem que quem nos dê a mão seja um carrasco.

Incapazes de nos olharmos ao espelho, aplaudimos quem nos vende o discurso que queremos ouvir, em vez de exigirmos que nos digam a verdade. Frustrados quando a realidade nos cai em cima, ofendidos pelo engodo, protestamos. Não para exigir que seja reposta a verdade, mas para que nos dêem a mentira que nos prometeram.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

«Errar é humano, ser covarde não»*

Casablanca



«Se não ficares aí nunca mais nos voltamos a ver.»**


«If that plane leaves the ground and you're not with him, you'll regret it. Maybe not today. Maybe not tomorrow, but soon and for the rest of your life.»***

A Matemática da Felicidade****


Não há pessoas felizes. Até porque grande parte das pessoas não compreende a matemática. Não sabem o que é uma variável que tende para infinito, ou não concebem um eixo em Rn. Porque para elas o mundo tem apenas três eixos, vá, quatro para os metafísicos. Se as pessoas compreendessem a matemática, saberiam a diferença entre um fenómeno discreto e um fenómeno continuo. Saberiam que uma razão cujo denominador seja zero é indeterminada. E a diferença entre uma condição necessária e uma suficiente. E por isso não existem pessoas felizes. Porque a felicidade não existe enquanto fenómeno contínuo e o vazio das nossas razões também não. Somos felizes em momentos, discretos, ao longo da continuidade da nossa vida. Quando descobrimos que amamos, ou que somos amados. Quando parimos ideias, filhos, sonhos. Sem género. Ou que deixamos de viver no que devia ter sido, esse eixo que teimamos em construir ao lado esquerdo do zero das nossas amarguras.
E é por isso que me fascinam as histórias tristes. Porque são pontos no espaço. Simples pares de coordenadas diluídos nos eixos em que nos desdobramos. E que tentamos apagar nas curvas quase perfeitas daquilo que achamos ter de ser. Só, porque achamos que esses pontos não são função de nada mais que da má sorte. Mas isso, é tão falso como a Matemática ser difícil. E isto sim é uma verdade absoluta.


sábado, 3 de novembro de 2012

Lançamento de Mazagran - recordações e outras fantasias, de J.Rentes de Carvalho




Sobre Francisco José Viegas: «Há pouco mandou um sms a dizer que ia para casa... eu acho que faz bem... não pertencia ali... Quer dizer... Não tinha cara, nem feitio, nem cabeça para secretário de estado...»  

Mazagran - recordações e outras fantasias é o oitavo livro de J. Rentes de Carvalho lançado pela Quetzal em Portugal, e não o sétimo como é dito na notícia, 20 anos após a primeira edição na Holanda. Continua a faltar a reedição, por exemplo, de Montedor e A Sétima Onda, e - entre outros inéditos - o inacreditavelmente inédito em Português, Portugal, a Flor e a Foice. Nem percebo porque é que a Quetzal não o edita logo - nos tempos que correm só podia ser um sucesso, já que o dinheiro mina esta merda toda. Mas (ia escrever incrivelmente, mas não é nada incrível, só quem não conhece a pantanosa sacristia que é Portugal é que pode pensar que é incrível - o inacreditável em forma de advérbio de modo ali atrás é incorrecto, que não é nada inacreditável), mas Portugal, a Flor e a Foice continua por editar, e o silêncio em volta da sua existência é ensurdecedor e confrangedor. E, no entanto (ou portanto) continuam a aparecer génios a cada esquina dessa paróquia a caminho de ser protectorado...

Monstruoso concubinato o de certos escritores portugueses com a Censura, escrevendo com o propósito de serem censurados e assim alcançarem o nadinha de notoriedade que, doutra forma, os seus escritos nunca lhes dariam. A mostrarem depois cicatrizes da alma como quem pendura medalhas num uniforme – para que se veja. E queixando-se da falta de liberdade, esquecidos de que a liberdade não é coisa que se receba doutrem, mas direito que se tem.
Se não fosse a Censura, diziam, escreveriam coisas grandiosas e quando chegasse a liberdade eles iriam tirar das gavetas os manuscritos lá escondidos, as obras primas, os soluços abafados pelo fascismo.
A liberdade chegou com o 25 de Abril, mas as gavetas nada continham. A Censura e o fascismo tinham sido a desculpa fácil, o pretexto visível a cobrir um mal mais profundo que a falta de talento: a demissão perante a realidade política e social do país, o alheamento voluntário em malabarismos de uma intelectualidade duvidosa.
J. Rentes de Carvalho em Portugal, a Flor e a Foice. Vamos lá Quetzal, não custa nada...

Atente-se nas palavras do próprio J. Rentes de Carvalho:

Se me enterneci momentaneamente com a Revolução dos Cravos, nem antes nem depois dela tive grande fé nas possibilidades de verdadeira mudança. Muita leitura de História e algum conhecimento da sociedade em que nasci e me criei, isso acrescentado pela visão que me dava o viver fora dela, já me poria de pé atrás. Depois, o contacto com as figuras da Oposição que andavam por Paris nos anos 60, as suas atitudes e planos, teorias e programas, não eram de molde a que os julgasse capazes de "salvar" o país. Fora isso, uma revolução tendo à cabeça um general fascista, apoiado pela CUF, também prometia pouco. E as cumplicidades levantinas – sim, levantinas – em que se embrulhavam gentes das mais variadas crenças e interesses, levantava em mim a suspeita de que a nova ordem, mais dirigida de fora do país do que nascida nele, não iria mais longe do que o preciso para calar as bocas do mundo e as exigências da Europa.
De modo que, em vez de me deixar levar pelos cantos de sereia, meti-me a escrever um livro – Portugal, a Flor e a Foice - que, apenas editado em Neerlandês em Novembro de 1975, me sairia caro em vários aspectos, ensinando-me que ninguém se deve arriscar a ser profeta na sua terra, como é de pouca conveniência chamar às coisas pelo seu nome ou dizer em voz alta o que ninguém quer ouvir.
No começo dos anos 80 um conhecido editor português pediu-me para ler o manuscrito, e logo de seguida foi franco:
- Editar isto? Nem pensar! Agora não, daqui a trinta anos também não!
Trinta anos passaram e provavelmente continuará inédito, mas que isso não obste. (DAQUI)


SENHORES DA QUETZAL, DAQUI DO MEU BLOG VENHO DIZER-VOS QUE SE NÃO PUBLICAM PORTUGAL, A FLOR E A FOICE URGENTEMENTE - REPITO: UR-GEN-TE-MEN-TE - ENTÃO NÃO PASSAM DE UNS VALENTES COBARDES (REPARE-SE NA FIGURA DE ESTILO), UNS MARIQUINHAS-PÉ-DE-SALSA. E PODEM CRER QUE PERDEM UM CLIENTE, POIS FAREI BOICOTE AOS LIVROS QUE OS SENHORES EDITAREM!

Koninklijke Nederlandse Voetbal Bond



KNVB: GAY? THERE'S NOTHING QUEER ABOUT IT.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Facebook Down...

Facebook Down
Oh não! E agora?

Post-Scriptum (01h04m): para mim já voltou a erguer-se, cerca de meia-hora após ter caído. Na internet continuam a encontrar-se relatos de pessoas sem acesso à maior rede social virtual. Parece que os engenheiros do facebook resolveram fazer uma experiência qualquer, alterando o DNS (Domain Name System) com o objectivo de fazer um teste de optimização do tráfego, tendo vários servidores ficado com problemas de roteamento - sempre a melhorar para ficar cada vez pior este facebook...

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Os Ninguéns - de Eduardo Galeano*

Xadrez, Ninguém, Solidão, Pobreza

As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que nalgum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.

Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.