quarta-feira, 30 de maio de 2012

Silêncio. Os Melhores Amigos. Depressão.

Silêncio, Casa Velha, Casa Abandonada, Vazio



Haverá quem desconfie da veracidade do que lerá aqui, mas se tratará de um ingênuo, um alienado nefelibata, ou um dos incontáveis desavisados que não acreditam que o ser humano é irreparavelmente solitário, do nascimento à morte, convicção que a todo momento fragorosamente se prova insustentável, mas da qual todos parecem necessitar e se recusam a aceitar as irretorquíveis evidências em contrário. (...) a realidade é, sim, muitíssimo mais inacreditável do que qualquer ficção, pois esta requer uma certa arrumação falaciosa, a que a maioria dá o nome de verossimilhança. Mas ocorre precisamente o oposto. Lê-se ficção para fortalecer a noção estúpida de que há sentido, lógica, causa e efeito lineares e outros adereços que integrariam a vida. Lê-se ficção, ou mesmo livros de historiadores ou jornalistas, por insegurança, porque o absurdo da vida é insuportável para a vastidão dos desvalidos que povoa a Terra.

João Ubaldo Ribeiro, no romance Diário do Farol.


Posto estas palavras de João Ubaldo Ribeiro, que servem de aviso, vamos àquilo porque eu vim hoje aqui ao blog:

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Vergonha da Europa - poema de apoio à Grécia, de Günter Grass

Günter Grass
© Fotografia de Mimsy Moller

À beira do caos porque fora da razão dos mercados,
Tu estás longe da terra que te serviu de berço.
O que buscou a Tua alma e encontrou
rejeita-lo Tu agora, vale menos do que sucata.
Nua como o devedor no pelourinho sofre aquela terra
a quem dizer que devias era para Ti tão natural como falar.
À pobreza condenada a terra da sofisticação
e do requinte que adornam os museus: espólio que está à Tua cura.
Os que com a força das armas arrasaram o país de ilhas
abençoado levavam com a farda Hölderlin na mochila.
País a custo tolerado cujos coronéis
toleraste outrora na Tua Aliança.
Terra sem direitos a quem o poder
do dogma aperta o cinto mais e mais.
Trajada de negro, Antígona desafia-te e no país inteiro
o povo cujo hóspede foste veste-se de luto.
Contudo os sósias de Creso foram em procissão entesourar
fora de portas tudo o que tem a luz do ouro.
Bebe duma vez, bebe! grita a claque dos comissários,
mas Sócrates devolve-Te, irado, a taça cheia até à borda.
Os deuses amaldiçoarão em coro quem és e o que tens
se a Tua vontade exige a venda do Olimpo.
Sem a terra cujo espírito Te concebeu, Europa,
murcharás estupidamente.


Tradução de Carlos Leite, via facebook de Luís Galego, autor do blog Sociologia y Cultura.

Entrevista(s) a J. Rentes de Carvalho

José Rentes de Carvalho, J. Rentes de Carvalho

Tenho de lhe fazer uma pergunta que faço a mim e talvez seja a mais difícil. Por que razão só agora está a ser tão lido em Portugal?

A resposta é simples. O meu primeiro romance, «Montedor», foi aclamado de uma maneira «tonta» para aquele tempo. Saramago, que ainda não era uma pessoa com esta categoria, mas era um bom crítico e respeitado, escreveu na Seara Nova uma pequena recensão, talvez de cem palavras, e deu-me uma quantidade de elogios e lançou-me no «meio» de Lisboa. Estava na Holanda e não segui isso.

Depois houve umas tentativas de aproximação dos neo-realistas, mas tudo muito discreto. Eles disseram logo: «Este sujeito não é de cá, nem quer ser de cá…» Não é no sentido da nacionalidade, ou da sensibilidade, mas de não ser de cá, da «capelinha».

O livro foi editado pela antecessora da Caminho, pela Prelo, que era do Partido Comunista, toda a gente sabia, e três anos depois, em 1971, saiu o segundo romance [«O Rebate»]. E então caiu-me a malta em cima… Eu até pus no meu blogue [«Tempo Contado»] aqui há uns tempos. Entre outros, Nelson Matos, que naquela altura era crítico: «...este gajo nem sequer sabe conjugar os verbos… isto não é linguagem… devia ter cabeça». Eu tenho com muito orgulho aquilo no meu blogue.

E depois tive uma sorte do caneco. Tinha um amigo que, por acaso, era editor holandês, director de uma grande editora, e juntávamo-nos a conversar, de vez em quando, num café. Ele bebia muito, eu bebia menos, fumávamos ambos muito e demorávamos horas a conversar. Nesse belo dia eu estava maldisposto com a vida e com a Holanda e dei uma «catanada» nos holandeses. Ele ouviu, pois era um homem educado, cultivado e muito inteligente. No final (demorou mais de uma hora, devo ter perdido a cabeça…) disse: «Porque é que não escreves isso?» [acenou a cabeça negativamente] Eu estava tão arreliado com eles e com a vida… Fomos embora.

No dia seguinte, ou talvez dali a dois dias, recebo uma carta. A carta trazia um cheque muito generoso e tinha um cartãozinho a dizer: «E agora este é o pagamento dos direitos de autor». E foi assim que o livro [«Com os holandeses»] nasceu.

(...)

O Vós também desapareceu da oralidade e da escrita. Não sei se foi por escolha, mas vi que o livro não seguiu o acordo ortográfico.

Ai não! Por amor de Deus! Eu não sou do Acordo… É uma bandalheira, é uma coisa tosca. Tudo aquilo que na língua, na ortografia, era sinal e ajudava… Ai, não sigo, não…

De Mãos Dadas...

Mãos Dadas, Holding Hands


O Beijo

Nos arredores da cidade ninguém notava,
Éramos apenas mais dois rostos anónimos
Correndo de mãos dadas, saltávamos
Por entre os despojos da grande metrópole,
Nome maior que a cidade lhe dávamos
Com ironia, gozávamos e ninguém reparava.

Nos arredores lamacentos da metrópole,

Os segundos, na ampulheta, tombavam
grãos de desespero, juntando horas,
sonhos efémeros, saudosas partidas
E chegadas passageiras - demoras! -
Espíritos sufocados pela mesquinhez,
Dizias, e apertavas a minha mão.
Juntas as nossas esperanças, corríamos
Pelas traseiras das casas, despojos
Ou quintais, muros cercando outros sonhos
Outras esperanças, fantasias e ânsias
Que outros, como nós, nunca largaram.
Dentro das casas os sonhos eram
Esboços apenas, de quadros que haviam
De pintar - se nas suas vidas houvera
Aquele momento que tanto aguardaram
Aquelas veredas escondidas que imaginaram
Se houvera nas suas vidas a primavera,
Aqueles caminhos misteriosos que vão
Terminar em douradas mansões,
longos serões - oh vida! - felizes Verões...
Crescemos. Os nossos sonhos eram - são! -
Vidros em queda. E a esperança um espelho
Que nada reflectia - ou apenas um velho
Sonho quebrado no duro chão da vida -
Largaram-se as nossas mãos. Perdida,
A esperança esvaiu-se entre os dedos,
Ficámos sozinhos, nós e os nossos medos...

Hoje, também nós somos habitantes

Dos arredores dos sonhos, da esperança...
Fechámos o centro dos nossos espíritos
- Comércios que abriram falência -
E fomos viver para casas mais baratas.

Agora, de quando em quando, suspiramos

Observamos o horizonte, questionamos
- Mas não queremos ouvir respostas -
Facas espetadas nos nossos corações -
O que é feito do beijo que não demos?


domingo, 27 de maio de 2012

As Eleições na Grécia

Eleições Gregas, Grécia, Alemanha, Angela Merkel, Carlos Latuff, Cartoon
© Cartoon de Carlos Latuff - daqui.

A coisa, para citar o maior dos nossos filósofos contemporâneos, resume-se ao seguinte: ou os Europeus se livram da Alemanha, ou a Alemanha vai livrar-se dos Europeus. Ou há Europa para todos, ou não há Europa para ninguém. Enquanto a Alemanha quiser que a Europa seja alemã, não vai haver Europa para ninguém. É também chegado o tempo de a Alemanha decidir se quer ser ou não quer ser europeia.

Tabacaria - poema de Álvaro de Campos recitado por Mário Viegas

Poema Tabacaria, de Álvaro de Campos, recitado por Mário Viegas, e encenado na última casa onde Fernando Pessoa morou. A récita e a encenação pertencem ao programa PALAVRAS VIVAS, sobre Fernando Pessoa, emitido pela RTP em 1991.




TABACARIA

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Abraço*

Embrace, Hug, Abraço, Briony Marshall
Escultura de Briony Marshall. Imagem daqui


ainda recordo amor o beijo
que quase te dei. O abraço
com que quase te agarrei o olhar
com que quase nos despedimos
sem nunca dizermos amor a palavra
que quase nos salvou. A palavra
com que nos perdemos ficou presa
no silêncio dos nossos braços
que não tiveram força nem coragem
para se agarrarem. Não sei
amor se foi apenas esta ou outra
a palavra que nos condenou.
Não restou mais que a lembrança
do teu doce respirar, e o som
da palavra com que nos perdemos.
Na verdade não sei amor
se foi a palavra que quase
nos salvou, se foi a palavra
que nos condenou. Sei apenas
que não dissemos a palavra amor
que ficou para sempre presa
nos nossos lábios nos nossos
sonhos nos olhos que se desviaram
que não tiveram força nem coragem
nem para partir nem para ficar.
Não sei sequer se foi amor
a palavra com que nos perdemos.
A palavra que nunca dissemos
amor, agora resta-nos apenas
a recordação, a memória
a lembrança daquele momento
no silêncio das nossas noites.
Resta-nos dizermos amor para nós
o que não dissemos. E esquecermos.


Estou metido num grande 31...

31, Sarilho



segunda-feira, 21 de maio de 2012

we'll always have paris...

Moulin Rouge, Paris, We'll Always Have Paris
© Fotografia de André Benjamim


Nunca podes contar com quem te abandonou, porque quem te abandonou vai sempre voltar a abandonar-te; quem abandona, abandona-se antes de mais a si mesmo. Isto é verdade para o pai, a mãe, o amigo, o amor, a amante. Ser abandonado é das piores experiências porque um ser humano pode passar. Ser abandonado por pai, mãe, irmão, ou irmã, é tirarem-nos o conceito de família; ser abandonado por um amigo, é levarem-nos o conceito de amizade; ser abandonado por uma amante, é deixarem-nos sem o conceito de amor*. De alguém que nos morreu fica-nos sempre a certeza que nos amou; de alguém que nos abandonou, fica-nos sempre a dúvida - provavelmente nunca passou de uma ilusão, porém... há sempre o porém que nos rasga ao meio. Abandonar é um acto incompreensível e desprezível. Uma pessoa abandonada nunca consegue fazer o luto. Entra em negação, sente raiva, raramente começa um processo de negociação, e, quando começa, passa depressa para a fase da depressão - uma pessoa abandonada passa a maior parte do tempo na fase da depressão - mas da depressão volta à negação, não pode passar à aceitação - não pode passar porque sobra sempre aquela réstia de dúvida, aquele porém que nos rasga ao meio... Não podemos aceitar que perdemos quem não sabemos se perdemos, porque perdemos, quando perdemos... Abandonarem-nos é morrerem-nos sem contudo estarem mortos. E com isto somos nós que morremos...

sábado, 19 de maio de 2012

Machu Picchu

Machu Picchu

Já visitei Londres e Paris; já estive em Neuchâtel. Só me falta ir a Machu Picchu. O resto do mundo que me perdoe, mas não me interessa. Bom, talvez New York e Los Angeles. Agora, vou-me a Paris, a ver se compro uma daquelas boinas parisienses.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Como é que se esquece alguém que se ama?

Book, Livro, Memória, Esquecimento

Num dos meus passeios pelos blogs li uma frase (era num blog em inglês, mas já não sei qual) que me ficou a latejar junto ao lugar onde se ama: tentar esquecer alguém que se ama é como tentar recordar alguém que nunca se conheceu. Tento não pensar muito nisto. Tento nem lembrar nem esquecer. Deixar a memória num limbo entre a lúcida recordação e o negro esquecimento. Entretanto lembrei-me deste texto do Miguel Esteves Cardoso. (Gostava de acreditar que é possível esquecer alguém que se ama. Gostava de acreditar que o verbo amar se pode conjugar noutro tempo que não o presente, mesmo quando é já passado, mesmo quando nunca será futuro...)

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

terça-feira, 15 de maio de 2012

O Mendigo e Outros Contos, de Fernando Pessoa

O Mendigo e Outros Contos, Fernando Pessoa, Assírio & Alvim


Estão reunidos neste volume alguns contos de Fernando Pessoa, uma parte apenas da vasta prosa ficcional que o autor nos deixou. Contos filosóficos, ou intelectuais como Pessoa chegou a chamar-lhes, contos paradoxais quando as situações que apresentam contrariam o senso comum, contos em jeito de fábula, com uma moralidade final e ainda outros. Todos eles parte integrante do universo pessoano. Há diálogos filosóficos com enigmáticos mestres que assumem diferentes rostos de conto para conto — o mendigo, o eremita, o bêbado – transmitindo as suas máximas a quem os encontra no caminho. Um caminho iniciático até uma diferente dimensão, percorrido pelo peregrino do conto com o mesmo nome, que segue a estrada até ao fim impelido pelas palavras de um homem de preto. Outro tipo de diálogo é aquele que se desenvolve entre o marinheiro e quem o encontra, de madrugada, no Cais das Colunas, local de onde se avista uma outra margem. Estas narrativas, até aqui inéditas ou pouco conhecidas, irão surpreender os leitores de Fernando Pessoa. (Informação do blog da Assírio & Alvim - podem comprar directamente à livraria da editora).

Gosto tanto dos livros da Assírio & Alvim. E a obra de Fernado Pessoa fica tão bem com esta editora! Mais um livro para a minha wishlist. Pena que ao comprar livros para serem entregues na Suiça, os portes me saiam mais caros que os livros...

domingo, 13 de maio de 2012

Trabalhar...

Quino, Mafalda, Miguelito, Trabalhar

...Felizmente esta semana só têm três dias de trabalho. Depois vou para Paris...

A Crise Explicada às Crianças

A Crise Explicada às Crianças, João Miguel Tavares, Nuno Saraiva, Vítor Gaspar

A editora anuncia com gosto: este é o livro que o Ministro das Finanças gostaria de ter lido às suas crianças antes de dormirem. E vai daí o Ministro vai mesmo apresentar aos adultos este livro infantil, escrito por João Miguel Tavares e desenhado por Nuno Saraiva, já no próximo sábado.

A história, diz-nos a editora, é simples: há um urso guloso (o défice), uma abelhas trabalhadoras mas zangadas (os mercados financeiros) e um pote de mel. E, com este pote de mel na mão, o autor conta uma história para as crianças de direita e outra para as crianças de esquerda (reconhecendo que lhe custou esta personificação; sabendo quem é Tavares, imagino como é sincero neste sofrimento). Deixemos de lado esta coisa estranha das "crianças de esquerda" e de "direita", porque ela é um pouco assustadora sobre a forma como o autor concebe a educação de crianças.

Francisco Louça - texto completo aqui.


─ Fui despedido querida! Era a oportunidade de que estava à espera! Lembras-te daquela empresa exportadora que sempre quis montar? Pois começo hoje mesmo, depois do jantar.
─ Parabéns! - exclamou a Mãe - Sei como isto era importante para ti. Vou fazer gambas!
─ Sim querida! É uma oportunidade. E sabes, não aceitei ser formalmente despedido, porque assim o Estado ia dar-me subsídio de desemprego e agravar o deficit. Assim que o chefe me disse que ia ser despedido, despedi-me eu!

(...)

O pai de Tomé assentou-lhe um estalo com muita força no ouvido. Ele caiu para o lado e ficou atordoado. O pai foi buscar cervejas ao frigorífico e voltou para o pé de Tomé.
- Pequeno camarada, esse estalo, não fui eu que te dei. Foram os mercados, entendes? - disse o pai.
- Sim pai.
- Os mercados é que me obrigam a beber para suportar o terrível trabalho de que sou vítima. Entendes?
- Os mercados são maus, pai.


sábado, 12 de maio de 2012

Paris, Paris...

Paris, Paris Skyline, Paris at Night

Faltam poucos dias para me encontrar a caminho de Paris. Paris que foi desde que me lembro uma das cidades dos meus sonhos. Paris, Paris... Todos, sem exceção dos oligofrênicos e de outra forma incapacitados, têm potencial para ser felizes. Mas normas e valores arbitrários e absurdos acabam tomando por inteiro sua mente, como uma erva-de-passarinho abafa e mata a árvore que infesta, e ele não pode ser feliz, não se pode ser feliz violentando a si mesmo, como se impõe a todos. - João Ubaldo Ribeiro, no livro Diário do Farol.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A distância que nos une...

Fernando Pessoa, A Brazileira do Chiado
© Desenho de Tiago Leal - link
Bebe whiskey, pequeno;
Bebe whiskey!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão whiskey.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a destilaria.
Bebe, pequeno sujo, bebe!
Pudesse eu beber whiskey com a mesma verdade com que bebes!


A distância entre pessoas não se mede em kilómetros, nem sequer em palavras. Ou em palavras que entre nós perderam o significado que outrora tinham. Ou - se fosse possível contá-las - em palavras que deixámos por dizer. A distância entre pessoas mede-se em silêncio - silêncio que talvez seja feito da mesma matéria daquele silêncio com que silenciosamente nos procurávamos, olhávamos, tocávamos, afagávamos - sabe-se lá de que matéria é feito o silêncio! Outrora habitantes do mesmo sonho, vivemos hoje separados na mesma casa. Ou na mesma rua. Que importa, se tão perto estamos tão distantes como se habitantes de diferentes planetas fôssemos? Nós que antigamente até em sonhos nos visitávamos... Ontem sonhei contigo!, dizias.

9 de Maio: Dia da Europa

Europa, Manel Fontdevila, Dia da Europa

Dia 9 de Maio: dizem que hoje é Dia da Europa. No entanto, as celebrações deste dia são da União Europeia.

terça-feira, 8 de maio de 2012

As pessoas felizes são-no; as infelizes justificam-se...

Amor, Morte, Esqueletos


O Mundo é a Casa do Amor e da Morte. Penso muitas vezes no título deste livro de contos que nunca li, mas que guardo com carinho na minha estante. Foi-me oferecido no dia do meu 19.º aniversário. Além da amizade das pessoas que mo ofereceram, a principal razão para mo terem oferecido desconfio que seja o título. Amor e Morte andam de mãos dadas pela vida fora, numa dança sem fim, em que ora conduz um, ora conduz o outro. 

Um dia destes, enquanto andava pelas ruas duma cidade no carro de um amigo, houve uma frase que explodiu no meu cérebro com o estrondo de um trovão: «as pessoas felizes são-no; as infelizes justificam-se». Havia de lhe ter perguntado «porque te justificas tanto?» Mas entre nós só já há silêncio, e eu ri-me interiormente, como quem pensa «fodeste tudo, não foi? é benfeita!» 

Quantos livros existem com as palavras Amor e Morte no título? Assim de repente, sou capaz de pensar numa dezena deles. De autores consagrados e de autores desconhecidos. De poesia e de prosa. De literatura e de ciência...

sábado, 5 de maio de 2012

Birth of a Book



Como nasce um livro? Neste pequeno vídeo mostra-se como se faz um livro, usando os métodos tradicionais de impressão.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O Estudante de Coimbra, de Guilherme Centazzi

O Estudante de Coimbra de Guilherme Centazzi, O primeiro romance moderno português

O Estudante de Coimbra, de Guilherme Centazzi. Podem começar a reescrever os volumosos tomos da História da Literatura Portuguesa. Comecei há pouco a ler o original (em pdf), publicado em 1840, e promete. Tal não dispensa a compra do exemplar que se mostra acima - mais que não seja, para agradecer ao Pedro Almeida Vieira, e à editora Planeta, o resgate desta obra do limbo do esquecimento para que foi atirada, sabe-se lá por quem e porquê; quem sabe - estou a imaginar - ironicamente, talvez por académicos de Coimbra. Alexandre Herculano e Almeida Garrett talvez estejam a dar voltas nos túmulos. Eu, pelas primeiras páginas que li, prefiro Guilherme Centazzi.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Maria de Jesus Barreiros

Maria de Jesus Barreiros, com 99 anos e 4 meses


Nasceu a 01 de Maio de 1912, e é a última sobrevivente de 11 irmãos - contando apenas aqueles que passaram os primeiros meses, ou nem isso, de vida. Celebra hoje o 100º Aniversário. Infelizmente não posso estar por perto, para lhe dar os Parabéns. Também sei que não lerá este post. É a minha tia-avó Maria de Jesus Barreiros, irmã do meu avô paterno.