sábado, 28 de abril de 2012

Lançamento de O Rebate, de J. Rentes de Carvalho

O Rebate, José Rentes de Carvalho

Hoje, às 19h, no espaço do Grupo Porto Editora, na Feira do Livro de Lisboa, o cineasta António-Pedro Vasconcelos apresenta O Rebate, de J. Rentes de Carvalho, que também estará presente na sessão. Aproveitem a oportunidade, se puderem aproveitar. (via Quetzal)


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Adeus. Já gastámos as palavras. Poema de Eugénio de Andrade

Adeus Amor Gastámos as Palavras Bairro Alto 1969 Eduardo Gageiro
© Fotografia de Eduardo Gageiro


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Um poema porque me apetece. Este poema de Eugénio de Andrade. Porque às vezes o silêncio é tudo o que nos resta para dizer.


© Fotografia de Eduardo Gageiro 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Os Donos de Portugal


Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.

terça-feira, 24 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia Mundial do Livro

Diário do Farol, João Ubaldo Ribeiro


Toquei pela primeira vez em livros num dia em que me esgueirei para um velho cubículo da casa dos meus avós maternos que servia de despensa, casa das batatas, adega, e o que fosse preciso. Devia ter uns cinco anos, ou talvez já tivesse feito seis, sei que ainda não andava na escola. Nascido numa aldeia perdida no interior de Portugal, até à entrada para a escola nenhum contacto havia com essa outra realidade que em breve me iriam impôr. Talvez minta, que um dia a minha mãe havia-me comprado um caderno, um lápis, e uma caneta, na pequena mercearia local. Nessa altura ainda utilizava a mão esquerda para pegar nos lápis e nas canetas. Serviram para eu fazer desenhos daquilo que eu chamava plantas de casas. Modéstia à parte, foram os melhores desenhos que fiz em toda a minha vida. Porque, embora seja ambidestro, a minha tendência para usar a mão esquerda foi logo contrariada no primeiro dia de aulas. Mentira: também o era antes; em casa da minha avó tinha que comer a sopa com a direita, que comer com a esquerda era coisa do Demo. 

domingo, 22 de abril de 2012

acidente poético fatal (III)

Américo Rodrigues, acidente poético fatal, poesia, apresentação de livro

É amanhã, dia 23 de Abril de 2012, apresentado na FNAC Viseu, pelas 21h00, a mais recente obra de Américo Rodrigues, acidente poético fatal. A apresentação está a cargo do poeta Daniel Rocha, que também é professor, educador, formador... Américo Rodrigues, o autor, é encenador, actor, director (não necessariamente por esta ordem, penso, e com tantas outras funções pelo meio) do Teatro Municipal da Guarda. Uma vez que o autor também faz anos amanhã, aproveitem a oportunidade para lhe dar os parabéns também pelo aniversário.

Sobre esta obra escrevi aqui, aqui, e aqui. Podem também ler estes três poemas (dos cinquenta reunidos em acidente poético fatal): os rapazes; abraço; casas.

sábado, 21 de abril de 2012

Os 900 livros proibidos pelo Estado Novo entre 1933 e 1974

Estante Livros, Bookcase, Bookshelf


Foram 900 os livros proibidos pelo Estado Novo, entre 1933 (data em que foi publicado o Decreto n.º 22469 de 11 de Abril de 1933, que vem instituir a censura prévia também aos livros). Esta lista foi elaborada por José Brandão. A lista diz bem da idiotice de certas cabeças. E é também um aviso - um entre tantos! - para todos aqueles mentecaptos que suspiram por António de Oliveira Salazar. (via Cibertúlia)

Quem Quer Ser Explorado?

quarta-feira, 18 de abril de 2012

CATASTROIKA






Dia 26 de Abril de 2012, às 20:00, em directo na internet: Catastroika.

"Isto não é uma crise. Isto é uma remodelação do mundo, empreendida pelos poderosos para que os fracos percam o pouco que conseguiram ao longo de décadas de luta. Isto é uma asiatização e uma terceiromundização (palavras novas para tempos novos) da Europa, da mais indefesa, é o surgimento de coisas que nem sequer somos capazes de imaginar".

Maruja Torres no El País (in Teatro Anatómico, via The Cat Scats)

terça-feira, 17 de abril de 2012

o contrário


O contrário do amor - pensava - era o ódio; e o contrário da amizade - cogitava - era a inimizade. O tempo mostrou-lhe o quanto estava enganado: o contrário do amor é a indiferença, e o contrário da amizade é a estranheza...

- Já não te odeio, és-me indiferente; é-me indiferente a tua vida ou o que faças com ela. - disse-lhe. Não passas de um estranho que um dia conheci. - concluiu. 

Pensa duas vezes antes de odiar...





...Bem, em certos casos é complicado! Um só neurónio não chega... 

(Dei comigo a pensar que o José António Saraiva e o João César das Neves faziam um belíssimo casal, ou um belo casalinho - e, para seguir a linha de raciocínio destes dois, só não consigo decidir-me qual deles havia de ir com vestido de noiva...)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O Rebate, de José Rentes de Carvalho

Laurentiustranen, O Rebate, José Rentes de Carvalho, Capa Edição Holandesa

O Rebate, romance de José Rentes de Carvalho, foi publicado em 1971 pela Prelo Editora. Tal como muitas outras obras do escritor, permaneceu no limbo do desconhecimento e esquecimento, entre os Portugueses, até que a Quetzal decidiu - em boa hora - reeditar toda a obra do autor. É desta forma que chega amanhã - dia 13 de Abril de 2012 - às livrarias, mais de 40 anos depois da primeira edição, nova edição de O Rebate.

A imagem que se vê acima é a da capa da edição holandesa de 1990, com um título diferente da edição portuguesa: «As lágrimas de São Lourenço». Quem conhecer a obra do autor não estranhará este título. Para quem não conhecer, aqui fica mais um motivo para ir descobri-la. 

Não sei como é que o Carlos Azevedo descobriu que este livro está escrito em neerlandês, mas sim, está. É este mesmo, o que vêm na imagem.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

não somos de uma terra enquanto não tivermos lá ninguém enterrado...

Neuchâtel


Neuchâtel - em memória do João.

Cheguei a Neuchâtel com muitos anos de atraso, eu sei. Acredito que se não tivesses morrido, teria chegado antes. E acredito que se estivesses vivo me perdoarias. Quase nunca falo de ti a ninguém*, embora andes tanta vez no meu pensamento - e tantas vezes, nas horas do mais profundo e absurdo abismo da alma, tu sejas a força que me salva - quase nunca digo o teu nome, quase nunca digo o verdadeiro porquê da minha paixão por esta cidade. A minha paixão por esta cidade és tu - ou a tua memória. Passei por Neuchâtel no dia 11 de Março passado, estive em Neuchâtel, mas apenas no La Maladière, no dia 14 de Março, e cheguei verdadeiramente a Neuchâtel no dia 7 de Abril de 2012. Não sei se algum dia chegarei definitivamente, para ficar. Em breve terão passado 13 anos sobre a data prometida.

Neuchâtel era o Xamax, a tua equipa, a equipa que um russo qualquer levou à ruína, Neuchâtel era o Suchard Express, fabricado em Neuchâtel pela Chocolat Suchard - olha, só agora reparei que o ano em que a fábrica foi fechada em Neuchâtel, foi o ano em que tu morreste... em Neuchâtel. Neuchâtel era a tua camisola de futebol e o teu boné, Neuchâtel eram os postais com o Castelo... Neuchâtel era - sim, o resto fica apenas para nós. 

Éramos apenas crianças, eu sei, mas nunca mais houve ninguém na vida a quem quisesse tanto, a quem confiasse tanto, a quem prometesse tanto. E o plano, o plano definitivo, o nosso único plano, o nosso único objectivo era este: Neuchâtel. (Nunca ninguém nos entendeu, nem aos nossos devaneios, porque nós falávamos outra língua, uma língua só nossa.) Não viveste para saber da ironia, a grande ironia da vida, a ironia que sempre chega e nos trespassa o peito: a única pessoa que esteve perto de ser para mim aquilo que tu eras, meu irmão - não de sangue, mas de alma -, perdi-a quando foi viver para Neuchâtel.

Neuchâtel é afinal a cidade que eu devia odiar por me ter tirado tantas pessoas que me foram tão importantes. Mas não consigo não gostar de Neuchâtel, porque Neuchâtel não é apenas uma cidade - se calhar uma cidade como tantas outras no mundo - Neuchâtel és tu! E um dia terei que ir ao teu encontro. E terei que espalhar um punhado de areia sobre a tua campa... Tu sabes... Tínhamos estas superstições em que não acreditávamos...


*Até hoje tu sabes? só tinha falado de ti uma vez, a uma pessoa... Sim, e tinha dito o teu nome aqui.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Carta de Suicídio de Dimitri Christoulas

Dimitri Christoulas, Suicide Letter, Carta de Suicídio

O governo de Tsolakoglou* aniquilou todas as minhas possibilidades de sobrevivência, que se baseavam numa pensão bastante digna que eu tinha pago por minha conta, sem nenhuma ajuda do estado, durante 35 anos. 

Como a minha idade avançada não me permite reagir doutra forma (ainda que, se um compatriota grego pegasse numa kalashnikov, eu o apoiasse), não vejo outra solução além de pôr termo à vida desta maneira digna, para não ter que acabar à procura de alimentos nos contentores do lixo para sobreviver. 

Acredito que os jovens sem futuro pegarão um dia nas armas e irão pendurar de cabeça para baixo os traidores deste país na praça Syntagma como os italianos fizeram com Mussolini em 1945.

(Tradução livre a partir de uma tradução em espanhol. Notícia Expresso, El País, El Mundo).

Não, não é só na Grécia...

terça-feira, 3 de abril de 2012

Canon EOS 5D Mark III

Canon EOS 5D Mark III

O meu sonho teve um upgrade, e chama-se agora Canon EOS 5D Mark III. Foi apresentada dia 2 de Março de 2012. Digam lá se não é bonita? Pois uma menina destas, não sei como, há-de ser minha!, já que não cheguei a conseguir comprar a, agora, sua irmã mais velha. Dê por onde der, hei-de conduzir este ferrari!


Leiam a descrição e características:

domingo, 1 de abril de 2012

Sou oficialmente velho... perdão, sou oficialmente tio!

Baby, Bebé, Recém-Nascido
Emma Gandra


A partir das 23h25m do dia 31/03/2012, passei a ser o orgulhoso tio de uma bela menina com 2.830kg, e 46cm de gente.

 

Livros...

Livros, Books


Um Livro é uma publicação não-periódica, que reúne folhas impressas, organizadas em cadernos agrafados ou cosidos, ou coladas formando um bloco, ligadas a uma capa flexível ou rígida, podendo também apresentar-se em folhas ou cadernos soltos dentro de envelope, caixa, ou estojo. Distingue-se do folheto por apresentar maior número de páginas. Segundo as normas da UNESCO, considera-se livro a publicação com mais de 48 páginas. 

Para uma boa conservação do papel, do ponto de vista químico e físico, aconselha-se que os livros sejam mantidos num ambiente com temperatura entre 18ºC e 22ºC, e com uma humidade relativa entre 50% e 60%. 

Não se deve fumar ao pé dos livros; o fumo entra em reacção com o papel, acelerando o processo de envelhecimento.

(Tenho muitas saudades dos meus livros, abandonados lá longe, em Portugal. A propósito, lembrei-me disto: Livros #1, Livros #2, Livros #3, Livros #4)

memórias pequenas #5

Azevinho, Azivinho, Dia Mundial da Árvore


Era o Dia Mundial da Árvore e para o celebrar fomos para os terrenos da escola plantar uma. Abrimos uma cova, colocámos cuidadosamente a pequena plantinha no buraco, tapámos com terra negra fofinha, e regámos carinhosamente. Na primeira classe lembro-me que festejávamos todos os dias mundiais, e quase todos os dias tínhamos alguma coisa para celebrar. Nesse dia disse-nos a professora que todos deveríamos plantar uma árvore, escrever um livro, e ter um filho. Não sei se seria necessariamente por esta ordem. Já plantei muitas árvores, especialmente azevinhos. Tenho três diferentes, e nenhum com a folha como a da imagem. Também já escrevi um livro, embora não seja um livro que conte para estas contas. Aquele que conta para estas contas, no meu imaginário, tem que ser um livro da minha inteira responsabilidade. Ando há tempos a imaginá-lo. Está guardado numa pasta no computador, numa pen, num cd, e também impresso. Falta definir-lhe a ordenação definitiva dos textos - poemas e outros devaneios, como lhes chamo. E falta desenhar-lhe algumas ilustrações. Na tipografia dizem-me que as ilustrações ficam mais caras, mesmo que apenas a preto-e-branco. Talvez até ao Verão me decida... Quanto ao filho...


(post agendado - escrevi vários desta série que serão publicados automaticamente nas datas definidas)