sábado, 31 de março de 2012

Coisas.


Estatísticas.


Pela primeira vez desde que o criei, o blog ultrapassou as 10.000 pageviews mensais - estatísticas blogger/google - e num mês em que o número de posts publicados caíu significativamente. Obrigado a todos pelas visitas.

Leituras.


Tal como o soliplass, também ando a reler Ernestina, de J. Rentes de Carvalho, um dos poucos livros que trouxe comigo para a minha nova vida. Pelo meio, vou tentando ler este livro, em francês - de quando em quando, que é o mesmo que dizer a cada meia página, lá está uma palavra totalmente desconhecida. E lá tenho que chatear alguém para me dizer o que significa - ou ir ao google translator, que ainda não tive tempo, e o dinheiro não abunda, para ir comprar um dicionário - embora tenha uns três ou quatro em Portugal, não ia gastar os meus preciosos kilos em dicionários...

Francês.


Em rigor, dizer que na Suiça se fala francês é um manifesto exagero. Isto é mais um dialecto qualquer, meio afrancesado. Em três semanas só ainda consegui encontrar um suiço que fala um francês intelígivel - e é quando fala para mim, que quando fala para outras pessoas... vejo-me à rasca para captar o menor sinal duma coisa tão simples como um bonjour ou um merci...

Sport Lisboa e Benfica.


Perdoem-me os meus leitores doutros clubes, e aqueles que não gostam de futebol, mas de Portugal haverá sempre duas coisas que amo do fundo do coração. A Língua Portuguesa, e o Sport Lisboa e Benfica. E o jogo está prestes a começar...


quinta-feira, 29 de março de 2012

Sonic Reverends - A Bone To Pick With You






Têm que ver este vídeo dos Sonic Reverends. E não é porque dois dos membros da banda são meus amigos. É porque o vídeo é mesmo muito bom!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Clube do Livro - Breves

Estante de Livros do Clube do Livro


Clube do Livro.


Um amigo meu, um dos meus amigos virtuais, virtual porque nunca o vi fisicamente, e o conheci por esta ordem: twitter - facebook, criou um Clube do Livro. Eu sempre gostei de clubes, tentei até criar alguns, talvez inspirado pelo Cebolinha - não era grande ideia, que menina não entra -, e sempre gostei ainda mais de livros. É «um clube onde se escolherá um livro por mês (aberto a sugestões dos participantes), que será lido e alegremente discutido por todos os participantes». Para começar, «dentro de dias será anunciado o primeiro livro do clube do livro, para ser lido durante o mês de abril . no final do mês de abril falaremos aqui sobre o livro . para a primeira obra terei a 'audácia' de ser eu a escolher, para lançar o jogo . a partir do primeiro mês, enviem-me as vossas sugestões e sugiro até que possamos votar os livros mais sugeridos para escolher o livro seguinte.» Eu cá considero que o mais importante era termos um cartãozinho de membro. Era sempre a primeira coisa em que pensava, quando pensava em criar um clube. Vá, não tenham receio - os papões estão todos guardados entre as folhas dos livros, devidamente arrumados em estantes - juntem-se ao clube.

Breves.


O Américo Rodrigues, que anda a comer a minha erva preferida*, deu-me como poeta. Veio-me à memória a frase de Mark Twain, the report of my death was an exaggeration. Não sei se é de a minha vida andar demasiado - ou nada, depende da perspectiva, como em tudo - poética, que não me sinto nada poeta. Ultimamente todos os versos que escrevo, deixo-os apenas escritos nos cantos recônditos do meu cérebro cansado. Sim, porque às vezes vou pelas ruas a fazer versos que ninguém lerá. Outras vezes tento que rimem as coisas, mas nada faz sentido, sei-o bem.

Longe.


Como talvez tenham notado, o blog anda quieto, muito quieto e sossegado. Ainda não me adaptei a este ritmo. Por outro lado, estar longe de Portugal - apesar da falta de algumas pessoas e de alguns lugares - é um bálsamo tão doce para o meu espírito... Inquietam-me muito as notícias que me chegam. Mas quando desligo a televisão, os sites dos jornais, o telemóvel com que falo com família e amigos, desligo-me (embora não totalmente) também da (ir)realidade desse país disfarçado de país. (Tento há dias entrar no Portal das Finanças, mas não consigo. Tenho que apresentar a Declaração do IRS durante o mês de Abril, até lá era bom que funcionasse. Ou mudaram de sítio outra vez para ver se ficam com o meu dinheiro? Gaspar, depois desta declaração de IRS, e após ver o meu dinheirinho depositado na conta, conta-me como um com as contas saldadas com esse país: não quero mais negócios com uma empresa tão mal gerida dirigida. Dirigida para o abismo.)
 

Mensagens / Comentários.


Agradeço todas as mensagens e comentários que me têm deixado, e que eu tenho deixado invariavelmente sem resposta. São 23h00 aqui, e eu já devia estar a dormir pelo menos há uma hora.  


*Meruges.


domingo, 25 de março de 2012

Antonio Tabucchi (1943-2012)

Antonio Tabucchi


Antonio Tabucchi, de quem apenas li Os Últimos Três Dias de Fernando Pessoa, emprestado, e Pessoana Mínima, encontrado numa feira de livros usados, faleceu hoje em Lisboa.

sábado, 24 de março de 2012

Prémio Dardos

Prémio Dardos

No mesmo dia, a 11 de Março, recebi dois troféus do «Prémio Dardos». A minha vida nos últimos tempos não me permitiu agradecer antes. O primeiro foi atribuído pelo Manuel Poppe, ao blog «André Benjamim», o blog onde raramente vou publicando chamadas de atenção para este blog, e que abandonei há bastante tempo, mas mantenho activo na blogosfera, para quem quer que vá lá parar. O Segundo, foi atribuído pela Olinda P. Gil, a este blog «Ainda que os Amantes se Percam...». A ambos agradeço a gentileza. Como é sabido, estes prémios blogosféricos têm certas regras que deixei de cumprir. Seria suposto passar este prémio a outros 15 blogs. Os blogs que tento ler com a maior regularidade que me é possível, e de que gosto, estão na lista de links. Muitos outros sigo-os, e recebo as suas actualizações no blogger. Gosto de todos - com alguns tenho uma relação mais próxima. Novamente, obrigado.

terça-feira, 20 de março de 2012

Com os Holandeses - J. Rentes de Carvalho

Com os Holandeses de José Rentes de Carvalho

Com os Holandeses, é até à data o último livro de J. Rentes de Carvalho que adquiri. A imagem que utilizo neste post foi retirada na internet - na minha edição não aparece a palavra «Romance» sob o título. Foi o primeiro livro que acabei de ler, daqueles que trouxe comigo. Entretanto tenho-me entretido a ler em francês, dois livros que adquiri aqui (na verdade, que adquiriram por mim). Prefiro o verbo adquirir ao verbo comprar, quando me refiro a livros. É uma maneira de não tratar os livros como um mero produto comercial.

(É tarde, e amanhã tenho que me levantar cedo - por isso deixo o post a meio: amanhã virei copiar para aqui um excerto que gostaria de partilhar. Não tenho respondido aos comentários que me têm deizado; assim que estiver completamente estabelecido e organizado, responderei a todos. Aproveito para agradecê-los. Sabem que aqui Com os Suiços o mundo funciona de outras maneiras - e ainda bem.)

Excerto (acrescentado a 20/03/2012; post publicado originalmente a 18/03/2012):

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dia do Pai


Pai, lembro-me de te ter entregue um desenho que fiz para ti, na primeira classe - ainda está guardado em casa. O da segunda classe já não to pude entregar. E era sempre de uma insensibilidade, para não dizer crueldade, extrema obrigarem-me a fazer desenhos e outras bugigangas que nunca te poderia entregar.

domingo, 18 de março de 2012

O fim da Assírio & Alvim



Depois do patético «acordo de parceria» de Agosto de 2011, confirma-se agora o que já toda a gente para quem a Assírio & Alvim era mais que uma editora temia. Eis o comunicado que matou o gatinho:


«O Grupo Porto Editora (GPE) confirma a aquisição da chancela Assírio & Alvim (A&A), concretizada esta semana, no que representa uma nova aposta do GPE na área da Literatura. Com esta aquisição, o GPE assegura integralmente a produção editorial e a distribuição de todo o catálogo da A&A. No âmbito deste processo, Manuel Rosa, o anterior accionista maioritário da A&A, assumirá o papel de colaborador externo para esta chancela, ao passo que Vasco David, que até agora assegurava a coordenação e o acompanhamento das obras da A&A, continuará a exercer as mesmas funções, agora integrado na Divisão Literária dirigida por Manuel Alberto Valente, que assume, desta forma, a direcção editorial desta chancela.
Vasco Teixeira, Administrador e Diretor Editorial do Grupo Porto Editora, considera que “o património da Assírio&Alvim merece este nosso investimento, evitando que a presente conjuntura causasse perdas importantes no panorama editorial. Acredito que temos condições humanas e estruturais para fazer um bom trabalho, honrando o projeto desenvolvido desde a fundação da A&A – e, neste ponto, faço questão de lembrar o mérito ímpar de Manuel Hermínio Monteiro, a quem muito deve o Livro em Portugal”.
Nesta nova fase da sua vida, a A&A vai privilegiar três linhas de trabalho essenciais: a publicação de grandes autores portugueses, com Fernando Pessoa à cabeça, a poesia e a grande herança clássica da literatura mundial.
Entre os títulos a publicar brevemente, destaca-se Um país que sonha – cem anos de poesia colombiana, com organização de Lauren Mendinueta e traduções de Nuno Júdice, que será apresentado no próximo dia 24 de Março, no Centro Cultural de Belém, no âmbito da comemoração do Dia Mundial da Poesia; e Igreja e Sociedade Portuguesa – do Liberalismo à República, de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto.
Em Agosto de 2011, o GPE e a A&A estabeleceram um acordo na área da distribuição que acabou por evoluir, em outubro do mesmo ano, para um protocolo que passava a envolver uma parceria editorial.» (via LER)

Estou triste com isto, e não me tentem convencer do contrário.


sábado, 17 de março de 2012

Les hommes qui n'aimaient pas les femmes

Les hommes qui n'aimaient pas les femmes de Stieg Larsson

Calhou a este desgraçado, que se vê fotografado na imagem acima, ser o primeiro livro adquirido aqui. São só 705 páginas. Há que treinar o francês que abandonara há 15 anos.

Recomeçar do Zero - I

Livros Borboletas Book Butterflies


O dia começa cedo; às 5 horas da manhã toca o despertador, mas ao contrário daquilo que a hora possa fazer parecer, não custa assim tanto a levantar. Às 5 horas e 40 minutos aguardo a chegada da boleia que me há-de levar ao local de trabalho. Uma viagem de cerca de 45 minutos. O horário de entrada não é fixo. Posso começar entre as 6 horas e as 8 horas. Para almoçar também existe flexibilidade. No mínimo é obrigatória uma paragem de 45 minutos. Qualquer minuto a menos não será pago. No máximo pudemos parar durante 2 horas e meia. De manhã há uma pausa de 10 minutos, às 9 horas, paga pela empresa. Há tarde há outra, paga pelo trabalhador, também de 10 minutos, às 15h. A hora de saída será em função das horas de entrada, e das horas de almoço. Por mês podemos ter um saldo negativo de 10 horas, no máximo, e um saldo positivo de 20 horas, no máximo. Para além disso terão que ser compensadas as negativas no mês seguinte, sob pena de serem descontadas ao salário, ou outras sanções caso o trabalhador seja avisado e continue em falta. E terão que ser gozadas as positivas. Além destas 20 horas a mais, podem ser feitas mais horas - pagas ou gozadas igualmente em dias, desde que previamente autorizadas. Noutras contas, podem ser feitas 4 horas no Sábado no período entre as 6 horas e as 13 horas, e o mesmo no Domingo - horas que serão pagas se pedido pelo trabalhador e aceite pelo empregador, ou vice-versa. Ou então gozadas em dias - ao contrário das 20 horas referidas anteriormente, estas podem ser juntas em dias de férias não importa quando.


[continua noutros posts a escrever depois]

terça-feira, 13 de março de 2012

Um país bonito.

Suiça, Montanhas, Suisse, Switzerland, Mountain

Não sei se existe país mais bonito no mundo. Mas é tão bonito que só apetece ficar sentado a contemplá-lo. É o país que eu adoptei - não sei se algum dia serei adoptado por ele. No fim-de-semana já vos conto novidades. Por agora só tenho tempo para estes pequenos postais.

segunda-feira, 12 de março de 2012

A minha biblioteca no exílio

Livros, Books
A minha Biblioteca no exílio

Cheguei às 13 horas, hora local. Para começar mostro-vos o que encheu por completo uma mochila das grandes: 13 livros, 3 moleskines, 2 blocos de folhas, e 1 pasta com documentos. Além do portátil de que agora escrevo.

Agradeço a todos os que me deixaram comentários e a que ainda não tive oportunidade de responder. E agradeço ao soliplass que me dedicou um post. Não tenho tempo para mais, por agora, que daqui a 5 horas tenho que me levantar. Fiquem bem, sejam felizes, não deixem que vos calem ou diminuam. Antes morrer de pé, que viver vergado!

sábado, 10 de março de 2012

au revoir - à tout à l'heure



Faltam pouco mais de 9 horas para partir. Ainda deu para vir ao blog. Estou em casa de um amigo, em Vila Franca de Xira, que amanhã me levará ao aeroporto de Lisboa. Hoje durante a tarde folheava alguns cadernos da adolescência, dos poucos que sobreviveram. Partilho uma pequena parte de um pequeno texto que para lá encontrei. É com este texto que me despeço por agora. E vou ali para a mala a ver se descubro como é que lhe vou tirar 5 kg. 

Queria ter um braço grande para dar um grande abraço grande que abraçasse tudo
Que tenho dentro do meu pequeno coração...
Queria que tudo que o meu grande abraço grande abraçasse
Ficasse eternamente - sem a morte do tempo - comigo...

Queria que o tempo parasse - oh tempo pára, pára por favor!
Queria que o espaço não existisse - que tudo que eu gosto estivesse junto a mim
Sem qualquer espaço a separar-nos.

Mas tudo é irreal;
Todos os meus desejos são impossíveis
De tornar real;
Tudo o que quero é abstracto - invisível!

Ninguém acredita no que não vê - só em Deus.
Porquê?
E existe ao menos o invisível em que acreditam? - Deus?
Onde?

Os meus desejos são abstractos - mas são a procura da felicidade!
Deus é abstracto - mas é o medo do Homem materializado
Num espírito imaterial!

(Não sei se sou eu que me livro de Portugal, se é Portugal que se livra de mim.)

Ou como diz o Carlos Azevedo:

Qualquer pessoa decente — e eu, apesar das minhas muitas fraquezas inerentes à condição humana, considero-me uma pessoa decente — tem que sentir uma agonia constante por viver neste país. Porque, façamos o que fizermos, há uma corja — e um rebanho — que não permite que o país ande para a frente. E há dias — hoje é um deles — em que só me apetece uma coisa: correr com toda essa gente à estalada. (aqui)

«Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.»


na véspera de partir*

crescemos onde nos deixam criar raízes. há nas ruínas de um cabanal da minha aldeia uma pequena amendoeira. ao longe, da janela do meu quarto, vejo as pontas emergir do meio dos telhados contínuos. antes de partir invadi propriedade abandonada para lhe tirar uma fotografia. o fotógrafo não é o melhor, a máquina também não ajuda: o resultado é a imagem que vêem ao alto. 

daqui a 32 horas levanto vôo - e se nenhum contratempo houver chegarei ao meu destino cerca de 3 horas depois. sexta-feira foi uma correria, ir aqui, ali, além, acolá, despedir-me deste amigo, daquele, do outro, telefonar, combinar, comprar o bilhete de avião, que foi uma coisa assim de repente.

ainda não fiz a mala. a roupa qualquer uma me serve, não a tenho melhor nem pior, é toda mediana e apresentável. levo um fato e adereços para o caso de vôos mais altos. 

o que me tem preocupado são os livros. mas ao fim de muitas ponderações ficou assim decidido:

- A Viagem do Elefante, de José Saramago, porque tem esta frase, do livro dos itinerários: «sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.»

- The Half Brother**, de Lars Saabye Christensen, porque me foi oferecido, e porque o título e a imagem da capa parecem rir-se sardonicamente para mim - coisas da vida, coisas da vida... ou da vidinha!

- Diário do Farol, de João Ubaldo Ribeiro, pelo mesmo motivo do anterior. talvez encontre uma luz que me guie, talvez...

- Com os Holandeses, de J. Rentes de Carvalho, porque tinha-o comprado recentemente*** e ainda não tive oportunidade de começar a ler. é verdade que não vou para o pé dos holandeses, mas quem sabe tenha alguma coisa a dizer-me ao pé daqueles para onde vou.

- Os Apanhadores de Conchas, de Rosamunde Pilcher, porque não se deve deixar uma leitura a meio****. e é uma história simples, um livro de fácil leitura, num momento em que o cérebro não pára de cogitar,

- Ernestina, de J. Rentes de Carvalho, porque é um grande romance que li num momento em que não tinha cabeça para nada, como sói dizer-se, e como ando numa maré de releituras e pouco dinheiro, vou aproveitar para reler.

- Poesia, de Álvaro de Campos, porque se só pudesse levar um livro, que me perdoem os outros todos, provavelmente era este que levava. ainda assim fiz a concessão de levar a edição dos livros de bolso da europa-américa porque o meu querido exemplar da Assírio & Alvim é muito pesado, e 20kg são 20kg...

- este, a revelar em Abril.

a lista terminava aqui quando pensei em escrever este post. entretanto lembrei-me que tinha um vale de desconto dos pontos de um cartão de uma livraria - não vou fazer publicidade que não merecem, aquilo parece cada vez mais um supermercado, que tristeza, que tristeza, quem te viu e quem te vê... dizia que entretanto lembrei-me do vale e lá fui a correr para a livraria comprar um livro, coisa muito rara nos últimos tempos; foi, não quero mentir, penso que tenha sido a primeira compra do ano:

- contos completos, de Gabriel García Márquez, porque o comprei por metade do preço com o vale de desconto, a escolha foi fácil, a oferta era muito parca, e estava na minha lista de desejos.

na véspera de partir despeço-me com este post. pode ser que ainda aqui venha antes, mas não prevejo que isso aconteça. além das bagagens - a bagagem do viajante, a bagagem do viajante... lembrei-me deste agora, que vai ter que ficar em terra, são crónicas do Saramago - levo comigo a língua portuguesa, assim, corrompida apenas pelos meus erros, imune a acordos (acordem!), família e amigos na víscera. despeço-me com beijos e abraços. fiquem bem, e nunca, nunca se calem.

*era para ter sido este o título do post. depois cogitei que não podia ser, que tinha que ser o outro, com a frase do José Saramago. A Viagem do Elefante está longe, muito longe, de ser um dos meus livros preferidos. esse critério só foi utilizado de forma exclusiva no caso do livro de Álvaro de Campos. esta frase tem-me acompanhado desde o dia em que comprei o livro e a li primeiramente na contracapa.

**título em inglês porque o livro está escrito em inglês. o autor é norueguês, no caso de quererem saber.

***«recentemente» é uma forma de dizer «no final do ano passado», mas que querem? às vezes mentimos a nós mesmos - é uma forma de relativizar as tragédias pessoais.

****deve abandonar-se imediatamente ou arcar com as consequências. um livro que é bom até meio merece o esforço de ser lido até ao fim, por pior que seja o segundo meio.

sexta-feira, 9 de março de 2012

«Porque em cada Desconhecido há um possível Amigo»




«Porque em cada Desconhecido há um possível Amigo». Há sete ou oito meses atrás criei esta página no facebook, a propósito de uma conversa com uma pessoa (não posso nem quero revelar a identidade) de uma das editoras portuguesas que mais admiro - como se contam pelos dedos de uma mão, podem adivinhar. Chegou aos 25 fãs entretanto, sem a ter publicitado. O objectivo da página é apenas esse, quem por acaso por lá passar, se acaso concordar com a frase que descreve a página, talvez lhe faça um like/gosto. Os amigos também são isso, um acaso da vida. Alguns nasceram na mesma aldeia ou bairro, outros frequentaram a mesma escola ou café, ou viajaram no mesmo dia, no mesmo comboio ou avião. E a partir desde instante mágico em que nos cruzámos com esse desconhecido, ele deixou de o ser, e criámos a palavra «amigo». 

Ao amigo que me enviou a encomenda da fotografia - chegou ontem - conheci-o na blogosfera. Esta está a ser uma semana em grande, uma semana que começou com esta encomenda, enviada por um escritor que ambos admiramos e sobre o qual já trocámos algumas palavras. Podia dizer-vos qual foi o escritor. E direi - lá para Abril, prometo. Agora escrevo este post para dizer Obrigado! ao meu amigo que não conheço pessoalmente. Parafraseando, os amigos são um país que vale a pena. O que veio dentro da encomenda? Palpitem, palpitem...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Finais Felizes


Ontem enquanto folheava um monte de revistas, que não sei onde arrumar nem tenho vontade de deitar para o lixo, encontrei o artigo de que se reproduz um pormenor em cima, e que lá no fundo do post podem ler integralmente, se clicarem na imagem. Fui procurar os textos completos. Se tiverem curiosidade e paciência devem lê-los por esta ordem: Francisco José Viegas; Joana Manuel; André Benjamim; Francisco José Viegas; André Benjamim. E por fim, como poderão constatar pela leitura do artigo de Filipe d'Avillez, na revista «os meus livros», de Novembro de 2007, a história acabou - ironicamente - por ter mesmo um final feliz.

pequenas confissões #1

Quando leio em crónicas ou artigos, de jornais ou revistas, ou nos blogs, as listas de génios que surgiram publicados nos últimos dez ou quinze anos, antes de me desmanchar a rir, tremo. Mas esta gente não lê?

Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.

(Álvaro de Campos, in Tabacaria - Poesia de Álvaro de Campos, Assírio & Alvim, p. 321)

quarta-feira, 7 de março de 2012

memórias pequenas #4

Não é uma memória assim tão pequena. Não sei se ainda tinha catorze anos ou tinha quinze, foi por volta da data em que faço anos. Durante os últimos anos quase apaguei por completo esta memória. O dia em que ia morrendo afogado. Durante estes anos todos também não sabia quem me tinha salvo no último instante, e quando esta lembrança ressurgia no meu pensamento, só me lembrava do momento em que estava agarrado ao bordo da piscina, como quem agarra a vida presa por um fio. Até que reencontrei o Rui e ele me disse jocosamente Tu devias agradecer-me por ainda estares vivo!, e então enquanto dávamos um forte e longo abraço, ecoaram na minha memória as suas palavras a refilar comigo já sentado na berma da piscina, um eco sem palavras definidas, mas zangadas e aliviadas. O Rui com que agora me encontro por vezes para tomar café e falar da vidinha.

terça-feira, 6 de março de 2012

Ninguém Escreve ao Coronel, de Gabriel García Márquez - livros que nunca devia ter lido, 19

Ninguém Escreve ao Coronel, Gabriel García Márquez, El Coronel no Tiene quien le Escriba
O primeiro livro que li de Gabriel García Márquez foi este Ninguém Escreve ao Coronel. Nunca gostei do título em português, nem sei porque decidiram traduzi-lo assim do original em castelhano El coronel no tiene quien le escriba. Ninguém escrever ao Coronel é completamente diferente de o Coronel não ter quem lhe escreva. Lá por ninguém escrever ao Coronel não quer dizer que o Coronel não tenha quem lhe escreva; mas se o Coronel não tiver quem lhe escreva, então ninguém escreverá ao Coronel.

E o Coronel espera até à última página que lhe escrevam. E nós esperamos desde a primeira página que haja alguém que decida por fim escrever ao Coronel. O desgraçado Coronel espera em vão pela pensão prometida por um governo há muito derrubado, e todas as sextas-feiras vai ao posto dos correios em busca dela. Quantas vezes esperamos em vão a correspondência que secretamente sabemos que nunca chegará, e ainda assim esperamos, porque é essa esperança que nos dá alento para continuar? «Quem espera cem, também espera mais dez.» diz o coronel.

Um livro especial na minha estante


Como reagiriam se um dos vossos escritores dilectos [gosto muito desta palavra] vos decidisse presentear com uma primeira edição de um dos seus livros? Quando ontem ao final da tarde abri a encomenda que exteriormente aparentava ter um livro no interior, pensei que fosse uma outra encomenda de que estou à espera, pois vinha sem o nome do remetente. Ao tirar o livro de dentro do envelope almofadado, reconheci de imediato a obra em questão, pois conheço todas as capas, e lá estava o nome do autor ao cimo. Ainda assim não pensei na hipótese de ter sido o próprio autor a enviar-me o livro. Por isso procurei aquilo que afinal encontrei: uma dedicatória e um bilhete. A surpresa foi vir assinado... pelo autor! 

É uma primeira edição numa língua que não conheço [se vos apraz saber, sou perfeitamente capaz de ler em português, inglês, castelhano, e francês - por esta ordem] e por isso a recomendação: «Não é para ler, só para pôr na estante.» A estante seria o local óbvio para esconder esta preciosidade - na fila de trás passaria despercebido dos olhares indiscretos e aleivosos, prontos a deitar-lhe a mão - que talvez só existam na minha imaginação. Mas para isso seria preciso que a criança que há em mim conseguisse continuar a acreditar na sua existência quando o objecto estimado não está ao alcance da suas mãos e da sua visão. Não sei como é que farei, mas sei que o hei-de ler. Tenho que ir à fila dos dicionários ver se tenho lá algum que sirva, mas tenho ideia que não. Entretanto, já consegui ler os nomes das personagens!

Agora estou aqui há quase 24h com o pensamento enrodilhado nisto: como é que posso agradecer este gesto ao autor?

Obrigado!

Post Scriptum: Não revelo o título da obra, nem o nome do autor, porque não sei se o escritor o quer.

domingo, 4 de março de 2012

Duas Anedotas Alentejanas*



Duas descobertas alentejanas, cientificamente testadas:

Primeira:

Depois de observar como trabalha a troika, conclui-se que trabalha a pilhas:
- Pilha tudo.

Segunda:

Sócrates, afinal, é um exemplo a seguir:
- Se todos os políticos o seguissem e fossem viver para o estrangeiro... vivia-se muito melhor em Portugal.

sábado, 3 de março de 2012

Os Contos de Franz Kafka - livros que nunca devia ter lido, 18

Contos Franz Kafka
Ao adjectivo kafkiano está associada em grande medida a obra O Processo. Kafkiano é algo absurdo, surreal, confuso, ilógico, mormente associado à burocracia. Porém quando penso no adjectivo kafkiano é Na Colónia Penal que penso. Na colónia penal há uma máquina burocrática, «um estranho aparelho», cuja missão é cumprir a pena dos condenados. O condenado não tem nome, é apenas o condenado. Também não o têm o explorador (referido também como o viajante), que visita a colónia penal e é convidado a assistir à execução do condenado, nem o tem o oficial que o acompanha. Não o têm, tão-pouco, o antigo Comandante, aquele a quem se deve toda a obra da colónia penal, nem o novo Comandante, que em nada pode «alterar o que foi feito». Condenado, explorador, oficial, antigo e novo Comandante, existem apenas para que a existência da colónia penal tenha sentido. São apenas peças da engrenagem do «estranho aparelho», a máquina burocrática.

Esta obra, publicada pela Assírio & Alvim, reúne os textos publicados em vida por Franz Kafka. Os sete livros: Observação, A Sentença, O Fogueiro (seria depois publicado como primeiro capítulo da obra incompleta que ficaria conhecida como Amerika, mas cujo título mais fiel será O Desaparecido), A Transformação (a maioria das vezes traduzido e publicado com o título A Metamorfose), Na Colónia Penal, Um Médico Rural, Um Artista da Fome. E os textos publicados apenas em jornais e revistas. Há nesta obra contos muito diversos; alguns são apenas de algumas linhas, pequenas observações, outros são mais extensos e estruturados.

sexta-feira, 2 de março de 2012

As Regras do Futebol

Regras de Futebol, Leis do Futebol, Soccer Laws, Football Laws, FIFA Rules

Devia ser obrigatório tirar a carta de futebol para se poder falar sobre o mesmo, da mesma maneira que é necessária a carta de condução para se poder conduzir. As regras de futebol e as regras de condução deviam ser ensinadas na escola; é uma premente questão de cidadania: evitavam-se assim muitos acidentes. Claro que há sempre aqueles para quem o saber as regras só lhes serve para se mostrarem desentendidos quando são apanhados a prevaricar. Como não temos carta de futebol, deixemos então o incumprimento das regras ao cuidado dos profissionais que o arbitram. Para quem gosta de saber regras aqui deixo um link para as 10 regras do Jorge Vaz Nande. E outro para o Dia de Clássico.

E ainda, As Regras do Futebol (FIFA, em Inglês), e As Regras do Futebol (CBF, em Português - Brasil).

quinta-feira, 1 de março de 2012

Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll - livros que nunca devia ter lido, 17

Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho, de Lewis Carroll
Nós leitores vorazes* temos esta mania de impingir livros uns aos outros, e muitas vezes caímos na tentação de impingir livros a pessoas que - não sabemos porquê - ficam aborrecidas. Quando comprei a edição conjunta - a que se vê na imagem, da Relógio D'Água - de As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, e Alice do Outro Lado do Espelho, de Lewis Carroll, comprei logo três exemplares, um para mim, dois para impingir. Eram tão baratos que nem queria acreditar. Nesse dia comprei também Sylvie e Bruno, igualmente de Lewis Carroll, outra pechincha, da mesma editora. Por quatro livros dei uma nota que muitas vezes não dá para comprar 1/3 de livro. Mas eu já tinha as três obras noutras edições? O que é que isso importa agora? E estes belíssimos exemplares vêm com as ilustrações originais de Sir John Tenniel, e de Harry Furniss.

Há um momento na vida em que todos os bibliómanos se questionarão se gostam mais de livros ou de obras, embora provavelmente gostem sempre tanto de uma coisa como da outra. Os bibliófilos, esses são casos perdidos na maioria das vezes. Para eles os livros são jóias que não usam e que têm como única utilidade ocupar cofres nos bancos. Nós os bibliómanos gostamos muito de dar livros. Emprestar é que não! Podemos abdicar da posse daquele livro especial para oferecer a um amigo especial, ou até a um estranho, não nos peçam é emprestado. Enquanto forem nossos são só nossos.