quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Estatísticas

Costuma-se dizer que os números não mentem. Referem-no muitas vezes quando os números são relativos a estatísticas. Eu costumo dizer, pois não, não mentem, escondem... Falar a verdade é a maneira mais certa de mentir. Já o dizia o título da obra de Almeida Garrett. Três dos meus bloggers dilectos já o indicaram: o Carlos Azevedo, o Soliplass, e o Luís M. Jorge. Chamo também a atenção para este post de Isabel Lucas. 14% de desemprego? 25% de desemprego? 100% de desemprego? Talvez o número seja um dia fidedigno, mas nunca será real. Real é isto:

Escrevo a quente. Hoje estou irritada. Acontece. E ainda não foi nada comigo. Aconteceu quando alguém me pôs a mão no ombro e disse adeus, pedindo um livro para ler na fila dos desempregados. Alguém que conheço há muitos anos. Foi o golpe de misericórdia. É que no dia anterior, ao jantar, já tinha sabido que um amigo vai ter de emigrar. Há meses sem trabalho, as economias foram-se, a família vive com o ordenado da mulher e a vida ditou-lhe: sair ou faltar comida em casa aos dois filhos. Ele, engenheiro, vai sair. Dias antes, alguém que também conheço há muito tempo, contou-me que o marido ficou sem emprego e agora vivem com o salário de 600 euros dela. Ok. É a vida. É a crise. Mudam-se para um T1 que na verdade é um T0. Apertam-se. Felizmente não há crianças. (Continua no blog da Isabel Lucas).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Rebate de José Rentes de Carvalho

O Rebate de José Rentes de Carvalho

O pior que os livros de J. Rentes de Carvalho têm são estas capas fantásticas. Esta nova edição de O Rebate, de 1971, chega às livrarias em Abril, segundo a editora. Um dia vou ter dinheiro para os comprar todos de uma vez - ou vou estar perto de uma livraria quando a onda de pilhagens e vandalismo chegar.

Oscar de melhor curta-metragem de animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore



Já tinha publicado esta curta-metragem  aqui no blog; uma vez que venceu Oscar de melhor curta-metragem de animação, volto a publicá-la.

Nova edição de «O Tumulto das Ondas» - de Yukio Mishima


Que onda tumultuosa passou lá pelos lados da Relógio D'Água? Por favor, devolvam-nos as capas decentes!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Súplicas Atendidas, de Truman Capote - livros que nunca devia ter lido, 16

Súplicas Atendidas, Truman Capote
«Mais lágrimas são choradas por súplicas atendidas do que por aquelas que não o são». Súplicas Atendidas, de Truman Capote, traz como aviso estes versos de Santa Teresa. Esta foi a obra derradeira de Truman Capote, a obra megalómana tantas vezes anunciada, ansiada por uns, temida por outros, e nunca concluída. Truman Capote tinha uma visão aguçada que transformava em palavras afiadas, contundentes flechas que iam certeiras ao cerne do alvo, que feriam e aliviavam. Este foi o romance que foi «considerado o mais famoso romance não publicado da literatura norte-americana».


Seria publicado em 1986, dois anos após a morte de Truman Capote, mais de 20 anos depois de A Sangue Frio, a obra com que atingira já a imortalidade, o romance de não-ficção, ou de jornalismo literário, narrativa literária feita de maneira jornalística, narrando factos reais. Mas poderá isso realmente ser possível, poderá um escritor escrever não-ficção? Não é isso a antítese da escrita literária? Para escrever não-ficção não teria um escritor que deixar de o ser? E um escritor consegue não o ser? Truman afirma que sim, os escritores de não-ficção afirmam que sim. Mas todas as palavras dos escritores são isso mesmo: ficção. Não são verdade nem mentira, são ficção.

memórias pequenas #3

A memória mais antiga que tenho têm galos chineses, ovelhas, e um rapaz mais velho da aldeia, que subia a rua minutos depois, o . O dia em que escapei à morte fatal que os galos chineses me quiseram infligir com as suas bicadas. Está aflito com os galos, disse-lhe a minha mãe. E estava, que os idiotas dos galos tentaram comer-me vivo quando quis atravessar o quintal para ir ver as ovelhas. Tchiii... com medo de galos!, caçoou de mim o rapaz. Como compensação por quase ter sido comido vivo pelo galos chineses, levou-me a dar um volta de cavalo. Ou seria um burro? Gosto de pensar que era um cavalo. Anda, cavalinho, anda! Dias depois cheguei aos quatro anos, e muito tempo passou até que conseguisse suportar e ultrapassar a fobia a galos e galinhas. Anda, cavalinho, anda!

Petição Contra a capitulação do Governo Português*



A partir da criação do euro a soma das balanças de transacções da Grécia, Itália Portugal e Espanha –GIPS- passou sempre a ser negativa, enquanto a Alemanha apresentava um crescente saldo positivo nas suas trocas com o exterior; quer dizer, a Alemanha prosperou com a moeda única e os GIPS agravaram a sua situação económica. A situação continuou a ser favorável à Alemanha quando foram abolidas as quotas de importação provenientes dos mercados asiáticos em 2005 e que levou à destruição de muitas empresas de média tecnologia no nosso país.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

memórias pequenas #2

O instante da minha infância que mais vezes relembro é aquele em que saí a correr de casa numa tarde quente de fim de Primavera, depois de ter visto mais um episódio da série animada Tom Sawyer, para ir até ao pátio da escola ter com os meus amigos. Talvez o recorde por causa da estranha e aconchegante alegria que eclodiu dentro de mim. Ou talvez seja porque quando cheguei ao pátio da escola já tivessem ido todos embora.

Ironia



Ironia, s.f. Figura de retórica que exprime o contrário do que as palavras significam e que serve para depreciar ou engrandecer. [Fernando J. da Silva, Dicionário da Língua Portuguesa, Dicionários Domingos Barreira]

Ironia. Há ironia quando as palavras significam o contrário do que no íntimo pensamos, ou estão em desacordo com a realidade: Que belo tratante me saíste! És um óptimo filho, não há dúvida! [A. Gomes Ferreira, J. Nunes de Figueiredo, Compêndio de Gramática Portuguesa, Porto Editora]

sábado, 25 de fevereiro de 2012

memórias pequenas* #1

Recordo amiúde o dia do meu nono aniversário: fugi à catequese; fugi para o bosque** com o João e o Davide; fingíamos que éramos Índios e Cowboys; tínhamos flechas e granadas, e pinhas explosivas. E quando o intervalo grande acabou fomos tirar uma fotografia. Ainda não sabia que nunca mais voltaríamos a brincar juntos: a única coisa que me preocupava então eram as calças rasgadas que tinha estreado no dia do meu nono aniversário. A fotografia nunca a vi.


*Qualquer semelhança com o título da obra autobiográfica do José Saramago, não é pura coincidência.

**Termo demasiado pomposo que usávamos para dizer giestal com dois ou três carvalhos...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Teleny ou O Reverso da Medalha, de Oscar Wilde - livros que nunca devia ter lido , 15

Teleny, O Reverso da Medalha, Oscar Wilde
Teleny ou O Reverso da Medalha, de Oscar Wilde. Durante anos pensei que já tinha lido tudo o que Oscar Wilde escrevera. Porque razão esta obra me passou ao lado não sei bem. Talvez porque nunca me interessou por aí além a vida dos escritores, mas tão-só a suas obras*. Contam-se pelos dedos as biografias que li: Fernando Pessoa, várias, Gabriel García Márquez, e José Saramago (uma, nem se pode chamar bem biografia, aquilo é mais um rascunho de biografia). Do escritor cuja vida mais me fascina, Yukio Mishima, nunca li biografia nenhuma. E gostaria de ler a biografia sobre Luiz Pacheco. Talvez por isso esta obra de Oscar Wilde tenha para mim permanecido no limbo do desconhecido. Porém, de cada vez que entro numa livraria ou alfarrabista, lá vou ver dos meus autores dilectos, ainda que saiba de antemão que não vou encontrar nada de novo. Até que um dia dei com Teleny.

Obviamente, comprei logo, nem sequer olhei para o preço, que até era bastante em conta. A minha edição é esta que digitalizei e que ilustra este post. Foi a leitura deste post que me lembrou de escrever sobre este livro, e também sobre Opus Pisturum, de Henry Miller. Teleny é uma obra pornográfia, e faz parte, na nomenclatura, do que se convencionou denominar literatura gay. Quando esta obra foi publicada pela primeira vez, autor e editor permaneceram anónimos. Convém não esquecer que Oscar Wilde acabaria preso por perverter Alfred Douglas (lorde), o seu Bosie, a quem escreveu a longa carta De Profundis, outra obra emparteleirada na literatura gay. E o amor que havia entre Douglas e Wilde, além de levar Oscar Wilde ao cárcere, arruinou-o e contribuiu para a sua morte permatura. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Guerra é Paz

Peace and War, Guerra e Paz, Guerre et Paix, Guerra y Paz


Da leitura de «1984», de George Orwell nunca consegui concluir se havia mesmo uma guerra. Numa sociedade como a descrita em 1984 é impossível concluir seja o que fôr. Não existe verdade nem mentira. Uma é sinónima da outra, da mesma maneira que guerra significa paz, ou liberdade quer dizer escravidão. O Grande Irmão controla tudo. A guerra que sempre foi com a Eurásia passa abruptamente, a meio de um discurso, a sempre ter sido contra a Lestásia. E numa semana de trabalho ininterrupto os funcionários do Ministério da Verdade reinventam todos os documentos que confirmam esta verdade. Ainda durante o mesmo discurso, funcionários zelosos do partido retiram em minutos todos os cartazes, panfletos, faixam que anunciavam o antigo inimigo. E aparentemente toda a gente sempre soube que a guerra é afinal contra a Lestásia...

Capitalismo: a vaca capitalista



Capitalismo Ideal: Você tem duas vacas, vende uma e compra um boi. Eles multiplicam-se, e a economia cresce. Você vende a manada e aposenta-se. Fica rico!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carnaval - Poema de Álvaro de Campos

Heterónimos de Fernando Pessoa - de Lívio de Morais.


Para terminar o Carnaval em grande, publico um poema de Álvaro de Campos. Este poema é a minha única celebração carnavalesca. É difícil celebrar o Carnaval condignamente quando temos um (des)governo que o faz de forma exímia. Grande partida de Carnaval que o Troca-Passos e o Corta-Relvas pregaram. Mas o Povo não se deixou ficar, e deixou-lhes as repartições às moscas. Pena que seja só no Carnaval que o Povo lhes dê uma resposta...

A vida é uma tremenda bebedeira.
Eu nunca tiro dela outra impressão.
Passo nas ruas, tenho a sensação
De um carnaval cheio de cor e poeira…


A cada hora tenho a dolorosa
Sensação, agradável todavia,
De ir aos encontrões atrás da alegria
Duma plebe farsante e copiosa…


Cada momento é um carnaval imenso,
Em que ando misturado sem querer.
Se penso nisto maça-me viver
E eu, que amo a intensidade, acho isto intenso

Dois Dedos de Testa: Clara Ferreira Alves sobre a austeridade e seus efeitos...




Dois dedos de testa é coisa que de facto não têm. Mas duas polegadas de língua para lamberem a mão ao dono... Isso talvez se arranje...

A propósito deste post, recebi alguns e-mails de pessoas que não se queriam identificar por receio. Uma dessas pessoas pediu que publicasse o seu e-mail, que transcrevo, sem qualquer edição ou alteração, ocultando apenas com ********* um nome:

O que me espanta mais nisto tudo é o resto da Europa -tirando a Grécia obviamente- não vê/não quer ver que a senhora(?) Angela Merkel está a dar cabo dos países da zona Euro que passam por mais dificuldades para beneficio próprio, leia-se da Alemanha.


Infelizmente concordo com ********* quando diz que: "vivemos debaixo do terrorismo da ditadura(..)" Eu comparo a actual Alemanha com a Alemanha de Hitler, mas com uma enorme diferença, a Merkel não se importa com os meninos louros de olhos azuis... Preocupa-se, isso sim, em tornar a Alemanha e os seus aliados cada vez mais ricos à custa de países que foram vitimas de más gestões e de corrupção nas últimas décadas. É evidente que a Merkel não manda milhões de pessoas para campos de concentração, manda-as, sem esperança, para as ruas dos seus países degradados por um fascismo estupidamente capitalista em pleno séc XXI.


Ainda à dias ouvi alguém dizer, e passo a citar: "Mesmo que tirássemos de lá o senhor(????)Passos Coelho o próximo iria ser igual. A única situação que estou a ver, é alguém fuzilar o Sócrates, como aviso ao actual 1ºMinistro. Se isto acontecesse de certeza que o Coelho iria olhar mais para o povo e menos para o seu umbigo..." Acrescento eu, "só ao Sócrates?"

Como sabe quem leu, o texto original do post foi apagado, restanto apenas o título e um aviso, a pedido da pessoa que era autora do texto, por medo que o mesmo chegasse a alguma chefia na Grécia (o texto estava escrito em inglês), e sofresse represálias por isso. Na Grécia vive-se já num clima de medo - ou de terror, para utilizar as palavras que constavam no texto. Aqui vive-se entre o receio e o medo... Quem quiser pode sempre enviar-me e-mails (está indicado no perfil) nem que seja para desabafar. Talvez chegue o dia em que - por questões de segurança - tenha que os apagar depois de lidos. Por enquanto ainda não o faço.

Uma década perdida: 2002-2012; uma década apenas?

Taxa Desemprego em Portugal 1990:2000


Tenho pensado muito na vidinha. A ilustar isto que quero dizer, o gráfico da evolução da taxa de desemprego em Portugal entre 1990 e 2010. Um gráfico que tinha para ali guardado na minha pasta das imagens. Não me perguntem a fonte que desconheço-a. Como se sabe, agora é de 14 e não-sei-quantos por cento. Agora tentem escrever isto de acordo com o novo acordo ortográfico? Percebem agora o que é que eu quero dizer quando digo que o novo acordo ortográfico é novilínguista? O que me preocupa não são as consoantes mudas, embora eu as pronuncie quase todas. Se me devolvessem o trema, e estivessem quietos! Num único ponto estou de acordo com os acordistas: kwy. Enfim, sempre escrevi com estas letras, não necessitava de nenhum acordo que me viesse dar autorização! 

Mas já me desviei do propósito deste post. Dizia eu que tenho pensado muito na vidinha. Digamos que a minha taxa de pensamentos na vidinha acompanhou a evolução da taxa de desemprego: pelo menos na última década. E se a minha taxa de pensamentos na vidinha continuar afinada pela taxa de desemprego, tenho que vos comunicar que nas últimas semanas a taxa de desemprego deve ter ultrapassado os 25%: sim, um em cada quatro pensamentos que tenho, é um pensamento na vidinha. Penso mais na vidinha que em sexo. Até penso mais na vidinha que em dinheiro, ao que isto chegou! Gosto muito de pontos de exclamação! Aquela berrarria histriónica que bradava contra o uso do ponto de exclamação já abandonou a praça? Pois... Deve ter abandonado, agora que vivemos em tempos de exclamação! Ai não é de... é de... interrogação? Humm... Pois... Para mim a exclamação nunca foi uma certeza, que eu nunca fui de certezas, sempre fui de dúvidas, de muitas dúvidas...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Liebster Blog


O blog recebeu dois Liebster Blog's, o que de momento é o mais parecido com os Óscares. O primeiro foi atribuído pela Ondina P. Gil, n' A Casa do Alfaiate, o segundo pela Ivone Costa, n' A Ronda dos Dias. Diz a Ivone Costa no discurso de atribuição deste prémio que tenho «um blogue vivido, intenso, bom de ler.» Parece que é um prémio com nome alemão* que significará qualquer coisa como blog favorito. Eu quando vi o selinho do prémio pela primeira vez pensei outra coisa, mas não vou dizer o quê, suas mentes libidinosas. De qualquer modo, o selinho tem um coração no desenho, e isso é o que importa. O prémio supunha uma série de regras, mas eu sou avesso a estas regras blogosféricas - tenho constatado que cada vez mais os bloggers são avessos a estas regras, pelo que suponho que estas regras sejam hoje em dia aquilo a que se chama letra-morta. Assim, partilho este prémio com todas as pessoas - eu sou como a google, não gosto de robôts - que por aqui passam. E novamente agradeço à Ondina P. Gil e à Ivone Costa esta gentileza.


*Ia dizer que não gosto de Alemães, mas depois lembrei-me que era mentira. Eu só não gosto de pessoas bonitas, o que é uma maneira de dizer que gosto muito: porque se odeia aquilo que se não pode amar...

Como Bruxelas está a destruir a Grécia



Durante toda a minha vida adulta, o “establishment” britânico tendeu a encarar a União Europeia como relativamente incompetente e corrupta, mas seguramente benigna e, de uma maneira geral, uma força do bem num mundo conturbado. Esta atitude está a tornar-se cada vez mais difícil de sustentar, à medida que a parceria de nações começa de repente a revelar-se efetivamente muito negativa: um opressor brutal que despreza a democracia, a identidade nacional e as condições de vida das pessoas comuns.

A Grande Depressão da Grã-Bretanha, nos anos 1930, tornou-se parte da nossa mitologia nacional. Foi a época das sopas dos pobres e do desemprego em massa, imortalizados nos maravilhosos romances de George Orwell. No entanto, a queda da produção nacional, durante a Grande Depressão, nunca ultrapassou os 10%. Na Grécia, o produto interno bruto já está cerca de 13% abaixo do de 2008 e, de acordo com os especialistas, é provável que caia mais 7% até ao final deste ano. Por outras palavras, no próximo Natal, a depressão da Grécia terá o dobro da gravidade da horrorosa catástrofe económica que atingiu a Grã-Bretanha há 80 anos.

Peter Oborne. Texto completo no blog O Melhor e Pior.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Troika Driving Greece Towards Violent Revolution



Nigel Farage volta a dizer no parlamento europeu o que toda a gente vê, mas a que fecha os olhos. A este ninguém o pode acusar de ser comunista, anarquista, ou socialista - o argumento vazio de quem não tem argumento. Ele é líder de um partido de extrema-direita, e euro-céptico, o UK Independence Party. Quanta confusão reina na Europa para ser Nigel Farage um dos únicos políticos a vir defender a Grécia - e os Europeus, que serão arrastados nesta loucura...? Qual a vossa opinião?

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Quando esta crise terminar...


...Se algum dia terminar, perguntar-nos-emos como é que foi possível que deixássemos que psicopatas tomassem conta do poder? Como é que foi possível que tivéssemos eleito os psicopatas que elegemos para tomarem nas suas mãos os nossos destinos? Como é que foi possível que tivéssemos abdicado dos nossos valores? Como é que foi possível que tivéssemos esquecido as nossas certezas? Como é que foi possível que nos tivéssemos mudado a nós mesmos, à nossa identidade, à nossa maneira de ser? Como é que foi possível que tivéssemos abdicado do nosso modo de vida, da nossa cultura, das nossas ideias? Como é que foi possível que tivéssemos mudado as nossa relações, esquecido a nossa família, ignorado os nossos amigos, fechado as portas aos nossos vizinhos? Como é que foi possível que tivéssemos aberto mão dos nossos sonhos e da nossa liberdade? Um dia, quando esta crise terminar, se algum dia terminar, perguntar-nos-emos como é que foi possível continuar a discutir Hayek e Keynes, quando sabíamos que uma nova crise só se resolve com um novo paradigma?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Café, local de partilha...

Noite de Café - de Leonid Afremov - à venda aqui.

Mais uma vez fui ao Café Mondego. O café é por excelência um local de partilha, de debate, de tertúlia, de encontro, de socialização. Quando passo pelos cafés e os vejo vazios, o que mais me dói não são as bicas que não tomarei ou as minis que não beberei. O efeito perverso da crise, e da falta de dinheiro, é o desencontro, o silêncio, o retraimento, o isolamento... Mais uma vez fui ao Café Mondego, onde fiz algumas partilhas...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Relato na primeira pessoa das condições de vida na Grécia




AVISO: Para quem leu este post antes de o texto do mesmo ter sido apagado*: o conteúdo deste post foi removido a pedido da autora do texto, e trocado por este aviso. Pede-se a quem recebeu o texto nos leitores de feeds e/ou e-mail que não reproduza o mesmo, por uma questão de segurança para a autora. A situação na Grécia atingiu proporções terriveis,  inimagináveis - inqualificáveis. Obrigado. Sobre o mesmo assunto podem ler esta notícia: The Way Greeks Live Now. Artigo sugerido por Joana Lopes, no Entre as Brumas da Memória. Outro artigo a ler: “Estamos num cenário de terceira guerra mundial. E todos vão perder”.

Artigos a ler ou reler:


  1. Na Grécia a desobediência pode ser a solução;
  2. Agente secreto com superpoderes;
  3. O sonho de Stathis;
  4. A vida de um “malakas” na Grécia em crise;
  5. Como a Grécia se está a libertar;
  6. Meditação na esplanada.

 *O texto original foi publicado às 19:48, de 15/02/2012 e apagado às 00:45, de 16/02/2012 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Vassalagem

Mecenas Apresentando as Artes a Augusto, de Giovanni Battista Tiepolo


Disclaimer*: Venho publicamente afirmar que o autor deste blog não presta vassalagem, não tem dono nem dinheiro. Não tem filiação partidária, nem emprego ou trabalho, e só deve lealdade - seja lá isso o que isso for - a si mesmo. Não elimina comentários, a não ser que sejam spam, só exige registo porque não tem paciência para anónimos, e os mesmos são imediatamente publicados, pelo que nenhum é bloqueado. Faz links na barra lateral para quem lhe dá na republicana gana; comenta muito nos outros blogs quando lhe apetece, nada se não lhe apetece, sempre o que pensa, e fica aborrecido se não lhe aprovam os comentários. Como não dá conselhos**, também não os aceita, e acha uma impertinência haver quem ande por aí a dar conselhos aos outros, independentemente de seguir os próprios conselhos. A quem aconselha o silêncio, pergunta ¿Por qué no te callas? Os conselhos se fossem bons não se davam, vendiam-se. A quem aconselha um caminho diz: não vou por aí. Responde a todos os e-mails que lhe enviam, nem que seja a mandar mui simpaticamente para a Puta que os Pariu! No entanto, aceita Mecenas, em dinheiro ou em géneros, e não pertence à Sociedade Portuguesa de Autores. Gosta muito de cães, mas prefere gatos. Aos animais que dizem cães que não conhecem o dono replica que tal expressão é uma ofensa: para os cães e para o dono. A lealdade enquanto qualidade, não tem qualidade nenhuma. Enquanto forma-de-estar, há quem lhe chame lamber-botas. Enquanto compromisso, é respeito por si mesmo. O autor deste blog não se vende***. O autor deste blog não gosta de política - tal não impede que tenha consciência que não é a política que não presta, são as pessoas. O autor não tem qualquer problema em assumir posições, em fazer escolhas, em apoiar o que considera que deve ser apoiado. O autor gosta de barafustar, e barafusta: já disse que não é apologista do silêncio? O silêncio compactua. O autor não aplaude ou urra conforme a bancada de onde vem o discurso, porque o autor não gosta de circo, embora muitas vezes se veja surpreendido por concordar com aqueles com que raramente concorda. A única consistência, é não haver consistência nenhuma: espero que entendam que esta forma de congruência é a única maneira de ser coerente. Para o autor deste blog não há sistemas de pensamento, há pensamento livre e pensamento limitado por sistemas. Pensar sistematicamente é aceitar que as permissas de que partimos nos podem conduzir a conclusões que não desejamos.

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (2011)



Como hoje é dia dos namorados, publico este post sobre o maior amor da minha vida. Sem menosprezar o Sport Lisboa e Benfica, claro. Espero que gostem.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Depus a máscara e vi-me ao espelho...



Depus a máscara e vi-me ao espelho...
Era a criança de há quantos anos...
Não tinha mudado nada...


É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que fica,
A criança.


Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor.
Assim sou a máscara.


E volto à normalidade como a um términus de linha.


Álvaro de Campos, in Poesia (p. 514), Assírio & Alvim.

Somos todos Gregos


A imagem anda a ser partilhada no facebook, não sei a fonte, nem sei se é na Grécia. Pouco importa, somos todos Gregos: para quem a Europa não é um conjunto de quintais em volta da mansão franco-alemã, somos todos Gregos. Há que ocupar, resistir, parar a escravatura. Somos todos Gregos. Neste dia triste e trágico para a Europa, convém recordar este poema.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Opus Pistorum, de Henry Miller - livros que nunca devia ter lido, 14

Opus Pistorum, Henry Miller
Opus Pistorum, de Henry Miller, começa com epígrafe de Canterbury: «Drop your cocks and grab your socks»* E durante três centenas de páginas faz-se o contrário: tiram-se as meias e pega-se nas piças. Assim mesmo, para que ninguém comece equivocado a leitura deste livro. É preciso ter estômago para chegar ao fim, mesmo a quem nada impressiona. Muito se discute se é uma obra Literária ou Pornográfica, como se a Literatura tivesse que ser uma cândida virgenzinha. O meu exemplar é igual àquele que se vê na imagem acima. Edição das Publicações Dom Quixote, na colecção Biblioteca de Bolso Dom Quixote.

Talvez Henry Miller não quisesse que esta obra viesse a ser publicada; talvez já nem se lembrasse da sua existência quando no dia 7 de Junho de 1980, em Los Angeles, partiu de um mundo onde já não havia nada que o pudesse surpreender. Opus Pistorum fôra escrito para Milton Luboviski, o proprietário de uma livraria de Hollywood, a Larry Edmunds Bookshop, e durante anos apenas existiram cinco exemplares. Três exemplares tinham sido vendidos clandestinamente, outro fôra oferecido, e o último guardado por Milton Luboviski em sua posse durante 40 anos.

1.º Aniversário do Blog



Este blog faz 1 ano. Não lhe vou cantar os parabéns que isso é um pouco piegas. Muito obrigado a todos os que me visitam! Sem vocês já tinha desistido! E muito obrigado a todos os que vão deixando comentários. Vou tentando responder. Também vou tentando visitar os vossos blogs. Embora os tempos que correm cá pela casa andem um pouco sombrios e depressivos...

Num ano:

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Home Alone: Macaulay Culkin


Macaulay Culkin, Home Alone, Sozinho em Casa
Macaulay Culkin
Macaulay Culkin Nowdays, Macaulay Culkin na Actualidade
O meu Natal nunca mais vai ser o mesmo...













É isto que acontece quando se deixam as pessoas sozinhas. Este é Macaulay Culkin, mais conhecido pelos papéis em Sozinho em Casa 1 e 2, onde interpretou a personagem de Kevin McCallister, ou pela participação no videoclip da música Black or White, de Michael Jackson. Drogas, solidão, depressão? No estado em que está, penso que consegue facilmente um papel na próxima sequela do filme que o tornou famoso... como ladrão...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Que adjectivo para qualificar esta besta...?

O pusilânime chorão, e ranhoso niquento.


Não creio que em Portugal os políticos que desempenham funções sejam bem pagos, não considero”, começou por responder Pedro Passos Coelho, para acrescentar: “Mas consideraria absolutamente inoportuno que se abrisse essa discussão numa altura em que todo o país está a fazer sacrifícios grandes e vive de facto restrições muito grandes”. (link notícia)


Num país onde o salário mínimo é 485€, e o salário médio não chega aos 800€, este pusilânime tem o descaramento de dizer esta barbaridade. Já não é tempo de equívocos, é tempo de balas. Confirma-se o que há muito se sabia: perderam a vergonha!

Discutir o aumento dos salários (nem sei se em abono da verdade lhe deva chamar «salários», que aquilo abonam-se por todo o lados) dos políticos?! Nem hoje nem nunca! Devia era discutir-se se não são altos de mais? 

Os Emigrados - Poema de Álvaro de Campos


Sós nas grandes cidades desamigas,
Sem falar a língua que se fala nem a que se pensa,
Mutilados da relação com os outros,
Que depois contarão na pátria os triunfos da sua estada.
Coitados dos que conquistam Londres e Paris!
Voltam ao lar sem melhores maneiras nem melhores caras
Apenas sonharam de perto o que viram - 
Permanentemente estrangeiros.
Mas não rio deles. Tenho eu feito outra coisa com o ideal?


E o propósito que uma vez formei num hotel, planeando a legenda?
É um dos pontos negros da biografia que não tive.


Álvaro de Campos, in Poesia, p. 256 (Assírio & Alvim)

Imagem daqui.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Nora Berra: recomendações face ao frio


Os imbecis tomaram o poder por essa Europa fora. Em França foi a secretária de estado da saúde, Nora Berra, a escrever no seu blog:

Je rappelle, dans le cadre de la vague de froid qui s'abat actuellement et encore pour plusieurs jours sur la France, les principales mesures à adopter en cas de grand froid, notamment pour les populations vulnérables (sans-abri, nourrissons, personnes âgées ou présentant certaines pathologies chroniques cardiovasculaires, respiratoires ou endrocriniennes). 
(...)
En cas de grand froid, je recommande aux personnes les plus vulnérables d'eviter de sortir.

Gaffe? É que nestas cabecinhas pensadoras nem por um segundo lhes passa pela cabeça que os sem-abrigo são pessoas sem casa... Da mesma maneira que não passa pela cabecinha do nosso ministro Vítor Gaspar que pobres são pessoas sem dinheiro. Exagero? Porque é que julgam que ele se admira que  os portugueses não poupem? (Na cabecinha deste índivíduo os impostos podem aumentar ad infinitum, porque na cabecinha deste tipo o dinheiro é um número que não lhe falta na carteira...)

BRIOSA!


Associação Académica de Coimbra na final da Taça, 43 anos depois! (link) Festa em Coimbra! (link) Vamos todos ao Jamor! (evento)

Anfield Cat


O gato de Anfield, Anfield Cat para os amigos, ultrapassou os 40000 seguidores no twitter. A Disney já prepara uma adaptação cinematográfica?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Julgamento e Morte do Galo do Entrudo


No próximo dia 20 de Fevereiro de 2012, pelas 21h30m, realiza-se na Guarda o Julgamento e Morte do Galo do Entrudo. Com textos de Daniel Rocha. Um evento a não perder para quem puder não o perder.

Feira das Tradições


Programa da 17.ª Feira das Tradições e Actividades Económicas, que se realiza nos dias 17, 18, e 19 de Fevereiro de 2012, em Pinhel. Cliquem na imagem para ver o programa. Mais informações no site da Câmara Municipal de Pinhel.

Pieguices


Piegas, s.m. e f. e adj. (pop.) Pessoa que se embaraça com pequenas coisas; niquenta; pessoa ridiculamente sensível.

Pieguice, s.f. Qualidade de quem é piegas; sentimentalidade excessiva ou afectada.

Estamos esclarecidos então. Para o primeiro-ministro (com letras minúsculas, que o tipo é mesmo pequenino*), a pobreza (temos que empobrecer, lembram-se?), o desemprego (13 vírgula quanto?), a fome... são tudo coisas pequenas com as quais não nos devemos inquietar; aliás, que devemos aceitar estoicamente, resignadamente, e... orgulhosamente!


Imagem daqui.


*Só assim se percebe este apelo pequenino: não nos devemos embaraçar com coisa tão rasca, tão mesquinha, tão rídicula... chamada Pedro Passos Coelho.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Carnaval e os Feriados


Num país a fingir, governado por palhaços, se calhar fazia mais sentido manter o Carnaval e acabar com os outros feriados todos... Se é para brincar com a vida das pessoas, faça-se do Carnaval o feriado nacional!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

As perguntas que não vêm no jornal Sol - II


- Pedro como é que os portugueses podem poupar se cada vez têm menos dinheiro disponível?
- O estado chamou a si essa responsabilidade. Ao aumentar os impostos e diminuir os salários, por um lado o governo deixa menos dinheiro a esses estróinas para gastar, o que diminiu o consumo, e por outro lado...
- Mas...
- ...Não me interrompa! E por outro lado, o estado chamou também a si a função de poupar. O estado poupa por esses mandriões... poupa com as despesas de saúde, poupa com as despesas da segurança social, poupa com as escolas... Posso dizer-lhe que o estado farta de se poupar! Com este ritmo de poupança, Portugal chegará a 2013 com condições para desapertar o cinto! Digo-lhe mais: Portugal terá que desapertar o cinto, pois tanta poupança fará com que o estado seja, em 2013, um estado farto!
- Quer dizer que estamos a engordar o porco para o matar?...
- A quem der mais! Árabes ou Chineses...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

As perguntas que não vêm no jornal Sol


- Pedro, vai doer?
- O que é que achas?, é assim!
- Tão grande Pedro?! Não estás a ser megalómano?
- Não! Repara, estive na Alemanha, com a Sra. Merkel, que me deu os parabéns, por ter uma troika maior que a troika... é que... sabes? Não é com a minha! É com uma encomendada à China!
- À China, Pedro? Mas dizem que a dos Chineses é pequena!
- Sim, a dos Chineses é! Mas eles fabricam lá umas artificiais! Tecnologia de ponta, deixa que refira isto! Não notas a diferença!

SPAM


Enlouqueça qualquer mulher! Agora, muito mais rápido! Tens perfil para entrar numa série juvenil de sucesso? Dá-nos a tua opinião sobre a redução de feriados e leva os 10€ em carregamentos. Será que me envias? Muito giro. Aproveite até 90% de desconto nas ofertas que a sua cidade tem para si! Agradeça por homens como esses! Ganhe 1 noite para 2 pessoas num hotel 4 estrelas! Homens como esses estão procurando caras como você! Receba agora 6 livros Disney mais 1 relógio do Rei Leão. Torne o Dia dos Namorados ainda mais doce! Passatempo Nestlé Dolce Gusto! Agarra esta oportunidade. Seja rápido! Torne-se o próximo excêntrico de Portugal. You'll not bealive until you try! Buy original drugs - believe us and yourself! Aprenda Inglês e diga não à Crise! Assine a Deco e ganhe 3 revistas, uma câmara de vídeo e uma lanterna solar. Melhora as tuas probabilidades de êxito em apenas 5 minutos. O seu bebé deu-lhe uma noite tranquila hoje? Ganhe férias na neve! Quer ser um gestor de topo? Teste o seu ADN e ganhe 4 edições da VISÃO. Experimente 2 semanas de Inglês grátis. Have a sense of humor, we are half way there! Love hurts. Aumente o seu pénis! O melhor tarifário venha o oito que vier. A sua moradia já tem elevador? Looking for the love of my life. Goodlooking woman seeks sexy man. Naughty America has lowered their prices. Averigua quien te ha eliminado en MSN y Facebook. Com a mais alta tecnologia. Exclusivo: só até amanhã. Ganhe uma viagem a NY, tablets SONY e estágios, inscreva-se já! Mestrado Banca e Seguros com estágio remunerado. Ganhe uma viagem a Munique para duas pessoas com a Lufthansa. Aviso importante - foi seleccionado para receber dois presentes. Quer trabalhar como Gestor de Empresas Turísticas e Agências de Viagem? Tome o seu expresso no sossego do seu lar! Técnico em Prevenção de Riscos Laborais - uma Profissão com Saída. Geramos uma chave que pode torná-lo excêntrico. Wanted soulmate. Looking for last love of my life. Elimine facilmente a celulite com este equipamento. Uma garantia no mercado de trabalho.

As cinco coisas de que as pessoas mais se arrependem antes de morrer*


Por vezes fico a matutar naquilo que leio, enredo-me em pensamentos, quedo-me a pensar na vida. Há uns dias atrás escrevi aqui no blog que a amizade era «talvez o mais humano dos amores», e logo recebi um e-mail a perguntar «porquê?» como se tudo tivesse que ter uma justificação. Mera opinião, mera opinião, respondi, que não tenho paciência para discussões inócuas. Lembrei-me novamente disto enquanto lia o artigo «As cinco coisas de que as pessoas mais se arrependem antes de morrer». A enfermeira Bronnie Ware lembrou-se de andar a perguntar aos enfermos terminais de que é que mais se arrependiam: 
  1. Quem me dera ter tido a coragem de viver de acordo com as minhas convicções e não de acordo com as expectativas dos outros; 
  2. Quem me dera não ter trabalhado tanto; 
  3. Quem me dera ter tido coragem de expressar os meus sentimentos; 
  4. Quem me dera ter mantido contacto com os meus amigos; 
  5. Quem me dera ter-me permitido ser feliz. 
Julgo que é fácil compreender porque é que me lembrei do e-mail enquanto lia este artigo. Por circunstâncias diversas da vida, por culpa própria nalguns casos, há muito que perdi os melhores amigos que tive - amigos insubstituíveis, porque não há amigos como os da infância e adolescência (não me perguntem porquê, não sei, é apenas uma opinião) - e enquanto lia este artigo pensei se seria mesmo preciso estar à beira da morte para ter estes arrependimentos.

(Podem continuar a enviar-me e-mails, não me perguntem é «porquê?», «porquê» pergunto-me eu todos os dias, e - ai se soubesse a resposta!)


*Artigo do «Sol»

Missão Cavaco Silva


Depois de muitas tentativas lá consegui juntar o dinheiro suficiente para ajudar o Cavaco Silva: é que além de pobre, o tipo é esquisito; se lhe damos moedas faz birra, bate o pé. Só aceita notas, jóias, e carteiras. 9743€? «É pá, estes míseros 9743€ não chegam para pagar as minhas despesas. Tente novamente!» Ok, Senhor Presidente!... 10885€? «Obrigado pela ajuda! Finalmente vou poder pagar as minhas despesas. Ufa!» Volte sempre, Senhor Presidente. Para ajudarem também o Senhor Presidente, cliquem na imagem.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Carta de Suicídio


Se fosse obrigado a resumir a minha vida numa frase, seria com esta frase: «Sozinho nunca fui capaz, ajuda nunca tive.» E assim estaria feito o desenho de uma tragédia, a minha tragédia. O drama disto é que todas as vidas são uma tragédia.


Em momentos de extrema lucidez radicalizamos os nossos pensamentos, emoções, e comportamentos. Isto conduz-nos à cegueira.


Claro que fui capaz sozinho, fui sempre sendo capaz, não teria chegado aqui se o não tivesse sido. E também tive ajuda, tem-se sempre ajuda, nunca se está absolutamente sozinho, não teria chegado aqui se o tivesse estado.


Tudo isto pouco importa, e mais não é que o intróito com que inicio esta missiva. Um intróito como outro qualquer, de outra carta qualquer. Podia ter-vos perguntado se estava tudo bem, e dizer que esperava que sim. Mas por uma vez serei honesto. Nem quero saber se está tudo bem, nem espero nada. Se quisesse não estaria aqui, agora, a escrever-vos estas palavras, que nem sequer sei se chegarão às vossas mãos.


Enfim, não sei da justeza da frase. Sei que ela é justa com aquilo que sinto aqui e agora.

Face Oculta




















O Céu existe Mesmo


O Céu existe Mesmo, de Todd Burpo e Lynn Vicent, continua no top de vendas. Desconfio que quem anda a comprar esta obra de não-ficção (sic) procura argumentos para se suicidar.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Política na Parede*

Salamanca, Plaza del Mercado

Hoje passei por Salamanca, onde não ia há quase quatro anos. E quanto mudou a cidade, em quatro anos!, embora vista de longe pareça exactamente a mesma. Onde antes havia frenesim, hoje vêem-se ruas onde tudo está para alquilar ou vender: numa delas, contei vinte e dois espaços comerciais encerrados com estes dizeres. Não contei os que continuavam abertos, mas diria que o número não chega a uma mão cheia. Desde antigos bares a lojas de informática, passando por sapatarias, pastelarias, ou lojas de artesanato, nada resiste. Os edifícios antigos, do centro histórico da cidade, estão todos riscados e sujos, e muitos dos antigos espaços comerciais com as portas e montras tapadas com blocos de cimento. Não tive tempo para documentar com fotografias, pois apenas estava de passagem. Esta foi uma das poucas que tirei, lembrando-me da *série de posts do Delito de Opinião, que dá título a este post.