terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Nota de 100 Escudos de Fernando Pessoa


Mas alguém no seu perfeito juízo troca esta bela nota por Euros? É favor interditar e internar em instituição de saúde mental qualquer indivíduo que tente trocar uma nota destas por uns míseros 0,50 cêntimos ou nem isso. Qualquer pessoa sabe que uma nota destas tem um valor incalculável!

(Dizem que o prazo para as trocar acabou hoje; se houver por aí alguém mesmo desesperado, eu ainda sou capaz de juntar 1 euro - 1 euro inteiro! - para efectuar a troca...)

Blog Revelação - 3.º Lugar


Com 365 votos, 14% do total, este blog terminou em 3.º lugar na categoria Blog Revelação, no concurso Blogs do Ano 2011, realizado pelo blog Aventar. Quero agradecer a todos os que votaram, levados pelo apelo aqui no blog, no facebook, no twitter, ou que desconheciam, vieram espreitar, e decidiram votar.

Os parabéns ao blog Aventar pela iniciativa. Organizar um concurso destes não deve ser nada fácil, aturar comentários de gente que não tem mais que fazer requer uma grande dose de sentido de humor (negro). O prémio é essa imagem que vêem a encimar este texto. Pelo teor de alguns comentários mais parecia que estava em jogo a vida ou a morte. Que houve batota! Se houve batota? Claro que houve batota: mas posso garantir que fui verificar todos os que fizeram acusações de batota, e nenhum deles estava isento de batota, mais ou menos legal, à luz do regulamento do concurso... O que confirma aquela ideia de que não se deve confiar em que é desconfiado... É óbvio que nestas votações na internet é sempre possível fazer batota. Sempre! E nem sequer precisam de ser hackers experientes ou andarem com o trabalho de apagar bolachas e desligarem os cabos. Basta navegar anonimamente...

Nisto dos blog, na verdade, o único prémio é sermos lidos, termos algum feedback - comentários, referências, links de outros blogs. Porque ninguém faz um blog para que ninguém o leia. Para isso existem os diários. Às vezes queremos partilhar uma ideia, um poema, uma imagem, um desabafo, uma música, o que quer que seja. E necessitamos de respostas, reacções, contradições, confirmações, dos outros. Porque somos um ser social, com esta necessidade de comunicar, de construir pontes e relações. O melhor, o único prémio, aquele que verdadeiramente importa, são os poucos ou muitos, frequentes ou ocasionais, leitores por aqui passam. Obrigado.

Não sei se para o ano há mais, mas se houver já não poderei concorrer nesta categoria! Bem, a não ser que acabe com este blog e comece outro... Não... Este é o meu blog definitivo, depois deste não farei outro. Este é o que leva o verso que aparece quando ligo o telemóvel...

Cavaco Silva conta os trocos...


Afinal é mesmo verdade! O sotôr Aníbal Cavaco Silva anda mesmo enrascado. Depois de bem contadinhos os trocos, deu para tomar um café a meias com a sua Maria! É para não viveres acima das tuas e das nossas, principalmente das nossas, possibilidades! Ao menos para ti ainda é possível viver...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Privatizar o Lucro, Socializar o Prejuízo*


Vai ter de privatizar escolas, para que o Estado possa reabrir as que fechou no Interior.
André Abrantes Amaral, no jornal i.


*Há frases que são todo um programa! (Ou dêem-nos cá a carne, atirem com os ossos ao povinho; ou Olha como somos tão solidários, gostamos tanto de ajudar os pobres... a continuarem pobres!; ou... [COMPLETAR A GOSTO])

Imagem daqui.

sábado, 28 de janeiro de 2012

um país num rascunho de um poema*

Idoso, Solidão, Velhice, Praia
© Fotografia de Paulete Matos


Por decreto governamental
deixam de rimar os verbos
Querer
e Poder
em Portugal.


Fica o verbo
Poder
na posse do Conselho
de Ministros
sinistros.


Querer...
Quem quiser
ser feliz
deve sair
deste país.


Ficam adiados
os sonhos
por tempo indeterminado.
E suspensa
a Democracia.


São mobilizados
os jovens
os velhos e as crianças
e as mulheres
em defesa da pátria:


- Os jovens devem cessar
os estudos.
Em alternativa,
faça-se rimar
comer e calar.

um concurso a não perder


Para saberem como participar vão AQUI.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Eu fazia desaparecer...


... e tu, o que é que fazias desaparecer?...

O Pai de todos os Pobres*


Cartoon de Margarida Alegria. Outros da série AQUI.


(Ah! E não se esqueçam que preciso do vosso VOTO em «Ainda que os Amantes se Percam...» na categoria «Blogue Revelação (nascidos em 2011)» Podem votar novamente a cada 24 horas. Obrigado.) 

*Identificam-no? Shiuu, falem baixinho que andam aí uns senhores... (O desemprego, a fome, o medo, o desespero, a desesperança, a dependência, a subserviência, o silêncio, a indiferença, a pobreza, são outras formas de nos roubarem a identidade, a autonomia, a liberdade... são outra forma de ditadura, uma ditadura sem rosto, mas não menos cruel. Há que combatê-la! Há que combater todas as ditaduras com todos os meios! O desemprego dos teus colegas é o teu desemprego! A fome do teu vizinho é a tua fome! O medo do teu irmão é o teu medo! O desespero dos teus filhos é o teu desespero! A desesperança dos teus compatriotas é a tua desesperança! A dependência dos teus pais é a tua dependência! A subserviência dos teus concidadãos é a tua subserviência! O silêncio dos teus camaradas é o teu silêncio! A indiferença dos teus amigos é a tua indiferença! A pobreza dos teus conterrâneos é a tua pobreza! Não lhes vires o olhos porque quando olhares de frente verás que é para ti que olham!)

Dia da Amizade, dia dos Amigos

Boys Smoking, Norman Rockwell, Rapazes a Fumar
Boys Smoking - Norman Rockwell

Dizem que hoje é o Dia dos Amigos, Amigas, Amizade, Compadres, Comadres, e outras coisas. Dizem que nos Açores se celebra na quinta quinta-feira de cada ano. Dizem que é um dia que se celebra em vários locais do mundo. Celebremos então a amizade. Há uma ilustração de Norman Rockwell, que se seguiu a esta aqui acima, com o título Retribution. Retribuição, em Português. Ou pensavam que fumar não tinha consequências? Tudo tem. A retribuição da amizade (talvez o mais humano dos amores) é apenas a amizade. O mais gratificante da amizade é poder sê-la. Um forte abraço a todos os meus amigos (por dentro choro aqueles que já não posso abraçar... puta de vida!). Celebremos então. Celebremos todos os dias.


(Ah! E preciso do vosso VOTO em «Ainda que os Amantes se Percam...» na categoria «Blogue Revelação (nascidos em 2011)» Podem votar novamente a cada 24 horas. Obrigado.)  

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Vamos todos ajudar o Aníbal




(Preciso do vosso VOTO em «Ainda que os Amantes se Percam...» na categoria «Blogue Revelação (nascidos em 2011)» Podem votar novamente a cada 24 horas. Obrigado.)

Cavaco Silva, as Anedotas

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Cavaco Silva a olhar pra Vacas
Nos últimos dias tenho recebido bastantes anedotas envolvendo o Cavaco Silva, por e-mail e sms. Deixo aqui algumas.

Cavaco Silva está na cama com a esposa. Às tantas adormece e começa a sonhar. Sonhava que tinha ficado pobre, muito pobre... Durante o sonho fala alto e diz: «Tou teso!... Tou teso!...» A esposa acorda, apalpa-lhe o pirilau e, irritada, diz: «F*lho-da-P#t@! Até a dormir é mentiroso!»


O Presidente da República, Cavaco Silva, vai visitar um hospício. Uma vez dentro do edifício, cruza-se com um maluco que lhe diz: «Boa tarde. Quem é o senhor?» «Eu sou o presidente de Portugal!» Responde Cavaco Silva. E diz o maluco: «Ai coitadinho, estás mesmo mal! Mas olhe, não se preocupe que eles vão curá-lo! Olha para mim, eu quando vim para aqui também julgava que era uma pessoa importante e agora já estou bem…»

Agora estão protegidos de ataques terroristas...


1984: já se fala a Novilíngua...


(Preciso do vosso VOTO em «Ainda que os Amantes se Percam...» na categoria «Blogue Revelação (nascidos em 2011)» Obrigado.)

Oportunidade para Artistas...


(Cliquem na imagem para ampliar; imagem daqui)

«Olá Igor,

Além de te saudar, informo-te que somos um estabelecimentos novo e pequeno, dedicado ao negócio gastronómico, com interesse na música e na sua divulgação. Queremos oferecer-te o nosso espaço para que divulgues e promovas o teu trabalho e os teus CD's, através da tua música e do teu baixo, que seja mais smooth jazz e música mais ambiental e suave, para que as pessoas possam ir comendo... Temos sempre bastantes clientes, junto dos quais poderás promover a tua música... Se após algumas visitas virmos que o acolhimento [desta iniciativa por parte dos clientes] é bom, estamos em condições de ter oferecer um acordo económico muito atractivo, para que venhas de tempos a tempos ao nosso estabelecimento deleitar os nossos ouvidos...

Esperando a tua resposta, despeço-me. Atentamente,

Félix Martínez»

Isto há com cada artista! Que comentário merece isto? Se precisarem de uma tradução livre como a que vos deixo acima... O Igor deu-lhe a resposta merecida...


(Preciso do vosso VOTO em «Ainda que os Amantes se Percam...» na categoria «Blogue Revelação (nascidos em 2011)» Obrigado.)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

CENSURADOS!


Entretanto, este génio faz um apelo ao silêncio dos jornalistas... Em suma, aqui ou noutro lugar qualquer: calem-se! A bem ou a mal! Contra idiotas deste calibre: não nos calaremos! 


(Preciso do vosso VOTO em «Ainda que os Amantes se Percam...» na categoria «Blogue Revelação (nascidos em 2011)» Obrigado.)

600 milhões de empregos...

Desemprego, Desempregado, Chomâge, Desempleo, unemployment


Dizem que é preciso criar 600 milhões de empregos na próxima década e que, ainda assim - ainda que fossem criados - 900 milhões de trabalhadores viveriam abaixo do limiar da pobreza (ver aqui, aqui, e aqui). Também li algures por aí, mas perdi o link, que cerca de 30 milhões de pessoas conseguiram emprego graças às redes socias! Não há por aí nos meus seguidores do blog e do twitter, e amigos do facebook, ninguém que queira oferecer 1? (Vou ali ao linkedin e já venho). Eu tenho a íntima convicção que vão ser criados 600 milhões... E muitos mais: 600 milhões de desempregos...

Cumprimentos


Nas últimas semanas tenho feito uma experiência que consiste em dizer que ando mal a todas as pessoas que me perguntam «como andas?» De facto esta é uma daquelas perguntas que de modo automático fazemos e a que como autómatos respondemos «bem, obrigado». Bem, a resposta varia, desde o amorfo «tudo ok» até ao expansivo «tudo sobre carris». Claro que todos sabemos que nunca pode estar tudo bem, nunca está tudo bem, umas vezes está-se bem, outras menos bem, outras mal, muito mal. Todavia, ainda que o estado anímico interior varie, a resposta que obtemos quando fazemos a questão, ou aquela que nos atrevemos a dar quando nos fazem a mesma questão, pouco difere. É quase sempre uma ligeira variação desse «tudo bem».
«E contigo?»
«Também!»
E arriamos caminho.

Enfim, cheguei à óbvia conclusão: as pessoas não querem saber. E é por isso que dizemos sempre que «está tudo bem». Para seguirmos caminho sem constrangimento...

(Não se esqueçam de votar «Ainda que os Amantes se Percam...» na categoria «Blogue Revelação (nascidos em 2011)» Obrigado.)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ah, se te queres matar...



Nas horas sombrias de adolescente angústia lia Álvaro de Campos pela noite fora. Há sempre um verso de Fernando Pessoa & Ca. a levitar no meu pensamento, e vêm à tona da minha consciência nas ocasiões mais estranhas e inusitadas. Quando caminho pelas ruas ou percorro as estradas, quando me sento à conversa numa mesa de café, quando escuto as conversas alheias, ou vejo a absorta televisão. Quando vejo um jogo de futebol, ou estou estendido em estivais areias. Às vezes ao escutar a rádio, quando ouço as notícias, ou quando mudo para o CD. Quando observo uma rapariga que passa, ou vejo crianças a brincar. Por vezes não é um verso, é uma frase de Bernardo Soares, ou uma ideia das ideias absurdas de Fernando Pessoa sobre economia ou política. Um comentário sobre o Benito Mussolini, que devia ter fixado morada em profeta, ou o comentário sobre igualdade, em que fala de operários, macacos, e homens cultos - não vou transcrever o comentário para aqui, que aquilo envergonha-me. Sim, sinto vergonha alheia pelo Fernando Pessoa.
O que nunca tinha acontecido, pelo menos que o saiba o meu cérebro consciente, tinha sido andarem versos de Fernando Pessoa a atravessarem-se nos meus sonhos. Os mesmos versos de Álvaro de Campos que amainavam as minhas fúrias suícidas da adolescência, vieram angustiadamente acordar-me a meio da noite, depois de apenas três horas de sono. Fernando, eu gosto muito de ti! Mesmo quando escrevias imbecilidades indignas do teu génio. Mas deixa-me dormir em paz!

Ainda que os Amantes se Percam... apurado para a segunda fase!


Adenda: começou a 2.ª Fase! Vota-se AQUI.  


Aqui a barraquita passou à segunda fase do concurso Blogs do Ano 2011, na categoria «Blogue Revelação», em 4.º lugar, com 234 votos, e 13% dos votos. Muito Obrigado a todas as pessoas que votaram.

E agora a parte chata: a partir das 24h00 de dia 22 de Janeiro de 2012, ou das 00h00 de dia 23 de Janeiro de 2012, volto a aborrecer-vos com os meus pedidos para irem votar...


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Rui Costa (1972 - 2012)


REVOLUTION

Quando a revolução chegar eu vou estar preparado, desligarei
a televisão e o choro dos filhos dos outros.
Quando a revolução chegar, eu abrirei a janela para saudá-la; o vento
dará outro contorno à fotografia.
Pensarei então, Ainda bem que vivi para ver este dia,
o último dia, o dia em que a revolução
chegou.

Rui Costa

Imagem: meia-noite todo o dia.

Horóscopo 2012


Este é um horóscopo baseado num profundo, rigoroso, e científico estudo de todos os signos, da posição dos planetas, e dum baralho de tarot adquirido numa antiga loja dos 300. É um horóscopo que sintetiza as previsões comuns aos 12 signos do zodíaco (mais 1), e que se aplica à generalidade dos portugueses. Para previsões específicas para cada signo, e para outras nacionalidades, é favor mandarem um e-mail. Aviso desde já que a consulta fica na módica quantia de 100 francos suiços.

Trabalho. No trabalho os portugueses vão ter muito, muito, muito amor! Ou melhor, muito sexo. Sexo forçado, violento, sado-masoquista. Porque a relação com o trabalho será na maioria dos casos uma relação não correspondida ou, na melhor das hipóteses, conflituosa. Terão constantemente a sensação de estar a viver uma relação de fachada com o trabalho: sabem que já não são felizes, que não são correspondidos, no entanto não têm a coragem de acabar com tudo: além de ser socialmente mal visto, o divórcio é demasiado oneroso. É altura de mudar, de procurar um novo rumo profissional... Calma, calma, calma! É altura de mudar, pois é! Mas para onde?!

Amor. Quanto ao amor, aqueles que estão numa relação tenderão a mantê-la, embora o amor dê cada vez mais trabalho. O facto de passarem mais horas no trabalho, que obviamente não serão remuneradas, nem sequer registadas, portanto é como se nunca existissem [só um profundo desconhecimento da realidade das pequenas e médias empresas deste país poderia levar um idiota pacóvio a sugerir o aumento de meia hora de trabalho, embora desconfie que foi apenas uma manobra de diversão: para ter algo em que ceder...], fará com que haja menos tempo para conflitos. O possível desemprego de uma das partes levará a que essa parte se subjugue às vontades da outra, ou ao fim, hipótese pouco provável, pois acarreta custos muito elevados. Em suma, os portugueses amarão mais, mas com menos vontade.

Dinheiro. Toda a gente quer saber do dinheiro! Que se lixe o trabalho e o amor! Se tiver dinheiro depois preocupo-me com isso! Portugueses e portuguesas, não acham que se anda toda a gente à procura do mesmo, e ninguém o encontra, é porque desapareceu, sumiu, evaporou! Ou julgam que estava aqui a vender os meus préstimos futurológicos se soubesse onde é que pára o dinheiro? Se soubesse onde é que pára o dinheiro, a esta hora estava a caminho! Portanto, não acreditem nesses faltos profetas e falsos tarólogos. Toda a gente sabe, ou deveria saber, que os Maias estão extintos. Vocês acreditam nas profecias de alguém que não consegui prever a própria extinção? Maias, não! De nenhuma nacionalidade! Concluindo: dinheiro não há! [Ou com tanto buraco negro no país julgavam que ele não sumia?]

Saúde. Enfim, quando não há dinheiro, ao menos que haja saúde! Mentira! Mentira! Mentira! Se perdessem menos tempo com falsos cartomantes, e lessem as notícias! Não há pilim, não há remédio! Têm pilim, têm remédio! Portanto, o melhor, portugueses, o melhor é praticarem yoga para relaxar. Caso contrário vai-se-vos a força, ânimo, o tesão... e sabem o que é que isto quer dizer? Quem não tem saúde...? Não vos vou enganar com falsas promessas... Não há curas milagrosas! Se querem ir a Fátima, vão, é lá convosco. Desde que não me venham com orações... 

(Antes de sairem é favor fazer a transferência bancária; esta consulta fica apenas por 25 francos suiços)...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

1984, de George Orwell - livros que nunca devia ter lido, 13

1984 George Orwell, Big Brother
A morte do líder querido, Kim Jong-il, reavivou-me na memória a história de Winston Smith, protagonista de 1984, romance distópico de George Orwell. Qualquer semelhança entre a Oceânia, em 1984, e a Coreia do Norte, pode não ser pura coincidência. Coincidência é o romance ter sido escrito, ou acabado, no ano em que o grande líder eterno, Kim Il-sung, chegou ao poder. 1948.

Num momento em que a Europa caminha a passos lestos para um paradigma que, à semelhança da China, junta o pior de dois mundos, o pior do capitalismo e o pior do comunismo, esta é uma obra a ter em atenção. Para sabermos aquilo que nos espera, ou para sabermos aquilo que temos que evitar que aconteça. O Grande Irmão, Big Brother, indica-nos o caminho, diz o que temos que pensar, como temos que o pensar, de preferência não devemos pensar, o que temos que fazer, como o fazer, não importa porque é que temos que o fazer, como temos que viver, onde temos que viver, com quem podemos viver. Só há um pensamento, só há uma visão do mundo, só há um destino, só há um caminho. 

Neste grande plano desenhado pelo Grande Irmão, o grande lider, querido e eterno, as pessoas são um pequeno, pequeníssimo pormenor, sem importãncia nenhuma. As pessoas já não são pessoas, pensar é crime (o duplopensar), amar é proibido (a cópula só pode ter fins reprodutivos, e não pode envolver emoções: é apenas um acto físico ao serviço do partido), e quem vai contra a ideologia (crimepensar, o mais grave dos crimes, que no fundo encerra todos os outros) é simplesmente apagado, transforma-se uma impessoa (uma pessoa que a máquina do partido se encarrega de fazer desaparecer de todo e de qualquer registo, de modo a que não só deixe de existir, mas de maneira a que nunca tenha existido). Qualquer semelhança entre o mundo do Grande Irmão, com a sua ideia única, o seu caminho único, e a sua visão única, as únicas admíssiveis, as únicas possíveis, e o trilho da Austeridade da Europa de Sarkozy e Merkel, e companhia, do não há alternativa, não é pura coincidência.

Há sempre outro caminho, há sempre outra solução, há sempre alternativa. Enquanto houver um homem ou uma mulher, como Winston Smith ou Júlia, que se recusem a não-pensar e a não-sentir, haverá sempre outro caminho. Ainda que no fim a grande máquina trucidante nos engula com as suas mandíbulas, cabe-nos resistir. Resistir sempre, a qualquer tipo de autoritarismo, de esquerda ou de direita, dos governos ou dos mercados, do comunismo ou do capitalismo, do socialismo ou do fascismo. Resistir sempre, resistir a qualquer opressão.

(Nunca gostei de reler livros. No entanto a crise assim o ordena. Ando a reler 1984, de George Orwell; mais logo seleciono um excerto para vos deixar aqui.)

Muda de Vida




Vídeo: Humanos - Muda de Vida. Letra e Música original de António Variações.

Eu mudar até mudava de vida, se mudar de vida fosse apenas querer; sim poder todos podemos assim tenhamos os meios. «Olha que a vida não, não é nem deve ser/ Como um castigo que tu terás que viver»...E que castigo...

Amigos


amigos no facebook: 1822
seguidores no twitter: 1120
amigos no orkut: 251
amigos no hi5: 574
seguidores no blogger: 270
subscritores RSS: 920
seguidores no tumbrl.: 23
circulado no google+: 147
amigos na vida real: ...

Blogs do Ano 2011 - As minhas escolhas


Adenda: começou a 2.ª Fase! Vota-se AQUI.

A votação continua a decorrer. Mais uma vez faço campanha pelo meu tasco. Na categoria «Blogue Revelação», votem «Ainda que os Amantes se Percam...».
Decidi revelar as minhas escolhas em cada categoria. Ou melhor, em algumas categorias. Nas outras abstenho-me. Assim sendo:

Actualidade Política (colectivos): Delito de Opinião

Actualidade Política (individuais): Da Literatura

Auto-conhecimento / reflexão filosófica: Divina Comédia

Ciência: De rerum natura
Desporto: Red Pass

Diários de Bordo / diários íntimos e pessoais: Tempo Contado


Fotografia e Fotoblogs pessoais: A teoria do Kaos


Livros / Literatura / Poesia: O Tempo das Silenciosas Discussões

Religião / Espiritualidade: Diário Ateísta

Blogue revelação (nascidos em 2011): Ainda que os Amantes se Percam…, pois claro!


Espero que os outros candidatos não se ofendam! Há blogs muito bons, mas tem que se fazer uma escolha! Nas categorias em que me abstive, abstive-me porque não conheço os blogs...

Post-Scriptum: obviamente estas escolhas são-no entre aqueles que estão a votação neste «concurso»...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Miguel Torga - 17 anos depois


Há 17 anos que Miguel Torga partiu. Para relembrá-lo, publico este post com um dos meus poemas dilecto deste autor agora cada vez mais esquecido. Intitula-se Harmonia. E aconselho a leitura de A Criação do Mundo.

Feliz canto das aves,
Sem possível
Compreensão;
Feliz rumo dos astros,
Sem possível
Desvio;
Feliz fúria do vento
Sem possível
Arrependimento.


E feliz o poeta
Que ninguém lê.
Que sòzinho contempla
O nascimento e a morte
Dos seus versos.
Pai acabado que no próprio corpo
Gera os filhos
E lhes dá ternura
Do berço à sepultura.

Miguel Torga, in. Orfeu Rebelde.


Imagem: wikipédia.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Nota de Imprensa


Tomando de assalto o título do post do Standard's & People, Pá! quero agradecer a todas as 58 pessoas que votaram no Ainda que os Amantes se Percam... no concurso de blogs do Aventar. A margem para obter mais votos é muito reduzida, mas ao menos permitiram-me encerrar o primeiro dia de votações em 2.º lugar na categoria «Blogue Revelação (nascidos em 2011)». Até dia 21 podem votar neste meu abrigo AQUI

domingo, 15 de janeiro de 2012

Blogs do Ano 2011 - Abertas as Votações!


Adenda: começou a 2.ª Fase! Vota-se AQUI.

Estão abertas as votações para os Blogs do Ano 2011, no Aventar. Este meu postigo está inscrito na categoria «Blogue Revelação (nascidos em 2011)». Quem considerar que este meu blog merece o voto, é só ir AQUI, e na respectiva categoria escolher Ainda que os Amantes se Percam... Agradeço desde já o voto! E as visitas, a quem por aqui passa. 1.ª fase de votações a decorrer até dia 21 de Janeiro de 2011.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Geração à Rasca



Para escrever este texto que propus a mim mesmo escrever, socorri-me do bloco referido no balanxo 2011, pois há bastante tempo que se tornou evidente para mim próprio que não consigo escrever no computador; por isso tenho procurado uma máquina de escrever, mas como sabem já não se fabricam.
O texto vai ser longo. Podia eliminar estes devaneios todos e os que se seguirão, e ir directo ao assunto, para que os meus caros leitores não desistissem da leitura; infelizmente isso teria dois senãos: não sei se há verdadeiramente um assunto a que se possa ir de modo directo e, como se calhar o melhor que têm a fazer é abandonar a leitura deste texto, pois não há absolutamente nenhuma prova de que este texto venha a ter o mínimo interesse seja para quem for, e - dizia - estaria a fazer-vos perder tempo de qualquer maneira. Ainda assim, ainda que corra o risco de que ninguém o venha a ler, hoje escrevo para mim mesmo antes de mais, e só depois para quem possa vir a ter algum interesse em lê-lo.

Não é um texto científico, nem pretende defender, demonstrar, ou explicar o que quer que seja: escrevo como durante anos escrevi, nos meus diários de papel - que foram agendas, cadernos, folhas soltas - que nunca foram lidos por ninguém: se andar por aí algum daqueles amigos que sempre tiveram curiosidade em saber como era aquilo que escrevia nos diários, agora podem ter uma ideia aproximada. E grande parte deles não só nunca foram lidos por ninguém, como também nunca poderão vir a sê-los, uma vez que foram destruídos: queimados, para ser mais específico. Dos que havia entre os 15 e os 18 anos, nenhum sobreviveu, à excepção de umas sete ou oito folhas soltas. E ficou a minha memória para me enganar da mesma maneira que me enganavam os diários.
Nem sequer vou ter o cuidado de procurar substituir esta ou aquela palavra por outra mais apropriada: escrevo conforme me flui o pensamento, embora seja difícil acompanhar tal torrente com o lento manejar da esferográfica sobre o papel. Mais difícil agora que quase tudo é escrito no computador, e a minha letra se transformou em dolorosos gatafunhos. Enfim, por onde começar?

Antes quero dizer que este texto absolutamente inútil poderá prolongar-se por muitas folhas (tenho 10 blocos destes) e por muitos dias, ou pode acabar de repente, ou pode nunca vir a ser publicado no blog, o que não será o caso, no caso de estarem a ler isto. E também quero dizer que não me darei ao trabalho de cortar excertos, por mais inúteis que sejam, nem de trocar palavras, nem de lhes alterar a ordem para lhes dar mais sentido, ou algum sentido, sequer. O mais que farei será corrigir algum erro, que a minha dislexia nunca me permitiu escrever sem erros: e se no computador isso é fácil de corrigir, mesmo no momento em que se escreve, num texto à mão, que não tenha sido passado a limpo, os erros acumulam-se. Também poderei acrescentar e completar palavras que pela mesma razão deixo a meio, ou simplesmente omito, quando estou a escrever.
Geração à rasca. Há muito que queria escrever um texto sobre este tema. Ainda que o mais provável seja que no fim não tenha dito nada sobre o mesmo. Um texto de alguém, que por acaso sou Eu, que sempre viveu à rasca, todos os dias, desde o dia em que nasceu, qualquer coisa como 11150* dias (números arredondados, que não estou com pachorra para ir saber quantos dias tenho, limitei-me a multiplicar os meus anos pelo número de dias de um ano). Há coisa de 30 anos e alguns, cada vez mais, meses. E ainda assim, já tive o privilégio de nascer no hospital da capital de distrito, embora na certidão de nascimento conste a aldeia onde viviam os meus pais. Sim, efectivamente, nasci na Guarda. Foi o Ar da Guarda o primeiro que respirei com os meus pulmões.

Sexta-Feira, 13

Sexta-Feira 13, Friday 13, Vendredi 13,


Para testar isto das sextas-feiras 13 fiz dois exercícios: a) Onde estava e quais os acontecimentos pessoais relevantes nos últimos 13 anos no dia 13 de Janeiro? b) Onde estava e quais os acontecimentos pessoais relevantes nas últimas 13 sextas-feiras 13? Eis os resultados desta pesquisa:

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Portugal, a Flor e a Foice

Portugal a Foice e a Flor, José Rentes de Carvalho

A prova? Na maioria, na grande maioria dos romances portugueses, os personagens populares são postos a falar com empolamento académico, ou então com a ênfase pesada dos maus dramas de teatro. Mais: aquela linguagem não é a sua, autêntica e rude. Nada disso: é uma linguagem que o escritor inventa, pedantesca, a mentir na sintaxe e nos sentimentos. A ponto que com os romances portugueses sucede o seguinte: não parecem ter sido escritos para serem lidos, ou com a intenção profunda de, ao agitar um problema da sociedade, causarem uma mudança ou corrigirem uma injustiça, mas simplesmente para que o autor possa dar entrada naquele grupo de eleitos que se julgam diferentes, e daí melhores.
Mas o povo, mesmo inculto, quase analfabeto, não se deixa iludir nem impressionar, e os escritores portugueses bem poderiam atentar no facto bizarro de que há mais de cem anos "as massas"- como agora lhes chamam - apenas conhecem e compram dois livros: Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco (1825-1890), um grande escritor do Romantismo com raízes populares que não mentem; e Rosa do Adro, de Manuel Maria Rodrigues (1847-1899), do qual um dicionário de literatura diz com superioridade: "Romance popular de grande voga, exemplo típico da falsa literatura regional, obra sub-literária até na linguagem".
Caso para dizer: olha quem fala. E será assim, visto pelos olhos académicos, não vamos discutir aqui critérios de classificação literária. É sintomático, porém, que o povo se identifique com obras de sub-literatura, datando de há mais de um século, e ignore tudo de um Neo-Realismo que, supostamente, espelha as suas alegrias e dores.
Não se vá, porém, deduzir do que atrás fica que, durante este meio século de miséria, a literatura portuguesa tenha tido excessos de atenção para com o povo.. Se por vezes o utilizou como tema foi, sobretudo, para melhor falar de si própria, mostrar como, enfatuada e parva, é capaz de cabriolas.
Num artigo sobre a Censura em Portugal José Cardoso Pires relata que o neo-realista Alves Redol escrevia em 1970 no hospital: "Sou um desses escritores que morrem completamente isolados do seu país... Nunca me deixaram escrever o que queria".
Estranha confissão. Quem poderá jamais impedir um escritor de escrever o que quer? Não o fizeram outros, ao longo de ditaduras mais ferozes, correndo, não o risco da censura, mas o da prisão, da tortura, da humilhação, da morte? Não o fizeram os alemães sob Hitler , os russo sob Estaline e depois? Não o fizeram os italianos e os gregos? Não o fazem tantos espanhóis e sul-americanos?
Monstruoso concubinato o de certos escritores portugueses com a Censura,, escrevendo com o propósito de serem censurados e assim alcançarem o nadinha de notoriedade que, doutra forma, os seus escritos nunca lhes dariam. A mostrarem depois cicatrizes da alma como quem pendura medalhas num uniforme – para que se veja. E queixando-se da falta de liberdade, esquecidos de que a liberdade não é coisa que se receba doutrem, mas direito que se tem.
Se não fosse a Censura, diziam, escreveriam coisas grandiosas e quando chegasse a liberdade eles iriam tirar das gavetas os manuscritos lá escondidos, as obras primas, os soluços abafados pelo fascismo.
A liberdade chegou com o 25 de Abril , mas as gavetas nada continham. A Censura e o fascismo tinham sido a desculpa fácil, o pretexto visível a cobrir um mal mais profundo que a falta de talento: a demissão perante a realidade política e social do país, o alheamento voluntário em malabarismos de uma intelectualidade duvidosa.
O escritor brasileiro Graciliano Ramos (1892-1953), um dos intelectuais comunistas que sofreram a repressão sob a ditadura de Getúlio Vargas, escreve em Memórias do Cárcere: "Certos escritores se desculpam de não haverem forjado coisas excelentes por falta de liberdade - talvez ingénuo recurso de justificar inépcia ou preguiça. Liberdade completa ninguém a desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a delegacia de ordem pública e social, mas nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer".
Os escritores portugueses, regra geral, preferiram não se mexer."


J. Rentes de Carvalho, em Portugal, a Flor e a Foice. Dizer que esta obra não está publicada em Português diz mais sobre Portugal do que se estivesse. Podem ler 3 excertos no blog do autor, aqui, aqui, e aqui.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A Maçonaria. Abriu a época de caça às bruxas, perdão, aos maçons...



Agora que não se fala noutra coisa na televisão e redes sociais, recordei-me da primeira vez que ouvi falar desta sociedade discreta. Teria pouco mais de seis anos, ou talvez já tivesse sete, não poderia ter muito mais pois foi antes de o meu pai morrer. Estava em casa da minha avó, a lanchar, pão migado com leite e açucar. Não sei a que propósito foi, não me recordo do que falávamos, não sei o que disse. Sei que a minha avó me olhou com um olhar acusador e desconfiado, como quem aponta o dedo sem o apontar: «Tu és maçom». E desde então até bem recentemente, a minha avó sempre me acusou deste «crime»: "Tu és maçom!" Era a acusação com que dava por terminada qualquer conversa que não lhe agradava. Passei longas horas da minha vida a ouvir a minha avó, as sua história, as suas tristezas - começava sempre pelas tristezas, amaldiçoava a mãe que a abandonou, os primos afastados que a acolheram em casa e a encheram de trabalho e maus tratos, ainda não teria 6 anos, o meu avô que a enganou, pensava que fosse um homem melhor e casou com ele, e depois saiu-lhe isto, dizia. "Tu és maçom!" era a acusação e a desculpa que dava quando a inquiria sobre algum pormenor ou momento da sua narrativa que eu queria ver esclarecido. Dizia-me "Tu és maçom!" como se concluisse sem concluir "portanto não podes saber isto". Outras vezes era como se dissesse "portanto tu já sabes isto muito bem, não manques comigo". Mancar era a palavra que ela utilizava tanto para dizer «aleijar», que é o significado deste verbo, como para dizer «gozar». Talvez porque os mancos fossem frequentemente vítimas de gozo. Mas não o dizia, deixava a frase pelo "maçom".
Só tive conhecimento efectivo desta sociedade quando aos 15 anos comecei a ler textos de e sobre Fernando Pessoa, que em 1935 escreveu o artigo «Associações Secretas» no Diário de Lisboa, na sequência de um projecto de lei apresentado por José Cabral (Dr.) com o objectivo de extinguir as Associações Secretas, e por conseguinte a Maçonaria. De qualquer modo, nunca consegui que a minha avó me dissesse porque é que eu era um «maçom». Nem sequer que me respondesse à pergunta «Mas isso é bom ou é mau?» Acresentava então o artigo indefinido: «Tu és um maçon...» Como que a dizer-me que não me sabia dizer se isso era bom ou mau... [Para inveja dos outros netos, fui sempre o seu neto dilecto.]

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ponto de Interrogação


Não imagino o que será a espectativa, a notícia que não chega, a dor infiltrada na esperança de encontrar uma resposta, algo que não sabemos ter ou não perdido, uma ausência de sinais, a espera desorientada de não saber o que se pensar ou dizer ou sentir, uma dor inconclusa exprimível apenas numa solitária pontuação: ?

Henrique Manuel Bento Fialho, no blog antologia do esquecimento.

domingo, 8 de janeiro de 2012

¿Por qué no te callas?


E de caminho atira-te para o Oceano; deixamos à tua escolha: Atlântico, Índico, Pacífico, Glacial Ártico, ou Glacial Antártico; de preferência para este último, e para a parte líquida: ficamos mais descansados. Homem, faz-te ao mar... Imagem e notícia do Público.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Blogs do Ano 2011


O Aventar está a organizar um concurso de Blogs do Ano, relativo ao ano de 2011. Podem candidatar-se, ou indicar outros blogs, até dia 13 de Janeiro de 2011, a uma das categorias a concurso. Depois haverá votações. Entretanto passem pelo Aventar para saber mais informações, neste post. Eu decidi concorrer à categoria «Blogue revelação (nascidos em 2011)». A partir de dia 13 de Janeiro de 2011 não se esqueçam de voltar a passar no Aventar para votar. Se assim entenderem, neste meu postigo: Ainda que os Amantes se percam...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Novilíngua



- Como é que vai o Dicionário? - disse Winston, erguendo a voz para se fazer ouvir no meio do barulho.
- Vai avançando devagar - retorquiu Syme. - Estou agora nos adjectivos. É fascinante.
O rosto iluminara-se-lhe assim que ouvira falar na novilíngua. Arredou para o lado a marmita, agarrou com uma das delicadas mãos o naco de pão, com a outra o queijo, e debruçou-se por cima da mesa para poder falar sem ser aos gritos.
- A Décima Primeira Edição vai ser a definitiva - disse. - Estamos a dar ao idioma a sua forma final, a forma que há-de ter quando ninguém falar nenhuma outra língua. Quando chegarmos ao fim, pessoas como tu terão que aprendê-la de novo. Julgas com certeza que a nossa principal tarefa é inventar palavras novas. Mas não é nada disso! Estamos é a destruir palavras, dezenas, centenas de palavras por dia. Estamos a reduzir a língua ao seu esqueleto.
(...)
Não compreendes a beleza da destruição de palavras. Sabias que a novilíngua é a única língua do mundo cujo vocabulário diminui ano após ano?
Winston sabia, claro. Sorriu, esperando que o seu sorriso traduzisse um assentimento, pois não se atrevia a dizer o que quer que fosse. Syme trincou mais um bocado do pão escuro, mastigou-o rapidamente e prosseguiu:
- Não vês que a finalidade da novilíngua é precisamente restringir o campo do pensamento? Acabaremos por fazer com que o crimepensar seja literalmente impossível, pois não haverá palavras para o exprimir. Todos os conceitos de que possamos ter necessidade serão expressos, cada um deles, exclusivamente por uma palavra, de significação rigorosamente definida, sendo eliminados e votados ao esquecimento todos os sentidos subsidiários.

George Orwell, em «1984». E ainda há quem se congratule com isto: «Words Banished from the Queen’s English for Misuse, Overuse and General Uselessness» (via Bibliotecário de Babel), e com outras formas de destruição das línguas, não é senhores idiotas do acordo ortográfico?

balanxo 2011


Enfim, o balanço, o balanço… Pela negativa o mesmo de sempre, o passado, o passado que teima em subsistir no presente: a cultura de subserviência – os lacaios! As toupeiras! Os escava-terra! – a corrupção, o favorzinho, o compadrio, o padrinho, o «senhor doutor»! E com isto, isto da sensação de impotência, de falar para o ar, as pedras, o vento; o sentimento de injustiça, a resignação. As empresas que fecham, as pessoas que se vão embora, a asfixia. O quererem calar a Cultura – a poesia, a música, a pintura, o sonho – ai!, se pudessem: o pensamento!

Excerto do meu balanxo 2011, que podem ler na íntegra no Café Mondego.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Steve, Jobs?



Quando há tempos faleceu essa criatura de deus, dada ao mundo pelo nome de Steve Jobs, a comoção geral encheu páginas de jornais, minutos dos noticiários, e posts de blogs; milhões de imagens, vídeos, e citações percorreram os estatutos nas redes sociais. Nunca simpatizei com esta figura. Detesto tiranos, ditadores, e exploradores de qualquer espécie, género, ou feitio, sejam eles de esquerda ou de direita, capitalistas ou comunistas, ou outra coisa qualquer. Um resumo de Rui Passos Rocha (no A Douta Ignorância, via Delito de Opinião):

  • A semana de trabalho típica é de 72 horas;
  • Um trabalhador morreu após 34 seguidas de trabalho;
  • Não é permitido falar;
  • Não é permitido olhar em volta;
  • É proibido usar telemóveis dentro da empresa;
  • Depois de 12 trabalhadores se terem atirado de janelas para a morte, a solução encontrada pela empresa foi colocar redes à volta do edifício para amparar futuras quedas;
  • Agora os trabalhadores têm de assinar uma declaração em como não tentarão suicidar-se e, caso o façam mesmo assim, as famílias não receberão qualquer indemnização.

Vivo bem sem iCoisas. Este iMundo enoja-me. E para as virgens que se possam ofender, tenho isto a dizer-lhes: de cada vez que compram iTralhas destas e de outras empresas como estas, dão mais um iPasso para um dia serem iEscravos (recuso-me a chamar trabalho a algo que é escravatura)... 

Outra coisa: iGénio? Este homem passou a vida a copiar o trabalho dos outros... Qualquer dia ainda dizem que inventou o computador!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MINISTÉRIO DA VERDADE:



GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA


*E eles querem convencer-nos que só há uma verdade: a deles!, e que só há um caminho: o deles!