domingo, 2 de dezembro de 2012

Segundo Soneto da Morte

Long Way Home, Longo Caminho
© Fotografia Floriana Barbu


Este longo cansaço irá ser grande um dia
e a alma dirá ao corpo que não quer
arrastar o seu peso ao longo desta via
por onde os homens vão, felizes por viver.

Sentirás que ao teu lado cavam brutalmente,
que outro hóspede chega à serena cidade.
Vou esperar que alguém me cubra completamente
e depois falaremos uma eternidade!

Só então saberás porque é que, ainda imaturo,
para as profundas fossas o teu corpo iria
aí dormir tranquilo, aí permanecer.

E então far-se-á luz no campanário escuro.
Saberás que entre nós sinais de astros havia
e que, quebrado o pacto, tinhas de morrer.

Poema de Gabriela Mistral

Quando eu morrer, se me fizerem uma lápide, gostaria que a primeira estrofe fosse o epitáfio...

2 comentários :

  1. Parabéns pelo teu blog, é ótimo!
    Vem conhecer o meu:

    leiakarine.blogspot.com

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  2. Embora reconhecendo o valor do poema, confesso não gostar do tema...

    ResponderEliminar

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