terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Indiferença à Saüdade*


Escrevo-te esta carta em plena solidão… desde que foste embora tudo ficou tão cinzento por aqui, o meu rosto enruga-se, o meu coração aperta-se cada vez mais pela falta que fazes do meu lado… tenho medo que quando os nossos olhares se voltarem a cruzar se tenha perdido aquela magia que nos ligava, e apenas as tuas fotos e milhares de memórias são o pouco que tenho para me ajudar a matar o tempo enquanto estás longe.

Sinto falta dos momentos em que a nossa simples troca de olhares dizia tanto… dizia tudo! O teu olhar, o teu sorriso eram contagiantes. Perdia-me neles horas a fio sem que tu notasses, eram como alimento para um coração que tinha desacreditado de amar, e tu devolvias-me a crença apenas por seres tu mesma.

A distância é amarga, deixa-nos como um menino vadio sem saber para onde ir e sem saber o que fazer, sem porto de abrigo… Invades os meus sonhos, trazes neles aquele carisma que te caracteriza, respiro-te em tudo à minha volta nos aromas que ressuscitam momentos antigos, ouço a ecoar-te no meu pensamento com as palavras genuínas que tinhas para todas as situações. Vejo-te em todo o lado meu amor… e quem dera ver-te.

Já é Outono… e por mais que as folhas do calendário vão caindo, os dias sem ti parecem sempre os mesmos… nostálgicos, lentos, como se fizessem realmente questão de mostrar o quanto estamos longe um do outro. Enquanto me divido pelos espaços vazios da casa que me despertam lembranças da tua voz que os completavam, sinto o pesar da saudade a crescer a cada movimento dos ponteiros do relógio, sinto o frio miudinho das noites em que não tenho o teu aconchego, e só o cigarro é o meu cúmplice fiel enquanto te escrevo estas palavras. Dava o mundo para sentir um abraço teu… Fico sem o meu mundo sem o teu abraço.

O Relógio rompe tão devagar o tempo que conto com a incerteza… isto é uma carta de amor! A que tu nunca recebeste… a que tu te reservas a ler com medo de chorar… chorar é o amargo que desflora a saudade que se sente da doce presença de um passado… aperta bem estas palavras a ti, não agora , mas quando elas te encherem com o seu sentido… construímos na cumplicidade de simples olhares o que destruímos aos poucos por disparidades… foi só mais um dia solitário por não te ter perto.

Texto do meu brother in arms Trëk.

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