domingo, 18 de novembro de 2012

Teste de Masculinidade


Havia nesses tempos um teste de masculinidade muito popular, que consistia em três perguntas: (1) Olhe para as suas unhas (uma rapariga estende os dedos, um rapaz dobra os dedos sobre a palma da mão); (2) Olhe para cima (uma rapariga limita-se a erguer os olhos, um rapaz inclina a cabeça toda para trás); (3) Acenda um fósforo (uma rapariga afasta o fósforo do corpo, um rapaz aproxima - ou talvez fosse o contrário, não me lembro). Mas havia sinais menos esotéricos. Um homem cruza as pernas, fazendo descansar um tornozelo sobre o joelho; um maricas suspende uma perna em cima da outra. Um homem nunca se mostra efusivo, não desata a tagarelar por dá cá aquela palha; ou é silencioso ou então fala bem alto e claro e sem excessos. Eu não sabia dizer palavrões: dizia sempre o g final de fucking e nunca sabia em que sítio da frase devia meter damn ou hell.

Edmund White, in. A Vida Privada de um Rapaz 


Sempre que leio notícias sobre padres e paneleiros recalcados e a sua irritante tendência para meterem o bedelho naquilo que não querem que lhes diga respeito, pergunto-me porque é que não metem a merda do indicador no olho do cu? Para Alan Escada, a homossexualidade é “um mal que deve ser corrigido, devendo as pessoas que têm este pecado optar pela abstinência”. Oh meu querido, mas já alguém te obrigou a foder? Abstém-te se te queres abster, mas principalmente abstém-te de abrires a boca. A quem tanto proclama as virtudes da abstinência, ficava-lhe bem começar por praticá-la. Abstenham-se se se querem Abster. Não se esqueçam é do significado de abster: privar do exercício de uma função ou direito. Fodam se querem foder...

Pintura de Marcus Blättermann (daqui)

1 comentário :

  1. Gosto muito de Edmund White, e claro que já li o livro em causa.
    Quanto ao resto, André, puta que os pariu e chega...

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