domingo, 18 de novembro de 2012

10 livros para compreender a encrenca em que estamos metidos...

A Peste, Albert Camus, A Peste de Albert Camus


Desde que dei para mim mesmo o sonho europeu como acabado*, que penso muitas vezes nestes 10 livros, quando em momentos de reflexão (ou apenas introspecção) tento compreender o que se passa afinal? Como foi possível chegarmos a este ponto sem retorno? Sim, a Europa tal como a conhecemos nas últimas décadas está acabada. O paradigma europeu que nos venderam perdeu a validade. Talvez venha a emergir dos escombros desta crise um outro paradigma que responda aos nossos sonhos e inquietações. Se sairmos vivos. Aqueles que saírem vivos. 

Foram muitos os sinais, e muitos os sinais que colectivamente ignorámos, como quem sente chegar a constipação e nada faz para a curar. À constipação juntou-se a gripe, e pouco mais fizemos que tomar uns fracos medicamentos (ou mezinhas, na maioria dos casos) para atenuar os sintomas. Agora estamos na cama do hospital com uma pneumonia fatal - aquela de que só um milagre nos pode salvar; mas como toda a gente sabe, embora não queira acreditar, não há milagres. 

Lembram-se de quando se repetiam referendos para que os povos escolhessem a opção burocrática... Lembram-se de quando contraíamos empréstimos para que as contas dessem os resultados pretendidos... Recordam-se de quando nos perguntavam se era preciso que nos explicassem como se fossemos muito burros que... Lembram-se de quando os governos votavam apressadamente as leis contrárias àquilo que...

Enfim, que é que isto tudo tem que ver com aquilo que eu vinha aqui escrever? Não sei bem. Só sei que tenho pensado muito nestes livros quando dou comigo a pensar nestas questões que, no fundo, no meu dia-a-dia, na minha vidinha prática, aquela que mais não é que trabalhar para pagar contas, não respondem a nada. Costumo dizer para mim mesmo que quando as respostas a uma questão não nos permitem encontrar uma solução, então temos que mudar as perguntas, pois estamos focados em algum aspecto sem importância da equação - ou pelo menos irrelevante ou de somenos importância, a que chegaríamos se fossemos capaz de fazer as perguntas essenciais - e encontrar as respostas.

E que livros são, afinal? Estes: Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago; O Processo, de Franz Kafka; 1984, de George Orwell; Diário, de Anne Frank; Uma Conspiração de Estúpidos, de John Kennedy Toole; A Peste, de Albert Camus; Fome, de Knut Hamsun; As Vinhas da Ira, de John Steinbeck; As Benevolentes, de Jonathan Littell; e Quando Hiltler me Roubou o Coelho Cor-de-Rosa, de Judith Kerr.

Pensando melhor, se ainda não leram talvez seja melhor não lerem... Afinal a ignorância é uma espécie de inocência. Inocência que não tem perdão, como o não tem qualquer inocência, mas ainda assim inocência. E que santa inocência... 

(Quem já leu? Conseguem compreender o porquê de o estado actual da Europa me fazer pensar tantas vezes nestes livros? Também penso muitas vezes noutros, mas estes são aqueles em que penso mais - e 10 sempre é um número redondo, como convém a estes posts...)

*Se clicarem podem ler o post e o dia em que me convenci definitivamente disso. Leiam também este outro post: Os Jogadores de Xadrez.

4 comentários :

  1. Se penso em Camus, prefiro, antes, pensar no Mito de Sísifo. Não é que seja bom, é, mesmo, uma maldição. Mas, enfim, há sempre a possibilidade de se recomeçar - mesmo sabendo que se está a recomeçar do nada, voltando tudo sempre ao princípio.

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    1. Mito de Sísifo, shame on me, é uma das poucas obras de Albert Camus que ainda nãp li. Já o tenho aqui comigo - para corrigir essa falta...

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  2. Li-os quase todos e tenho que te dar razão.

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    1. A realidade consegue tantas vezes ultrapassar a ficção...

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