sábado, 4 de agosto de 2012

A Depressão Dói? A Depressão Mata!

Depressão, Depression, Old Man in Sorrow, Vicent van Gogh

Agora, há distância de tantos anos, recordo o momento em que de repente envelheci para sempre. Tinha passado pelo meu 13.º aniversário há exactos 19 dias, era feriado, Dia de Portugal, o 10 de Junho de 1994, e estava sozinho, estendido no chão duro e frio da sala da minha casa, a ver televisão. E de repente, sei-o agora, a minha alma quebrou. E ainda ouço os longos e distantes estalidos, como um eco sem fim.

A definição e classificação desta doença esta acessível a qualquer um, à distância de um clique: existe o CID [Classificação Internacional de Doenças], e o DSM [Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders], por exemplo. Por estas ou outras palavras, a isto se resumem os sintomas:

  1. humor deprimido a maior parte do dia e quase todos os dias;
  2. perda de interesse ou satisfação em relação à maior parte das actividades a maior parte do dia e quase todos os dias;
  3. perda ou aumento de peso significativos, ou aumento ou perda de apetite quase todos os dias
  4. insónia ou hipersónia quase todos os dias;
  5. agitação ou lentificação psicomotora quase todos os dias;
  6. fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
  7. falta de auto-estima ou sentimentos de inadequação e culpabilidade (que podem ser delirantes) quase todos os dias;
  8. capacidade intelectual ou de concentração diminuída, ou indecisão e dúvida, quase todos os dias;
  9. ruminações sobre morte (não apenas medo de morrer), ideacção suicida recorrente sem que haja um plano traçado, ou tentativa de suicídio ou plano para atentar contra a vida.

Ou: Pessimismo; dificuldade na tomada de decisões; dificuldade para começar a fazer as suas tarefas; irritabilidade ou impaciência; inquietação; achar que não vale a pena viver; desejo de morrer; chorar à-toa; ou dificuldade para chorar; sensação de que nunca nada vai melhorar, desesperança; dificuldade para terminar as coisas que se começaram; sentimento de pena de si mesmo; persistência de pensamentos negativos; queixas frequentes; sentimentos de culpa injustificáveis; boca ressequida, constipação, perda de peso e apetite, insónia, e perda do desejo sexual.

[Post a continuar]

O meu [«meu» é uma forma de dizer] psiquiatra [apenas o consultei - ou fui obrigado - uma única vez, em 1998] disse-me que o primeiro passo era admitir que tinha um problema. Ele não acreditava que eu alguma vez o viesse a fazer. Nem eu...

10 comentários :

  1. A doença é uma construção dos homens.
    Abraço

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  2. Sim, o 1 passo é admitir a doença. Depois há q colaborar c/ o técnico. Mas a medicação... Há qts anos tomarei Prozac? 10 talvez..

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  3. Também já passei pelo mesmo, apercebi-me disso e nunca sequer pensei (não por medo, por desconhecimento) em consultar um médico. Agora já passou, mas deixou algumas marcas...

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    1. Deixa sempre, com ou sem consulta. Ainda bem que passou! Bjs.

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  4. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

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  5. agradeço-lhe o seu post. agradeço a forma concisa e sem retoques estilísitcos com que escreveu. é mesmo isso, é mesmo assim. há dias em que não passa. há dias em que não é tão mau. há dias em que somos nós. há dias em que são os que nos estão perto - e que não admitem e que não se deixam ajudar e que estão quase a desaparecer (connosco a ver). Não sei quem é o André mas é bom saber que há homens com coragem. Desculpe alguma incorrecção gramatical. hoje não é um dia em que me interesse por coisa alguma. mas agradeço-lho ter tropeçado no seu post.

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