terça-feira, 10 de julho de 2012

Anotação número 59: passagem das horas

Passagem das Horas, Relógio, Tempo, Horas,

59.

Quando damos por nós à espera da passagem das horas, envolvidos pelo tédio no seu limbo de marasmo e melancolia, a existência transforma-se num interminável e sorumbático suplício. A única esperança reside no súbito aparecimento de um dia melhor – firme ilusão com que subsistem os canalhas. Não surgirá melhor dia. Quando o presente não nos satisfaz, foi derrubada a barreira entre nós e o absurdo. Demo-nos conta do exílio a que nos encontramos condenados. Para os canalhas o futuro é a fuga ao absurdo. Mas como qualquer outra é uma ilusão também. E incapacitante. A esperança de que um dia melhor virá resgatar-nos do exílio, do absurdo, do presente, prende-nos ao que há, impedindo-nos de lutar contra essa angustiante alienação com a única arma de que dispomos: nós mesmos.

Anotação número 59 de 99, de um livro feito romance a partir de fragmentos e anotações, e que são 5 histórias que se cruzam, mas que podiam ser apenas 1. O título original era «Morte na Madrugada», com o subtítulo «ou o eterno amanhecer», porque sempre gostei de subtítulos. Que dissessem o mesmo, o contrário, ou outra coisa qualquer.


O Romance «Os Cadernos Secretos de Sébastian» encontra-se à venda, em livro, na Amazon e na CreateSpace. Em formato e-book podem encontrá-lo na SmashWords, no iTunes, na Amazon, e noutras lojas online.

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