sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Terra dos Sonhos e da Felicidade. O Paraíso na Terra. Brazil.

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Nos últimos tempos (vá, não mintas), nas últimas três ou quatro semanas tenho pensado em emigrar para o Brazil. Tem a língua que eu amo, e o clima que eu adoro. Tem até gente bonita - demasiado bonita, embora eu odeie pessoas bonitas. A literatura é fantástica, embora tenha Paulo Coelho. E há por lá muita religião, mas a gente perdoa que Deus é Brasileiro. Não sei se é preconceito, mas para mim os Brasileiros são todos felizes, mesmo na miséria, mesmo na maior das contrariedades, mesmo na maior das desgraças - talvez os meus leitores do outro lado do Atlântico queiram ter uma palavra a dizer. Deve ser do clima - há coisas que não se compram. Todos os Brasileiros que conheci eram extremamente - até exageradamente! - felizes. Recordo um, nos idos de 2000 - lá está, era louro e tinha olhos azuis, quase custava a acreditar que fosse Brasileiro, tamanha era a parecença com os Suecos, e como eu disse, eu odeio pessoas bonitas! - era um rapaz fantástico com quem convivi apenas em três ou quatro ocasiões, por via de amigos comuns. Vivia de pequenos, pequeníssimos, biscates, de quartos e comida alheia, e de um ou outro sorriso que lhe dispensavam, na maior parte dos casos era ele quem pagava com aquele lindo sorriso: há coisas que nenhum dinheiro do mundo pode comprar. Onde é que eu ia? Perco-me muito. O rapaz, bem vistas as coisas não tinha onde cair morto, estava em Portugal para onde veio sem ter familiares ou amigos, nem sequer conhecidos. E tinha HIV. Eu observava o sorriso dele, via aquela energia e aquela felicidade contagiante, e emocionava-me. Chegava a ser alheiamente feliz. Nunca mais o voltei a ver. Se tiver seguido o seu destino, terá ido para Inglaterra. «Sei que tenho pouco tempo de vida» - dizia. «Vou aproveitar para visitar os países que sempre quis conhecer». Como eu gostava de ser assim! Ser feliz! Apesar de todas as contrariedades da vida, do malvado vírus que o contagiou, de viver no fio da navalha, ele é talvez a pessoa mais feliz que conheci. [Embora ele andasse convencido que ia morrer em breve, espero que esteja vivo, e onde quer que esteja, que seja feliz]. (Só conheci um Português assim em toda a minha vida. Curiosamente também tinha olhos azuis e cabelos louros. Também ia para a cama com toda a gente. Embora por fim acabasse por negar o «lado homossexual», como ele dizia. Não vou dizer onde está agora, não fossem os meus conhecidos que lêem o blog identificá-lo. Mas está onde dizia que seria feliz. Espero que o seja.)
E no fundo a única coisa que importa na vida é sermos felizes. Que importa tudo o resto, se não formos felizes? E eu não sou feliz. É triste dizê-lo, mais triste ainda para nós mesmos, mas eu não sou feliz...

(Outra opções são a Austrália e a Argentina. E talvez o Uruguai. Gosto muito do Uruguai. Só me falta descobrir um meio de subsistência, e meio para pagar o transporte...)

Também a propósito deste assunto: da felicidade, 1; da felicidade, 2; memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris!; As pessoas felizes são-no; as infelizes justificam-se...

11 comentários :

  1. Respostas
    1. Quanto mais longe de Portugal, melhor! Vendo o meu passaporte a quem o queira comprar. E é só porque o dinheiro me fazia um jeitão, senão dava-o mesmo.

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  2. Adorei. Venha conhecer Florianópolis. Conhecida como "Ilha da Magia". Se a Ilha te "captura" nunca mais sai daqui. Beijo e parabéns. Gosto muito de como você escreve.

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    1. Obrigado, Miriam. Beijinhos.

      P.S. Se algum dia for ao Brasil, concerteza que tentarei visitar.

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    2. Vou te dizer; eu por aqui sou muuuuuuuuito feliz. Ganho pouco mas amo muito.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Obrigado pelo comentário, Eli. E, no entanto, há estudos que comprovam que o Brazil está entre os povos mais felizes: http://issuu.com/earthinstitute/docs/world-happiness-report Quando falo de felicidade, refiro-me a algo que vem de dentro, não às misérias que se vêem de fora. Claro que tenho noção das tremendas injustiças. Quando falo em emigrar para o Brasil, não é tanto no sentido de ganhar a vida. Estou na Suiça, onde se ganha muito mais... É no sentido de viver. Viver por viver. Mas, enfim, era isso que eu queria saber, se era pré-conceito meu, ou se os Brasileiros se viam a si mesmos como um povo feliz. Quanto aos brasileiros que conheci, até posso dizer que foram/são bastantes. Claro que será sempre uma amostra reduzida, num universo tão grande. E o que muito me admirou, sempre, como no caso que refiro, é como é que era possível alguém que tinha uma vida tão complicada, podia irradiar tanta alegria... Beijinhos e Obrigado pelo comentário.

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  4. Gostaria muito que você estivesse com a razão eque me convencesse.
    Uma brasileira que, só não é bem feliz por ter nascido aqui, no Brasil.

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  5. André...eu tou indo(bom, só a meio de Julho)...por ora só por dez dias, depois direi, também estou muito curiosa por saber se é mesmo como dizem - um povo feliz.
    ~CC~

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  6. O que não suporto é esse colonialismo mental de certos brasileiros que por motivos políticos se recusam a ver o quanto o Brasil mudou nos últimos anos.
    Se não estão felizes deem o fora e vão lavar vidraças em Londres.Nos poupem de seu pessismismo incoerente.

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  7. O que não suporto é esse colonialismo mental de certos brasileiros que por motivos políticos se recusam a ver o quanto o Brasil mudou nos últimos anos.
    Se não estão felizes deem o fora e vão lavar vidraças em Londres.Nos poupem de seu pessismismo incoerente.

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