segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Vergonha da Europa - poema de apoio à Grécia, de Günter Grass

Günter Grass
© Fotografia de Mimsy Moller

À beira do caos porque fora da razão dos mercados,
Tu estás longe da terra que te serviu de berço.
O que buscou a Tua alma e encontrou
rejeita-lo Tu agora, vale menos do que sucata.
Nua como o devedor no pelourinho sofre aquela terra
a quem dizer que devias era para Ti tão natural como falar.
À pobreza condenada a terra da sofisticação
e do requinte que adornam os museus: espólio que está à Tua cura.
Os que com a força das armas arrasaram o país de ilhas
abençoado levavam com a farda Hölderlin na mochila.
País a custo tolerado cujos coronéis
toleraste outrora na Tua Aliança.
Terra sem direitos a quem o poder
do dogma aperta o cinto mais e mais.
Trajada de negro, Antígona desafia-te e no país inteiro
o povo cujo hóspede foste veste-se de luto.
Contudo os sósias de Creso foram em procissão entesourar
fora de portas tudo o que tem a luz do ouro.
Bebe duma vez, bebe! grita a claque dos comissários,
mas Sócrates devolve-Te, irado, a taça cheia até à borda.
Os deuses amaldiçoarão em coro quem és e o que tens
se a Tua vontade exige a venda do Olimpo.
Sem a terra cujo espírito Te concebeu, Europa,
murcharás estupidamente.


Tradução de Carlos Leite, via facebook de Luís Galego, autor do blog Sociologia y Cultura.

2 comentários :

  1. Este tipo nunca me enganou (pela positiva).

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Conheço pouco, infelizmente... Tenho lá um romance perdido nas minhas estantes que ainda não li... Está na minha lista de autores a ler... Mas não há tempo nem dinheiro (não sei qual a ordem correcta) para tudo... Abraço.

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...