quarta-feira, 7 de março de 2012

memórias pequenas #4

Não é uma memória assim tão pequena. Não sei se ainda tinha catorze anos ou tinha quinze, foi por volta da data em que faço anos. Durante os últimos anos quase apaguei por completo esta memória. O dia em que ia morrendo afogado. Durante estes anos todos também não sabia quem me tinha salvo no último instante, e quando esta lembrança ressurgia no meu pensamento, só me lembrava do momento em que estava agarrado ao bordo da piscina, como quem agarra a vida presa por um fio. Até que reencontrei o Rui e ele me disse jocosamente Tu devias agradecer-me por ainda estares vivo!, e então enquanto dávamos um forte e longo abraço, ecoaram na minha memória as suas palavras a refilar comigo já sentado na berma da piscina, um eco sem palavras definidas, mas zangadas e aliviadas. O Rui com que agora me encontro por vezes para tomar café e falar da vidinha.

4 comentários :

  1. A vida tende a trazer-nos de volta, ao menos uma vez, os que foram realmente importantes para nós. Os outros, desaparecem numa curva apertada e nunca mais os vemos. Nestes casos, ainda bem. Nos outros, também.

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  2. O Rui será sempre fundamental na tua vida, não pelo que é no presente, mas pelo que representou no passado.

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  3. Deve ser até uma memória bem grande, um momento desses, André
    PS: Não posso jurar que não seja um robô, mas se for será uma surpresa. Desculpe lá André, mas não pode tirar essas letrinhas?

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  4. Carlos, mas estão a aparecer letrinhas?! Que porcaria! Não sabia! Eu quando comento no (meu) blog não me aparecem. Foi coisa da google/blogger... Vou já ver se consigo tirar.

    Não, não sei porquê - apaguei da memória. Sei que aconteceu, pouco mais. Na memória ficou apenas o momento difuso entre o instante em que perdia os sentidos e aquele em que os recuperava...

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