terça-feira, 20 de março de 2012

Com os Holandeses - J. Rentes de Carvalho

Com os Holandeses de José Rentes de Carvalho

Com os Holandeses, é até à data o último livro de J. Rentes de Carvalho que adquiri. A imagem que utilizo neste post foi retirada na internet - na minha edição não aparece a palavra «Romance» sob o título. Foi o primeiro livro que acabei de ler, daqueles que trouxe comigo. Entretanto tenho-me entretido a ler em francês, dois livros que adquiri aqui (na verdade, que adquiriram por mim). Prefiro o verbo adquirir ao verbo comprar, quando me refiro a livros. É uma maneira de não tratar os livros como um mero produto comercial.

(É tarde, e amanhã tenho que me levantar cedo - por isso deixo o post a meio: amanhã virei copiar para aqui um excerto que gostaria de partilhar. Não tenho respondido aos comentários que me têm deizado; assim que estiver completamente estabelecido e organizado, responderei a todos. Aproveito para agradecê-los. Sabem que aqui Com os Suiços o mundo funciona de outras maneiras - e ainda bem.)

Excerto (acrescentado a 20/03/2012; post publicado originalmente a 18/03/2012):


Num debate oiço um professor de Medicina afirmar: «Os obesos são um risco para a sociedade, custam dinheiro porque estõa mais frequentemente sujeitos a doenças. Por isso seria razoável obrigá-los a pagar um prémio de seguro mais elevado, calculado em função do seu excesso de peso.» No mesmo debate logo outro professor acrescenta. «E deveria ser criado um organismo regulador da importação, fabrico e venda de certos produtos alimentícios, no qual um dietista tivesse assento e direito ao veto.»
Assim nos proibirão um dia de comer do que gostamos, com o pretexto de nos proteger de nós próprios e economizar os fundos da sociedade. E de uma proibição facilmente se passa a outras, sempre em nome da humanidade, esquecendo o homem.
Eu, que sou calvo, e portanto contribuo pouco e irregularmente para a corporação dos barbeiros, estou sujeito a que amanhã, se tal mentalidade levar a melhor, me carreguem com um imposto extra. Porque sempre chega o momento em que o imposto deixa de ser contribuição para o bem-estar comum e se torna castigo aplicado àquele que recusa, ou não é capaz de seguir o rebanho.
Que quer essa gente que na Holanda ainda não é partido político, mas que cedo o poderá vir a ser? Lei, ordem, progresso, cidadãos que trabalhem, comam, gozem e durmam a horas certas, que vão de férias em datas fixas, que vivam contentes à força e, antes de morrer, se arrumem eles próprios no caixão de plástico estandardizado, etiquetado, fácil de levar para o crematório.
Claro que tal tendência não é só holandesa, existe noutras partes, mas aflige ver a facilidade com que tais ideias aqui tomam raiz e como o cidadão, paciente e manso, quase domesticado, se verga e as aceita.
Em nome de quê? Do bem comum. Mas bem comum não significa neste caso bem-estar comum, mas sim riqueza. 

2 comentários :

  1. Acho que estamos todos bastante curiosos, por saber novidades da tua vida por aí.
    Quando puderes, posta algo sobre isso...

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