quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os Emigrados - Poema de Álvaro de Campos


Sós nas grandes cidades desamigas,
Sem falar a língua que se fala nem a que se pensa,
Mutilados da relação com os outros,
Que depois contarão na pátria os triunfos da sua estada.
Coitados dos que conquistam Londres e Paris!
Voltam ao lar sem melhores maneiras nem melhores caras
Apenas sonharam de perto o que viram - 
Permanentemente estrangeiros.
Mas não rio deles. Tenho eu feito outra coisa com o ideal?


E o propósito que uma vez formei num hotel, planeando a legenda?
É um dos pontos negros da biografia que não tive.


Álvaro de Campos, in Poesia, p. 256 (Assírio & Alvim)

Imagem daqui.

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