sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sexta-Feira, 13

Sexta-Feira 13, Friday 13, Vendredi 13,


Para testar isto das sextas-feiras 13 fiz dois exercícios: a) Onde estava e quais os acontecimentos pessoais relevantes nos últimos 13 anos no dia 13 de Janeiro? b) Onde estava e quais os acontecimentos pessoais relevantes nas últimas 13 sextas-feiras 13? Eis os resultados desta pesquisa:

Exercício a)

Quarta-Feira, 13 de Janeiro de 1999: Andava deprimido, sem razões para morrer, nem para viver. Ia ter teste, e tinha que estudar. Estudar era uma grande maçada. Tinha sempre a sensação de estar a ler coisas que já sabia das aulas. Desisti do estudo. Tive «Muito Bom». A professora não quantificava.

Quinta-Feira, 13 de Janeiro de 2000: Na Guarda, sem fazer nada, rigorosamente nada. Um dia tão sem nada, que só me recordo que no dia anterior o Benfica ganhou 7-0 ao Amora, num jogo a contar para a Taça de Portugal.

Sábado, 13 de Janeiro de 2001: Fim-de-semana passado em Coimbra, à volta de alguns trabalhos académicos. Ia começar a última semana de aulas, depois vinha a época de exames.

Domingo, 13 de Janeiro de 2002: Devo ter passado este dia em Coimbra, ou a caminho de Coimbra. Não sei. É o único dia 13 de Janeiro dos últimos 13 anos de que não me recordo de rigorosamente nada, nem tenho nada a assinalar o que quer que seja.

Segunda-Feira, 13 de Janeiro de 2003: Andava a estudar para o primeiro exame da época, na quarta-feira seguinte. Refiro isto por uma simples razão: tive 13 nesse exame. O dia 13 passei-o com uma horrível constipação, e fortes dores de cabeça, daquelas de provocar delírios.

Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2004: Andava preocupado com o elevado número de trabalhos que tinha para fazer. E desta vez nem se podia afirmar que fora a minha procrastinação que me tramara; de repente os professores haviam-se lembrado que só o exame não servia para a avaliação. Coisas do Conselho Pedagógico, com certeza. E os exames para os quais ainda não tinha estudado rigorosamente nada à porta. Aflição, só aflição.

Quinta-Feira, 13 de Janeiro de 2005: Este dia 13 foi de azar para mim. Na viagem da manhã, a caminho do local onde efectuava o estágio curricular, despistei-me e fui bater no morro do outro lado da estrada. O Carro tombou para a valeta, acabando por ficar de rodas para cima. Ou se calhar foi de sorte. Eu não tive nem um pequeno ferimento, e o carro só «amachucou» a chapa toda em volta. De qualquer modo, o valor da compustura era muito superior ao valor do carro, que foi vendido para a sucata.

Sexta-Feira, 13 de Janeiro de 2006: Um dia terrível em que não tinha vontade, nem força, nem motivação para me levantar da cama. Desempregado e sem prespectivas. Ainda por cima liga-me uma pessoa para discutirmos as nossas divergências. Ficámos 5 anos e meio sem nos voltarmos a falar. Se calhar esta sexta-feira, 13 fica do lado das azaradas. Enfim, de qualquer modo já andávamos às turras há quase um ano.

Sábado, 13 de Janeiro de 2007: Apresentação do meu livro em Pinhel. Um dia frio, de nevoeiro. A correr de um lado para o outro.

Domingo, 13 de Janeiro de 2008: Desempregado novamente e sem nada que fazer. Só saí de casa para tomar café. Por ser domingo, tudo fica mais depressivo ainda. Pensei no que se passara nesta data no ano anterior. E fiz um post. Uma private joke só para mim. Privada, demasiado privada.

Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009: Na Guarda, no trabalho. Um dia igual a tantos outros. Nada, mesmo nada de relevante. Ansiava por neve.

Quarta-Feira, 13 de Janeiro de 2010: A prova de que a vida é um tédio. Na Guarda, no trabalho. De x a x horas, às vezes mais.

Quinta-Feira, 13 de Janeiro de 2011: A mesma monotonia dos anos anteriores. Na Guarda, no trabalho. Já desconfiava que a empresa ia encerrar, mas ainda não sabia nada de concreto.


Exercício b)

Sexta-Feira, 13 de Fevereiro de 2004: Fiz o último exame da época de exames. Saí da sala com a sensação muito forte de que iria chumbar. Todos os meus colegas mais chegados que tinham esta disciplina haviam optado por deixá-la para a época de recurso.

Sexta-Feira, 13 de Agosto de 2004: Tinha voltado a fumar, fazia exactamente uma semana, depois de quase 6 meses sem fumar. Já não me recordava deste período sem fumar. Por três vezes estive um ano ou mais sem fumar, voltei sempre a recair no vício. De férias sem nada para fazer.

Sexta-Feira, 13 de Maio de 2005: Em casa, a projectar o relatório de estágio, que tinha que começar a fazer; faltavam duas semanas para o estágio acabar. Andava exausto. 

Sexta-Feira, 13 de Janeiro de 2006: Já o disse em cima. Volto a repetir: um dia terrível em que não tinha vontade, nem força, nem motivação para me levantar da cama. Desempregado e sem prespectivas. Ainda por cima liga-me uma pessoa para discutirmos as nossas divergências. Ficámos 5 anos e meio sem nos voltarmos a falar. Se calhar esta sexta-feira, 13 fica do lado das azaradas. Enfim, de qualquer modo já andávamos às turras há quase um ano.

Sexta-Feira, 13 de Outubro de 2006: Um dia sem nada a contar, passado no trabalho - o estágio profissional ia a meio, e a motivação não era muita, uma vez que sabia à partida que findo o estágio acabava o trabalho.

Sexta-Feira, 13 de Abril de 2007: Novamente desempregado. Enfim, um dia opressivo como outro qualquer. Vou ocupando o tempo com os meus devaneios blogosféricos.

Sexta-Feira, 13 de Julho de 2007: Fazem anos dois amigos meus que não se conhecem de lado nenhum. Dia 12 e dia 13 de Julho são dias de beber um whisky duplo sem gelo. Na blogosfera os meus devaneios continuam. Estreia um filme do Harry Potter, e o lançamento do último livro da série está para sair. Acaba a primeira semana de um trabalhito de duas.

Sexta-Feira, 13 de Junho de 2008: Estou na Guarda, no terceiro mês do novo trabalho. Nada de mais. Apenas o dia-a-dia. É o dia de anos do Fernando Pessoa.

Sexta-Feira, 13 de Fevereiro de 2009: Mais um dia passado na Guarda, no trabalho, rotineiro, enfadonho, sem expectativas. Ando com ganas de me demitir, de mudar de vida. Mas mando CV's e nem me respondem. Vou até Pinhel, à noite, onde já se notam agudos sinais da crise. No dia seguinte será o Dia dos Namorados, o que só torna o dia mais depressivo, nada mais. 

Sexta-Feira, 13 de Março de 2009: Um dia de trabalho como outro qualquer.

Sexta-Feira, 13 de Novembro de 2009: Além do trabalho, tenho outro trabalho: algumas horas a dar formação num curso EFA: Educação e Formação de Adultos. Enfim, um inutilidade. Triste país que persiste.

Sexta-Feira, 13 de Agosto de 2010: Último dia de trabalho antes de duas semanas de férias. A semana seguinte será para ficar em casa sem nada que fazer, e preparar o saco para as primeiras férias dignas desse nome desde há muito tempo: 9 dias em Londres. Férias low-cost. Avião low-cost. Hostel low-cost.

Sexta-Feira, 13 de Maio de 2011: Outra vez desempregado. Um dia como outro qualquer. Ainda nem me fui inscrever ao Centro de Emprego para receber subsídio. Penso que talvez seja melhor despachar-me antes que acabe. Envio um série de CV's por alguns amigos, e outros directamente para as empresas. Mais por alívio da consciência.

Depois de concluída esta análise superficial não me parece que exista qualquer correlação entre as sextas-feiras, 13, e o azar. São dias tão enfadonhos como os outros. Até mais enfadonhos, visto que os únicos azares aqui contabilizados são noutros dias 13...

Adenda: Também nunca ganhei o EuroMilhões numa Sexta-Feira, 13, nem nas outras Sextas-Feiras; nem sequer nas Terças-Feiras, 13, ou não.

Imagem daqui.

3 comentários :

  1. Tens que te ter socorrido de um diário ou então tens uma memória prodigiosa.

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  2. não consigo olhar assim para trás com esse rigor. e talvez nem o queira... talvez por isso não me descreva quotidianamente, por receio que o peso do passado revisitado me amarre e me tolha o presente.

    agora a sério, é como diz o pinguim, ou tens um diário, ou tens uma memória prodigiosamente detalhada... (eu, nem um nem outra)

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  3. Pinguim e Menino de Sua Mãe, é um pouco dos dois! A memória já não é prodigiosa, embora tenha uma boa memória. Na maioria dos casos nem tenho entradas nos diários, correspondente aos dias em questão. Mas se me conseguir recordar do dia antes ou depois, chego a memórias do próprio dia. Só há um dia, como disse no post, em que não me consigo lembrar de nada... Abraços.

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