terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cumprimentos


Nas últimas semanas tenho feito uma experiência que consiste em dizer que ando mal a todas as pessoas que me perguntam «como andas?» De facto esta é uma daquelas perguntas que de modo automático fazemos e a que como autómatos respondemos «bem, obrigado». Bem, a resposta varia, desde o amorfo «tudo ok» até ao expansivo «tudo sobre carris». Claro que todos sabemos que nunca pode estar tudo bem, nunca está tudo bem, umas vezes está-se bem, outras menos bem, outras mal, muito mal. Todavia, ainda que o estado anímico interior varie, a resposta que obtemos quando fazemos a questão, ou aquela que nos atrevemos a dar quando nos fazem a mesma questão, pouco difere. É quase sempre uma ligeira variação desse «tudo bem».
«E contigo?»
«Também!»
E arriamos caminho.

Enfim, cheguei à óbvia conclusão: as pessoas não querem saber. E é por isso que dizemos sempre que «está tudo bem». Para seguirmos caminho sem constrangimento...

(Não se esqueçam de votar «Ainda que os Amantes se Percam...» na categoria «Blogue Revelação (nascidos em 2011)» Obrigado.)

3 comentários :

  1. Olá de novo, André!
    Tudo bem? :))
    Também já fiz certa vez essa experiência.
    De facto numa altura que não estava de modo algum "tudo bem"...
    Qual a reacção das pessoas, quando começava a responder o que me ia na alma?
    Foi frustrante: ou ficavam baralhado/as com a inaudita resposta, ou ficavam aflitos, com ar de arrependido/as de sequer terem perguntado...
    De facto muito pouca gente quer saber a resposta. Sobretudo muitas das pessoas que usam essa pergunta a substituir o aperto de mão como o da imagem.
    Corrijo, não é o não quererem saber, é a tal pressa. É mais um cumprimento assertivo traduzível por "Olá! E desejo que tudo esteja bem contigo, que tenhas vida feliz. Adeusinho!".
    É como o "Obrigado". Quem, ao dizê-lo, se sente mesmo na "obrigação" de vir a retribuir a simpatia, o que quer que seja?
    Abraço blogosférico
    Margarida

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  2. Isso é uma grande verdade; mas a pergunta também é um cliché...

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  3. Bem, eu já desisti de o perguntar... geralmente vou directa ao assunto e só depois pergunto: como estás?
    Porque realmente já reparei que ninguém quer saber se estás bem ou não, é uma pergunta automática mal falamos com alguém.

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