sábado, 30 de julho de 2011

Citação, 5



E tinha, apesar de tudo, alguma fé nos que têm hábitos de leitura enraizados e que, quiçá fazendo parte da classe menos afectada, continuariam a frequentar livrarias e a não resistir a uma ou outra novidade. Parece, porém, que até esses estão a criar resistência aos gastos desnecessários, conscientes de que têm lá em casa imensos livros que ainda não leram e que lhes devem dar agora, com toda a justeza, uma oportunidade.

Do post Tempos Difíceis, no blog Horas Extraordinárias.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Lugar IV - Poema de herberto helder

Women, Mulher, Cidade, David Walker
Pintura com spray de David Walker


Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes param e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.

As Cidades Flutuantes


há cidades longínquas onde as ruas são oblíquas como os sonhos
com becos escuros e recantos húmidos que a noite encobre
com ruelas esguias e esquivas que o desejo domina
cidades aladas com cruzamentos inebriantes como o sexo
com veredas doces adormecendo e carreiros acres como o despertar
cidades invisíveis onde são as raparigas que contemplam os rapazes dormindo

há corpos escorregadios que se envolvem com gestos largos como as estradas que circulam as cidades
corpos que se acendem durante a madrugada e percorrem solitários as avenidas
onde prédios colossais e resplandecentes se erguem como o amanhecer

há fábricas cinzentas com chaminés de chumbo
nos arredores envergonhados como se escondessem segredos indizíveis
onde os finais de tarde são enublados como as manhãs
crepúsculos embaraçados como os rapazes tímidos que esperam os autocarros de mãos nos bolsos
e caem distraidamente nas entranhas do betão
atravessando as chaminés hirtas no horizonte absorto

há desejos invisíveis que cruzam os prédios transversalmente como uma brisa fresca de verão
desejos impossíveis que se vestem às escondidas nos apartamentos dos arrabaldes
ensejos rumorejantes que se concretizam sobre o manto utópico da fantasia

há velhos fitando as raparigas que sobem apressadas escadas infinitas
há caminhos rodopiantes atravessando os sentidos junto aos beirais
há cidades dentro das cidades mudando as cidades
há cidades diferenciando-se dentro das cidades
cidades flutuantes subindo sobre si mesmas até ao infinito


Poema de André Benjamim. Para aqueles que também lêem o meu outro blog é apenas uma republicação. Publicado com letras minúscula para que os versos caibam inteiros na linha que lhes pertence.

Imagem de Pedro Varela.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A Origem do Conto do Vigário, de Fernando Pessoa


Publicado pela primeira vez em 30-10-1926, no diário Sol (Lisboa, Ano I, n.º 1), com o título «Um Grande Português», este pequeno conto - ocupa na edição da imagem acima 4 páginas - foi mais tarde republicado, em 18-08-1929, no Notícias Ilustrado (Lisboa, 2.ª série), com o título «A Origem do Conto do Vigário».

Abaixo transcrevo o conto na totalidade. Transcrito de um pequeno livro com vários contos e crónicas publicados por Fernando Pessoa em vida, ou deixados na arca à espera do seu dia.

Depois que os direitos de autor da obra de Fernando Pessoa caíram - caíram será a palavra certa? Podia dizer, "atiraram para", sei lá... - no domínio público é esta a completa javardice a que se assiste: Como é possível quererem vender um livro - segundo as normas da UNESCO nem sequer chega a ser livro, pois não tem as necessárias 48 páginas; podemos portanto chamar-lhe «coisa», essa «coisa» que se vê na imagem acima -, como é possível quererem vender uma coisa em que apenas 4 das 36 páginas são do autor, por 5,95€? - Se isto não é de «vigarista», não sei o que o será...

Será que não há ninguém com tomates neste País?! Não há por aí ninguém que proteja e defenda o Património Cultural deste País? Perdoem-me o tom coloquial (ou brejeiro, não se ofendam), porém dá-me asco - ou nojo - assistir à pouca-vergonha, descaramento, ou outra coisa qualquer, com que o nome de Fernando Pessoa é usado, abusado, e aproveitado. Se os direitos de autor da obra de Fernando Pessoa são do domínio público, que haja alguém - pessoa, instituição, ou Ministério (Secretaria de Estado, vá) - que zele pela sua preservação e protecção! E não, este não é um dos piores exemplos. E não, a obra de Fernando Pessoa não é a única que precisa de preservação e protecção!


Abaixo, o conto completo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

125 Anos da Morte de Cesário Verde


Há 125 anos morre no Lumiar, Cesário Verde, sem que a sua maior ambição tivesse sido realizada - a publicação em volume dos versos que escreveu. As suas poesias ficariam dispersas até que Silva Pinto as reuniu na obra «O Livro de Cesário Verde», em 1887. A primeira edição deste livro não chegou a entrar no mercado livreiro, sendo por isso uma raridade que qualquer bibliófilo almeja possuir. Em homenagem a este grande poeta publico aqui o poema De Tarde.

Profecias de Gonçalo Annes Bandarra



Sente Bandarra as Maldades do Mundo e Particularmente as de Portugal:

domingo, 17 de julho de 2011

Soneto de Jorge de Sena - Quem muito viu...



Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;

e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi –

não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.

Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.


Soneto de Jorge de Sena, Brasil, 1956-65

sábado, 16 de julho de 2011

páginas dispersas de um diário, 3


Trago comigo o sono de anos. O sono de noites sem fim, de noites em que mil faces passadas, distantes, perdidas, me vieram acordar. Em que mil fantasmas e demónios não me deixaram dormir. Trago comigo o cansaço de uma insónia maior que a minha vida. De uma insónia que começou antes de mim e se projecta para além de mim. Do intervalo que sou. Trago comigo a insónia de uma existência passada e de outra futura. Trago comigo a insónia de não ter dormido, e a insónia daquilo que não dormirei. Trago comigo a Dor do que sofri, e a Dor do que sofrerei.

Tanto para fazer amigos como para fazer inimigos, a vida é demasiado curta. Amor e Ódio são dois sentimentos cansativos, que consomem depressa o pequeno pavio a que chamamos Vida. Por isso são dois sentimentos abomináveis. Confesso que são crimes que já cometi. Mas não deixarei que me acusem de tal pecado. Que não me acuse ninguém de ser seu amigo ou seu inimigo. Aqueles a quem roubei a vida, a eles me confessei.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris!


E se pudesses voltar atrás?

Voltavas a correr para os seus braços e voltavas a agarrar-te com a mesma força e impetuosidade ao seu corpo, apesar de todos os dias morreres um pouco e todos os dias sentires essa revolta e esse ódio; e voltavas a acreditar nas suas palavras e numa felicidade incomparável, ainda que todos os dias te perguntes como pudeste acreditar em palavras tão vãs e digas para ti mesmo que o que mais querias era nunca teres conhecido a única coisa por que trocarias a vida. Se pudesses voltar atrás voltarias a errar e a arrepender-te, e voltarias a acreditar e a amar, e voltarias a querer voltar atrás, e passarias a eternidade a voltar atrás, da mesma maneira que todos os dias dizes a ti mesmo que vais esquecer, e passas os dias a recordar.


O Anjo Azul - Excerto

The First Kiss (1873) - de William Adolphe Bouguereau

Falou-lhe do céu que escurecia no crepúsculo
E que alvorecia em cada aurora
Lembrando que tudo acaba
E tudo começa, e volta a acabar
Sucessivamente e infinitamente.
Falou-lhe do sol que brilha de dia
E das estrelas que brilham de noite:
«As estrelas, distantes umas das outras,
»Perto permanecem, em constelações,
»Como os amigos permanecem em amizades!»
(As amizades são como constelações,
São laços invisíveis que unem os amigos
Como unem as estrelas,
Em amizades como em constelações!)
«Parecem tão frágeis esses laços
»Mas são inquebráveis!»,
Ouvia-se no seu coração a murmurar.
«São a prisão que nos liberta,
»E presos nas celas dessa fortaleza
»Podemos voar!»

Poema de André Benjamim

quarta-feira, 13 de julho de 2011

As Mil e Uma Noites - livros que nunca devia ter lido, 4

As Mil e Uma Noites, Antoine Galland
(4) As Mil e Uma Noites, versão censurada do persa (ou terá sido do árabe?) para francês, por Antoine Galland, e depois traduzida deste para português, desconheço com quantas censuras mais. Passaram doze anos desde que pela primeira vez esta obra veio ter comigo, até que consegui lê-la naquilo a que chamarei uma edição com o texto completo. Da primeira vez que comecei a ler, era uma edição em três ou quatro volumes - tenho ideia que dizia no prefácio desse primeiro volume por quantos volumes era constituída aquela edição, mas não me recordo - da qual só já existia um. Não sei se nas mãos do primeiro dono daquela edição terão havido os outros volumes. Era um livro dos anos 60, com papel carcomido, rasgado, e bafiento. Tinha uma pequena introdução - ou oração - de nove ou dez linhas, em que se dedicava a obra a Mafoma - Mafoma é outra maneira de dizer, ou de escrever, Mahomet - ou o mais aportuguesado Maomé, o profeta.

Não tendo acesso aos outros volumes, doze anos passaram até que conseguisse concluir a leitura destes contos árabes. E que saudades eu tive daquela antiga edição. E que tristeza me invadiu por não ter tido os restantes volumes, como já sentira naquele tempo, com aquela letra grande. Sim grande! Havia de ser proibido por lei a edição num tamanho inferior a 12. Há leis para tantas coisa! E esta seria uma lei da mais elementar justiça: é até uma questão de saúde pública! A edição em que finalmente consegui ler As Mil e Uma Noite é impressa numa letra tão pequena, que fere os olhos, como se as palavras assim reproduzidas fossem agulhas afiadas a trespassar a córnea. E são 983 páginas assim! 983 páginas que li sofregamente, noite após noite, numa leitura mais demorada que o habitual, como se de ler todas as noites mais um pouco dependesse a minha vida, como dependia a vida de Xerazade: acabar a história da noite anterior e começar uma nova que, astutamente, deixava sempre a meio.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O Analfabeto Político - Poema de Bertolt Brecht

Imagem de Filipe Moretzsohn

O Analfabeto Político

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguer, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.


Poema de Bertolt Brecht.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

páginas dispersas de um diário, 2



Tenho lido «Todos os Nomes» de José Saramago. Ao mesmo tempo tenho em aberto «As Flores do Mal» de Charles Baudelaire, «Retrato do Artista quando Jovem» de James Joyce, e «Dom Quixote de La Mancha» de Miguel de Cervantes, numa edição em dois volumes... Nunca consigo ler apenas um livro de cada vez. A não ser quando começo e leio de uma assentada... No final do mês sai o novo livro do José Saramago, «Ensaio sobre a Lucidez», segundo o próprio, "um escândalo do caraças"...

Tinha começado a escrever. Algumas páginas atabalhoadas, um projecto de um projecto qualquer, que acabou por ser coisa nenhuma. Acabei por deitar tudo fora. Agora já há muito tempo que não escrevo uma linha - uma frase, um verso, uma coisa qualquer. Tenho para ali o rascunho de um romance, que me ocupou durante alguns meses o pensamento, mas com o passar do tempo, não sei se ainda se aproveita o título. Começo sempre pelo título. Sem título é como se não existisse. Assim, com o título, existe sem existir. Talvez rasgue aquele amontoado de folhas. É esse o seu destino. Cada livro tem o seu. Tal como salto de leitura em leitura, também salto de projecto em projecto: as palavras vão-se repetindo; vão sendo uma e outra vez as mesmas, como é a mesma a Dor. É uma repetição monótona, como monótona é a vida. É dizer sempre o mesmo de maneira diferente, com as mesma palavras. É entediante, e cansativo... É a mesma e silenciosa agonia. É a mesma monstruosa opressão. São as mesmas as palavras. E de maneira diferente volto a dizer a mesma Dor.

Terça-Feira. O dia todo sem nada para fazer. Como amo - e odeio, odeio! - o ócio! Sim, sem nada para fazer. Sem nada! Hoje não quero compromissos! Não me marquem encontros. Não me arranjem trabalhos! Hoje não quero reuniões! Não quero computadores. Não quero faculdade. Quero ócio! Só quero ócio, e ócio apenas. Recostar-me no sofá a tarde toda! Deixa tombar a cabeça, sonolento! Hoje não quero nada, e se me perguntarem por mim, direi que não estou! E, e, e... Vão, vão passear! Eu hoje tiro folga de mim! E de vós que aí estais, e que existis em mim. Eu hoje quero ser só. Mais só que nunca. Verdadeiramente só. Só por dentro, e só por fora... Não quero convívio, não quero cafés, não quero nada! Não me aborreçam. E até amanhã!

domingo, 10 de julho de 2011

Argumentos para Filmes de Fernando Pessoa


Argumentos para Filmes. Fernando Pessoa. Disponível nas livrarias nos próximos dias. No site da Bertrand, e no site da Porto Editora - wook -, informam que está disponível para envio a partir de 18 de Julho. Em algumas livrarias por vezes conseguem-se comprar os livros antes da data oficial. E pronto, lá vou ter que gastar mais alguns euros - eles que estão tão caros - num livro. Novamente em edição da Ática, a Ática que foi a primeira editora a lançar as «Obras Completas» de Fernando Pessoa. E foi nas edições da Ática que pela primeira vez li o Fernando Pessoa & Ca. Gostava de ter a obra completa das Obras Completas do Fernando Pessoa na Ática. Embora prefira a edição da Assírio & Alvim. As «Obras Completas» do Fernando Pessoa parecem estar amaldiçoadas, e teimam em ficar incompletas nas editoras que as lançam. Não sei se a Assírio & Alvim vai continuar a efectuar a publicação de inéditos do poeta, agora que os direitos de autor estão no domínio público. O que é uma pena. Tenho visto, lido, ouvido sobre centenas de obras do Fernando Pessoa lançadas no mercado nos últimos anos. É uma tristeza, mas é assim. O código dos direitos de autor assim determina, que passados 70 sobre a morte do autor, os direitos de autor passem para o domínio público. Quanto a mim, é uma treta!, para não dizer outra coisa. Os direitos de autor deveriam ser sempre dos herdeiros. Ou daqueles a quem os herdeiros os vendessem. A propriedade da terra, que não é de ninguém, passa de geração em geração, herdada ou comprada/ vendida. A propriedade intelectual, ao fim de 70 anos é pública. Enfim. Estou a divagar. Este vou comprar. E ainda há outro - lançado já há largos meses, como sói dizer-se, esse sim numa editora verdadeiramente manhosa, que ainda me falta. As «Obras Completas» do Fernando Pessoa estão destinadas a ficar para sempre incompletas...

Cem Sonetos de Amor - de Pablo Neruda

Minha feia, tu és uma castanha despenteada,
minha bela, tu és formosa como o vento,
minha feia, da tua boca podem fazer-se duas,
minha bela, teus beijos são frescos como melancias.

Minha feia, onde estão escondidos os teus seios?
São minúsculos como duas taças de trigo.
Gostaria de ver duas luas no teu peito:
as gigantescas torres da tua soberania.

Minha feia, o mar não tem na sua loja as tuas unhas,
minha bela, flor a flor, estrela por estrela,
onda por onda, amor, contei o teu corpo:

minha feia, amo-te pela tua cintura de ouro,
minha bela, amo-te por uma ruga na tua fronte,
amor, amo-te por seres clara e seres escura.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Os Amantes Voluntários de Manuel Poppe


Noite. Um quarto de hotel de luxo. Em cena Marike E. e Giacomo G., à vontade. A cama desfeita. Clima de desordem e intimidade. Parece ligar as personagens consentimento, cumplicidade, curiosidade, agressividade, cansaço e, também, o que o espectador imaginar que sucedeu antes: que os dois corpos se tiveram.

(...)

Giacomo - Gostas de mim?

Marike - Gosto muito!...

Giacomo - Como da outra vez...

Marike - Como da outra vez...

Giacomo - Há vinte anos?

Marike - Há vinte anos!

Ficam a olhar convictos, abraçados. O pano cai lentamente.
Logo a seguir se levanta. Marike e Giacomo desapareceram. Está um senhor, vestido de escuro, em cena.

Manuel Poppe, in Os Amantes Voluntários - farsa quase trágica em 1 acto, editorial teorema (2.ª Edição Revista). Janeiro de 2000.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Não gaste palavras para viver



Juntos continuamos, passado todos estes anos,
nem a distancia chega mano, para nos distanciarmos.
recordo os tempos passados sempre contigo do meu lado,
em dias alegres, ao rubro! ou nos momentos mais pesados...
És das razões porque hoje, ainda me sinto vivo,
e sabes que sempre serás... aquele irmão que eu nunca tive...
cumplicidade na vida, é a única coisa com mérito,
e a tua amizade genuína... é a minha bomba de oxigénio,
para respirar em pleno, nesta atmosfera fodida,
para sobreviver por onde der, nesta realidade suicida...
onde os conhecidos são muitos, mas os amigos são poucos,
onde muitos corações batem, mas muito deles são ocos,
eu tenho-te a ti, e tu sabes bem que me tens a mim,
e enquanto o coração bater, nossa amizade nunca terá fim,
e sempre será assim, para o que der e viver,
pois amigo é sempre amigo, esteja ele onde estiver...
sempre pronto a ajudar, sem deixar desanimar,
e sei que se eu cair, tu me irás ajudar a levantar,
amigos assim, são como estrelas que sempre brilham....
porque ainda que distantes, elas nos protegem e nos guiam!
Aprendi que nesta vida o que nos torna especial,
é ter pessoas no coração, que têm corações iguais.


Poema do meu amigo e irmão Pedro João Alves Pego

Para a Moody's Portugal é Lixo!


Agora que Portugal é lixo - ou pelo menos é assim que somos classificados pela agência de notação financeira Moody's, ou de rating, lá como eles dizem, esses ratos de esgoto - talvez tenha chegado o momento de o sermos, mas com classe, com poesia, com arte! Portugueses de todas as classes - Portugueses sem classe alguma - chegou a hora de fazer sair de novo a Poesia para a rua, porque a Poesia está na Rua! Está na hora de se mostrar aos senhores do mundo, aquilo de que é capaz o nosso Engenho e Arte!

Prémio Literário Manuel António Pina


(Click na imagem para ampliar)


Encontram-se abertas até 30 de Setembro as candidaturas à 2ª Edição do Prémio Literário Manuel António Pina.

Instituído pela Câmara Municipal da Guarda com o objectivo de homenagear o escritor e poeta natural do distrito, o Prémio é atribuído anualmente. A edição de 2011 distinguirá a obras de poesia.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Recordação - Poema


Recorda-me lá onde estiveres;
Recorda-me nas lágrimas que escorrem do céu...


Recorda-me meu amigo verdadeiro;
Recorda-me minha mulher amada...


Recorda-me o tempo que vivemos juntos,
E recorda-me aquele em que nos separámos...


Recorda-me o tempo em que rimos,
E recorda-me aquele em que chorámos...


Recorda-me o tempo todo, que foi,
Que morreu, mas continua dentro de ti...

Citação, 4


A escravatura que acabou não acabou com as dezenas de suicídios de funcionários da France Telecom, (...) Não, a escravatura que acabou não acabou com a escravatura. Ainda que assalariada, a esmagadora maioria dos trabalhadores é hoje mal paga. À escala nacional, isso é evidente se tivermos em conta o salário mínimo nacional, um salário mínimo transformado em salário médio pela ganância das empresas. As pessoas podem não ser forçadas a trabalhar mais do que aquilo a que os seus contratos obrigam, mas são profundamente condicionadas nas suas decisões. Sobre elas paira constantemente o fantasma do desemprego. A manipulação, a coação, a pressão psicológica, difíceis de determinar e de provar, são exercidas diária e impunemente sem outros objectivos que não sejam os de levar o trabalhador a render o mais possível, ou seja, exigir o máximo retribuindo com o mínimo. (...)



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Citação, 3



Que dinheiro sobra para livros (não me fodam dizendo que não haveria quem gostasse de os comprar e não pode) para educação, ou para um pouco mais de produtos culturais que quase sempre estão reservados às elites, dos que ganham pouco mais que o salário mínimo? Disso nunca se fala, nem se pode falar ou lá vão à vida as posições e os artigos, os empregos e os comentários, os convites e as palmadas nas costas. Como aconselhou um dia Franco ao jovem Juan Carlos (na altura ainda simples herdeiro do trono), é-se escravo do que se diz e dono do que se cala. E esta gente, vive, mais do que escrever ou dizer qualquer coisa, do que cala.

Do post A frugalidade dos amigos nórdicos, no blog Âncoras e Nefelibatas.

Amigo - Poema

Friendship, Amizade, Amigos, Friends


Porque sonho contigo?
Tenho para comigo
que te chamei
- mas já não sei -
«amigo». Se vieste,
se respondeste
- que disseste? -


Tenho para comigo
que te sonhei
- que te quis! -
Mas de ti não sei,
- que te fiz? -
O que tenho,
É um sonho antigo.

domingo, 3 de julho de 2011

Código QR para telemóveis inteligentes

qrcode


Quem tenha um telemóvel inteligente é favor fazer uso dele! Post inspirado por outro no vida breve.

livros que nunca devia ter lido, 3 - manhã submersa, de Vergílio Ferreira

(3) manhã submersa, de Vergílio Ferreira. O meu exemplar perdeu a tinta, nas dobras da capa e da contracapa com a lombada, e nas dobras das badanas com a capa e contracapa. É um exemplar da Bertrand Editora, tal e qual o da imagem acima; em cima o nome do autor a branco, em letras garrafais, sensivelmente a meio o título da obra, a verde, em minúsculas, ao fundo o logótipo e o nome da editora. É uma capa simples, e gasta.

Comprei-o numa tarde estival de início de Outubro, num ano em que o Verão se prolongou pelo Outono adentro. Estava abandonado a um canto de uma montra de uma antiga livraria e papelaria que o dono mantinha aberta por vocação ou ocupação. Já tinha saído da tipografia onde fora a imprimir há três anos, e parece ter saído já velho e cansado, com as páginas mais amareladas que o que habitualmente o são as das obras da colecção do autor no mesmo formato, editora, e tipografia: talvez porque tivessem antevisto o quanto iriam ser folheadas, lidas, e relidas. Ali se encontra, na estante entre outros, do mesmo autor, com outras cores: preto, verde, laranja...

Projecto Google Plus +


Uma vez mais, o Google tenta fazer concorrências ao facebook, com o Projecto Google +. Continuo sem perceber porque é que o Google lança projectos para a internet, sem ter capacidade de resposta... Se alguém tiver por aí um convite a mais - não estou a fazer trocadilhos com o nome do projecto - pode envia-lo à vontade para o meu e-mail. Gosto de estar a par das novidades.

sábado, 2 de julho de 2011

Amigo - Poema de Alexandre O'Neill


Ando um pouco sentimental, desde que há algumas semanas, graças ao facebook, reencontrei amigos com quem já não tinha contacto, em alguns casos, há cerca de 15 anos. Desde que completei o 9.º ano de escolaridade, num colégio interno, para ser exacto, e para dar ideia do motivo. Éramos de pontos distantes do País, alguns foram mesmo para o estrangeiro, onde tinham os pais e, numa época em que a internet dava os primeiros passos, nenhum de nós tinha e-mail, ou telemóvel. Ficámos, é certo, com os telefones fixos, de quem os tinha, e com os endereços - não os electrónicos, mas aqueles para onde se mandavam cartas, escritas à mão e tudo, com selo por fora - porém, por esquecimento ou preguiça, acabámos por perder os contactos. E quando penso em amizade, há sempre um poema que vibra dentro de mim, e que lhes dedico:

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Silêncio e Desencanto


Silêncio e desencanto: são talvez as palavras que melhor descrevem o sentimento que atravessa as cidades e os campos, os corpos e as almas, os olhares e os sorrisos, - as pessoas. Silêncio de esmagamento e impotência. De desencanto com a vida, o futuro, o horizonte que se perscruta e parece cada vez mais distante. A crise, essa bolha económico-financeira, inventada pelas instituições financeiras, não para dela serem vítimas, mas para com ela se vimitizarem, e dela retirarem benefícios, não surgiu como o fim óbvio de um ciclo, mas como o início de outro: o início de um ciclo onde todas as tropelias se justificam: o desemprego que é inevitável, o encerramento de empresas (patrões, gestores e accionistas com fortunas em off-shores ou em contas helvéticas) que não são mais viáveis, - depois de investimentos titânicos dos governos europeus elas viajam para território asiático, onde a mão-de-obra é mais barata, forma de dizer «escravizada» - o gigantesco aumento da diferença entre ricos e pobres.